19 setembro 2006
Citação I
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vilhas
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18 setembro 2006
Raiva e dor
Quem nunca se interessou pela história da Roma antiga, não percebe por certo, o que um homem (com h minúsculo) é capaz de fazer para ascender a um lugar que pertence a quem, por antiguidade, por tradição, obra, equilíbrio, autoridade e lealdade o ocupa.
É verdade, falo de mim e da posição de único elemento das Vozes que ainda por cá anda desde a sua criação e que por isso mesmo assumo a postura de chefezinho déspota, de ditador irascível, de comandante tirano.
Falo daqueles que aqui relataram histórias que pouco dignificam a minha credibilidade (vide Dossier: Hotéis – uma história de violência) ou que lançam o anátema sobre mim, recorrendo à injuria e falsidade, associando-me a Cacia e a comportamentos sociais reprováveis (vide Concertos I).
Poderia contar-vos memórias de fazer corar o menos inocente. Mas é sabido que as imagens falam mais que mil palavras.
Estávamos em Vila Franca do Campo, São Miguel, Maio 2004. Eu, feliz e ingénuo, quis com a minha Lomo captar um momento terno de família. Atrás, os meus colegas de grupo mais o técnico de luzes Pedro Cabral, aqueles a quem tenho por irmãos, comportam-se de forma condenável. Atentai bem nos dedinhos deles... Lamentável!
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Joca
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O casamento - capítulo III
Nada contra, antes pelo contrário. Se calhar é mesmo uma questão de feitio, ou de oportunidade. Não deu na altura. Agora, só mesmo o Mokas e a Migui para me porem lá no meio. Por isso fica a noite de 16 de Setembro marcada pela minha primeira e última actuação com uma Tuna. E claro só podia ser com a Tuna da Portucalense.Antes, o ensaio cá fora. Copos e cigarros para o aquecimento. A certa altura dei comigo a pensar que se fosse instrumento musical nunca seria um de sopro. Vi o bafo letal que saía do Cavadas em direcção à flauta. Eu oxidaria, baixaria de tom, se calhar até derretia. Ele lá continuava com os trinados e a pobre da flauta respondia. Ao meu lado o Vanessa afina afincadamente o violino. “Para quê? Para destoares?” perguntei. Ele sorriu. Passa por mim e pelo Mari Carmen o Scotch a rir. A bom rir. Infelizmente não tínhamos câmara para captar. Nunca ninguém se vai acreditar nisto. O Adélio está em grande forma no bandolim. Ele como um dos fundadores da tuna puxa a carroça com empenho. O Bragança tenta ordenar as tropas. Chega uma camioneta cheia de meninas. Ao longe julguei que o Tomadas tinha sido diligente desta vez. Mas não. Era a tuna feminina da Católica que estava a chegar para abrilhantar a festa.
As meninas tocaram e pelos relatos muitíssimo bem. Eu não as ouvi porque estava empenhadíssimo no ensaio com a rapaziada. Afinal conhecia o que cantavam, mas já não contactava com aquelas músicas há mais de 2 anos.
Lá fomos cantar. Deu-me muito gozo ouvi-los outra vez. As grandes vozes do Hélder e do Mário. O Tó a cantar como nunca cantou. O Mari Carmen brilhante no solo e nas percussões. O resto da rapaziada: o Chaves, o Tomadas, o Darth, o Cromo, o Atila, o Joker, o Bijou, o Renato (mau demais escrever aqui o nome de guerra dele), o Vanessa, o Cavadas, o Rui Barros, o Cremalheira, o Fafe, o Garret, o Scotch, o Securas, o Bragança e outros que a memória já não me ajuda a estas horas. Confesso até que os meus olhos marejaram quando ouvi o rouca vai a campainha, uma cançoneta parida por mim e pelo Mário Alves há uns anos para o Museu dos Transportes.
Com o fim da brilhante actuação, chegou também ao fim o meu dia. Havia que regressar e começava a ser dificil.
Qual Prof. Marcelo aqui deixo as notas finais:
20 valores
Ao Tó e à Migui. À festa. À companhia. À “minha” tuna. Ao simpático senhor que me serviu os camarões de forma personalizada e que repetiu o feito com os 3 cafés antes da viagem de regresso.
8 valores
Ao ter que fazer a viagem de regresso àquela hora. À camisa daquele senhor que estava quase à minha frente e que fazia da mira técnica de uma qualquer televisão um esbatido quadro a pastel. Ao carro da BT que estava parado no IP4 não possibilitando a transgressão de forma livre e espontânea.
… e para terminar, afinal a banda não era cubana. Não! Olhem para o violino. Sim é ele! É português! É o Obikwelu.
Dia 5 de Outubro tenho mais um casamento! Até lá.
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Joca
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17 setembro 2006
Concertos I
Claro está, que após cantarmos para todos os apreciadores de música gregoriana (seguramente mais de 4), estivemos a fazer horas para os restantes músicos acabarem. Enquanto isso, como quem espera desespera, existe sempre espaço para a palhaçada. Não é por acaso que o meu nick é miúdo...
No entanto, mal o concerto acabou, foi ver resmas de modelos a correrem para ter um autógrafo nosso... Será que foi pela nossa brilhante actuação? Será pelo nosso incontornável charme? Terá sido pelo paleio nos bastidores? Fica apenas o registo... (ó pra elas, todas cheias de pressa...)
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O casamento - capítulo II
É sabido. Desde as bodas de Caná que casamento sem vinho, não é casamento. Cristo, que revolucionou e revoluciona o homem a nível espiritual, marcou igualmente a história do vinho. Ao ceder ao pedido de Sua mãe (e qual é o bom filho que não o faz?), transformando água, que nem sabemos se era potável, em vinho, condenou a que todos os pobres de carteira e/ou de espírito ficassem de fora das bênçãos do matrimónio. Porque quem não serve vinho, não casa! Este problema arrastou-se até há pouco. Com as uniões de factos os miseráveis puderam finalmente assumir a sua relação evitando despesa com o néctar dos deuses. Mas eu estava num casamento daqueles a sério e sabia que vinho não ia faltar.
Terminada a cerimónia vai tudo a passo animado para o Hotel Lamego. Excelente escolha porque é perto da Sé e porque para muitos o banquetear no hotel significaria apenas o uso de um transporte no fim da festança: o elevador até ao quarto. Assim não fiz eu, que não marquei quarto e consequentemente tive de regressar a casa.
A espera por todos os convidados e pelos noivos foi um pouco pesarosa, não que o sitio fosse mau, antes pelo contrário, mas porque estômagos fracos e necessitados mexiam com a percepção do tempo e recordavam o célebre fado “as horas pra mim são dias, os dias pra mim são meses…”. Eram 17h02m e estávamos todos num anfiteatro para a foto de família.
Depois foi a cavalgada heróica até ao local dos aperitivos. E lá chegados foi o saciar dos apetites. Nada faltava. Tudo à grande e à beirão! Havia comidas para todos os gostos. Eu encostei-me aos produtos da terra que são sempre os melhores: todas as espécies de fumeiro, bolas de carne e de sardinha e até o conhecido camarão tigre de Lamego.
Antes porém, passei por uma situação insólita. Mal entrado no salão dirigi-me às bebidas e pedi um gin tónico (clássico destes momentos). Colocam gin num copo alto, procuram a água tónica e… minutos depois despejam sprite no copo. “Tem de ser assim…”. Fiquei atónito. Como classificar este episódio? Como um sinal divino, por certo. Estando no Douro sul, porquê o gin tónico? Ele mais uma vez mostrou-me o caminho certo. Bebi a mistela e estabilizei no branco da região.

O Tó foi para as fotos. Para a história fica a foto com a tuna e o final tocante com o Darth a oferecer o disco de José Cid autografado ao recém-casado.
O final dos aperitivos soava já a fim de festa. Joe sabiamente disse que já não era preciso jantar, com tanta comida ainda ali. Pois estavas certo, índio Joe. O que se seguiu já foi mais uma prova de resistência. E nós fomos bravos combatentes.
O jantar
Jantar? Sim, pelas horas. Para mim seria almoço, mas ninguém almoça às 7 da tarde.
Bem comportados lá fomos ver as mesas. Fiquei na extraordinária companhia dos tunos Darth, Mari Carmen e Mário mais as suas respectivas. Ficou também na nossa mesa o prof. João Campos de guitarra e o Sérgio.
Sopa, peixe e carne como manda a tradição. Li a ementa e estava lá tudo. Entraram músicos cubanos e ao som de Besame Mucho entrou o casal.
Toda a gente gabou a qualidade dos pratos servidos. Toda a gente bebeu na medida das suas possibilidades. Descobri ao fim de vários anos que o Darth afinal é Bruno e que o Mari Carmen tem como graça João. Entrecortámos pratos com umas cigarradas e à sobremesa fomos presenteados com uma selecção fotográfica com cenas da vida dos noivos. A banda sonora foi do melhor e começou logo a cappella com o Trio Esperança a cantar o corcovado. Nem sabes como eu gosto desta música Tó! 
O jantar estava no fim. Não pude deixar de reparar na garrafa que nos foi acompanhando antes das carnes: “o final de boca é agradavelmente longo”. Lancei a questão aos comensais e senti algum gelo. No fundo foi o meu momento sapatilha cor-de-rosa. Ninguém se quis pronunciar sobre isto. Hoje eu percebi o que quer dizer. O final prolongou-se pelo dia de hoje. O que não é, é muito agradável. Acho que chamam ressaca.
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Joca
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O casamento – capítulo I
Há quinze dias relatei aqui a despedida de solteiro do Tó. Seria uma enorme lacuna não contar agora o casamento. Por ter sido um dia intenso e cheio de peripécias vou dividir a narrativa em pequenos episódios
A viagem
Lamego foi o local do enlace. Já fiz a estrada até lá centenas de vezes, mas desde a inauguração da A24 que se coloca sempre o dilema: por Vila Real ou por Mesão Frio? Acabo sempre por escolher Vila Real e a tal auto-estrada. As vistas do Douro são fantásticas, o ziguezaguear pelos socalcos é delicioso e as pontes sobre o Douro e o Balsemão imponentes. Quem ainda por lá não passou, não sabe o que perde!
Eis que chego à cidade. Estaciono perto da Sé mas topo logo no Café Maia com velhos conhecidos. Estavam em plena preparação para acolherem a palavra do Senhor da forma como Ele quer: em festa! Juntei-me ao Adélio, ao Mezenga, ao Atila, ao Joe e ao Darth mas como aspirava apenas manter-me acordado tomei café, o que me distinguiu das cervejas dos demais. Eles, numa atitude sapiente, tinham também mastigado algo. Com casamento às 14h é preciso saber fazer a gestão do estômago. E eles souberam-no. Levantámos ferros e fomos para a Sé.
A cerimónia
Na porta da Sé reencontrei muitos dos que 15 dias antes tinham andado na farra. E que diferença, meus amigos! As roupas andrajosas deram lugar a fatos caros, o cheiro a bebida aos finos perfumes, o monco caído do fim da noite a sorrisos radiantes.
Fui interpelado por um autóctone que iniciou um monólogo sobre a cidade de Lamego. Não sei se o senhor está a soldo do turismo local, mas pareceu-me estar necessitado de acompanhamento psicológico. Lembrei-me logo das estudantes de psicologia brasileiras com quem tínhamos estado na despedida de solteiro. Bem podiam elas estar a prestar serviço social e cívico a casos como o deste senhor, nas horas em que o sol não se traveste de lua.
Vem o noivo. Resplandecente, sorriso largo, cabelo aparado. Entrámos na nave da igreja e esperámos pela noiva. Entretanto um coro e um pequeno agrupamento instrumental preenchem os tempos mortos. Chega a noiva, salta a marcha nupcial. Ofuscando o já brilhante noivo, a Migui avança decidida para o altar. O Sr. Padre começa a função e logo sinto o perfume da pronúncia beirã com os esses muito sibilantes. Gosto desta sonoridade.
O tempo vai avançando. A fome também. Eram 15h18m e cantava-se “Pai-nosso em Ti cremos…”. Também eu já queria àquela hora enfiar algo para a blusa. Confesso que prestei pouca atenção à cerimónia. São já dezenas e dezenas de casamentos e o argumento não tem variado muito nos últimos anos. O corpo estava lá mas o espírito planava, nem sei bem por onde. Aterrava sempre que ouvia música. Também desceu na altura das leituras. Estávamos às portas das 16h quando saímos da Sé.
A música
Visto agora o papel de crítico musical. O pequeno coro e quarteto de cordas com trompete e teclado esteve muito bem. Boa afinação, bem musical, à altura dos acontecimentos. O repertório muito eclético. Talvez demais para o meu gosto. Ter no mesmo disco o Aleluia de Haendel, o Minuete de Boccherini, o Can´t help falling in love e o Avé Maria de Schubert faz-me lembrar aqueles pratos de sobremesa em que se mistura tudo que há no frigorífico, vulgo pijama. Mas foi óptimo ver ali o Manuel Soares nos gorjeios, o Jaime na trompete, o Ernesto no teclado e direcção e rever a viola d’arco com os olhos mais azuis que eu conheço, a Lúcia, simpática e bonita como aliás sempre foi.
A saída
Já falei do brilho dos noivos e dos lindos fatos em desfile.Mas algo à saída da Sé me ofuscou de forma violenta e provavelmente vai mudar a minha existência daqui para a frente. Os pés do Bragança.
Não propriamente o pé, nunca o vi, nem tenciono ver, mas o que ele tinha calçado! Uma sapatilha cor-de-rosa. Metrosexual, daltónico… foram algumas das explicações. Mas eu percebo-te, Bragança. És apenas um provocador e eu gosto disso. Também o sou à minha medida. No entanto não calçava aquela sapatilha num casamento… ia descalço!
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16 setembro 2006
Memórias da Air Luxor
Afinal o voo partiu à hora marcada e correu muito bem. Li, como de costume, toda a literatura que colocam nas traseiras das poltronas e fiquei a saber que em menos de 15 anos a Air Luxor se tinha tornado a maior companhia aérea portuguesa. Lindo feito. Gente trabalhadora e esforçada, pensei, fantasiando até que era gente desta que nós Vozes precisávamos pois com 15 anos de carreira continuamos na sarjeta e, como se sabe, nós o que gostávamos mesmo de ser era como os D’zrt.
Hoje dei comigo a pensar na velha máxima que quanto mais depressa se sobe, mais rápido se cai. E se juntar a isto uns conhecimentos rudimentares de física descubro que o peso do avião, que não é coisa leve, ajuda à queda.
Se calhar o lamentável episódio da Venezuela com aqueles sacos de farinha no porão não ajudou muito para evitar o tombo. Muitos narizes ressentiram-se disso e pelos vistos a Air Luxor também. Ah! E o infeliz co-piloto Luís Santos que sofreu sem culpa nenhuma. De qualquer maneira sempre esperei vê-lo ser repescado para um reality-show, mas até agora nada. Fica a atenção da TVI.
Mas voltemos ao bom da vida. De narizes bem assoados, aqui têm os Senhores à beira do antigo iate dos Beatles.

Chegámos ao hotel a tempo de fazer o saco e apanharmos o avião que dessa vez, infelizmente, contrariou a fama da Air Luxor e levantou a horas. Se assim não fosse ainda andávamos por lá… o que não seria mau de todo.
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Joca
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15 setembro 2006
Mais um, com direito a volta no fim e tudo
Hoje o ensaio foi diferente. Mais curto que o normal. Penso que se está a priorizar o fim dos ensaios que propriamente o conteúdo musical. Portanto passo já para a parte mais importante.Com direito a estacionamento privado, eis que chegamos à Cufra. Pela quantidade de carros estacionados e pelo marabuntismo aquando a nossa entrada no local, adivinhavam-se pitéus de altíssimo nível. Nem era preciso escrever o que foi pedido para os meninos... É claro que foi o pica-pau e a tosta de queijo. As bebidas são as do costume...
Os alimentos, própriamente ditos, estavam com o aspecto que podeis observar.



Segundo os entendidos, o pica-pau estava muito bom; ficou no entanto a perder alguns pontos para o homónimo do Capa Negra, por não levar o molho de cobertura. Mas as carnes são de confiança. Não posso dizer o mesmo da tosta de queijo... não foi generosa e o pão estava seco.
Depois de tudo ruminado, passou-se para a sobremesa. Só a gula do Joca e do Tomi falaram mais alto. Tanto eu como o Jony passamos ao lado. Foi pedido um bolo fofo de chocolate e um pudim de côco.

Pontos a favor: As carnes eram de qualidade, o serviço foi rápido, o preço não foi exagerado
Pontos contra: As sobremesas tinham melhor aspecto do que propriamente o gosto, as cervejas não estavam grande coisa. O Joca referiu ainda que ficou muito chateado por sair com a roupa a cheirar a tabaco...
Mesmo assim, a votação foi positiva


Para quem estava incomodado com o fumo do tabaco, aqui não se nota nada...
Finalmente pude ir para casa. Próximo ensaio: 2ª feira, no Convívio, junto ao Bom Sucesso. Estão todos convidados.
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14 setembro 2006
Assobio da Cobra à porta
O musical aparece na sequência de um excelente disco com o mesmo título que foi editado há cerca de dois anos e que foi miseravelmente promovido pela EMI.
Sou suspeito quando falo deste disco. Por um lado porque as Vozes participam. Por outro lado foi feito por 2 enormes amigos: o irmão João Monge e o não menos irmão Manel Paulo. Fui aliás assistindo ao crescimento deste trabalho sempre à sombra de uma boa refeição. No verão de 2002 num restaurante alentejano na Parede, meses mais em Aveiro (onde comemos Manel? Já não me lembro). Depois foram mp3 para ir ouvindo, os mails contando pormenores, os encontros em Lisboa e as gravações em Vale de Lobos.
Por isso aguardo com expectativa a estreia do musical. Que se pode esperar do encontro de um dos maiores letristas e de um dos melhores escritores de canções deste país? Só o melhor.
Para aperitivo deixo aqui uma das minhas favoritas do disco. Neste caso ainda se junta outro bom amigo aqui do burgo: o Manel Cruz dos Pluto, Supernada e dos saudosos Ornatos. Tudo boa gente, garanto-vos.
NUNCA PARTO INTEIRAMENTE
Nunca parto inteiramente,
não me dou à despedida
As águas vão simplesmente
presas à sua nascente
é do seu modo de vida
Fica sempre qualquer coisa
qualquer coisa por fazer
Às vezes quase lamento
mas são coisas que eu invento
com medo de te perder
Deixei um livro marcado
e um vaso de alecrim
Abri o meu cortinado
fiz a cama de lavado
para te lembrares de mim
Nunca parto inteiramente
Vivo de duas vontades:
uma que vai na corrente,
a outra presa à nascente
fica para ter saudades
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Joca
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Traumas da vida

A minha interrogação era só uma: PORQUÊ EU?! Devia ter feito algo muito mau para receber tamanho presente envenenado. Os dias de angústia transformaram-se em meses... os meses em anos ( isto porque adiei várias vezes a inspecção devido aos estudos)... mas sabia que esse dia, o dia em que ouviria uma voz a chamar pelo tal número, chegaria... E eis que chegou. Apresentei-me. E nesse dia não ouvi uma só vez o dito número, pois foi-nos atribuído outro número. Eu irradiava alegria. Até fiz todos aqueles exames parvos com um sorriso igualmente parvo na cara. Tudo estava a correr bem. Até ser chamado para um grupo aparte, cheio de mancebos rústicos. Não sabia muito bem porque estava ali. Até saber a noticia...

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13 setembro 2006
Vícios de Verão
Isto faz-me pensar nos outros anos. Quase que os podia dividir pelos vícios que fui tendo sempre e apenas no Verão: o ano dos iogurtes líquidos, o ano da água tónica, o ano do panachê e do tango. Estes vícios têm também variantes alimentares: o ano dos cachorros quentes, o ano das pizzas do Lidl (hoje não aguento nem o cheiro), o ano de um gelado sandwich da olá que tinha um urso no pacote (não me lembro do nome). E tantos outros...
Estes são vícios sazonais, típicos de férias. Outros são eternos, não são simples amores de verão. A francesinha, por exemplo. Confesso que gostava de perceber este fenómeno para enfrentar o próximo Verão e consequente vício de uma forma mais preparada.
Felizmente este negro período das águas com gás está a terminar. Dentro de duas semanas já nem me lembro. Sei que a Unicer e a Compal vão tremer, mas hão-de com certeza sobreviver.
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Joca
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Poesia
Poema de Rubinstein Moreira, poeta nascido na pequena aldeia Melo, no Uruguai.
Acto
de amor
supremo compromiso.
Revolución
de fé
de alma
y víscera.
Lámpara
que interroga
y
sed de hermano.
La única
verdad
sin concesiones.
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Douro - Património Mundial - 250 Anos
Quem já assistiu a um show das VDR, pôde ver uma rábula muito engraçada, a parodiar uma musica do Demis Russos. É engraçado como a ficção pode se tornar realidade.
No último sábado fui almoçar a Tabuaço, terra nas encostas do Douro, cheia de tradição e bom vinho. Restaurante escolhido: Tábua d'Aço. Muito engraçado o nome escolhido. Este local de pasto é gerido por um austriaco, da região do Tirol, que ocupa a função de chefe de cozinha. Portanto, podemos encontrar aqui pratos tipicos da região, assim como pratos tipicos da região do Tirol, todos muito bem confecionados.
A meio da refeição, irrompe pela sala , um grupo de cerca 20 adeptos da equipa dos Palancas Negras. Fiquei bastante surpreso, que fariam por aquelas bandas????
Ao aproximar-se o final da refeição, mais uma surpresa, sai da cozinha o chefe tirolês, senta-se num piano daqueles tipo orquestra, e começa a tocar música, naturalmente tirolesa, acompanhada com palmas por todos os comensais presentes. Vivem-se momentos de grande alegria, culminando com a música dos patinhos que sabem bem nadar, acompanhado por um côro espontâneo de criancinhas à volta do piano, onde se incluía a minha querida filha.
E porque razão culminou aqui tão brilhante actuação do tirolês??? Porque entretanto já se tinham aproximado e cercado o piano, dois dos adeptos dos palancas, e tanta pressão fizeram sobre o tirolês, que este cedeu o lugar a seguir aos patinhos.
Seguiu-se mais um momento animado por música africana, onde consegui identificar o "yesterday" e o não menos conhecido "hey jude". Confesso que estava à espera do "vou levar-te comigo, vou levar-te comigo".
A refeição terminou com um grande abraço ao chefe tirolês,( o seu nome é Thomas, má educação a minha não o ter apresentado) e com o pagamento da conta.
Moral da história?? podemos tirar duas reflexões:
1ª sobre a globalização. Que estranho é irmos ao coração do Douro, 250 anos de tradição, almoçar num restaurante tirolês, acompanhado por música tirolêsa e por um grupo de palancas negras, que tocam temas dos Beatles ao piano.
Se globalização é isto, eu gosto. Inesquecivel!!!!
2ª o novo target do milenium bcp. vai ser um tiro no escuro e perdoem a piada fácil. Terem ido buscar a Sara Tavares que nós tão bem conhecemos e admiramos e com quem já trabalhamos algumas vezes, (e ainda bem para ela, que se lembraram dela), não me parece ter sido a melhor ideia para atingir a comunidade africana, pois esta não ouve Sara tavares, OUVE BEATLES!!!!!!
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Jony
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12 setembro 2006
Saudações!
Pela coragem, porque mereces e porque fiz a mesma coisa com o Tomi, recebo-te neste cantinho com uma fotografia tua. Na mesma viagem à Terceira em que o Tomi teve como companhia de voo o Sr. Louça (ver escrito alusivo), tu escolheste para companheiro de fotografia este equídeo que se exibia numa feira de agricultura mesmo ao lado do sítio onde brilhantemente, diga-se de passagem, actuámos. Não se infira daqui qualquer comparação entre companheiros fotográficos, nem piada sub-reptícia. Nada disso. Só coincidências captadas por um telemóvel com má qualidade fotográfica.
Saúdo igualmente o Vilhas que após algum tempo regressou à sala de ensaios. Ao fim de três minutos de cantoria, tirava o Camões do ostracismo e bradava: “Fo…-se. Pensei que na minha ausência algo tinha mudado, mas reparo que continuam os mesmos anormais e arrogantes!” Sim Vilhena, somos nós! Bem-vindo a casa, meu africano rechonchudo!
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Joca
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Quem é vivo, sempre aparece

(já agora, gostaria de agradecer a todos os que já deram sugestões para possíveis temas a cappella. Sempre que queiram, sugiram)
O ensaio foi muito positivo, ensaiaram-se temas para um possível disco, com título já definido: Canções Proibidas. Mas no fundo, bem lá no fundo, temos de admitir que o pensamento de todos afunilava para a conspiração do costume - onde iria terminar o ensaio. Avancemos sem medo. Local seleccionado: Cervejaria Galiza.
Tendo esta cervejaria alguma tradição, ficamos surpresos em não existir no menu a opção pica-pau. No entanto a cerveja vivinha que "as esponjas" pediram fez com que rapidamente essa lacuna se transformasse num pormenor sem importância. Alternativas: para o Joca e Tomi, a francesinha; para o Vilhas e Jony, o prego em pão. Para mim, a famosa tosta de queijo.
As francesinhas são sóbrias, clássicas, em grande forma. Surpreendentes estavam, sem qualquer ironia, os pregos de bife do lombo. A tosta também não estava nada má. Tudo levava a crer que sairíamos dali contentes com a escolha do local... até passar pela caixa registadora.
Basicamente, para terminar um ensaio, a Cervejaria Galiza é um bom sítio para se petiscar.
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O caminho
Mas a busca do sucesso fácil e imediato é uma tentação. Assim e depois de ouvir da minha Maria, que na inocência dos 3 anos e pico disse “A Floribella canta muito melhor que o papá, canta, canta”, achei que devíamos todos apostar numa imagem jovem, muito jovem, teenager diria mesmo, pois só assim chegamos mais perto deles (e delas).
Aqui está o primeiro teste. Fi-lo com o Miúdo por ele ser não só o mais novo, mas também o mais bonito da nossa boysband. É este o caminho que nos vai dar fama e fortuna. Colegas, amanhã vamos às compras ao Continente e ao cabeleireiro (reparem que não escrevi barbeiro que é, como se sabe, o local que nós até este momento frequentamos).
P.S. – a montagem está péssima. O artista também não se esmerou muito. Teve medo que o miúdo gostasse de se ver assim…
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Joca
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11 setembro 2006
Memórias da Rádio II
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Para desanuviar
Num dia em que relembramos memórias de um acontecimento terrível, eu prefiro (com todo o respeito) relembrar duas torres que se mantêm firmes num projecto de vida que já dura há 40 anos. Parabéns papá e mamã e um dia de feliz aniversário de casamento!!!

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Tomi
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Onze
Réquiem
Pesado é o coração
do escombro de teus sonhos
e dos mortos que em teus ombros
repousam imortais.
O amor de ontem
é cinza feita chumbo.
Cicatrizes e rugas
lavram a tua carne
de aflições temperada
e a vazante das veias
irriga-se
de subterrâneas lágrimas antigas.
(in Ponto de Cruz)
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Joca
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10 setembro 2006
Um domingo abençoado
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O meu popó
Foi a 6 de Julho. Exactamente 1 mês depois do dia da besta, o terrível 6 do 6 do 6 (não sentiram a diferença? O mundo mudou nesse dia meus amigos, acreditem), que o meu carro lambeu com alguma violência um desnível normal em terreno acidentado. Segui viagem porque para a frente é que é o caminho. Tocava na rádio “I got my mind set on you” e eu cantava. Algo brilhou a meus olhos. “Curioso” pensei, “nunca esta luz vermelha do óleo me acendeu. Tenho mesmo que levar o carro à revisão”. 300 Metros à frente numa estação de serviço, parou. “Deve ser o cárter” falou voz sapiente. Para mim nunca um ex-presidente americano podia ser culpado do sucedido, mas esta gente percebe disto. Vem um técnico. O técnico, diria mesmo. “Não sei se não atingiu o motor”. Trata-se da boleia, passa-se as chaves do paciente ao clínico e lá sigo com um amarelo-torrado nos lábios. O telefonema de tarde confirma o veredicto: a cambota, os bronzes das vielas (gostei muito deste nome, mas não faço a mínima ideia o que seja), o cárter (mais uma vez a América a meter-se onde não deve), tudo pronto para ir para o lixo. “Isto agora é mais ou menos 1 semana. Chegar as peças, montar, rectificar… demora Sr. Jorge” (leia-se Sejorge). Uma semana até ia fazer bem. Conhecer o metro, o comboio… há gente feliz nos transportes públicos. Ia ser bom, há males que vêm por bem.
Dia 4 de Setembro. Cansado, esgotado, exausto de viver da misericórdia da boleia alheia, do carro emprestado, da irritante voz-off do metro recebo um telefonema. O telefonema: “Sr. Jorge o seu carrinho tá pronto”. Faltou-me a força para a ironia “Já?”. “Isto já se sabe, carros dos gajos com olhos em bico é no que dá. Nunca têm peças. É uma merda”. “Pois é”, lamentei com voz derrotada. “E o que f… tudo foi o cárter ter partido e bocê ter continuado” (pensei: ainda assim melhor para o cárter estar partido, do que estar morto como o Reagan). “Se eu soubesse que o tinha partido, não tinha continuado”, respondi quase pedindo desculpa. “Vamos lá a contas…”. Aqui o decoro e a vergonha não me permitem escrever o número da minha estupidez. Deixo o enigma. Mais 4 euros e custava-me o ano em que nasci. E foi assim que senti: “nasce um gajo pra isto. Para gastar dinheiro nos bronzes das vielas, na cambota, no sensor de não sei quê, na correia…”.
Vivo agora em estado de euforia. Canto o “Calhambeque” do Roberto Carlos, grito com os Beatles “Baby you can drive my car…” e ouço com atenção “O meu popó” de um grupo a cappella com algum jeitinho que em 2000 fez a inauguração do Museu dos Transportes e Comunicações da Alfandega do Porto. Ficou tudo registado em disco, o terceiro dos senhores com título “Mais Perto (uma produção comunicativa)”. Visitem o museu que vale a pena. E na saída comprem o cd que não é mau de todo, apesar de eu já não ganhar nada com isso. De aperitivo, ouçam lá o tema dedicado ao automóvel. Também é o mais idiota do disco. E não se esqueçam “dos gajos de olhos em bico” só mesmo alguns carros japoneses. Coreanos não, ensinou-me o Sr. Castro.
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Joca
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09 setembro 2006
Gil… quê?
Vamos por partes: Barcelos é não só uma cidade muito bonita onde já fizemos bons concertos como tem gente muito simpática (olá Chico do Público, olá Florentina, olá Flora – diz o Tomi), tem 2 rádios (já colaborámos com a Rádio Barcelos), 2 jornais e inúmeros locais de repasto de qualidade. Recordo jantar há uns anos atrás na Bagoeira com o João Gil um polvo assado que ficou durante semanas no meu top.
Por isso quando levo com um “a gente vamos jogar…” do Sr. Fiúza, quando ouço tanto histerismo desnecessário, quando vejo um senhor calvo e nédio a dizer na televisão “estão a gozar com nós!” ou ainda quando leio num jornal na net um comentário que diz que “O clube Gil Vicente está a sofrer como o navegador com mesmo nome” fico na mais pura depressão! Percebo mais facilmente o Paris do ensaísta.
Gostava de ver este histerismo, mais comedido e educado se possível, às portas do teatro Gil Vicente para arranjar bilhetes para uma representação do Monólogo do Vaqueiro. Gostava de ver esta movimentação aguerrida na defesa de melhor saúde (e a maternidade?), melhor escola (uns cursos pós-laboral de português e história caíam bem, não?), melhor qualidade de vida (que tal menos poluição nos ribeiros das Pontes?). Gostava até que o Gil Vicente, o Belenenses e o meu Salgueiros jogassem todos na 1ª divisão (sei que já não se chama assim, mas é mais bonito).
Por isso Gil… quê? Eanes é que era o navegador. Vicente? Até músico foi. João? Gil, João Gil, um bom amigo com quem um dia jantei em Barcelos. E viva Barcelos!
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Joca
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Memórias de Viagens II
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Joca
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08 setembro 2006
Poesia
Porque também estou atento às minorias.
Poema de Sadighi Parviz, poeta nascido no Irão em 1955.
Mit bitteren Blicken
legen sich
die gefrorenen Fische
immer auf die Seite
im gelben Glanz der Laterne und
bedecken den Wind
mit einer silbernen Schuppendecke,
die den Geruch von Meereschlamm feilbietet
um 6 Uhr abends.
Die kopflosen, scläfrigen Enten,
stille Herzen, nackte Puten,
duftende, wunschvolle Frauen,
die Uhr und die Taschendiebe
flimmern im Gedächtnis der Busse
um 6 Uhr abends.
Mit den Sirenen der gepanzerten Autos
rennen die Laufburschen
durch die Fussgängerzone.
Sie kaufen die herzen,
verkaufen die Liebe,
unsagbare Geheimnisse,
das Liebäugeln,
den Betrug und
gekochte rote Beete
in der Strasse der islamischen Republik
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Jony
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DOSSIER: HOTEIS - uma história de violência
Os meus caros colegas de grupo que me desculpem, mas penso que o blog não está no caminho certo. Para atingirmos a grande massa de leitores cibernéticos, temos que oferecer o que eles querem - SEXO, VIOLÊNCIA E TRAGÉDIA. O segredo é este, basta olhar para o 24 horas.
Então vamos lá.
Ora sexo não tem havido muito cá por casa, que isto de ter filhos tem as suas desvantagens. Tragédia ainda não aconteceu nenhuma e não estou a ver grandes hipóteses de tal acontecer.
Sobra a violência, e nada melhor do que um conto passado num hotel. É da sabedoria popular que musicos e hoteis é uma mistura explosiva.
Holel Meridien - LX
Tinhamos chegado a meio da tarde, quartos individuais, cada um vai descansar. Mas o ser humano quando em grupo tem comportamentos estranhos. Descemos para jantar, aguardamos uns pelos outros no hall e enquanto isso comentamos a maravilha dos quartos onde estavamos instalados. Alguém refere o incrivel que foi ouvir bater à porta, abrir a mesma, entrar uma rapariga, esta abre a cama e põe um chocolate no travesseiro. Este final podia ser mais interessante mas o conto passaria para a categoria de sexo. Todos nós tinhamos ficado deliciados com aquele gesto, menos nosso colega Joca, que se queixou que não tinha tido rapariga, nem obviamente, o chocolate. Admiração entre todos e começa a tentativa de explicação para tal facto. Rapidamente se resolve o enigma. Por volta da mesma hora em que a rapariga foi aos quartos, eu e o Tomi estavamos sempre a ir ao quarto do Joca para falar, para matar o tempo, para chatear. Joca fica sozinho em seu quarto e começa a fazer a barba. A rapariga bate à porta, e Joca pensando ser um de nós e não querendo ser importunado, responde carinhosamente com voz colocada, própria de um belo cantor: - Vai-te fo..... ó filha d....... Parece que houve segunda tentativa por parte da menina e bate à porta novamente. Levou com: - Pró car..... vai apanhar no.......
A história fica por aqui, gostando de referir que por menos o Materazzi levou com um gesto digno do ritual de acasalamento da cabra montesa por parte do Zidane. Se calhar o Materazzi também pensou que estava a falar para um colega.
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Jony
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Uma pequena desilusão
Após o árduo trabalho, foi preciso descomprimir. Arriscámos um bar para os lados do Campo Alegre. Já nos tinha saltado à vista, pelo seu aspecto cuidado. Uma reconstrução interessante conseguiu criar algumas expectativas. Entrámos. Música ao vivo. Teenagers a jogar cartas. Está apresentado o Shakesbeer.
Estava tudo muito abaixo do esperado... Ficamos tristes, realmente o sítio prometia...

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Miúdo
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Estou maravilhado
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Tomi
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Memórias do Padrinho I
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Joca
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07 setembro 2006
Mais uma pérola
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Miúdo
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Memórias do Padrinho - uma contribuição
Era obrigatório em todos os Dia dos Senhores aparecer o insidioso padrinho e a inocente criança. Nunca soubemos o sexo da criança, nem a idade do padrinho. Mas a verdade é que sempre desconfiámos deles.
O blog ressuscitou na memória dos fiéis ouvintes as personagens. E gente, muito boa gente fez questão de lhes dar rosto. Assim a surpresa da manhã no meu mail foi ver esta tira que agora publico. Pela primeira vez eles aparecem!

Um pequeno senão: pessoas com mais de 10 dioptrias vão ter dificuldade em ler. Mas se houver dúvidas eu explico!
Um obrigado especial à Manuela e ao Jorge. Há gente doida no mundo para além de nós. Obrigado Senhor!
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Joca
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Memórias de viagens I
Isto hoje está para as recordações. Há dias assim. A arrumação do disco duro também ajudou a este sentimentalismo. Esta foto não é tão antiga assim. Menos de 1 ano. Natal 2005. Coruña. Passamos o dia nas compras e no passeio. Só cantamos no dia a seguir (20 ou 21, a memória já não vai lá). Aqui estamos na praia do Riazor. O tempo estava excelente. E nós com ar de quem passou a fronteira para trabalhar.
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Joca
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06 setembro 2006
Memórias da Rádio I
Neste trabalho arqueológico desenterrei as emissões do Dia dos Senhores, um programa de rádio que fizemos na Rádio Nova juntamente com o Sérgio Sousa. 2 Horas ao domingo de manhã. Durante 10 meses toda a nossa insanidade veio a público. Cada domingo 1 tema. O Miúdo já colocou uma cantilena apresentada no programa dedicado às compras (Natal 2002). Aqui fica o genérico do programa. Para quem não conhece, aprecie. Quem foi bafejado pela sorte de ouvir o programa na altura, recorde! O exemplo de uma composição perfeita. Uma gentileza deste vosso humilde servo. Aguardem mais memórias. Há muitas.
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Joca
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Pérolas que por aí andam...
ps: agradecimento especial a duas meninas, Jacky e Tânia, pela preciosa ajuda.
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Miúdo
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Vozes da Rádio no Wikipedia
PS: De reparar na foto lamentável... Apesar do excelente momento captado pela nossa amiga Diana Silva, acontece que o sr. da ponta... o sr. de côr... o sr. assim um bocado para o forte... teve de levar tratamento digital para ser visto como os outros... Pela sua expressão facial, parece que já previa... De certeza que o arranjador fotográfico tem alguma coisa contra ele, só pode... desgraçado... tão boa pessoa que ele é, e fazem-lhe isto? Enfim... nem tenho palavras para qualificar acto tão cruel. Proponho juntarmo-nos à marcha lenta na vci, juntamente com o Joca, para defender mais esta causa. Por sinal, bem mais grave! Vamos acabar com o branqueamento parcial das fotos digitais!
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Os mails inúteis
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Etiquetas: Coisas sem interesse nenhum do Joca
05 setembro 2006
Velhos hábitos
A velha guarda começa por fazer o arrefecimento vocal, liderada pela grandiosidade do Joca e o seu esbelto depósito de mosto, proveniente de um qualquer cereal maltado, que ele tão carinhosamente apelida de balde... Interessante esta perspectiva, fica com um bigodinho à Hitler!

Claro que eu não pude dispensar a tão saborosa água com gás. Fica sempre bem, mesmo estando rodeado por grandes apreciadores de álcool.

Decidimos então o que acompanhar com as bebidas... Os 3 abutres rapinaram um prato de variadas carnes, enchidos e pickles, enquanto eu fiquei pela bela da tosta de queijo... muito bem confeccionada.


Finalmente, após gladiarem-se pelas carnes, todos chegamos a um consenso: para calafetar, nada melhor que um quente e frio. Sabe sempre bem quando todos estamos de acordo...

E foi assim que mais um ensaio terminou. Pelo menos para mim, que já estou em casa... Gabo os meus colegas pela força de vontade que têm, pois mesmo a esta hora da noite conseguem arranjar tempo para investir em cultura. Pelos vistos combinaram ver obras de um estilista famoso. Isto sou eu a deduzir... à quantidade de vezes que ouvi o nome passerelle...
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04 setembro 2006
Oficialmente aberta a época 2006/07
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03 setembro 2006
Crónica de uma despedida de solteiro II (as gajas)
Lá me meti no carro e, valendo-me da experiência adquirida pelos anos, segui um carro de um dos convivas, o do Mari Carmen. Atrás vinha o Mário. Podia ter escolhido melhor lebre. O Mari Carmen deu umas voltas incompreensíveis ao quarteirão. Estou a ser injusto. Àquela hora, naquele sítio e depois do jantar tudo era justificável. Fiquei a conhecer melhor (como se precisasse) a zona industrial. Finalmente encarreirámos rumo à Rua da Alegria. Porque era disso mesmo que toda a gente precisava: alegria. Aquilo que há uns anos foi bar da moda, com filas à porta, é hoje, com outro nome, um bar de strip, daqueles com varões e com disc-jockey que vai dizendo o nome das modelos (?) com uma reverberação que faz com que nada se perceba.
Chega a hora de confessar que estes lugares nada me dizem. Depois de ver um, vemos todos. Mais uma vez só muda o elenco. De resto, o filme é sempre o mesmo.
Havia meninas de pelo menos dois continentes: brasileiras, é claro (regra geral são estudantes de psicologia com umas cadeiras atrasadas) e do leste da Europa (podem ser de vários países, mas como já referi não percebi nada do que o disc-jockey dizia).
Ao som de “I believe I can fly” uma stripper dança, trepa ao varão, escorrega e depois de estar sem roupa, tapa-se com as mãos numa atitude pudica. Para quê meu Deus? (será prudente invocá-Lo nesta situação?). Segue-se outra e outra e outra. Fixei mais as músicas do que os passos de dança. Quase sempre baladas. No fim pedia-se aplausos. O melhor acontecia fora do redondel. O Securas, emérito advogado da nossa praça, abordou uma brasileira perguntando-lhe se era legal ou ilegal. Ofereceu os seus préstimos, soube que ela se chama Daiane e que vive na Areosa. Arranjou com certeza uma protegida, alguém a quem ele, com o seu espírito mais humanista, vai prestar assistência dedicada. Talvez por isso ela dedicou-lhe o strip. Foi bonito. Não me esqueço também do comentário do Mário (grande voz!) ao meu ouvido. Ele estava impressionado e num tom quase evangelizador disse-me: “estas tipas, assim tão lindas e tão bem feitas, podiam arranjar um marido e constituir família!”. “Pois podiam”, respondi eu. Não era capaz de articular mais nenhuma palavra, nenhuma ideia naquele momento. Mudei para Cola. Atitude sensata.
Momento da noite. Acontece sempre. O table dance para o noivo! Desta vez à frente de todos! Que excitante. Outra brasileira (esta tinha mais ar de ser estudante de veterinária) senta o Tó num sofá e esfrega tudo que há para esfregar no rapaz. A bancada à volta aprecia. Tudo a olhar sofregamente. O Tó no fim confessa que não “reagiu”. Não houve “reacção”. Compreensível amigo. Naquela situação, com o povo todo a ver, nem que fosse a Meg Ryan de há uns anos atrás e a Nicole Kidman (conforme está, que está bem), as duas ao mesmo tempo, provocariam o que quer que fosse neste teu amigo. No mínimo patético, o pobre do rapaz a ser literalmente espezinhado por dois peitos (sim, ela tinha dois!) e uma corja de bestas (na qual me incluo) a ver cada pormenor, cada movimento, como se fossemos júris de um combate de sumo ou de luta greco-romana.
A noite continuou. Mais umas conversas, uns olhos já semicerrados, um pesar da cabeça e a debandada quase geral passava das quatro. Houve quem continuasse. Eu fui à procura do carro. Depois de entrar, e quando já arrancava, vejo algumas das estudantes brasileiras à janela. “Oi gatinho, dá uma carona?”. Apesar de todo o meu altruísmo, não foi possível. Olhei para trás e… nunca as sentaria nas cadeiras dos miúdos. Não é cómodo para as estudantes. E, apesar da hora e de tudo o resto, ainda há um neurónio a funcionar. Foi esse que me levou a casa, sem que antes me tivesse enganado duas vezes no caminho. Dia 16 há casamento. Que bom!
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Joca
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Crónica de uma despedida de solteiro I (o jantar)
Ontem, no cumprimento de um ritual marialva implementado já no século XX, fez-se a chamada despedida de solteiro, ou seja, arranjou-se um bom argumento para um jantar e um mergulho no mundo da noite povoada por estudantes de psicologia brasileiras e que por cá lutam por um futuro mais risonho (gosto de por as coisas nestes termos, pelo menos para começar).
Já há muito que perdi a conta às despedidas de solteiro que fui. Inclusivamente já fui a duas da mesma pessoa, se bem que legalmente nunca mais se volta a ser solteiro. Todas seguem um guião idêntico. Muda só o elenco e o realizador. Com um realizador mais realista, há uns anos atrás, acabei a noite com uma pistola apontada à cabeça. A de ontem sempre foi mais pacífica.
Cheguei ao restaurante. Muito pouco de restaurante. Muito mais de central de camionagem em hora de ponta. Dezenas de grupos de noivos, noivas, aniversariantes, novos, velhos, feios, bonitos, tudo a dar ao dente e a abafar uma banda de brasileiros que cantava velhos clássicos de karaoke. No meio da confusão lá encontrei a “minha” mesa. Estavam lá quase todos: o Mari Carmen, o Tomadas, o Scotch, o Securas, o Pombinha, o Cromo, o Vanessa, o Átila, o Tom, o Joe, o Cremalheira, o Darth, o Mezenga, o Bragança, o Garrett, o Mário (finalmente um nome real) e outros que o nevoeiro da noite já apagou da memória. Havia também gente nova que eu não conhecia. Lembro-me do Micose, que me foi solenemente apresentado, pelo simples facto de ter passado o fim da noite a enrolar cigarros (fiquei na dúvida, aquilo era só tabaco, não era? Pelo menos foi a isso que me soube…)
Duas meninas bem apresentáveis vieram oferecer-nos favaíto. Os moscatéis portugueses são de longe superiores aos Martinis e quejandos. Pelo menos acredito que os nossos sejam feitos com uvas. Lá bebemos e depois começou a roda-viva das bandejas com cerveja que só terminou depois da conta estar paga. Toca a escolher. Carne para todos é claro! Longos minutos de espera aliviados por umas saladas, umas amostras de chouriço na brasa e um show único de uma menina de nome Tânia que literalmente descarregou uma bandeja de cerveja numa das pontas, molhando os que por aí estavam e partindo vários copos. O sumo do show foi mesmo o varrer do chão com a jovem a inclinar-se de forma muito pronunciada deixando o decote à vista dos comensais. Não se faz isto com gente tão jovem!
Finalmente as vitualhas! Posta e picanha a rodos. Tudo a comer e beber num regresso ao que de mais primitivo há no ser humano! E cerveja pois então, muita! Para aumentar o clima quase tribal começam rituais de dança brasileiros que incluem coisas execráveis como a dança da garrafa e músicas primárias com diminutivos como bundinha, esfregadinha e outros que felizmente não retive. O ponto mais baixo (ou mais alto depende da perspectiva) foi o mega êxito “aaah, é o amôôôôô, ai, ai, ai é o amôôô…”. Comentei (na altura ainda conseguia fazê-lo) com o Mari Carmen o raio de aculturação deste povo que vai buscar sempre o que de mais rasca há dos outros e toma como seu. Se não vai ao nordeste, vai ao Caribe. Ainda para mais se há povo sem ritmo e falta de jeito para dançar é este. Mas estava ali toda a cultura do pé descalço, ou pior, do chinelo de meter o dedo. Sobremesas e caipirinhas. E lá continuavam alegres, felizes, caras femininas e masculinas ora dançando, ora cantando em berros os clássicos do rodízio. Na mesa atrás duas miúdas lindas e bem bronzeadas esfregavam-se freneticamente deixando pasmados tunos e antigo ensaiador (seriam lésbicas? Raio de curiosidade masculina que alimenta fantasias. Acho que o Mezenga tirou isso a limpo. No casamento tenho que lhe perguntar). Na mesa em frente um tipo de facies nórdico tão depressa estava a dançar com um amigo, como saía em ombros com duas amigas em direcção à casa de banho, revirando os olhos. Os cafés tardavam. Mais caipirinhas. Estranhamente já havia nevoeiro lá dentro. Não era só o fumo. Era eu mesmo que já estava a ver as coisas turvas. As propostas para o resto da noite passavam por Vigo, mas com o decorrer do tempo foram perdendo força. Passava da uma quando veio a conta. 579 Euros que ninguém estava em condições de reclamar ou de conferir. E tudo pagou de sorriso nos lábios. Até porque havia continuação da jornada.
E porque isto já é mais que um post, é um capítulo de diário, conto em próximo post a segunda parte. Para muitos a melhor. A parte das gajas.
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Joca
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02 setembro 2006
Setembro em GRANDE
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01 setembro 2006
Como começar?
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Joca
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