08 setembro 2006

DOSSIER: HOTEIS - uma história de violência

Olá.
Os meus caros colegas de grupo que me desculpem, mas penso que o blog não está no caminho certo. Para atingirmos a grande massa de leitores cibernéticos, temos que oferecer o que eles querem - SEXO, VIOLÊNCIA E TRAGÉDIA. O segredo é este, basta olhar para o 24 horas.
Então vamos lá.
Ora sexo não tem havido muito cá por casa, que isto de ter filhos tem as suas desvantagens. Tragédia ainda não aconteceu nenhuma e não estou a ver grandes hipóteses de tal acontecer.
Sobra a violência, e nada melhor do que um conto passado num hotel. É da sabedoria popular que musicos e hoteis é uma mistura explosiva.



Holel Meridien - LX

Tinhamos chegado a meio da tarde, quartos individuais, cada um vai descansar. Mas o ser humano quando em grupo tem comportamentos estranhos. Descemos para jantar, aguardamos uns pelos outros no hall e enquanto isso comentamos a maravilha dos quartos onde estavamos instalados. Alguém refere o incrivel que foi ouvir bater à porta, abrir a mesma, entrar uma rapariga, esta abre a cama e põe um chocolate no travesseiro. Este final podia ser mais interessante mas o conto passaria para a categoria de sexo. Todos nós tinhamos ficado deliciados com aquele gesto, menos nosso colega Joca, que se queixou que não tinha tido rapariga, nem obviamente, o chocolate. Admiração entre todos e começa a tentativa de explicação para tal facto. Rapidamente se resolve o enigma. Por volta da mesma hora em que a rapariga foi aos quartos, eu e o Tomi estavamos sempre a ir ao quarto do Joca para falar, para matar o tempo, para chatear. Joca fica sozinho em seu quarto e começa a fazer a barba. A rapariga bate à porta, e Joca pensando ser um de nós e não querendo ser importunado, responde carinhosamente com voz colocada, própria de um belo cantor: - Vai-te fo..... ó filha d....... Parece que houve segunda tentativa por parte da menina e bate à porta novamente. Levou com: - Pró car..... vai apanhar no.......

A história fica por aqui, gostando de referir que por menos o Materazzi levou com um gesto digno do ritual de acasalamento da cabra montesa por parte do Zidane. Se calhar o Materazzi também pensou que estava a falar para um colega.

Uma pequena desilusão

Ontem tivemos mais um ensaio. E para que saibam, nós também costumamos cantar nos ensaios... não muito, é certo. Mas para que não tenham quaisquer dúvidas, aí vai um bocadinho do Drive dos The Cars.



Após o árduo trabalho, foi preciso descomprimir. Arriscámos um bar para os lados do Campo Alegre. Já nos tinha saltado à vista, pelo seu aspecto cuidado. Uma reconstrução interessante conseguiu criar algumas expectativas. Entrámos. Música ao vivo. Teenagers a jogar cartas. Está apresentado o Shakesbeer.

Depois de nos acomodarmos, pedimos o habitual para petiscar: Pica-Pau para os abutres, tosta de queijo para o menino. O aspecto é este que podem ver.



Estava tudo muito abaixo do esperado... Ficamos tristes, realmente o sítio prometia...
No entanto, com o intuito de ajudar a gerência, ficam aqui as sugestões dadas pelos meninos:
Joca- "Podia virar bar de alterne"
Tomi- "Ficava bem como oficina automóvel"
Jony- "Que volte a ser prédio devoluto"
Eu não me pronuncio. Acho que está tudo dito. Tenho pena que o Vilhena (restante elemento da nossa boysband), mais uma vez, não tenha comparecido à chamada.
Para o próximo ensaio agendado, existem duas opções: Cufra ou Capa Negra (de novo). Aceitam-se sugestões de outros sítios interessantes. Melhores que este Shakesbeer.


Estou maravilhado

Apesar de habitual cibernauta, confesso que poucas vezes frequentei blogues. Para mim blogue só aquele, o de esquerda. Confesso que com este bloque só tive verdadeiro contacto numa viagem de regresso de uns concertos em S. Miguel. Ainda não me tinha sentado e já tinha os meus amiguinhos a rirem-se e a vociferar frases que só fizeram sentido quando eu reparei no meu companheiro de viagem, Francisco Louçã. Passei a viagem toda a pensar numa forma de meter um pouco de conversa, visto ser um privilégio passar 2h e 30m de viagem ao lado de semelhante figura. Não sei o que se passou mas não tive coragem de lhe dirigir qualquer palavra para além das habituais frases de cortesia e boa educação. Não sei porque perdi esta oportunidade de uma boa conversa. Devo padecer de um síndroma qualquer (no caso não de Estocolmo, mas provavelmente de Moscovo) pois sempre que me encontro com figuras públicas fico com o cérebro em modo especulativo, apenas consigo pronunciar termos situacionais como, bom dia, boa noite, com licença… Bom, mas o que é certo é que desde há uns dias tenho andado maravilhado com este mundo cibernético dos bloques. Parabéns aos bons blogs que tenho encontrado e muitos deles têm referência mesmo aqui ao lado.

Memórias do Padrinho I

Porque eles já foram aqui citados, fica para audição um dos episódios do padrinho e da criança. Este foi apresentado em Abril de 2002 num programa dedicado às eleições que na altura decorreram e que deram a vitória a um cherne. A criança, coitada, tinha acabado de torcer um pé... mas acabou por se juntar à marcha.
O objectivo do colectivo que fazia o Dia dos Senhores foi a partir de certa altura garantir que alguém nos processava, que alguém nos espancava ou que alguém nos torturava. Infelizmente a única coisa que conseguimos foi uma subtil reprimenda de um colega de profissão. No entanto, e porque quando ele falou connosco estava de óculos escuros, não fomos capazes de o reconhecer. Nem sabemos sequer se tinha razão ou não…

07 setembro 2006

Mais uma pérola

Por volta de 2001, ano em que a mui nobre e invicta cidade do Porto foi escolhida para Capital Europeia da Cultura, os meninos participaram num espectáculo memorável - Porto Cantado - onde participaram também vários artistas do norte. Das várias músicas que animaram as duas noites no Coliseu do Porto, ficou-me uma bem cá dentro. Não sei se por ser um excelente tema dos já extintos Ornatos Violeta, nao sei se pela brilhante interpretação da Manuela Azevedo... Sei que me toca sempre que a relembro. E relembro agora com vocês, pois bem merecem. Que todos tenhamos um capitão romance dentro de nós. (salvo seja!)


Memórias do Padrinho - uma contribuição

Era obrigatório em todos os Dia dos Senhores aparecer o insidioso padrinho e a inocente criança. Nunca soubemos o sexo da criança, nem a idade do padrinho. Mas a verdade é que sempre desconfiámos deles.
O blog ressuscitou na memória dos fiéis ouvintes as personagens. E gente, muito boa gente fez questão de lhes dar rosto. Assim a surpresa da manhã no meu mail foi ver esta tira que agora publico. Pela primeira vez eles aparecem!


Um pequeno senão: pessoas com mais de 10 dioptrias vão ter dificuldade em ler. Mas se houver dúvidas eu explico!
Um obrigado especial à Manuela e ao Jorge. Há gente doida no mundo para além de nós. Obrigado Senhor!

Memórias de viagens I

Isto hoje está para as recordações. Há dias assim. A arrumação do disco duro também ajudou a este sentimentalismo. Esta foto não é tão antiga assim. Menos de 1 ano. Natal 2005. Coruña. Passamos o dia nas compras e no passeio. Só cantamos no dia a seguir (20 ou 21, a memória já não vai lá). Aqui estamos na praia do Riazor. O tempo estava excelente. E nós com ar de quem passou a fronteira para trabalhar.

Vozes da Rádio - Coruña Natal 2005

06 setembro 2006

Memórias da Rádio I

Aos poucos vão-se revelando pormenores. De há uns meses a esta parte ando num levantamento exaustivo do trabalho do grupo ao longo destes 15 anos, porque de uma vez por todas assumimos a net como a nossa causa prioritária. Qual cantar, compor, arranjar… nada disso. Queremos ter uma página para o mundo nos ver! E garanto-vos, falta pouco para ser revelado ao mundo o segredo. Não o terceiro, mas a página deste quinteto que até agora tem estado escondida da espionagem que tenta a todo custo perceber que maravilha está para nascer. Pois só para quem tem pachorra de ler isto posso dizer que vai ter fotos, vídeos, musiquetas, ofertas e ainda uma loja com produtos da terra, que sempre dá para a ajuda do leite dos meninos.
Neste trabalho arqueológico desenterrei as emissões do Dia dos Senhores, um programa de rádio que fizemos na Rádio Nova juntamente com o Sérgio Sousa. 2 Horas ao domingo de manhã. Durante 10 meses toda a nossa insanidade veio a público. Cada domingo 1 tema. O Miúdo já colocou uma cantilena apresentada no programa dedicado às compras (Natal 2002). Aqui fica o genérico do programa. Para quem não conhece, aprecie. Quem foi bafejado pela sorte de ouvir o programa na altura, recorde! O exemplo de uma composição perfeita. Uma gentileza deste vosso humilde servo. Aguardem mais memórias. Há muitas.

Pérolas que por aí andam...

Apesar de não estar neste grupo desde a sua formação inicial, já me sinto como se fosse da casa... 6 anos servem já para conhecer e experimentar muita coisa. De muitos episódios que vivi com os meus ricos colegas, relembrei hoje um. Foi algo que fizemos e que considero, sem dúvida, uma pérola. Partilho com todos vós este bocadinho de mim, este bocadinho de nós... e Pedro, se me estás a ler... vá lá, é preciso ter fair-play! ;)

ps: agradecimento especial a duas meninas, Jacky e Tânia, pela preciosa ajuda.

Vozes da Rádio no Wikipedia

Hoje, o Wikipedia... Amanhã, o MUNDO muahahahah É a loucura :D


PS: De reparar na foto lamentável... Apesar do excelente momento captado pela nossa amiga Diana Silva, acontece que o sr. da ponta... o sr. de côr... o sr. assim um bocado para o forte... teve de levar tratamento digital para ser visto como os outros... Pela sua expressão facial, parece que já previa... De certeza que o arranjador fotográfico tem alguma coisa contra ele, só pode... desgraçado... tão boa pessoa que ele é, e fazem-lhe isto? Enfim... nem tenho palavras para qualificar acto tão cruel. Proponho juntarmo-nos à marcha lenta na vci, juntamente com o Joca, para defender mais esta causa. Por sinal, bem mais grave! Vamos acabar com o branqueamento parcial das fotos digitais!

Os mails inúteis

Passo a vida a apagar mails que não interessam para nada. Se o sistema fosse ainda o analógico não ganhava para as borrachas verdes da staedtler, ou as brancas da rotring. Não sei porque embicaram comigo, mas há sempre uma catrefada de tipos estrangeiros que diariamente me oferecem dinheiro via apostas, ou empréstimos a juro 0%. Depois há outros que fazem questão que eu compre software de todo tipo, nas últimas versões ao preço da uva mijona. Todos parecem conhecer-me muito bem, porque usam sempre o meu nome (dear Prendas) e um tratamento muito afectivo. Se calhar são meus amigos e eu nem sei.
Há no entanto outros que me enervam solenemente. Porque há coisas que são do íntimo de cada um e eles todo o santo dia, várias vezes por dia, lá me escrevem a impingir Viagra e outros medicamentos capazes de potenciar a masculinidade do indivíduo. Mas quem é que anda para aí a dar falsos testemunhos? Quem? Porque para mim é líquido, se eles me escrevem é porque alguém lhes disse alguma coisa. Alguém anda a bufar inverdades (gosto muito desta palavra. É a forma de não dizer mentiras, que é feio dizer, ensinaram-nos os nossos pais)! Posso desde já afirmar que tudo é falso. São calúnias. Trata-se de uma cabala virada toda contra a minha virilidade. Se alguma vez tiver problemas consultarei o sr. Nicolau Breyner. Esse não me escreve, mas vi na televisão que ele percebe disto… por isso será a ele que irei recorrer e nunca a uns badamecos do exterior que não conheço de lado nenhum, nunca vi a cara (ao contrário do sr. Nicolau) e entopem-me a caixa de mails com propostas desonestas e desadequadas.
Mas os piores mesmo, os que me tiram do sério, me enfurecem, são a confraria do “enlarge your penis up to 4cm!”. Todos os dias, Muitos por dia. E isto há semanas, meses, anos… Se por cada mail que chega com esta oferta eu fizesse o respectivo tratamento, neste momento sem dúvida competiria com a Grande Muralha da China. Mais uma vez lanço a pergunta, quem é que anda para aí a conspurcar a minha imagem? A quem interessa desacreditar-me assim tanto perante a sociedade? Não tenho problemas em reconhecer: sou um europeu, caucasiano. Há a sul do equador, em África, quem seja mais abonado (não Rui, não estou a falar de ti!). Mas daí a ser tratado como o possuidor de uma masculinidade microscópica, como um falhado detentor de um minúsculo e acabrunhado ser abaixo do meu umbigo, isso eu não posso admitir.
Tenho mesmo que agir! Vou lançar uma cruzada contra estes vendedores de banha da cobra. Estes impostores, mentirosos e espalhadores da calunia. Se houver quem me siga, proponho uma marcha lenta na vci para a próxima semana. Depois o movimento há-de ganhar força e repetimos o feito na segunda circular. Ainda seremos milhões a marchar na fifth avenue. Abaixo o mail inútil. Viva o vale dos correios!

05 setembro 2006

Velhos hábitos

Os senhores voltaram a encontrar-se... O ensaio (devidamente estruturado e regido pela ordem de trabalhos que, apesar da demora, sempre apareceu) começou por volta das 22:37. Depois de discutidos os vários pontos, de alguns bocejos vocais e de alguns recibos verdes preenchidos, todos os elementos caucasianos sentiram a necessidade de finalizar o ensaio com nível. Qual o local ideal para terminar um ensaio? Muitos serviriam, é certo... Mas nada melhor que um velho clássico: o Capa Negra.

A velha guarda começa por fazer o arrefecimento vocal, liderada pela grandiosidade do Joca e o seu esbelto depósito de mosto, proveniente de um qualquer cereal maltado, que ele tão carinhosamente apelida de balde... Interessante esta perspectiva, fica com um bigodinho à Hitler!

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Claro que eu não pude dispensar a tão saborosa água com gás. Fica sempre bem, mesmo estando rodeado por grandes apreciadores de álcool.

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Decidimos então o que acompanhar com as bebidas... Os 3 abutres rapinaram um prato de variadas carnes, enchidos e pickles, enquanto eu fiquei pela bela da tosta de queijo... muito bem confeccionada.

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Finalmente, após gladiarem-se pelas carnes, todos chegamos a um consenso: para calafetar, nada melhor que um quente e frio. Sabe sempre bem quando todos estamos de acordo...

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E foi assim que mais um ensaio terminou. Pelo menos para mim, que já estou em casa... Gabo os meus colegas pela força de vontade que têm, pois mesmo a esta hora da noite conseguem arranjar tempo para investir em cultura. Pelos vistos combinaram ver obras de um estilista famoso. Isto sou eu a deduzir... à quantidade de vezes que ouvi o nome passerelle...

04 setembro 2006

Oficialmente aberta a época 2006/07

Depois de umas belas férias onde imperou o descanso e também a folia (a julgar pelo testemunho do meu rico colega), é chegada a hora de trabalhar. Esperei pela ordem de trabalhos para o ensaio de amanhã, mas pelos vistos deve ter ficado entre a Rua da Alegria e Vigo... Deduzo que, depois da conversa posta em dia, se comece a rever as versões a cappella dos fabulosos êxitos dos anos 80 que foram apresentados nos últimos concertos: Video Kill the Radio Star, Final Countdown e Walking on Sunshine (fora algumas surpresas que, a seu tempo, serão desvendadas). Os anos 80 marcaram a minha infância, principalmente pelas músicas que aí se "inventaram"... Agora o nosso trabalho é reinventar essas mesmas músicas e tirar algum gozo com isso! E em que músicas dessa época podemos pegar? Alguém ajuda?? ;)

03 setembro 2006

Crónica de uma despedida de solteiro II (as gajas)

O jantar ficou para trás. Melhor, ficou nas nossas costas porque há também um ritual que se repete nestas coisas. Fica toda a gente à porta do restaurante a decidir para onde se vai. Como já ninguém está no seu perfeito equilíbrio a discussão prolonga-se muitas vezes por horas. Esta não fugiu à regra. Vigo, Porriño, Carvalhos, Marco de Canavezes, um sítio muito jeitoso em Santo Tirso, o Porto que fica mais perto… De Vigo falaram-me de um local estilo “grande superfície”. Uma coisa em grande. Apesar de ser um defensor do comércio tradicional, a ideia de um hiperbar seduziu-me até porque, a acreditar na revista da Deco, é nestes sítios que se poupa mais. Já eram duas da manhã e de facto havia muito nevoeiro. Dentro e fora da minha íris. O destino àquela hora só podia ser o Porto. E o centro.
Lá me meti no carro e, valendo-me da experiência adquirida pelos anos, segui um carro de um dos convivas, o do Mari Carmen. Atrás vinha o Mário. Podia ter escolhido melhor lebre. O Mari Carmen deu umas voltas incompreensíveis ao quarteirão. Estou a ser injusto. Àquela hora, naquele sítio e depois do jantar tudo era justificável. Fiquei a conhecer melhor (como se precisasse) a zona industrial. Finalmente encarreirámos rumo à Rua da Alegria. Porque era disso mesmo que toda a gente precisava: alegria. Aquilo que há uns anos foi bar da moda, com filas à porta, é hoje, com outro nome, um bar de strip, daqueles com varões e com disc-jockey que vai dizendo o nome das modelos (?) com uma reverberação que faz com que nada se perceba.
Chega a hora de confessar que estes lugares nada me dizem. Depois de ver um, vemos todos. Mais uma vez só muda o elenco. De resto, o filme é sempre o mesmo.
Havia meninas de pelo menos dois continentes: brasileiras, é claro (regra geral são estudantes de psicologia com umas cadeiras atrasadas) e do leste da Europa (podem ser de vários países, mas como já referi não percebi nada do que o disc-jockey dizia).
Ao som de “I believe I can fly” uma stripper dança, trepa ao varão, escorrega e depois de estar sem roupa, tapa-se com as mãos numa atitude pudica. Para quê meu Deus? (será prudente invocá-Lo nesta situação?). Segue-se outra e outra e outra. Fixei mais as músicas do que os passos de dança. Quase sempre baladas. No fim pedia-se aplausos. O melhor acontecia fora do redondel. O Securas, emérito advogado da nossa praça, abordou uma brasileira perguntando-lhe se era legal ou ilegal. Ofereceu os seus préstimos, soube que ela se chama Daiane e que vive na Areosa. Arranjou com certeza uma protegida, alguém a quem ele, com o seu espírito mais humanista, vai prestar assistência dedicada. Talvez por isso ela dedicou-lhe o strip. Foi bonito. Não me esqueço também do comentário do Mário (grande voz!) ao meu ouvido. Ele estava impressionado e num tom quase evangelizador disse-me: “estas tipas, assim tão lindas e tão bem feitas, podiam arranjar um marido e constituir família!”. “Pois podiam”, respondi eu. Não era capaz de articular mais nenhuma palavra, nenhuma ideia naquele momento. Mudei para Cola. Atitude sensata.
Momento da noite. Acontece sempre. O table dance para o noivo! Desta vez à frente de todos! Que excitante. Outra brasileira (esta tinha mais ar de ser estudante de veterinária) senta o Tó num sofá e esfrega tudo que há para esfregar no rapaz. A bancada à volta aprecia. Tudo a olhar sofregamente. O Tó no fim confessa que não “reagiu”. Não houve “reacção”. Compreensível amigo. Naquela situação, com o povo todo a ver, nem que fosse a Meg Ryan de há uns anos atrás e a Nicole Kidman (conforme está, que está bem), as duas ao mesmo tempo, provocariam o que quer que fosse neste teu amigo. No mínimo patético, o pobre do rapaz a ser literalmente espezinhado por dois peitos (sim, ela tinha dois!) e uma corja de bestas (na qual me incluo) a ver cada pormenor, cada movimento, como se fossemos júris de um combate de sumo ou de luta greco-romana.
A noite continuou. Mais umas conversas, uns olhos já semicerrados, um pesar da cabeça e a debandada quase geral passava das quatro. Houve quem continuasse. Eu fui à procura do carro. Depois de entrar, e quando já arrancava, vejo algumas das estudantes brasileiras à janela. “Oi gatinho, dá uma carona?”. Apesar de todo o meu altruísmo, não foi possível. Olhei para trás e… nunca as sentaria nas cadeiras dos miúdos. Não é cómodo para as estudantes. E, apesar da hora e de tudo o resto, ainda há um neurónio a funcionar. Foi esse que me levou a casa, sem que antes me tivesse enganado duas vezes no caminho. Dia 16 há casamento. Que bom!

Crónica de uma despedida de solteiro I (o jantar)

Esta não é propriamente uma história das Vozes, apesar de elas estarem indirectamente ligadas a ela. Foi através delas que há uns anos atrás fui convidado para ser ensaiador da Tuna da Universidade Portucalense. Aceitei o desafio em part-time e desses anos mais do que as glorias musicais (sim, porque houve algumas) fica um punhado de bons amigos. O Tó (também conhecido por Mokas) é um deles. Foi ele aliás que me convidou e ficou para sempre a ser o elo mais forte da minha ligação à tuna.
Ontem, no cumprimento de um ritual marialva implementado já no século XX, fez-se a chamada despedida de solteiro, ou seja, arranjou-se um bom argumento para um jantar e um mergulho no mundo da noite povoada por estudantes de psicologia brasileiras e que por cá lutam por um futuro mais risonho (gosto de por as coisas nestes termos, pelo menos para começar).
Já há muito que perdi a conta às despedidas de solteiro que fui. Inclusivamente já fui a duas da mesma pessoa, se bem que legalmente nunca mais se volta a ser solteiro. Todas seguem um guião idêntico. Muda só o elenco e o realizador. Com um realizador mais realista, há uns anos atrás, acabei a noite com uma pistola apontada à cabeça. A de ontem sempre foi mais pacífica.
Cheguei ao restaurante. Muito pouco de restaurante. Muito mais de central de camionagem em hora de ponta. Dezenas de grupos de noivos, noivas, aniversariantes, novos, velhos, feios, bonitos, tudo a dar ao dente e a abafar uma banda de brasileiros que cantava velhos clássicos de karaoke. No meio da confusão lá encontrei a “minha” mesa. Estavam lá quase todos: o Mari Carmen, o Tomadas, o Scotch, o Securas, o Pombinha, o Cromo, o Vanessa, o Átila, o Tom, o Joe, o Cremalheira, o Darth, o Mezenga, o Bragança, o Garrett, o Mário (finalmente um nome real) e outros que o nevoeiro da noite já apagou da memória. Havia também gente nova que eu não conhecia. Lembro-me do Micose, que me foi solenemente apresentado, pelo simples facto de ter passado o fim da noite a enrolar cigarros (fiquei na dúvida, aquilo era só tabaco, não era? Pelo menos foi a isso que me soube…)
Duas meninas bem apresentáveis vieram oferecer-nos favaíto. Os moscatéis portugueses são de longe superiores aos Martinis e quejandos. Pelo menos acredito que os nossos sejam feitos com uvas. Lá bebemos e depois começou a roda-viva das bandejas com cerveja que só terminou depois da conta estar paga. Toca a escolher. Carne para todos é claro! Longos minutos de espera aliviados por umas saladas, umas amostras de chouriço na brasa e um show único de uma menina de nome Tânia que literalmente descarregou uma bandeja de cerveja numa das pontas, molhando os que por aí estavam e partindo vários copos. O sumo do show foi mesmo o varrer do chão com a jovem a inclinar-se de forma muito pronunciada deixando o decote à vista dos comensais. Não se faz isto com gente tão jovem!
Finalmente as vitualhas! Posta e picanha a rodos. Tudo a comer e beber num regresso ao que de mais primitivo há no ser humano! E cerveja pois então, muita! Para aumentar o clima quase tribal começam rituais de dança brasileiros que incluem coisas execráveis como a dança da garrafa e músicas primárias com diminutivos como bundinha, esfregadinha e outros que felizmente não retive. O ponto mais baixo (ou mais alto depende da perspectiva) foi o mega êxito “aaah, é o amôôôôô, ai, ai, ai é o amôôô…”. Comentei (na altura ainda conseguia fazê-lo) com o Mari Carmen o raio de aculturação deste povo que vai buscar sempre o que de mais rasca há dos outros e toma como seu. Se não vai ao nordeste, vai ao Caribe. Ainda para mais se há povo sem ritmo e falta de jeito para dançar é este. Mas estava ali toda a cultura do pé descalço, ou pior, do chinelo de meter o dedo. Sobremesas e caipirinhas. E lá continuavam alegres, felizes, caras femininas e masculinas ora dançando, ora cantando em berros os clássicos do rodízio. Na mesa atrás duas miúdas lindas e bem bronzeadas esfregavam-se freneticamente deixando pasmados tunos e antigo ensaiador (seriam lésbicas? Raio de curiosidade masculina que alimenta fantasias. Acho que o Mezenga tirou isso a limpo. No casamento tenho que lhe perguntar). Na mesa em frente um tipo de facies nórdico tão depressa estava a dançar com um amigo, como saía em ombros com duas amigas em direcção à casa de banho, revirando os olhos. Os cafés tardavam. Mais caipirinhas. Estranhamente já havia nevoeiro lá dentro. Não era só o fumo. Era eu mesmo que já estava a ver as coisas turvas. As propostas para o resto da noite passavam por Vigo, mas com o decorrer do tempo foram perdendo força. Passava da uma quando veio a conta. 579 Euros que ninguém estava em condições de reclamar ou de conferir. E tudo pagou de sorriso nos lábios. Até porque havia continuação da jornada.
E porque isto já é mais que um post, é um capítulo de diário, conto em próximo post a segunda parte. Para muitos a melhor. A parte das gajas.

02 setembro 2006

Setembro em GRANDE

Agora que as Vozes da Rádio criaram este espaço para se fazerem ouvir (e não só) convido a todos os que por aqui passarem a contribuir com alguns comentários e/ou sugestões. De certeza que os meus colegas de grupo também vos convidam ;)

01 setembro 2006

Como começar?

Que raio... o problema é eterno. Ou pelo menos é meu, é interno. Como começar qualquer coisa? Na primária vivi este pesadelo. As composições sobre as férias. Começava por onde? Pelo fazer das malas? Pela viagem interminável pelos (na altura) tortuosos caminhos de Portugal? Pelas instalações sanitárias dos hotéis que sempre me fascinaram? Só o final era sagrado e sem qualquer dificuldade. "Este ano gostei muito das minhas férias". Mas o arranque... Difícil também na adolescência. Meter conversa com uma qualquer miúda sempre foi a prova mais ingrata. Tantas vezes fiquei agarrado ao silêncio por não me libertar deste trauma com o começo. "Olá, então estás bem?". Não há nada pior... Por isso tentava inovar. Em vão. Depois há as histórias com as pautas em branco e a necessidade de definir o começo. Prova de nível máximo. Horas à volta daquilo. Não sai nada. Só a necessidade de acabar precipita o início. Agora chega a hora do blog. "Tens que escrever qualquer coisa para começar". Mas o quê? Que gosto muito dos meus pais? Que me recuso a comer pescada cozida? Exponho todo o meu pensamento sobre as imigrantes ilegais que trabalham em bares de alterne? Mas que raio devo escrever? Enfim para começar escrevo sobre nada. Sobre a dificuldade de começar. Daqui para a frente será mais fácil. Ou não. Porque há sempre o início para escrever...