26 setembro 2006

Sai um duplo

Noite negra para o futebol português... Porto perde fora, Benfica perde em casa... Longe vão os tempos em que festejávamos efusivamente vitórias em contexto europeu. Mesmo nesses momentos de índole mais desportiva, a nossa banda não ficou de fora. No ano em que o Porto conquistou a Taça Uefa, o sr. (A)Pinto "Dourado" da Costa fez questão que estivéssemos na festa oficial, no Casino da Póvoa. Fica o registo. ps: gosto muito do benfiquista a cerrar os punhos como se fosse o seu clube que tivesse ganho...

Citação III

A 25 de Setembro durante o ensaio e no meio de várias imprecações, Vilhas dixit:
"Não tarda nada este grupo está a ensaiar de bengala"

24 setembro 2006

Best Buyer Award

Continuo a sentir uma perseguição atroz que apenas se fundamenta na inveja e na ganância de alcançar o poder supremo a qualquer custo.
Refiro-me, é óbvio, às histórias mal contadas e às biltres insinuações que colegas meus aqui escrevem sobre a minha pessoa, comportando-se como aves de rapina em voo picado para bicarem uma presa que apesar de tudo está em grande forma para se defender.
Para equilibrar o barco aqui vai uma história real que tem como protagonista o já vosso conhecido Miúdo.
Não há muito tempo encontrámo-nos no aeroporto Sá Carneiro para mais uma saída. O normal entusiasmo destas viagens estava patente na cara de cada um de nós. Havia no entanto uma face que irradiava uma alegria acrescida. O puto (também assim chamado no seio desta família) tinha com ele uma câmara digital novinha, pronta a apanhar os melhores momentos da viagem.
O voo parou em Lisboa e seguiram-se as habituais horas de seca na zona de embarque passadas deambulando de loja em loja, de tasco em tasco. Estava eu e o menino (igualmente assim tratado) sentados quando me levanto e digo: “vou tomar mais um café”. Ele, solícito e simpático acompanha-me apesar de não ser consumidor. Chamada para embarcar, entrámos no avião e estamos nós a arrumar os nossos saquinhos quando o efebo (ele mesmo) repara que o saco com a máquina digital tinha ficado na sala do aeroporto. Toca de incomodar toda a gente, tripulação, torre de controlo e… nada. A máquina, sentindo-se abandonada, procurou novo dono e fugiu.
Foi vê-lo acabrunhado o resto da viagem. Ao aterrar o avião, o seu humor mudou. Tinha esquecido a perda e agora interessava aproveitar. Fez bem.
De volta à terra natal, regressa à loja. Aqui confesso que vou dar azo à minha imaginação. Imagino-o a entrar na loja e a pedir outra máquina igual àquela que tinha levado pouco tempo antes. O ar surpreso do funcionário, contrasta com a alegria do nosso mancebo com novo brinquedo nas mãos.
O nosso jovem tem no entanto ideias que não passam pela cabeça do comum dos mortais. Com o fito de ajudar a sua mãezinha na lide de casa, resolve usar a mala do seu carro como sala de arrumos e assim evitar a desarrumação normal dos quartos dos teenagers. E na mala do seu Megane (que nós carinhosamente chamamos de ferro de engomar) habitam (ou habitavam) em total harmonia o clarinete, a guitarra, a máquina digital, a placa de som e microfones, o discman, o walkman, cd’s, as colunas e até o portátil. O mais incompreensível de tudo isto é que o oligofrénico nem sequer tem garagem. Na noite que tirou o portátil, os outros hóspedes da mala ficaram tristes e com a ajuda de um transeunte libertaram-se da posse do nosso néscio.
Nova ida à loja. Imagino o diálogo. “Olá Sr. Tiago. Mais uma maquinazinha?” “Sim, sai mais uma maquinazinha”, resposta com o sorriso franco e aberto que todos nós lhe conhecemos.
Por este motivo a Sony vai instituir este ano o “Best Buyer Award for Stooge People” e o nosso Miúdo é dos mais bem cotados para o ganhar. Neste momento apenas lhe fazem frente um vietnamita amblíope e um porto-riquenho amnésico.
aqui está ele apanhado por uma máquina analógica. Neste caso podemos dizer que ficou bem na foto.

O remédio para a doença

Hoje estive enfermo, no meu leito, o dia inteiro. A culpa é, sem dúvida, do sr. que inventou o Dia Europeu sem Carros. Na sexta-feira não pude abdicar da viatura, mas como sou um rapaz atento a problemas ambientais, ontem fui de bicicleta para o local de trabalho. Resultado: dia chuvoso e frio, dores de garganta e cabeça, uma noite sem dormir e (pior de tudo) hoje não pude comparecer a uma bela almoçarada a convite da minha afilhada de curso... Uma caldeirada de peixe preparada com tanto afinco... foi triste. Mas como tristezas não pagam dívidas, e depois de umas bombas químicas, tentei reagir. Foi então que decidi vasculhar nos cds de backups algumas fotografias terapeuticas. Descobri algumas muito interessantes que melhoraram significativamente o meu estado de espírito. Ei-las. Por ordem crescente.

Eu, imitando um acidentado que ficou sem a parte superior da beiça. Pontuação: FRACO


Vilhas, imitando o Brutus. Pontuação-SOFRÍVEL


Tomi, imitando o duende dos Lucky Charms. Pontuação: SUFICIENTE +


Jony, imitando o cruzamento entre o JC Superstar e o Bugs Bunny. Pontuação: BOM


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Joca, imitando um recém-nascido com falta de oxigenação. Pontuação: MUITO BOM

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Aqui está o nosso brilhante técnico de som. Não está a imitar ninguém, é simplesmente ele! O Nuninho consegue transformar um dia cinzento numa aguarela gigante! Pontuação: EXCELENTE

Obrigado amiguinhos, por contribuirem para a minha felicidade.

Citação II


A 24 de Setembro, durante uma conversa telefónica, Vilhena disse:

"Espero que me vejam hoje, na RTPN, por volta das 22:30, no programa Hora de Baco"

23 setembro 2006

Robert Plant e as Vozes da Rádio

Não, infelizmente não é uma participação confirmada para o próximo disco. É apenas mais uma história de viagem.
Em 1996 fomos pela primeira vez a Macau. A comitiva era grande e incluía também o Rui Veloso e sua banda e os Gaiteiros de Lisboa. Tudo para o Festival Internacional de Música de Macau. Foram 10 dias no outro lado do mundo muito bem passados e pouco dormidos.
Certa tarde passeávamos nós pelo Leal Senado, vimos um ser que era tal e qual o Robert Plant que conhecíamos das capas dos Led Zeppelin. Tão parecido o tipo era, que o fomos seguindo atrás a ver se tirávamos dúvidas. O Mário atalhou esforços e gritou “Hey Robert Plant”. À segunda, olha um tipo cabeludo já com um ar envelhecido, que ia ao lado do “nosso” Robert Plant. Parou e cumprimentou-nos. O velhinho era o verdadeiro Robert Plant. O outro era o filho!
Foram uns minutos de conversa. Quem éramos, o que fazíamos ali, ele também nos contou que andava ali às compras, que estava em Hong-Kong para uns concertos, falámos das parecenças do filho, de Portugal, dos Led Zeppelin… Perdemo-nos no entusiasmo e apesar de carregarmos todo o material necessário, nem filmámos, nem fotografámos, nem sequer pedimos um sarrabisco ao homem. Até agora era apenas uma história de memória. Fica agora aqui escrita não vá o Alzheimer tecê-las…

China 1996

China 1996. Não é Macau. Não sei se autografava ou se dava explicações sobre a posição de Portugal no mapa mundi

Memórias da Rádio III - Só para contextualizar

Como eu gosto e prezo muito os meus amigos, e para que não pensem que nós somos declaradamente uma cambada de senís, vou contextualizar a citação do meu amigo Vilhas, talvez o único elemento da banda que não padece de qualquer psicose (só mesmo de lapsos e gaps frequentes causados por aparições furtivas do sr. Al Zheimer...). Ano 2002, aproximava-se o dia da Mãe. Sem dinheiro para gastar em presentes sem sentido e despidos de intimidade, Joca aproveitou uma letra linda escrita por seu primo, compondo uma delicia musical, que se transformou numa dádiva a todas as parideiras do mundo. Um verdadeiro hino à feminilidade. 4 anos depois, a pedra do sepulcro foi removida e de dentro dele saiu esta preciosidade. Digo apenas que Joca se inspirou, para a sua brilhante interpretação, no Iglésias Lusitano. Disfrutai. (esta também fará parte de um cd de sucesso que poderá ser lançado brevemente...)

22 setembro 2006

A cobra come e bebe... também muito bem

Todos aqueles que lêem o Jornal de Letras, Artes e Ideias, a Revista Ler, sabem quem é o Prof. Eduardo Lourenço ou até já compraram o público para ler o Prof. Eduardo Prado Coelho devem saltar este escrito e centrar a atenção no anterior (a cobra assobia… e bem). Este é para todos os que gostam de passar os olhos pela Caras, pela Vip ou Flash, passam religiosamente férias no Algarve, já foram à casa do Castelo ou acham que diáspora é uma pedra preciosa.
Terminado o espectáculo a populaça começou a juntar-se às portas do Jardim de Inverno. Populaça não! Estava a nata das artes cénicas e musicais. Estavam igualmente pessoas.
O primeiro encontro foi com a nossa querida Ana Bola com quem trabalhámos por alturas da Débora. O que conversamos será agora transcrito.
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Desta forma salvo a minha pele das pragas que a Sodona Bola me rogou e que teriam efeito se escrevesse tudo o que falámos. Nem a foto com os seus meninos tirou. Mas salva-se a imagem colocando aqui a do enormíssimo Zé Nabo que ainda para mais fazia anos ontem e é como se sabe o senhor que aquece os pés da Dona Ana.
Entrámos no salão. Os encontros foram imediatos e de vários graus. Os colegas e amigos andavam por lá: o Veloso, o Gil, o Represas, o Camané, o Palma, o Vitorino, o Sérgio, o José Martins, a Amélia Muge, o Carlos Martins, o Tê. Das outras artes andavam actores como o Miguel Guilherme, a Graça Lobo, aquele moço que é pasteleiro em Belém e que deve ter um problema capilar grave ou um eczema de pele porque nunca tira a boina. E mais, muito mais, como aquele comentador de futebol que também faz uns filmes. A Aida Tavares, pessoa que muito estimamos. As lindas famílias do Manel e do Monge. A Paula e o Jorge. Estava lá tudo à conversa, a beberricar e a mastigar porque a fome àquela hora apertava e muito. Também andava a imprensa de várias cores. Ficam-me as cores da Ana Rita, conterrânea que esteve nesse marco da televisão que se chamou NTV e que agora se mudou para a SIC. Infelizmente não trocámos ideias. Fomos sempre acompanhados de perto pelo Rui Santos, falando de música, tecendo comentários e acima de tudo, tentando ficar-lhe com o programa. Nós somos jovens necessitados e não comprámos programas. Estávamos quase a cair em tentação mas acabámos por lhe confessar. Ele, bondoso, ficou de tirar fotocópias lá na rádio e mandar por correio.
Aqui Joca e Jony dividem a pelicula com Manuel Paulo e João Monge, os pais da cobra.

Aqui está João Monge, alentejano e boa pessoa, apesar de por vezes ser visto com más-companhias. Como aqui, que tenta em vão ser fotografado a fumar com Joca perante o sinal de proibição que se encontra atrás pouco visivel... Nem chega a ser uma provocação. É só uma idiotice

À meia-noite o telefone retine. Pensei que pela hora poderia ser a Cinderela, mas ela anda longe daqui. Era o Maestro Cesário Costa que tinha acabado a récita das Bodas de Fígaro mesmo ali ao lado no Trindade e juntou-se aos amigos do Porto. Fez ele muito bem. Era quase uma e resolvemos sair já com o estômago forradinho e com o bafo de Baco a aquecer-nos. Despedimo-nos e saímos com destino marcado: a casa do Nuno, nosso técnico de som e que foi persuadido a dar-nos guarida. Mas ao despedirmo-nos do nosso querido Maestro, não resistimos e fomos agasalhar com ele um bifinho na Trindade. No fim, tolos, ainda fomos passear para o bairro alto.

Ora cá está o bife devidamente montado por um ovo. O Cesário preferiu o bacalhau que tinha bom aspecto. Esqueci-me de lhe perguntar se estava bom... mas ele não fez má cara.


Já tarde fomos ter com o Nuno. Deu-nos cama, toalhas para o banho, uma gata e ainda uma experiência única: ouvir os sinos da Igreja da Penha de França às 8 da manhã. Fica a atenção do Sr. Prior: um dos sinos está desafinado meio-tom. O grave é que essa desafinação faz com que se crie uma quarta aumentada com a tónica. Este intervalo era chamado de “Diabulus in musicae” na Idade Média e soa muito mal no hino de Fátima que o Sr. Prior nos deu o prazer de ouvir. De certeza que estas coisas não são agradáveis aos ouvidos do Senhor. Quanto mais aos meus.



A cobra assobia... e bem

Desde o início que só os 4 caucasianos estavam decididos a ir a Lisboa. O Vilhas assim que soube que o musical não é em Kimbundu, nem que não tem tradução simultânea, amuou e disse que não ia. No entanto, por desígnios errantes desta vida, só eu e o Jony seguimos viagem. Os melhores, portanto.


É histórico que as grandes estreias provocam agitação, tumultos, por vezes até a histeria descontrolada. Desta vez nem a mãe natureza se quis alhear de tal facto, apareceu para o espectáculo e brindou-nos com um Gordon (também já varias vezes brindei com ele mas misturado com água tónica) causando o pandemónio rodoviário durante o dia e com ele os inevitáveis atrasos.
Rumámos a Lisboa numa viatura completamente recuperada (vide o meu popó) e, como é sagrado, lá parámos para ler a melhor imprensa. Soubemos pelo 24 horas que a Merche confessou que se culpa por muita coisa. Deixa lá Merche, fica só entre nós.

Lisboa. Trânsito. Estacionámos quase junto ao rio, na Rua do Corpo Santo. Paradoxal, pois em frente estava o bar Viking com 2 corpos bem pecadores à porta.

reparai no olhar extasiado de Joca e Jony perante o brilho da grande cidade. Há experiencias irrepetíveis

Ligámos ao nosso amigo da Antena 1, Rui Santos. Marcámos jantar no Tavares Rico, mas à última da hora entrámos numa porta mais abaixo, o snack-bar O Trevo. Bifanas e finos num atendimento de excelência. Ao balcão, quero dizer.

Jony, Rui Santos e Joca depois de uma bifana. O fascínio pela capital continuava

O apetite era muito e as bifanas não calafetaram, de forma alguma, as falhas do estômago. Mas muito maior era a expectativa de ver o “Assobio da Cobra”. A toque de caixa lá fomos para o São Luiz. A entrada não poderia ser mais gloriosa: Monge num brado forte exclama “Olhó Prendinácio!”. Respondo na mesma medida “Ganda Mongex”. Segue-se o abraço da ordem e continuação da euforia com os demais que rodeavam tão brilhante letrista.
Subimos. Esperamos. O ar começava a aquecer. Demasiado e ainda nem tinha começado. “O ar condicionado está avariado há 2 anos” disse-me no fim a Ana Bola. Há problemas insolúveis neste país.
Até que começa o espectáculo. E dele nada vos conto porque os artistas querem é o público na sala. Apenas digo que foi excelente ouvir e ver as canções do disco “Assobio da Cobra”, mais três da Ala dos Namorados a serem cantadas, dançadas e representadas. Também é sabido que sou e serei sempre suspeito a falar do trabalho do Manel e do Monge. São dos melhores e está tudo dito. Mas aos dois (também eles) suspeitos, juntou-se um trabalho fantástico dos actores (e tenho mesmo que dizer que o Diogo Infante é enorme em palco: representa e canta como ninguém), um texto que conseguiu aquilo que eu achava impossível fazer, que é a partir de canções avulsas construir uma peça, uma história, um cenário muito bem conseguido e o vídeo muito bem trabalhado. A ideia de um espelho mágico é simplesmente brilhante. Notável é o trabalho dos músicos em palco.


Sai toda a gente a trautear o “samba do acento” ou o “olha por ti” e leva lá dentro as “malhas caídas” ou o “nunca parto inteiramente” (bem cantado pelo João Reis. Não é como o Manel Cruz, mas Deus pôs-lhe à escolha, ou cantas como o Manel ou ficas com a Catarina. Ele, é obvio, fez a opção certa).
Chegados ao final fomos para o Jardim de Inverno para um beberete. Essa parte será contada num escrito à parte porque tenho que despir o papel de crítico teatral e vestir o de cronista social. Trabalho difícil este…

21 setembro 2006

A Cobra Assobia Hoje!


Precisamente a esta hora, o Assobio da Cobra sobe ao palco. Infelizmente não pude assistir à estreia, ao contrário dos meus colegas Joca e Jony. Estou ansioso por saber como tudo correu.
Parece que foi ontem, quando nos encontrámos em Lisboa para gravar.



É, sem dúvida, um privilégio para mim, privar com pessoas que tanto admiro. Ao Manel Paulo e ao Monge um grande abraço e continuação de excelentes projectos.

20 setembro 2006

Memórias de Viagens III

É o nosso anjinho da guarda. Profissionalmente acumula vários cargos: é o nosso homem de estrada, ou road manager se preferirem o anglicismo, é o consultor gastronómico, é o enólogo das viagens.
Quem é que traça o roteiro das viagens privilegiando as paisagens e a boa comida? Quem é que, quando dizemos “daqui a duas horas temos que estar em Lisboa”, consegue chegar 5 minutos antes? Quem é que escolhe os restaurantes, os vinhos, os digestivos e até as sobremesas? Quem é que, protegendo sempre a boa forma vocal dos meninos, compra as cigarrilhas da melhor qualidade? Quem é que se preocupa com os camarins, vê as águas, o catering, o palco? Quem é que sai a correr para ir a uma farmácia se alguém precisa de um analgésico ou uma qualquer panaceia para dores de garganta, dentes, sinusite, músculos ou até intoxicações alimentares? Quem é que faz a escolha musical para nos acompanhar nas viagens? Quem prepara o melhor catering do mundo quando as produções são nossas? Quem leva literatura variada e outros entretenimentos, como uma bola de futebol, para as viagens? Quem, certa noite em que as ovelhas andavam tresmalhadas e desnorteadas, as levou para o respectivo curral e assegurou que elas não sairiam mais? Quem? O nosso Zé António.

O grande Zé António


Esta imagem tem história. Fevereiro 2003. Cedo acordámos. Estávamos no Estoril. Encontrámo-nos ao pequeno-almoço e zarpámos rumo a norte. Antes a religiosa paragem em Belém para os pasteis e reforço de cafeína. Almoçámos em Celorico da Beira no “Escorropicha, Ana!” que diligentemente foi marcado por telefone pelo nosso Zé, durante a viagem. Seguimos para norte até Torre de Moncorvo. Aqui, estávamos parados em plena estrada, provavelmente num espectáculo privado de idiotices. Depois foi o concerto mais frio que fizemos ao ar livre, até hoje. 2 Graus negativos. No final gelados tínhamos o Zé com casacos para assegurar que a carreira das Vozes não ficava por ali.

Todos os grupos têm o seu anjinho da guarda. O nosso é o melhor do mundo. Pelo menos para nós.

Aparições Televisivas I

Como sabeis, esta banda é fortemente requisitada para apresentações televisivas. Pelo menos, era usual ser. Por acaso recentemente até nem tem sido. Desde que fizemos uma versão do Doce de Ananás, na tvi, com o Juca Magalhães a cantar connosco, as requisições começaram a escacear... Falta saber se foi a nossa prestação vanguardista que bateu demasiado forte nas bigornas dos telespectadores, se foi o cantarolar de rola do Juca. Mesmo assim, somos uma presença quase assídua da Praça da Alegria. Ainda no dia 6 do próximo mês, estaremos lá. A nossa presença é sempre uma lufada de ar fresco... sobretudo nos nossos locais de trabalho diário (vulgo escolinhas, academias, etc.), pois são sempre manhãs onde os nossos colegas não têm de se cruzar connosco! Eu gosto particularmente de ir à Praça da Alegria... Porque já fizemos bons amigos lá, porque até cheguei a jogar futebol às quartas-feiras com o, agora treinador, Jorge Gabriel, porque sempre nos receberam com carinho... Mas tenho colegas meus que gostam de ir lá por outros motivos. Palavras para quê? Uma imagem vale mais que mil palavras... mesmo sendo escritas neste blog!
ps. a menina de cabelos longos e de camisola castanha é a pikolé, vestida à civil... Quase conseguiu convencer uma pessoa a ir para o chapitô, para um curso de palhaçada. Esqueceu-se que esse alguém já era doutorado nisso.

19 setembro 2006

Outra desilusão

Caros leitores:

A partir de hoje penso que vai ser difícil fazer um acompanhamento total dos ensaios regulares da banda. Isto porque tenho de me levantar todos os dias muito cedo e não me posso deitar no horário pornográfico que me tenho deitado, em dias de ensaios. Posso, no entanto, acompanhar a parte menos interessante, a musical. A observação e comentários a pica-paus e afins podem ser feitos pelo Tomi, visto ser o único caucasiano a postar menos.

Da parte musical do ensaio de ontem, ficam apenas dois momentos bonitos: o Joca Almighty e o Jony a tentar emitir sons sem ser vocais...


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Depois de cantar um pouco, lá fomos ao Convívio, perto do Shopping Bom Sucesso. O que nos salta logo à vista é a faixa etária dos garçons... entre 65 e 70 anos. "É bom sinal, pelo menos devem ter muita experiência", pensava eu, inocentemente. Por incrível que pareça, o sr. que nos atendeu nem sabia o que era um pica-pau. Falha enorme. Teve de chamar um colega, curiosamente mais novo, o qual nos explicou que ali se denominava "carnes mistas à chefe". Aos omnívoros, soou-lhes muito bem. Lá mandaram vir uma dose para os 3. O Vilhas optou por um prego, porque, segundo ele, está de dieta... Eu fui no habitual.



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Apesar do aspecto até ser jeitoso, neste caso seria preferível só se ter comido com os olhos. Logro é a palavra que me surge para avaliar os petiscos. A dose de pica-pau era curtíssima para o andamento em presto das mandíbulas dos nossos 3 amigos. O Vilhas não emitiu opinião sobre a qualidade do prego. Apenas comentou o valor que pagou no fim, comentário esse impróprio de ser transcrito, pois a minha mãezinha lê o blog e ia ficar com pior impressão do jovem cabidela. A tosta de queijo foi das mais sumíticas que alguma vez provei.
Alguns desistiram, não tiveram coragem de pedir mais nada a não ser a conta. Apenas o Joca e o Tomi não resistiram à tentação, e pediram para cada um uma fatia de charlotte de chocolate com gelado de nata. Foi triplamente errado. Não era nada de especial, era caríssimo e provocou um efeito bastante estranho... diria Wainwrigtiano, até...


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Portanto, não há muito mais a dizer. Para este tipo de petiscos, esta casa é para esquecer.

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Vamos à Capital do Império!

Já aqui falei, mas é só para relembrar a estreia dia 21 do Assobio da Cobra. Os Senhores vão lá estar, pelo menos os mais importantes (eu vou). Podem vê-los quinta à tarde A1 abaixo ou então parados no posto de abastecimento de Leiria a consultarem a Caras, a Vip, a Flash e outras revistas da especialidade.
À noite lá estarão civilizadamente sentados a assistir.

Falta decidir onde dormem e até se dormem, mas isso logo se vê.

Fica aqui o cartaz com o elenco e tudo...

A crítica severa, imparcial e incisiva aparecerá aqui depois do evento.



Elenco

Poesia

Para que não restem dúvidas acerca da minha pessoa, da minha natureza, sensibilidade, dos meus valores, do que eu amo na vida, partilho com vós mais um belo momento.

Poema de Rufino Duarte, natural de Vale, Vila da Feira.

NINFA

Ela querelava junto do flúmen silente,
Quando a titónia undiflava e rorífera
Encheu a natura obducta e paínfera
De um punício tão pátulo quão furente.

Sob o sinceiral fluctígero e sedente,
A progne lúrida e a mariposa lucífera
Brincavam com uma incude opífera,
Alheias à tágide serícea de tridente.

Muita lectícia desde aí me tropeçou
Por este víndice e pático averno;
Mas nenhuma tão hiulca me ficou

Como aquela nutriz semota e morígera,
Levada pela amaritude do hesterno,
Sobre aquela natura pulcra e navígera!

DOSSIER: HOTEIS - outra história de violência

Olá.

Antes demais, tenho que me defender da publicação de uma fotografia exibida num post no dia de ontem. Essa alma pura que a publicou, tirou a fotografia do contexto. Tal como fizeram com Sua Santidade o Papa Bento. Exijo que se retrate e peça desculpas publicamente.

Para que não restem dúvidas:
Macau 1996. Hotel Sintra??? Não interessa, era um hotel. Em Macau quase ninguém fala português, facto do qual nos apercebemos pouco depois de lá chegarmos. Numa descida de elevador, vamos os cinco, entra um senhor asiático muito bem posto. Joca começa sem demoras a adjectivá-lo em voz alta: "olha-me o penteado deste.....", " olha que cara de ......", " gosta de.....", (penso que a mãe do senhor també foi agraciada). O elevador pára, o senhor sai, não sem antes desejar "Boa tarde", no mais correcto português.

Outra descida de elevador, outro senhor asiático, outra paragem e diz o senhor: "Bye, Bye!". Responde Vilhas: " Bye, bye, bai para a p........".

Histórias destas nunca vão ouvir acerca da minha pessoa.

Citação I

A 18 de Setembro, durante o ensaio, Vilhena disse:
"Espero que valha a pena o esforço pelo Sr. Cerqueira"

18 setembro 2006

Raiva e dor

Tenho sido vilipendiado de forma grosseira e agressiva neste blog por aqueles que se dizem meus amigos. Aqueles a quem dei regaço no duro início da vida artística, cospem hoje no prato de onde já comeram.
Quem nunca se interessou pela história da Roma antiga, não percebe por certo, o que um homem (com h minúsculo) é capaz de fazer para ascender a um lugar que pertence a quem, por antiguidade, por tradição, obra, equilíbrio, autoridade e lealdade o ocupa.
É verdade, falo de mim e da posição de único elemento das Vozes que ainda por cá anda desde a sua criação e que por isso mesmo assumo a postura de chefezinho déspota, de ditador irascível, de comandante tirano.
Mas o perigo espreita. Outros, quais abutres do Egipto, planam sobre mim à espera que exale o fétido cheiro de carne podre para assim assumirem o meu lugar.
Falo daqueles que aqui relataram histórias que pouco dignificam a minha credibilidade (vide Dossier: Hotéis – uma história de violência) ou que lançam o anátema sobre mim, recorrendo à injuria e falsidade, associando-me a Cacia e a comportamentos sociais reprováveis (vide Concertos I).
Poderia contar-vos memórias de fazer corar o menos inocente. Mas é sabido que as imagens falam mais que mil palavras.
Estávamos em Vila Franca do Campo, São Miguel, Maio 2004. Eu, feliz e ingénuo, quis com a minha Lomo captar um momento terno de família. Atrás, os meus colegas de grupo mais o técnico de luzes Pedro Cabral, aqueles a quem tenho por irmãos, comportam-se de forma condenável. Atentai bem nos dedinhos deles... Lamentável!

O casamento - capítulo III

Três é número da perfeição. Por isso este é o último capítulo deste tríptico amoroso que me levou a Lamego para partilhar a felicidade de um jovem casal que iniciou agora uma longa caminhada a dois. Bonito!
Actuação da tuna
Nem duas vidas universitárias me levaram a pôr uma capa e a cantar com uma tuna....de capa Nada contra, antes pelo contrário. Se calhar é mesmo uma questão de feitio, ou de oportunidade. Não deu na altura. Agora, só mesmo o Mokas e a Migui para me porem lá no meio. Por isso fica a noite de 16 de Setembro marcada pela minha primeira e última actuação com uma Tuna. E claro só podia ser com a Tuna da Portucalense.
Antes, o ensaio cá fora. Copos e cigarros para o aquecimento. A certa altura dei comigo a pensar que se fosse instrumento musical nunca seria um de sopro. Vi o bafo letal que saía do Cavadas em direcção à flauta. Eu oxidaria, baixaria de tom, se calhar até derretia. Ele lá continuava com os trinados e a pobre da flauta respondia. Ao meu lado o Vanessa afina afincadamente o violino. “Para quê? Para destoares?” perguntei. Ele sorriu. Passa por mim e pelo Mari Carmen o Scotch a rir. A bom rir. Infelizmente não tínhamos câmara para captar. Nunca ninguém se vai acreditar nisto. O Adélio está em grande forma no bandolim. Ele como um dos fundadores da tuna puxa a carroça com empenho. O Bragança tenta ordenar as tropas. Chega uma camioneta cheia de meninas. Ao longe julguei que o Tomadas tinha sido diligente desta vez. Mas não. Era a tuna feminina da Católica que estava a chegar para abrilhantar a festa.
As meninas tocaram e pelos relatos muitíssimo bem. Eu não as ouvi porque estava empenhadíssimo no ensaio com a rapaziada. Afinal conhecia o que cantavam, mas já não contactava com aquelas músicas há mais de 2 anos.
Lá fomos cantar. Deu-me muito gozo ouvi-los outra vez. As grandes vozes do Hélder e do Mário. O Tó a cantar como nunca cantou. O Mari Carmen brilhante no solo e nas percussões. O resto da rapaziada: o Chaves, o Tomadas, o Darth, o Cromo, o Atila, o Joker, o Bijou, o Renato (mau demais escrever aqui o nome de guerra dele), o Vanessa, o Cavadas, o Rui Barros, o Cremalheira, o Fafe, o Garret, o Scotch, o Securas, o Bragança e outros que a memória já não me ajuda a estas horas. Confesso até que os meus olhos marejaram quando ouvi o rouca vai a campainha, uma cançoneta parida por mim e pelo Mário Alves há uns anos para o Museu dos Transportes.

Tuna


Com o fim da brilhante actuação, chegou também ao fim o meu dia. Havia que regressar e começava a ser dificil.
Notas finais

Qual Prof. Marcelo aqui deixo as notas finais:

20 valores

Ao Tó e à Migui. À festa. À companhia. À “minha” tuna. Ao simpático senhor que me serviu os camarões de forma personalizada e que repetiu o feito com os 3 cafés antes da viagem de regresso.


8 valores

Ao ter que fazer a viagem de regresso àquela hora. À camisa daquele senhor que estava quase à minha frente e que fazia da mira técnica de uma qualquer televisão um esbatido quadro a pastel. Ao carro da BT que estava parado no IP4 não possibilitando a transgressão de forma livre e espontânea.

… e para terminar, afinal a banda não era cubana. Não! Olhem para o violino. Sim é ele! É português! É o Obikwelu.

os falsos cubanos


Dia 5 de Outubro tenho mais um casamento! Até lá.

17 setembro 2006

Concertos I

Enquanto alguns andam por aí no bem bom, a comer à grande e à francesa, em viagens com álibis de casamentos e acompanhados por amigos com gostos duvidosos... Outros trabalham e defendem a cor desta equipa. Pois é, meu amigos, ontem os 3 cantores do grupo deslocaram-se a Mafra para, mais uma vez, deslumbrar a plateia com raros dotes vocais. E pasmem-se! Presenteamos todos com música muita antiga... gregoriana, mais especificamente. Mas vamos por partes.
Saímos do Porto para sul... Foi notório, logo que entrei no carro, algumas diferenças:
-o carro estava bastante mais leve, logo, mais rápido;
-não tivemos os famosos jornais e revistas que o Vilhas leva, usualmente, aos magotes;
-pela viagem fora, só cheirou mal uma vez, quando passamos por Caxias... a diferença que o Joca faz...
Chegámos ao destino. Mesmo junto ao convento. Um painel vislumbrava-se ao longe; dizia em letras garrafais "Moda Mafra". Enquanto acabava de ser montado o palanque da passerelle, os meninos decidiram bater terreno circundante.

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Existem certos pormenores que nunca ficam bem pôr a descoberto, principalmente situações bizarras de uma banda de prestígio como esta. Por exemplo, a ideia deprimente de nos vestirmos no carro depois de se ter a oportunidade de nos vestirmos no mesmo camarim que dezenas de manequins conhecidas, parece-me algo um pouco absurdo. Mas nós gostamos de ser assim... do contra! Pena que não tenha nenhum registo fotográfico deste acontecimento, de certeza que os boxers ao xadrez do Tomi ficavam muito bem aqui, como fundo...
Depois chegou o momento alto da noite... Entre modelos a correr, apresentadores a espalhar charme, público a delirar com uma menina dos morangos com açúcar e fotógrafos rookies, os meninos sobem ao palco e brilham com a primeira música... Hino a S. João Baptista, com batida patrocinada pelos melhores DJ's de Kizomba. Coisa de nível...


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Claro está, que após cantarmos para todos os apreciadores de música gregoriana (seguramente mais de 4), estivemos a fazer horas para os restantes músicos acabarem. Enquanto isso, como quem espera desespera, existe sempre espaço para a palhaçada. Não é por acaso que o meu nick é miúdo...


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No entanto, mal o concerto acabou, foi ver resmas de modelos a correrem para ter um autógrafo nosso... Será que foi pela nossa brilhante actuação? Será pelo nosso incontornável charme? Terá sido pelo paleio nos bastidores? Fica apenas o registo... (ó pra elas, todas cheias de pressa...)


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