14 outubro 2006

Grandes Portugueses

O grande dia está à porta! Vamos todos descobrir quem são os Grandes Portugueses.
Confesso que até sexta (ontem) não fazia a mínima ideia do que tratava este programa/concurso. Continuo a não fazer. Mas algo chamou a minha atenção.
Ao passar de carro por uma paragem de autocarros, lá vi de relance um cartaz que juntava o Vasco da Gama com a Rosa Mota. Pensei para mim: “mas o interesse é compará-los? Porquê? Porque competem estes dois a uma coisa chamada Grandes Portugueses? Para que é que se faz isto? Quem é que tem estas ideias de programas?”. Pensei nos dois conterrâneos ali expostos e o único ponto de ligação que encontrei entre eles foi as axilas.
Depois pus-me a pensar em mais cartazes e duplas que são nossas: Infante D. Henrique e Carlos Castro, Leonor Teles e Zézé Camarinha, Maria de Lurdes Rodrigues e Petit, Egas Moniz e Odete Santos, e tantas outras parelhas que poderiam igualmente ser nomeadas para serem Grandes Portugueses. E relações entre estas duplas não seriam difíceis de encontrar.
Hoje li num semanário que este programa é serviço público porque nos vai ensinar história. Eu ainda assim não percebo bem esta ideia de meter tudo no mesmo saco e fazer da história um concurso com votações por sms. Mas esta gente é que percebe de tudo…
Como não consigo vencê-los e convencê-los de que isto é uma idiotice, junto-me a eles. Na hora de votar apelo à vossa ajuda. Votem na categoria “Grandes Portugueses que cantam em quinteto a cappella”. Se não existir esta categoria, criem-na. Mas por favor, votem em nós. Nós merecemos.

Tróia, Maio de 2005

13 outubro 2006

Caetano Veloso e as Vozes da Rádio

Volto hoje às histórias da memória, talvez por ter passado o dia a ouvir o novo disco do Caetano Veloso. O trânsito possibilita-nos experiências destas. Antes de tudo o novo disco: o homem surpreende sempre. Goste-se ou não. Cada disco que sai mostra uma face diferente. Desta vez juntou-se ao filho e seus amigos e fez um disco bem mais pesado que os anteriores. Depois continua a ser um provocador e gozador (basta ouvir o porquê?). E no meio de algum surrealismo há sempre lugar às boas letras, às ideias verdadeiramente originais.
Mas, recuando no tempo, em 2000 quando ele veio ao Porto pela enésima vez, estivemos no Coliseu e no fim encontrámo-nos com ele. A coisa estava previamente programada pela direcção do Coliseu e justificava-se porque três anos antes tínhamos gravado o Leãozinho. Lá subimos aos camarins no fim do concerto, com o Mappa do Coração debaixo do braço para lhe oferecer, e entrámos num ambiente… tropical. Mal chegámos, o Caetano saiu do camarim e para mim foi a surpresa. Aquele que estava à minha frente era bem mais frágil e bem mais pequeno do que o monstro enérgico que tinha acabado de ver em palco. Estava exausto o homem. Dava para perceber isso. A conversa não foi longa, nem podia. Dissemos quem éramos, o que fazíamos, o que tínhamos gravado e ele ia variando entre o “que bom”, “legal” e “ai sim?”. Dele pouco se falou, apenas do concerto. Diria que ele estava zen. Chegámos ao ponto em que se diz “vamos embora” e mais uma vez (tal como com o Robert Plant) nem foto, nem filme. No entanto não quis sair sem um recuerdo, só que também não tinha levado sequer um disco do homem para ele autografar. O recurso foi mesmo rasgar umas folhas já vencidas de uma agenda do Tomi. E assim guardo o autógrafo do baiano. É aliás o único que tenho.

Gostos pessoais

Eu gosto delas bem magrinhas...

























12 outubro 2006

Voltar à carga

Gostava muito de contar com a vossa ajuda. Já vos pedi uma vez que me ajudassem a escolher umas músicas para fazer um cd romântico. Daquelas músicas lindas que gostariam de ouvir a cappella... Posso dar o único exemplo que foi aqui ventilado... O "És tão sensual" do Toy foi a única opção que tive até à data (obrigado FL, pela enorme sugestão). Mas infelizmente eu não quero fazer algo que já a Disney e a Pixar fizeram... O Toy Story (ou, em português: A estória do sr. Boneco) é um mito infantil. Não o quero destruir com um arranjo musical sério e pesado. Mas aceito outras sugestões. Se conseguir ter no mínimo umas 12 músicas, sou miúdo para fazer uns arranjos à maneira, ensaiar com os meus amigos e presentear a malta com o concerto on-line (como prometeu o sr. não oficial). Uma boa data para tal acontecimento seria no Dia do Boavista... Não, desculpem... No dia do Sr. Valentim... vulgo, dia dos namorados. Conto convosco.

11 outubro 2006

Gente boa

O sucesso de um grupo não depende apenas do virtuosismo dos elementos com mais notoriedade. Já aqui foi referido um dos elementos que torna possível o bom ficar excelente. Hoje é altura de falar dos nossos técnicos. Apesar do aspecto alternativo, são excelentes profissionais. Nuno "ips" e Pedro "luzinhas" abrilhantam ainda mais os nossos espectáculos. Um sincero obrigado pela vossa prestação.



10 outubro 2006

Feitiço contra o feiticeiro

Ontem foi mais um dia de encontro gastronómico com prelúdio musical. Estávamos já nos acordes finais, tinha inclusivamente já passado a hora da Cinderela, quando retine o telemóvel. Quem poderia ser? O nosso amigo realizador Carlos Figueiredo, responsável pelos dois vídeos do álbum Mulheres. Além disso está a trabalhar em mais umas coisas… mas para já é só trabalho, ainda não é noticia. Claro que a visita dele não foi para trabalhar. Foi para saber onde íamos para aquele que é sempre o último copo da noite e que carinhosamente se apelida de “copo da sossega”. Como hoje amanhecia cedo para todos investimos mais uma vez no PortoBeer que já aqui foi referenciado.
Fomos recebidos como da última vez, com simpatia. Indicaram-nos a mesa. Já estava a acomodar-me na cadeira quando o senhor simpático que da outra vez nos atendeu disse: “já tirámos a pescada do sítio das sobremesas”. Assustei-me e sorri ruborescido. Afinal como é que o senhor sabia do nosso comentário? A resposta foi imediata. “Nós também lemos o blog”. Ora cá está! Nunca me tinha ocorrido que para além dos meus pais, irmã, os familiares das outras Vozes e mais uma meia dúzia (sim, não mais…) de insanos pudesse haver mais alguém que por aqui passasse. Cumpre-se o sonho. Deus quis, o homem sonhou e a obra é de todos. A arte caiu na rua. É do povo, assim como o nosso blog. Ainda bem!
A Liliana (nada como as plaquinhas com o nome para sabermos bem a graça das pessoas que nos servem bem) foi pondo os talheres e os guardanapos. Nós ainda incrédulos, quando se aproxima outro simpático funcionário que estava na função de impressor de francesinhas na parte interior do balcão, com o nosso post todo em papel. Toda a gente leu a nossa crítica ao PortoBeer. Lá ele foi explicando que aquilo da pescada era aborrecido para a casa, mas eu tentei fazer ver que isto é pura diversão e que na verdade somos estúpidos.
Pedimos pregos e cerveja. E que dizer? Pois apenas posso dizer que aquela carne deve ser do mesmo talho que serve a casa do Sr. Engenheiro. Fantástico bife! No ponto. Excelente! Ainda nos questionámos: Será assim para todos? Será que da próxima vamos comer a mesma carne tenra e macia? Acreditamos bem que sim. Por isso lá voltaremos.
Quanto à sobremesa desta vez não pedimos nada. Não foi por medo do travo a frigorifico. Não. Aliás também cremos que o que se passou na última tarte foi acidente de percurso. Foi mesmo porque já era tarde e o apetite estava já saciado. Palavra final para a simpatia do atendimento. A comida também sabe melhor quando somos bem tratados. E tal acontece no PortoBeer.

Vive - Uma pérola negra

Já não é a primeira vez que lanço para aqui algumas rolas... Obviamente não são lançadas a porcos, mas sim a todos os prezados leitores, que tanto estimo. Desta vez lanço mais uma, com uma diferença: esta faz parte dos meus primeiros passos neste grupo, há 6 anos atrás. Foi a minha primeira aparição televisiva, substituindo o Jony que estava em lua-de-mel. Porque apelidei esta pérola de "negra"? Não, nada tem a ver com o Vilhas... Mas tem a ver exclusivamente com a famigerada entrevista/audição/interrogatório de acesso a este grupo. Por questões morais e religiosas, não posso pormenorizar. Apenas deixo o registo do momento lindo que passei numa das galas da tvi, quase tão lindo como a entrada a pés juntos à altura do peito brilhantemente executada pelo Marco Borges, num dos episódios deste programa de culto, inspirador de versões memoráveis.


09 outubro 2006

Rescaldo dos Ratinhos


Palavras para quê... No fim do espectáculo há sempre espaço para tirar a bela da foto. Eu, músico do sec. XVIII, rodeado de ratinhos... O que se pode mais desejar nesta vida?Agradecimento especial aos pais dedicados, pela disponibilidade infindável, e ao P. Guilherme pelas fotos. Tomara as vozes terem produções deste calibre... :P

08 outubro 2006

O Lula não entra aqui!

Já aqui tenho zurzido algumas vezes no Brasil e seus filhos. Não é nacionalismo exacerbado. Antes pelo contrário. É um sentimento contraditório. Para que conste, sou filho de pais que lá nasceram e cresci a numa mistura de verde e amarelo com vermelho e verde, de feijoada à brasileira com feijão vermelho de Trás-os-Montes, de leite de onça com aguardente do Minho.
Por isso fico desgostoso, irritado até, quando vejo que a música de rodízio, as duplas sertanejas e os românticos bregas são para muitos o símbolo único da MPB aqui em Portugal. Sobrevivem os Caetanos, os Chicos, as Marisas, os Baleiros e poucos mais que felizmente ainda por cá se ouvem.
Do que já passou, então nada se sabe. Muito poucos ouviram falar na Legião Urbana e em Renato Russo. Por aqui fica uma mistura entre São Paulo, Camões e o próprio Renato. Que eu saiba, não houve até hoje nenhum português a tratar de forma tão natural Camões num contexto pop/rock.
O Brasil é muito mais que Collors, Lulas, corrupção, droga, prostitutas em Bragança, IURD, Pe. Frederico, futebolistas, fome e favelas. Ainda bem!

Memórias de Infância

Ontem, o espectáculo dos Ratinhos correu muito bem. Pelo menos, foi o que senti, baseado no que pude ver e ouvir. Os alunos conseguem sempre surpreender em momentos de enorme tensão. Geralmente pela positiva... O auditório estava cheio, as crianças contentes, mais uma vez fez-se a festa da música. Uma bela produção. E para não baixar a fasquia a que os pais se vão habituando, toca a pensar em mais coisas bonitas para se fazer. Então fui procurar pautas esquecidas, pesquisei na Internet por algo que conseguisse motivar tanto como os arranjos divertidos do Mozart… como o Natal se aproxima, seria engraçado montar algo relacionado com a altura, mas é “mais do mesmo” que se costuma fazer… depende também da abordagem que se faça. Enquanto ia pensando, começo a ouvir algo familiar. Tentei seguir o rasto da música que ouvia. Deparei com a minha mãe a fazer o que todas as mães costumam fazer: mostrar o nosso passado à namorada. Desta vez não fiquei muito envergonhado… estava a mostrar um pouco do que eu ouvia quando era “piqueno”. Que saudades de ver e tocar num vinil, já há muito tempo que não tinha esse prazer. E então, o que todos estávamos a ouvir? O JARDIM JALECO!

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Que saudades... de ouvir o guarda Ezequiel, o elefante D. Henrique, a serpente Serafina, o jacaré Casca Grossa (o meu preferido! Ah, fadista!), o hipopótamo Aristocrata, o burro Adalberto, o sapo Baltazar (de todos, foi o que safou melhor, agora tem contrato com a PT), a rã Henriqueta e o Popas, o papagaio! Os meus amiguinhos decidiram visitar-me de novo, no velho gira-discos do papá, e encantaram-me tal e qual como da primeira vez que os ouvi. Dei por mim a pensar que, provavelmente, o Jardim Jaleco foi o propulsor e catalizador da brilhante carreira musical que tenho. Pelos vistos devo essa tremenda façanha ao Carlos Mendes, Joaquim Pessoa e Júlio Isidro pela Autoria, à Maria José Guerra pela narração e ao Pedro Osório pela direcção musical. Mesmo sendo antigo, considero um trabalho actual, muito por "culpa" da qualidade que lhe imprimiram. A fazer ver a muitos cds de música para crianças que por aí se fazem, demonstrando que, apesar de terem acesso a todos os meios de gravação e produção que hoje existem, a qualidade dos mesmo tende a ser duvidosa.
Então, a resposta às minhas preces está em algo que já ouvia há muitos anos atrás. Ainda vou fazer um musical, à custa deste disco. Em memória dos bons velhos tempos! Meninos, preparem-se, vamos ter muito trabalho pela frente…

Há Homens, ou quê?

As Vozes da Rádio podem ser divididas segundo vários critérios: vozes graves e agudas, europeus e extra-europeus, caucasianos e sub-saharianos, fortes e menos fortes e tantas outras, que a imaginação nestes casos é bem fértil. Há no entanto uma divisão natural que há muito se acentua e que parte este quinteto em dois: os Homens e os meninos. Os Homens são aqueles que já geraram vidas, que enfrentam as batalhas gastronómicas sem temores, que dormem 5 horas e fartam-se do colchão, que não têm hora para dormir, que distinguem as castas dos vinhos só pelo aroma do néctar, que não viram a cara ao fumo quando ele é de qualidade, que acreditam que melhoram a qualidade vocal com um digestivo da casa. Este grupo preponderante para o normal funcionamento do quinteto é também conhecido pelo Núcleo de Agosto, pois os seus três membros escolheram o mês do Imperador Augusto para darem início ao seu brilho terrestre. 10, 13 e 14 para quem quiser saber, do mais velho para o mais novo.
Depois de uma viagem a Lisboa para debitar um playback de 3 minutos nada como a recuperação das forças num café mítico. O café Cenáculo. Mas é claro que só pensa assim, quem faz parte do grupo dos Homens.
O Cenáculo é desde há anos o ponto de encontro das Vozes. Graças à pressão do nosso fiel amigo José António, o Cenáculo passou a ter percebas e tremoços de há uns tempos a esta parte o que torna as saídas nos meses quentes mais agradáveis. A escolha deste café – snack-bar é óbvia: se serviu para Cristo e os apóstolos se reunirem, porque não serviria para estes 5 humildes pecadores mais tripulação se arrebanharem antes das viagens?
Pois bem, os Homens do grupo lá foram às quatro da tarde (o almoço praticamente não existiu) afiambrar uma francesinha que ao sábado é merecedora de benesses por parte do café e só custa 3,99€. O Cenáculo tem destas coisas. Promoções alimentares. Feiras de Marisco. E tem um lema que muito nos intrigou durante algum tempo: “Café Cenáculo, sempre na vanguarda da frente!”. Depois de muito pensarmos no verdadeiro significado de vanguarda da frente, reparámos que também nós somos um quinteto que está na vanguarda da frente… bem isolado na liderança, tão distante que ninguém repara nele.
Que dizer das francesinhas da nossa segunda casa? O melhor pelo preço. Justo, muito justo para aquilo que se pratica no mercado. Quanto ao paladar distinguiria o nosso comer com um regular. Nem mais, nem menos. Uma francesinha regular. A cerveja também merece nota positiva não atingindo porém a pujança daquelas que são tiradas na Galiza (sem dúvida destacada na vanguarda das cervejas de barril). O atendimento é aquele a que já estamos habituados. Somos da casa, tratados como tal. Há ainda a registar neste campo um reforço do staff, com uma menina que tem pedal para rapidamente se distanciar do pelotão e chegar à frente… à vanguarda da frente!

07 outubro 2006

Aparições Televisivas II

Como anunciado anteriormente, os meninos deslocaram-se à capital para mais uma aparição televisiva, daquelas que toda a gente sabe e toda a gente vê. No entanto, o que se esperava ser "apenas" mais um contributo musical extrapolou-se para outras áreas igualmente artísticas - as artes plásticas! Confundidos? Vamos por partes...
O início da viagem deu-se às 8:45, 45 minutos depois da hora inicialmente marcada. Felizmente o Tomi conseguiu chegar com menos de uma hora de atraso, que é mesmo coisa rara. Anda a esforçar-se, o rapaz. Tanto que até lhe crescem coisas estranhas nos olhos... Adiante...
Paragem obrigatória em Leiria, para visualização de revistas de referência, vazamento de líquidos e ingestão de qualquer coisa que engane a fome. Os barbudos e colegas lambareiros foram num geladinho, enquanto eu fui numas bolachinhas com passas e suminho de pêra.


Com bolsos mais vazios e barrigas mais compostas, rumámos para Lisboa, mais propriamente para a Pontinha, onde fica situada a Casa do Artista. Chegados ao local, dirigiram-nos para o camarim, onde nos equipámos. Acabámos por ser solicitados por uma menina muito simpática (apelidada de “menina dos guaches”) para contribuir com um desenho, uma pintura, uma frase, ou algo do género, tendo como suporte uma placa de gesso cartonado. Perante as indecisões naturais de “o que fazer no raio desta parede” Joca tomou o leme à situação, ajudado pelo ar de comprometimento dos seus colegas de grupo, e começou a pintar. Amigos, o resultado é indescritível… Imagens que valem mais que palavras…


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Joca iniciando o trabalho artístico. Pode notar-se uma forte influência na corrente "Pistas da Blue", série da qual é grande admirador e consumista.


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O resultado final. Reparem bem na mistura de cores, tão bem combinadas. Da associação do traço artesanal ao conceito de grupo musical... Do endereço do blogue, que tão bonito ficou, apesar do Jony ter detestado. Gosto particularmente das assinaturas, que prefiguram tão bem os nicks blogosferáticos.

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Os meninos junto ao seu trabalho. De todos os sarrabiscos, os nossos são os mai'lindos, não são? Mais dia menos dia a Paula Rêgo descobre-nos e ainda nos delega o importante cargo de "grupo residente" da sua futura casa (essa sim, projectada por um verdadeiro artista do norte, Souto Moura)

Depois deste momento brilhante, lá cantámos um bocadinho. 600 kms para cantar o "Tu lês em mim", pareceu-me muito bem. Depois combinámos em encontrarmo-nos de novo com a menina dos guaches, para uma brincadeira (desta vez musical), mas infelizmente as saudades do Porto falaram mais alto. Pedimos desde já desculpas à menina que ficou pendurada, com o microfone na mão (para entrevista em directo).
A viagem de regresso foi uma verdadeira epopeia. Não só porque fui a guiar o naco de tecnologia do Jony, mas também por tudo o que se disse. O Joca sugeriu começarmos a gravar as viagens, para não perder pitada do que é dito. Eu concordo. Principalmente para não perder o registo que tem sido aqui apresentado.

06 outubro 2006

Multibanco já ali

Esta história tem dois, três meses. Às vezes dá vontade de variar. Sair da rotina, dar um pulo até ao desconhecido e assim oxigenar o dia. Foi o que fiz no final do ano lectivo passado. Farto da rotina de comer onde costumo recuperar forças, rumei um pouco a sul e tentei num qualquer bar junto à praia a refeição para aquele dia. Olho para a carteira que apresenta o aspecto usual, sem dinheiro. A fome era já grande. Procuro um Multibanco. Acreditei que na marginal tinha de haver um Multibanco, afinal ali faz-se turismo. Avisto um Totta ao fundo. São as cores do Totta. É um banco, nada que enganar. Avanço já de cartão nos dentes… eis com o que me deparo:Esmoriz é a terra. Privilegiada é certo, pois em mais nenhum lugar do mundo há um tuttipromo. Melhor que o estabelecimento só mesmo a criatividade do designer que propôs esta imagem e estas cores para a loja. Afinal não foi Stravinsky que disse que genial é aquele que rouba?

Sugestão para fim-de-semana

Depois da já anunciada aparição televisiva dos meninos, regressaremos à Invicta, se Deus assim permitir. Seguirei directo para Vila Nova de Famalicão, mais especificamente para a Casa das Artes, onde se realizará um musical infantil belíssimo, chamado "Os Ratinhos da Família Mozart". Trata-se da história da vida do famoso compositor, contada por uma família de ratinhos que habitou a sua casa há muitas gerações atrás e que passou o testemunho aos seus descendentes. Os ratinhos aproveitam para cantar várias melodias mozartianas, com algum humor à mistura. Quem não tiver que fazer amanhã, e não veja onde gastar 2€, mais vale pegar nos miúdos e ver outros miúdos a trabalhar no fim-de-semana. Pode ser que lhes sirva de exemplo. Ou então que fiquem sensibilizados para a música. Sempre não era um fim-de-semana mau de todo. Amanhã, 18:30, Casa das Artes, Vila Nova de Famalicão.

Citação IV

No dia 2 de Outubro do ano de 2006, Vilhena no meio de muito impropérios, disse em pleno ensaio:

05 outubro 2006

Ca(u)sa do Artista

Admira-me a perspicácia e sentido de oportunidade do sr. Artista, proprietário da casa homónima... Organizou uma festarola para sábado, da qual participaremos de forma graciosa, e que, segundo a RTP, será "Uma emissão especial (...), que pretende sublinhar o papel e a intervenção dos artistas na vida do País". O programa chama-se Ca(u)sa do Artista. A mim não me enganam eles. O sr. Artista conseguiu prever a 5ª subida da taxa de juro, desde que o ano começou, e com esta visibilidade toda (8 horas de emissão) deverá angariar dinheiro suficiente para manter a sua casa jeitosa durante, pelo menos, um bom par de anos. Os meninos encantarão entre o meio-dia e a uma da tarde. Desenvolvimentos da festa no Domingo, aqui, num blogue perto de si.


Na sapatilha!

Aqueles que me conhecem sabem que sou um indivíduo sério, bem formado, que não entra em brincadeira brejeiras, nem tropelias tontas. A vida pode ser divertida sem ser preciso recorrer à gargalhada gratuita, à partida degradante. A fruição da Humoresque de Dvorak ou de La Revue de Cuisine de Martinu chegam e sobram para acrescentar diversão às batalhas que travo no dia-a-dia.
Outros porém não pensam assim. Chico escreveu e Caetano cantou “Deus é um cara gozador, adora brincadeira…”, numa clara provocação sem piada. Outros ainda gozam com os vindouros. Os pais da Maria das Neves ex-primeira ministra de São Tomé e Príncipe baptizaram-na com uma alvura que não condiz com a tez. Só para gozo, já se vê. E por falar nisso, que dizer da Clara das Neves com os seus 7 anões de um filme brasileiro, com uma morena de, como diz o Monge, fechar o comércio à hora de ponta? E as cenas com os liliputianos? Chacota amigos! Chacota que, definitivamente, não faz parte de mim.
Neste grupo há-os capazes de gozarem com este e com o outro mundo. A história que vos vou relatar perde-se na minha memória. Não sei quando foi, onde foi. Sei que, como é hábito nesta seita, dois instigadores do mal vasculhavam a carteira do Vilhas nuns camarins, onde esperávamos pelo início de mais um concerto, enquanto este se encontrava ausente. É recorrente. Tenho constantemente a minha vida devassada pelos meus colegas que ora pegam no telemóvel para lerem as mensagens, ora pesquisam no meu portátil aquilo que lá tenho, ora ouvem as minhas conversas ao telefone. Tudo fica a descoberto. Eu vi-os na função de tirar e por cartões, contarem o dinheiro e acabei por virar a cara e as costas por pudor e em acto de reprovação. Não posso pactuar com isto!
Passado algum tempo, semanas talvez, recebo uma chamada do amigo Vilhas. Era domingo de tarde e estava um dia agradável. “Ó Joca, quem me tirou o cartão do Porto?” disparou o sub-sahariano como se (vede do que a mente humana é capaz…) eu tivesse algo a ver com o desaparecimento do cartão de sócio cativo das Antas. “Eu estou aqui à porta das Antas e não me deixam entrar porque não encontro o cartão!”. “É racismo, Vilhena” ainda brinquei, mas ele não estava para isso.
Telefonei ao Jony e ao Tomi na tentativa de ajudar o belfudo africano. Nenhum deles sabia de nada. Negaram como Pedro e ainda para mais o galo nunca mais cantava para se sentirem arrependidos.
Passados dias alguém se lembra. “Ó Vilhena, ora vê debaixo da palmilha da tua sapatilha!”. Lá jazia o cartãozinho com foto e tudo. Afinal o Vilhena tinha levado o cartão à bola. O que ia era no sítio errado. Devia ter procurado melhor…

A verdade é que não sei quem escondeu o cartão ao pobre Vilhas. Mas tenho a certeza que no meio desta multidão fotografada na Ilha de Santa Maria durante as marés de Agosto de 2003 estão os dois responsáveis pela facécia!

04 outubro 2006

Canções de Amor

Na minha cuidada análise ao último número da "Dica da Semana", jornal de referência no bairro onde moro, vislumbrei, tanto na primeira página como também na página das Personalidades, o nosso colega de profissão - Mickael Carreira - filho do outro Carreira, esse bem mais badalado. Como filho de peixe sabe nadar, pensei que, para além de saber cantar, para além de ter uma legião de fãs e para além de ter um aspecto lavado, o repertório também seria idêntico ao do Tony: baladas, canções de amor e afins. Pelos vistos enganei-me redondamente, pois ele define o seu primeiro trabalho discográfico (que já alcançou 50 mil vendas - dupla platina em 5 semanas) como sendo um album com uma sonoridade pop/latina. Mesmo tendo alcançado esse número de vendas, penso que se tivesse optado pelo estilo romântico do Tony, provavelmente os números triplicariam. E foi aí que me lembrei que se calhar o futuro deste grupo pode passar por aí... por um disco de músicas românticas, versões acappella de músicas que ficaram gravadas no nosso íntimo por marcarem os momentos mais significativos: o primeiro olhar, o primeiro beijo, a primeira namorada, a primeira no carro, a primeira amante, a segunda namorada e por aí em diante. Peço a ajuda de todos, que revelem a "sua" música, aquela música que, sempre que a ouve, o transpõe de novo para o momento lindo que viveu outrora. Desde já, obrigado pela colaboração.

03 outubro 2006

Boas notícias

Entre 6 e 27 de Outubro vai ser possível morrer sem barreiras nos estabelecimentos prisionais de Matosinhos. Foi pelo menos isto que eu li num cartaz que anuncia as actividades para o mês 10!
Depois informei-me melhor e soube que vão ser feitos workshops, conferências e masterclasses sobre as boas formas de morrer numa prisão.
Além de uma distribuição de seringas infectadas, o que permite a poupança de alguns tostões no investimento que é feito em guardas prisionais, há uma expectativa enorme na vinda de um feiticeiro Zulu, que é mestre em mutilações. Doutorado em excisões, trás com ele apenas um x-acto e espera-se o corte das suas próprias jugulares.
Ponto alto será um seminário de seis horas com um mestre da tortura. Este popular cançonetista irá interpretar os seus melhores êxitos já registados ao vivo no pavilhão atlântico.
Parabéns a quem teve tão brilhante ideia… Já agora precisam de um revisor?

Não está muito visível mas o cartaz diz JAZ SEM BARREIRAS - estabelecimentos prisionais de Matosinhos. Não restam dúvidas, vai ser uma festança!

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades


Felizmente o Eusébio mudou para um clube de jeito. Em jeito de mudança, proponho que se adapte o hino do Benfica para uma das quatro versões que arduamente criámos, aquando a feitura de mais um programa do Dia dos Senhores, na Rádio Nova, programa esse dedicado ao telemóvel. Dedico particularmente esta versão a todos os que já foram brindados com uma multinha da BT, por falar ao telelé enquanto conduziam.