19 setembro 2006

Citação I

A 18 de Setembro, durante o ensaio, Vilhena disse:
"Espero que valha a pena o esforço pelo Sr. Cerqueira"

18 setembro 2006

Raiva e dor

Tenho sido vilipendiado de forma grosseira e agressiva neste blog por aqueles que se dizem meus amigos. Aqueles a quem dei regaço no duro início da vida artística, cospem hoje no prato de onde já comeram.
Quem nunca se interessou pela história da Roma antiga, não percebe por certo, o que um homem (com h minúsculo) é capaz de fazer para ascender a um lugar que pertence a quem, por antiguidade, por tradição, obra, equilíbrio, autoridade e lealdade o ocupa.
É verdade, falo de mim e da posição de único elemento das Vozes que ainda por cá anda desde a sua criação e que por isso mesmo assumo a postura de chefezinho déspota, de ditador irascível, de comandante tirano.
Mas o perigo espreita. Outros, quais abutres do Egipto, planam sobre mim à espera que exale o fétido cheiro de carne podre para assim assumirem o meu lugar.
Falo daqueles que aqui relataram histórias que pouco dignificam a minha credibilidade (vide Dossier: Hotéis – uma história de violência) ou que lançam o anátema sobre mim, recorrendo à injuria e falsidade, associando-me a Cacia e a comportamentos sociais reprováveis (vide Concertos I).
Poderia contar-vos memórias de fazer corar o menos inocente. Mas é sabido que as imagens falam mais que mil palavras.
Estávamos em Vila Franca do Campo, São Miguel, Maio 2004. Eu, feliz e ingénuo, quis com a minha Lomo captar um momento terno de família. Atrás, os meus colegas de grupo mais o técnico de luzes Pedro Cabral, aqueles a quem tenho por irmãos, comportam-se de forma condenável. Atentai bem nos dedinhos deles... Lamentável!

O casamento - capítulo III

Três é número da perfeição. Por isso este é o último capítulo deste tríptico amoroso que me levou a Lamego para partilhar a felicidade de um jovem casal que iniciou agora uma longa caminhada a dois. Bonito!
Actuação da tuna
Nem duas vidas universitárias me levaram a pôr uma capa e a cantar com uma tuna....de capa Nada contra, antes pelo contrário. Se calhar é mesmo uma questão de feitio, ou de oportunidade. Não deu na altura. Agora, só mesmo o Mokas e a Migui para me porem lá no meio. Por isso fica a noite de 16 de Setembro marcada pela minha primeira e última actuação com uma Tuna. E claro só podia ser com a Tuna da Portucalense.
Antes, o ensaio cá fora. Copos e cigarros para o aquecimento. A certa altura dei comigo a pensar que se fosse instrumento musical nunca seria um de sopro. Vi o bafo letal que saía do Cavadas em direcção à flauta. Eu oxidaria, baixaria de tom, se calhar até derretia. Ele lá continuava com os trinados e a pobre da flauta respondia. Ao meu lado o Vanessa afina afincadamente o violino. “Para quê? Para destoares?” perguntei. Ele sorriu. Passa por mim e pelo Mari Carmen o Scotch a rir. A bom rir. Infelizmente não tínhamos câmara para captar. Nunca ninguém se vai acreditar nisto. O Adélio está em grande forma no bandolim. Ele como um dos fundadores da tuna puxa a carroça com empenho. O Bragança tenta ordenar as tropas. Chega uma camioneta cheia de meninas. Ao longe julguei que o Tomadas tinha sido diligente desta vez. Mas não. Era a tuna feminina da Católica que estava a chegar para abrilhantar a festa.
As meninas tocaram e pelos relatos muitíssimo bem. Eu não as ouvi porque estava empenhadíssimo no ensaio com a rapaziada. Afinal conhecia o que cantavam, mas já não contactava com aquelas músicas há mais de 2 anos.
Lá fomos cantar. Deu-me muito gozo ouvi-los outra vez. As grandes vozes do Hélder e do Mário. O Tó a cantar como nunca cantou. O Mari Carmen brilhante no solo e nas percussões. O resto da rapaziada: o Chaves, o Tomadas, o Darth, o Cromo, o Atila, o Joker, o Bijou, o Renato (mau demais escrever aqui o nome de guerra dele), o Vanessa, o Cavadas, o Rui Barros, o Cremalheira, o Fafe, o Garret, o Scotch, o Securas, o Bragança e outros que a memória já não me ajuda a estas horas. Confesso até que os meus olhos marejaram quando ouvi o rouca vai a campainha, uma cançoneta parida por mim e pelo Mário Alves há uns anos para o Museu dos Transportes.

Tuna


Com o fim da brilhante actuação, chegou também ao fim o meu dia. Havia que regressar e começava a ser dificil.
Notas finais

Qual Prof. Marcelo aqui deixo as notas finais:

20 valores

Ao Tó e à Migui. À festa. À companhia. À “minha” tuna. Ao simpático senhor que me serviu os camarões de forma personalizada e que repetiu o feito com os 3 cafés antes da viagem de regresso.


8 valores

Ao ter que fazer a viagem de regresso àquela hora. À camisa daquele senhor que estava quase à minha frente e que fazia da mira técnica de uma qualquer televisão um esbatido quadro a pastel. Ao carro da BT que estava parado no IP4 não possibilitando a transgressão de forma livre e espontânea.

… e para terminar, afinal a banda não era cubana. Não! Olhem para o violino. Sim é ele! É português! É o Obikwelu.

os falsos cubanos


Dia 5 de Outubro tenho mais um casamento! Até lá.

17 setembro 2006

Concertos I

Enquanto alguns andam por aí no bem bom, a comer à grande e à francesa, em viagens com álibis de casamentos e acompanhados por amigos com gostos duvidosos... Outros trabalham e defendem a cor desta equipa. Pois é, meu amigos, ontem os 3 cantores do grupo deslocaram-se a Mafra para, mais uma vez, deslumbrar a plateia com raros dotes vocais. E pasmem-se! Presenteamos todos com música muita antiga... gregoriana, mais especificamente. Mas vamos por partes.
Saímos do Porto para sul... Foi notório, logo que entrei no carro, algumas diferenças:
-o carro estava bastante mais leve, logo, mais rápido;
-não tivemos os famosos jornais e revistas que o Vilhas leva, usualmente, aos magotes;
-pela viagem fora, só cheirou mal uma vez, quando passamos por Caxias... a diferença que o Joca faz...
Chegámos ao destino. Mesmo junto ao convento. Um painel vislumbrava-se ao longe; dizia em letras garrafais "Moda Mafra". Enquanto acabava de ser montado o palanque da passerelle, os meninos decidiram bater terreno circundante.

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Existem certos pormenores que nunca ficam bem pôr a descoberto, principalmente situações bizarras de uma banda de prestígio como esta. Por exemplo, a ideia deprimente de nos vestirmos no carro depois de se ter a oportunidade de nos vestirmos no mesmo camarim que dezenas de manequins conhecidas, parece-me algo um pouco absurdo. Mas nós gostamos de ser assim... do contra! Pena que não tenha nenhum registo fotográfico deste acontecimento, de certeza que os boxers ao xadrez do Tomi ficavam muito bem aqui, como fundo...
Depois chegou o momento alto da noite... Entre modelos a correr, apresentadores a espalhar charme, público a delirar com uma menina dos morangos com açúcar e fotógrafos rookies, os meninos sobem ao palco e brilham com a primeira música... Hino a S. João Baptista, com batida patrocinada pelos melhores DJ's de Kizomba. Coisa de nível...


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Claro está, que após cantarmos para todos os apreciadores de música gregoriana (seguramente mais de 4), estivemos a fazer horas para os restantes músicos acabarem. Enquanto isso, como quem espera desespera, existe sempre espaço para a palhaçada. Não é por acaso que o meu nick é miúdo...


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No entanto, mal o concerto acabou, foi ver resmas de modelos a correrem para ter um autógrafo nosso... Será que foi pela nossa brilhante actuação? Será pelo nosso incontornável charme? Terá sido pelo paleio nos bastidores? Fica apenas o registo... (ó pra elas, todas cheias de pressa...)


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O casamento - capítulo II

Aperitivos

É sabido. Desde as bodas de Caná que casamento sem vinho, não é casamento. Cristo, que revolucionou e revoluciona o homem a nível espiritual, marcou igualmente a história do vinho. Ao ceder ao pedido de Sua mãe (e qual é o bom filho que não o faz?), transformando água, que nem sabemos se era potável, em vinho, condenou a que todos os pobres de carteira e/ou de espírito ficassem de fora das bênçãos do matrimónio. Porque quem não serve vinho, não casa! Este problema arrastou-se até há pouco. Com as uniões de factos os miseráveis puderam finalmente assumir a sua relação evitando despesa com o néctar dos deuses. Mas eu estava num casamento daqueles a sério e sabia que vinho não ia faltar.
Terminada a cerimónia vai tudo a passo animado para o Hotel Lamego. Excelente escolha porque é perto da Sé e porque para muitos o banquetear no hotel significaria apenas o uso de um transporte no fim da festança: o elevador até ao quarto. Assim não fiz eu, que não marquei quarto e consequentemente tive de regressar a casa.
A espera por todos os convidados e pelos noivos foi um pouco pesarosa, não que o sitio fosse mau, antes pelo contrário, mas porque estômagos fracos e necessitados mexiam com a percepção do tempo e recordavam o célebre fado “as horas pra mim são dias, os dias pra mim são meses…”. Eram 17h02m e estávamos todos num anfiteatro para a foto de família.
Depois foi a cavalgada heróica até ao local dos aperitivos. E lá chegados foi o saciar dos apetites. Nada faltava. Tudo à grande e à beirão! Havia comidas para todos os gostos. Eu encostei-me aos produtos da terra que são sempre os melhores: todas as espécies de fumeiro, bolas de carne e de sardinha e até o conhecido camarão tigre de Lamego.
Antes porém, passei por uma situação insólita. Mal entrado no salão dirigi-me às bebidas e pedi um gin tónico (clássico destes momentos). Colocam gin num copo alto, procuram a água tónica e… minutos depois despejam sprite no copo. “Tem de ser assim…”. Fiquei atónito. Como classificar este episódio? Como um sinal divino, por certo. Estando no Douro sul, porquê o gin tónico? Ele mais uma vez mostrou-me o caminho certo. Bebi a mistela e estabilizei no branco da região.

Aqui tendes o vosso cronista social com um copo, um camarão tigre grelhado, um garfo, um guardanapo e um cigarro nas mãos. No nó da gravata está implicito já algum desnorte
Do outro lado vi o Adélio já dentro do balcão a tirar finos. À volta dele estava o Joe, o Cavadas, o Atila. Juntei-me, juntou-se o Vanessa, apareceu o Tó, depois o Chaves e lá fomos ruminando e bebendo. O ambiente era animado.
O Tó foi para as fotos. Para a história fica a foto com a tuna e o final tocante com o Darth a oferecer o disco de José Cid autografado ao recém-casado.

O final dos aperitivos soava já a fim de festa. Joe sabiamente disse que já não era preciso jantar, com tanta comida ainda ali. Pois estavas certo, índio Joe. O que se seguiu já foi mais uma prova de resistência. E nós fomos bravos combatentes.

O jantar

Jantar? Sim, pelas horas. Para mim seria almoço, mas ninguém almoça às 7 da tarde.
Bem comportados lá fomos ver as mesas. Fiquei na extraordinária companhia dos tunos Darth, Mari Carmen e Mário mais as suas respectivas. Ficou também na nossa mesa o prof. João Campos de guitarra e o Sérgio.
Sopa, peixe e carne como manda a tradição. Li a ementa e estava lá tudo. Entraram músicos cubanos e ao som de Besame Mucho entrou o casal.
Toda a gente gabou a qualidade dos pratos servidos. Toda a gente bebeu na medida das suas possibilidades. Descobri ao fim de vários anos que o Darth afinal é Bruno e que o Mari Carmen tem como graça João. Entrecortámos pratos com umas cigarradas e à sobremesa fomos presenteados com uma selecção fotográfica com cenas da vida dos noivos. A banda sonora foi do melhor e começou logo a cappella com o Trio Esperança a cantar o corcovado. Nem sabes como eu gosto desta música Tó!
O jantar estava no fim. Não pude deixar de reparar na garrafa que nos foi acompanhando antes das carnes: “o final de boca é agradavelmente longo”. Lancei a questão aos comensais e senti algum gelo. No fundo foi o meu momento sapatilha cor-de-rosa. Ninguém se quis pronunciar sobre isto. Hoje eu percebi o que quer dizer. O final prolongou-se pelo dia de hoje. O que não é, é muito agradável. Acho que chamam ressaca.




O casamento – capítulo I

Há quinze dias relatei aqui a despedida de solteiro do Tó. Seria uma enorme lacuna não contar agora o casamento. Por ter sido um dia intenso e cheio de peripécias vou dividir a narrativa em pequenos episódios

A viagem

Lamego foi o local do enlace. Já fiz a estrada até lá centenas de vezes, mas desde a inauguração da A24 que se coloca sempre o dilema: por Vila Real ou por Mesão Frio? Acabo sempre por escolher Vila Real e a tal auto-estrada. As vistas do Douro são fantásticas, o ziguezaguear pelos socalcos é delicioso e as pontes sobre o Douro e o Balsemão imponentes. Quem ainda por lá não passou, não sabe o que perde!
Eis que chego à cidade. Estaciono perto da Sé mas topo logo no Café Maia com velhos conhecidos. Estavam em plena preparação para acolherem a palavra do Senhor da forma como Ele quer: em festa! Juntei-me ao Adélio, ao Mezenga, ao Atila, ao Joe e ao Darth mas como aspirava apenas manter-me acordado tomei café, o que me distinguiu das cervejas dos demais. Eles, numa atitude sapiente, tinham também mastigado algo. Com casamento às 14h é preciso saber fazer a gestão do estômago. E eles souberam-no. Levantámos ferros e fomos para a Sé.

A cerimónia

Na porta da Sé reencontrei muitos dos que 15 dias antes tinham andado na farra. E que diferença, meus amigos! As roupas andrajosas deram lugar a fatos caros, o cheiro a bebida aos finos perfumes, o monco caído do fim da noite a sorrisos radiantes.
Fui interpelado por um autóctone que iniciou um monólogo sobre a cidade de Lamego. Não sei se o senhor está a soldo do turismo local, mas pareceu-me estar necessitado de acompanhamento psicológico. Lembrei-me logo das estudantes de psicologia brasileiras com quem tínhamos estado na despedida de solteiro. Bem podiam elas estar a prestar serviço social e cívico a casos como o deste senhor, nas horas em que o sol não se traveste de lua.
Vem o noivo. Resplandecente, sorriso largo, cabelo aparado. Entrámos na nave da igreja e esperámos pela noiva. Entretanto um coro e um pequeno agrupamento instrumental preenchem os tempos mortos. Chega a noiva, salta a marcha nupcial. Ofuscando o já brilhante noivo, a Migui avança decidida para o altar. O Sr. Padre começa a função e logo sinto o perfume da pronúncia beirã com os esses muito sibilantes. Gosto desta sonoridade.
O tempo vai avançando. A fome também. Eram 15h18m e cantava-se “Pai-nosso em Ti cremos…”. Também eu já queria àquela hora enfiar algo para a blusa. Confesso que prestei pouca atenção à cerimónia. São já dezenas e dezenas de casamentos e o argumento não tem variado muito nos últimos anos. O corpo estava lá mas o espírito planava, nem sei bem por onde. Aterrava sempre que ouvia música. Também desceu na altura das leituras. Estávamos às portas das 16h quando saímos da Sé.

A música

Visto agora o papel de crítico musical. O pequeno coro e quarteto de cordas com trompete e teclado esteve muito bem. Boa afinação, bem musical, à altura dos acontecimentos. O repertório muito eclético. Talvez demais para o meu gosto. Ter no mesmo disco o Aleluia de Haendel, o Minuete de Boccherini, o Can´t help falling in love e o Avé Maria de Schubert faz-me lembrar aqueles pratos de sobremesa em que se mistura tudo que há no frigorífico, vulgo pijama. Mas foi óptimo ver ali o Manuel Soares nos gorjeios, o Jaime na trompete, o Ernesto no teclado e direcção e rever a viola d’arco com os olhos mais azuis que eu conheço, a Lúcia, simpática e bonita como aliás sempre foi.

A saída

Já falei do brilho dos noivos e dos lindos fatos em desfile.Mas algo à saída da Sé me ofuscou de forma violenta e provavelmente vai mudar a minha existência daqui para a frente. Os pés do Bragança.

Sapatilhas do Bragança

Não propriamente o pé, nunca o vi, nem tenciono ver, mas o que ele tinha calçado! Uma sapatilha cor-de-rosa. Metrosexual, daltónico… foram algumas das explicações. Mas eu percebo-te, Bragança. És apenas um provocador e eu gosto disso. Também o sou à minha medida. No entanto não calçava aquela sapatilha num casamento… ia descalço!

16 setembro 2006

Memórias da Air Luxor

Puxei pela minha memória e só me recordo das Vozes da Rádio terem voado uma vez na Air Luxor. Lembro-me que o voo saía de Pedras Rubras depois da meia noite com destino ao Funchal e de todos nós, conhecedores da fama da companhia aérea, termos ido munidos de sacos-cama para pernoitar no aeroporto. Estávamos em Janeiro deste ano e os aviões da Air Luxor ainda conseguiam voar.
Afinal o voo partiu à hora marcada e correu muito bem. Li, como de costume, toda a literatura que colocam nas traseiras das poltronas e fiquei a saber que em menos de 15 anos a Air Luxor se tinha tornado a maior companhia aérea portuguesa. Lindo feito. Gente trabalhadora e esforçada, pensei, fantasiando até que era gente desta que nós Vozes precisávamos pois com 15 anos de carreira continuamos na sarjeta e, como se sabe, nós o que gostávamos mesmo de ser era como os D’zrt.
Hoje dei comigo a pensar na velha máxima que quanto mais depressa se sobe, mais rápido se cai. E se juntar a isto uns conhecimentos rudimentares de física descubro que o peso do avião, que não é coisa leve, ajuda à queda.
Se calhar o lamentável episódio da Venezuela com aqueles sacos de farinha no porão não ajudou muito para evitar o tombo. Muitos narizes ressentiram-se disso e pelos vistos a Air Luxor também. Ah! E o infeliz co-piloto Luís Santos que sofreu sem culpa nenhuma. De qualquer maneira sempre esperei vê-lo ser repescado para um reality-show, mas até agora nada. Fica a atenção da TVI.
Mas voltemos ao bom da vida. De narizes bem assoados, aqui têm os Senhores à beira do antigo iate dos Beatles.

Iate dos Beatles - Madeira

Depois, já no hotel, apreciem as famosas Vozes de roupão, com o seu técnico de som Nuno, nos corredores a caminho da piscina de talassoterapia.

Corredor Hotel Crowne Plaza

Para terminar os energúmenos juntinhos no elevador.

Elevador Hotel Crowne Plaza

Foi uma sessão muito proveitosa de talassoterapia, seguida de sauna (quem foi o anormal que me convenceu a tomar banho de água gelada depois da sauna? Podia ter morrido…). Depois, foi o concerto de bom nível e claro o mergulho nas “noites da madeira” bem menos calmas que as da canção do Max (grande tema).
Chegámos ao hotel a tempo de fazer o saco e apanharmos o avião que dessa vez, infelizmente, contrariou a fama da Air Luxor e levantou a horas. Se assim não fosse ainda andávamos por lá… o que não seria mau de todo.

15 setembro 2006

Mais um, com direito a volta no fim e tudo

Hoje o ensaio foi diferente. Mais curto que o normal. Penso que se está a priorizar o fim dos ensaios que propriamente o conteúdo musical. Portanto passo já para a parte mais importante.
Com direito a estacionamento privado, eis que chegamos à Cufra. Pela quantidade de carros estacionados e pelo marabuntismo aquando a nossa entrada no local, adivinhavam-se pitéus de altíssimo nível. Nem era preciso escrever o que foi pedido para os meninos... É claro que foi o pica-pau e a tosta de queijo. As bebidas são as do costume...


Os alimentos, própriamente ditos, estavam com o aspecto que podeis observar.




















Segundo os entendidos, o pica-pau estava muito bom; ficou no entanto a perder alguns pontos para o homónimo do Capa Negra, por não levar o molho de cobertura. Mas as carnes são de confiança. Não posso dizer o mesmo da tosta de queijo... não foi generosa e o pão estava seco.

Depois de tudo ruminado, passou-se para a sobremesa. Só a gula do Joca e do Tomi falaram mais alto. Tanto eu como o Jony passamos ao lado. Foi pedido um bolo fofo de chocolate e um pudim de côco.



Pontos a favor: As carnes eram de qualidade, o serviço foi rápido, o preço não foi exagerado

Pontos contra: As sobremesas tinham melhor aspecto do que propriamente o gosto, as cervejas não estavam grande coisa. O Joca referiu ainda que ficou muito chateado por sair com a roupa a cheirar a tabaco...

Mesmo assim, a votação foi positiva



Num ensaio normal, o dia tinha acabado por aqui... Mas os meninos reservaram-me uma surpresa: uma volta de carro pelas ruas da cidade. Fiquei animado, mostraram-me sítios bonitos à beira-mar... Mostraram-me outros carros também a passear... E mostraram-me senhoras junto às ruas. E sempre que nos aproximávamos de uma, o Joca pedia-me para lhe perguntar qualquer coisa que não me lembro agora. Sei que as senhoras ficavam com uma cara de poucos amigos.
Quando a viagem acabou, pensei que o dia finalmente iria acabar. Mas o Joca sugeriu gastar um presente que trouxe dos Açores. E como é amigo dos seus amigos, ofereceu a todos, mas o único que aceitou foi o Tomi.



Para quem estava incomodado com o fumo do tabaco, aqui não se nota nada...

Finalmente pude ir para casa. Próximo ensaio: 2ª feira, no Convívio, junto ao Bom Sucesso. Estão todos convidados.

14 setembro 2006

Assobio da Cobra à porta

É já para a semana, dia 21 que estreia o musical Assobio da Cobra no teatro São Luiz.
O musical aparece na sequência de um excelente disco com o mesmo título que foi editado há cerca de dois anos e que foi miseravelmente promovido pela EMI.
Sou suspeito quando falo deste disco. Por um lado porque as Vozes participam. Por outro lado foi feito por 2 enormes amigos: o irmão João Monge e o não menos irmão Manel Paulo. Fui aliás assistindo ao crescimento deste trabalho sempre à sombra de uma boa refeição. No verão de 2002 num restaurante alentejano na Parede, meses mais em Aveiro (onde comemos Manel? Já não me lembro). Depois foram mp3 para ir ouvindo, os mails contando pormenores, os encontros em Lisboa e as gravações em Vale de Lobos.
Por isso aguardo com expectativa a estreia do musical. Que se pode esperar do encontro de um dos maiores letristas e de um dos melhores escritores de canções deste país? Só o melhor.
Para aperitivo deixo aqui uma das minhas favoritas do disco. Neste caso ainda se junta outro bom amigo aqui do burgo: o Manel Cruz dos Pluto, Supernada e dos saudosos Ornatos. Tudo boa gente, garanto-vos.

NUNCA PARTO INTEIRAMENTE

Nunca parto inteiramente,
não me dou à despedida
As águas vão simplesmente
presas à sua nascente
é do seu modo de vida

Fica sempre qualquer coisa
qualquer coisa por fazer
Às vezes quase lamento
mas são coisas que eu invento
com medo de te perder

Deixei um livro marcado
e um vaso de alecrim
Abri o meu cortinado
fiz a cama de lavado
para te lembrares de mim

Nunca parto inteiramente
Vivo de duas vontades:
uma que vai na corrente,
a outra presa à nascente
fica para ter saudades

Traumas da vida

Hoje dei por mim a pensar que todos nós somos feitos de traumas. E com os traumas aprendemos, ou ficamos traumatizados para o resto da vida. No meu caso, existe um bocadinho de cada... Aqueles que foram ultrapassados com o tempo, outros que permanecem e que hão-de sair um dia, e ainda outros que já têm raízes e só os perderei quando estiver a vários palmos abaixo do solo. Dos que já foram ultrapassados, relembro um que não tem muita piada para mim. Mas o meu trauma foi pensar que iria ter muita piada para os outros. Era jovem. Ainda sou. Mas era mais. Certo dia, chegou o momento em que todos os jovens passam imediatamente para adultos - o recrutamento militar e consequente alistamento. Lembro-me tão bem dos dizeres sapientes dos mais velhos, que quem não fosse para a tropa não seria um homem de verdade... Na altura, preferia ser eternamente jovem do que um homem a sério e passar pelo vexame que iria passar... Reparem bem no raio do número de recenseamento que me havia de calhar...



A minha interrogação era só uma: PORQUÊ EU?! Devia ter feito algo muito mau para receber tamanho presente envenenado. Os dias de angústia transformaram-se em meses... os meses em anos ( isto porque adiei várias vezes a inspecção devido aos estudos)... mas sabia que esse dia, o dia em que ouviria uma voz a chamar pelo tal número, chegaria... E eis que chegou. Apresentei-me. E nesse dia não ouvi uma só vez o dito número, pois foi-nos atribuído outro número. Eu irradiava alegria. Até fiz todos aqueles exames parvos com um sorriso igualmente parvo na cara. Tudo estava a correr bem. Até ser chamado para um grupo aparte, cheio de mancebos rústicos. Não sabia muito bem porque estava ali. Até saber a noticia...



INAPTO? Eu, cheio de saúde, com perfil de ranger quase do texas, junto dos inaptos?? Nem passei sequer pela reserva territorial... Exigi explicações. Responderam-me que tinha sido premiado. A esta hora, em vez de estar a cantar com mais 4 lolós, esses arranjos todos efeminados, poderia estar a tocar clarinete na Banda do Exército, ou até da Marinha! Triste sina, a minha...

13 setembro 2006

Vícios de Verão

As primeiras chuvas de Setembro fazem pensar nos dias cinzentos que se aproximam e que só desaguam pelo Natal. O recomeço das aulas, os dias mais curtos, o guardar das t-shirts... Enfim, tudo se aguenta e pensando bem, um eterno Verão podia ser uma chatice. Pelo menos mentalizo-me assim.
Isto tudo é um preâmbulo a qualquer coisa que ainda nem sei bem o quê. Estou como aqueles computadores da Segurança Social que quando vamos lá, estão sempre em baixo. "Estou sem sistema. Tenho que reiniciar o computador", é o clássico destas situações. "Estou sem paciencia e um dia destes vou reiniciar para a Austrália", é o que me apetece dizer às senhoras e senhores que soltam a desculpa do sistema. Ainda assim tenho algum sistema para vos dizer que com o fim do Verão devo dar por concluído o meu vício sazonal.
Todos os verões invento algo novo. Este Verão viciei-me em águas com gás, daquelas com paladar. Já as bebia há muito, lembro-me até que as primeiras que bebi eram de pêssego, alemãs e intragáveis, mas foi este Verão que caí no buraco e consumi desenfreadamente Frize, Pedras, Vidago e outras que já nem me lembro, mas que fiz questão em experimentar. O que é que aquilo tem de especial? Não faço ideia. Na verdade, nem sequer sei se gosto muito. Provavelmente alguma substância que me levou a criar uma dependência enorme dos sabores a limão, morango e hortelã-melão. Foi um consumir compulsivo depois das refeições e nas “noites dentro”, das garrafinhas de 25ml (porque será que não fazem boiões de 2 litros como a Coca-Cola? A mim dava-me mais jeito. Ia menos vezes ao frigorifico…). Enquanto estou a escrever, escorropicho uma de limão.
Isto faz-me pensar nos outros anos. Quase que os podia dividir pelos vícios que fui tendo sempre e apenas no Verão: o ano dos iogurtes líquidos, o ano da água tónica, o ano do panachê e do tango. Estes vícios têm também variantes alimentares: o ano dos cachorros quentes, o ano das pizzas do Lidl (hoje não aguento nem o cheiro), o ano de um gelado sandwich da olá que tinha um urso no pacote (não me lembro do nome). E tantos outros...
Estes são vícios sazonais, típicos de férias. Outros são eternos, não são simples amores de verão. A francesinha, por exemplo. Confesso que gostava de perceber este fenómeno para enfrentar o próximo Verão e consequente vício de uma forma mais preparada.
Felizmente este negro período das águas com gás está a terminar. Dentro de duas semanas já nem me lembro. Sei que a Unicer e a Compal vão tremer, mas hão-de com certeza sobreviver.

Poesia

Poema de Rubinstein Moreira, poeta nascido na pequena aldeia Melo, no Uruguai.




Acto
de amor
supremo compromiso.
Revolución
de fé
de alma
y víscera.
Lámpara
que interroga
y
sed de hermano.
La única
verdad
sin concesiones.

Douro - Património Mundial - 250 Anos

Olá.

Quem já assistiu a um show das VDR, pôde ver uma rábula muito engraçada, a parodiar uma musica do Demis Russos. É engraçado como a ficção pode se tornar realidade.
No último sábado fui almoçar a Tabuaço, terra nas encostas do Douro, cheia de tradição e bom vinho. Restaurante escolhido: Tábua d'Aço. Muito engraçado o nome escolhido. Este local de pasto é gerido por um austriaco, da região do Tirol, que ocupa a função de chefe de cozinha. Portanto, podemos encontrar aqui pratos tipicos da região, assim como pratos tipicos da região do Tirol, todos muito bem confecionados.
A meio da refeição, irrompe pela sala , um grupo de cerca 20 adeptos da equipa dos Palancas Negras. Fiquei bastante surpreso, que fariam por aquelas bandas????
Ao aproximar-se o final da refeição, mais uma surpresa, sai da cozinha o chefe tirolês, senta-se num piano daqueles tipo orquestra, e começa a tocar música, naturalmente tirolesa, acompanhada com palmas por todos os comensais presentes. Vivem-se momentos de grande alegria, culminando com a música dos patinhos que sabem bem nadar, acompanhado por um côro espontâneo de criancinhas à volta do piano, onde se incluía a minha querida filha.
E porque razão culminou aqui tão brilhante actuação do tirolês??? Porque entretanto já se tinham aproximado e cercado o piano, dois dos adeptos dos palancas, e tanta pressão fizeram sobre o tirolês, que este cedeu o lugar a seguir aos patinhos.
Seguiu-se mais um momento animado por música africana, onde consegui identificar o "yesterday" e o não menos conhecido "hey jude". Confesso que estava à espera do "vou levar-te comigo, vou levar-te comigo".
A refeição terminou com um grande abraço ao chefe tirolês,( o seu nome é Thomas, má educação a minha não o ter apresentado) e com o pagamento da conta.

Moral da história?? podemos tirar duas reflexões:

1ª sobre a globalização. Que estranho é irmos ao coração do Douro, 250 anos de tradição, almoçar num restaurante tirolês, acompanhado por música tirolêsa e por um grupo de palancas negras, que tocam temas dos Beatles ao piano.
Se globalização é isto, eu gosto. Inesquecivel!!!!

2ª o novo target do milenium bcp. vai ser um tiro no escuro e perdoem a piada fácil. Terem ido buscar a Sara Tavares que nós tão bem conhecemos e admiramos e com quem já trabalhamos algumas vezes, (e ainda bem para ela, que se lembraram dela), não me parece ter sido a melhor ideia para atingir a comunidade africana, pois esta não ouve Sara tavares, OUVE BEATLES!!!!!!

12 setembro 2006

Saudações!

É com muita alegria que assinalo os escritos neste caderno cibernético do meu coleguinha Jony. Que cultura amigo! Citares logo para abrir Sadighi Parviz. É preciso muita coragem.
Pela coragem, porque mereces e porque fiz a mesma coisa com o Tomi, recebo-te neste cantinho com uma fotografia tua. Na mesma viagem à Terceira em que o Tomi teve como companhia de voo o Sr. Louça (ver escrito alusivo), tu escolheste para companheiro de fotografia este equídeo que se exibia numa feira de agricultura mesmo ao lado do sítio onde brilhantemente, diga-se de passagem, actuámos. Não se infira daqui qualquer comparação entre companheiros fotográficos, nem piada sub-reptícia. Nada disso. Só coincidências captadas por um telemóvel com má qualidade fotográfica.


Saúdo igualmente o Vilhas que após algum tempo regressou à sala de ensaios. Ao fim de três minutos de cantoria, tirava o Camões do ostracismo e bradava: “Fo…-se. Pensei que na minha ausência algo tinha mudado, mas reparo que continuam os mesmos anormais e arrogantes!” Sim Vilhena, somos nós! Bem-vindo a casa, meu africano rechonchudo!

Quem é vivo, sempre aparece

Os que acompanham mais de perto a vida desta banda, sabe que somos 5 elementos. Até à data participaram activamente neste blogue 4 de nós (temo que assim se mantenha). Porém, já tinha aqui mencionado o elemento que faltava. Antes que aconteça a mesma coisa que aconteceu ao pequeno Saúl, hoje vou comprovar que o Vilhas ainda está vivo e de boa saúde. (oh pra ele, todo escarrapachado no ensaio... parece uma santola)


(já agora, gostaria de agradecer a todos os que já deram sugestões para possíveis temas a cappella. Sempre que queiram, sugiram)

O ensaio foi muito positivo, ensaiaram-se temas para um possível disco, com título já definido: Canções Proibidas. Mas no fundo, bem lá no fundo, temos de admitir que o pensamento de todos afunilava para a conspiração do costume - onde iria terminar o ensaio. Avancemos sem medo. Local seleccionado: Cervejaria Galiza.

Tendo esta cervejaria alguma tradição, ficamos surpresos em não existir no menu a opção pica-pau. No entanto a cerveja vivinha que "as esponjas" pediram fez com que rapidamente essa lacuna se transformasse num pormenor sem importância. Alternativas: para o Joca e Tomi, a francesinha; para o Vilhas e Jony, o prego em pão. Para mim, a famosa tosta de queijo.




As francesinhas são sóbrias, clássicas, em grande forma. Surpreendentes estavam, sem qualquer ironia, os pregos de bife do lombo. A tosta também não estava nada má. Tudo levava a crer que sairíamos dali contentes com a escolha do local... até passar pela caixa registadora.


Basicamente, para terminar um ensaio, a Cervejaria Galiza é um bom sítio para se petiscar.
No entanto, deve-se ter em conta uma passagem obrigatória no Multibanco mais próximo.
Peço, mais uma vez, a opiniao de todos os conhecedores destes poisos... Próximo ensaio: Cufra ou Convívio?

O caminho

Muito temos falado sobre o que vamos fazer para o futuro. O problema deste grupo nunca foi falta, mas excesso de ideias. Alguém já escreveu uma vez que devíamos ter alter-egos para cada um dos projectos. Eu prefiro que sejamos heterogéneos e sobretudo que nos continue a dar muito gozo fazer o que nos vem à cabeça.
Mas a busca do sucesso fácil e imediato é uma tentação. Assim e depois de ouvir da minha Maria, que na inocência dos 3 anos e pico disse “A Floribella canta muito melhor que o papá, canta, canta”, achei que devíamos todos apostar numa imagem jovem, muito jovem, teenager diria mesmo, pois só assim chegamos mais perto deles (e delas).
Aqui está o primeiro teste. Fi-lo com o Miúdo por ele ser não só o mais novo, mas também o mais bonito da nossa boysband. É este o caminho que nos vai dar fama e fortuna. Colegas, amanhã vamos às compras ao Continente e ao cabeleireiro (reparem que não escrevi barbeiro que é, como se sabe, o local que nós até este momento frequentamos).

P.S. – a montagem está péssima. O artista também não se esmerou muito. Teve medo que o miúdo gostasse de se ver assim…

11 setembro 2006

Memórias da Rádio II

Hoje é um dia triste... Triste porque contabilizo 5 anos desde que as torres do WTC ruíram. Quer dizer que estou mais velho 5 anos desde que esse terrível acontecimento se deu (constatação à La Palice). Mas não foi só esse mediático acontecimento o responsável pelo extenso período de pranto e tristeza que se atravessou. Há 4 anos, precisamente no 11 de Setembro, foi transmitido via banda FM uma das piores versões do New York, New York. Este sim, provocou danos irreversíveis a todos aqueles que escutavam atentamente a Rádio Nova...




Peço desde já desculpas às "pessoas humanas" mais sensíveis... Mas encaro a exorcização como o melhor remédio para a opressão.

Para desanuviar

Num dia em que relembramos memórias de um acontecimento terrível, eu prefiro (com todo o respeito) relembrar duas torres que se mantêm firmes num projecto de vida que já dura há 40 anos. Parabéns papá e mamã e um dia de feliz aniversário de casamento!!!

Onze

Faz já cinco anos. Na altura as Vozes andavam atarefadas com o concerto dos 10 anos no Rivoli e com a participação no Porto Cantado no Coliseu. Eu mudava de casa e de estado civil. Nesse início de tarde almoçava e via as notícias. Tudo parecia estupidamente estranho. Até o comentário do jornalista que falava num Cessna (Portugal desde 1980 tem traumas com Cessnas) da polícia que tinha acabado de embater numa das torres. Do pouco que percebo e pelo que vi achei que não era um aviãozinho qualquer. Tudo em directo. Saí para dar a primeira aula desse ano lectivo. Quando voltava e ouvia na rádio o que se passava, lembrei-me do poema que tinha lido essa manhã. Chama-se réquiem (com acento e tudo) e é de Astrid Cabral, uma poeta amazonense.
Premonição? Terei poderes mediúnicos? Deveria estar a vender previsões em Vilar de Perdizes? Não, simples coincidência, que leva a que nunca mais esqueça o dia em que li este poema.

Réquiem

Pesado é o coração
do escombro de teus sonhos
e dos mortos que em teus ombros
repousam imortais.
O amor de ontem
é cinza feita chumbo.
Cicatrizes e rugas
lavram a tua carne
de aflições temperada
e a vazante das veias
irriga-se
de subterrâneas lágrimas antigas.

(in Ponto de Cruz)

10 setembro 2006

Um domingo abençoado

Domingo de manhã... uns optam por dormir, outros por levar os filhos ao parque, os que não têm filhos levam os cães, os que não têm cães, levam as mulheres... E existem ainda outros que trabalham. Eu faço parte deste último grupo. Artista que é artista, nunca se sente satisfeito com um projecto apenas... As VdR são uma prioridade, mas existem outras coisas bonitas que se podem ir fazendo. Hoje de manhã estive num casamento. Em trabalho. Seguramente foi o casamento mais bizarro em que participei. Causa principal - o ex-noivo. Não sei como o ex-noivo ganha a vida, mas poderia tirar o lugar a muitos jovens que fazem stand-up comedy. De todas as situações que me fizeram corar, mesmo não tendo nada a ver com aquilo, ficou uma que quero partilhar... No diálogo antes do consentimento, o padre perguntou-lhe algo como "o que pensa que será mais importante para o futuro do casal", ao qual o ex-noivo responde, de forma libidinosa "o que eu quero é paz... paz...". Incrédulo, observei a reacção dos presentes, à pergunta feita pelo padre "quem quer paz em casa? Levante o braço". Todos levantaram, com o mesmo sorriso de gozo do noivo...
Moral da história: Anda cá que eu não te aleijo... paz.. paz...

O meu popó

Foi a 6 de Julho. Exactamente 1 mês depois do dia da besta, o terrível 6 do 6 do 6 (não sentiram a diferença? O mundo mudou nesse dia meus amigos, acreditem), que o meu carro lambeu com alguma violência um desnível normal em terreno acidentado. Segui viagem porque para a frente é que é o caminho. Tocava na rádio “I got my mind set on you” e eu cantava. Algo brilhou a meus olhos. “Curioso” pensei, “nunca esta luz vermelha do óleo me acendeu. Tenho mesmo que levar o carro à revisão”. 300 Metros à frente numa estação de serviço, parou. “Deve ser o cárter” falou voz sapiente. Para mim nunca um ex-presidente americano podia ser culpado do sucedido, mas esta gente percebe disto. Vem um técnico. O técnico, diria mesmo. “Não sei se não atingiu o motor”. Trata-se da boleia, passa-se as chaves do paciente ao clínico e lá sigo com um amarelo-torrado nos lábios. O telefonema de tarde confirma o veredicto: a cambota, os bronzes das vielas (gostei muito deste nome, mas não faço a mínima ideia o que seja), o cárter (mais uma vez a América a meter-se onde não deve), tudo pronto para ir para o lixo. “Isto agora é mais ou menos 1 semana. Chegar as peças, montar, rectificar… demora Sr. Jorge” (leia-se Sejorge). Uma semana até ia fazer bem. Conhecer o metro, o comboio… há gente feliz nos transportes públicos. Ia ser bom, há males que vêm por bem.
Dia 4 de Setembro. Cansado, esgotado, exausto de viver da misericórdia da boleia alheia, do carro emprestado, da irritante voz-off do metro recebo um telefonema. O telefonema: “Sr. Jorge o seu carrinho tá pronto”. Faltou-me a força para a ironia “Já?”. “Isto já se sabe, carros dos gajos com olhos em bico é no que dá. Nunca têm peças. É uma merda”. “Pois é”, lamentei com voz derrotada. “E o que f… tudo foi o cárter ter partido e bocê ter continuado” (pensei: ainda assim melhor para o cárter estar partido, do que estar morto como o Reagan). “Se eu soubesse que o tinha partido, não tinha continuado”, respondi quase pedindo desculpa. “Vamos lá a contas…”. Aqui o decoro e a vergonha não me permitem escrever o número da minha estupidez. Deixo o enigma. Mais 4 euros e custava-me o ano em que nasci. E foi assim que senti: “nasce um gajo pra isto. Para gastar dinheiro nos bronzes das vielas, na cambota, no sensor de não sei quê, na correia…”.
Vivo agora em estado de euforia. Canto o “Calhambeque” do Roberto Carlos, grito com os Beatles “Baby you can drive my car…” e ouço com atenção “O meu popó” de um grupo a cappella com algum jeitinho que em 2000 fez a inauguração do Museu dos Transportes e Comunicações da Alfandega do Porto. Ficou tudo registado em disco, o terceiro dos senhores com título “Mais Perto (uma produção comunicativa)”. Visitem o museu que vale a pena. E na saída comprem o cd que não é mau de todo, apesar de eu já não ganhar nada com isso. De aperitivo, ouçam lá o tema dedicado ao automóvel. Também é o mais idiota do disco. E não se esqueçam “dos gajos de olhos em bico” só mesmo alguns carros japoneses. Coreanos não, ensinou-me o Sr. Castro.


09 setembro 2006

Gil… quê?

De há umas semanas a esta parte tropeço quase todos os dias no Sr. António Fiúza. Na semana passada dei-lhe completa e total razão. Só lobbies poderosíssimos, só movimentações de bastidores, só pressões vindas de gente mal intencionada levaram a uma grande injustiça: o prémio Extremadura a la Creación foi para um tal Prof. Eduardo Lourenço, ensaísta (o que é isso?) e que ainda para mais vive em Paris. Como podia este quase anónimo sobrepor-se à inigualável verborreia do Sr. Fiúza? Como se pode abafar o génio deste reinventor da língua portuguesa?
Vamos por partes: Barcelos é não só uma cidade muito bonita onde já fizemos bons concertos como tem gente muito simpática (olá Chico do Público, olá Florentina, olá Flora – diz o Tomi), tem 2 rádios (já colaborámos com a Rádio Barcelos), 2 jornais e inúmeros locais de repasto de qualidade. Recordo jantar há uns anos atrás na Bagoeira com o João Gil um polvo assado que ficou durante semanas no meu top.
Por isso quando levo com um “a gente vamos jogar…” do Sr. Fiúza, quando ouço tanto histerismo desnecessário, quando vejo um senhor calvo e nédio a dizer na televisão “estão a gozar com nós!” ou ainda quando leio num jornal na net um comentário que diz que “O clube Gil Vicente está a sofrer como o navegador com mesmo nome” fico na mais pura depressão! Percebo mais facilmente o Paris do ensaísta.
Gostava de ver este histerismo, mais comedido e educado se possível, às portas do teatro Gil Vicente para arranjar bilhetes para uma representação do Monólogo do Vaqueiro. Gostava de ver esta movimentação aguerrida na defesa de melhor saúde (e a maternidade?), melhor escola (uns cursos pós-laboral de português e história caíam bem, não?), melhor qualidade de vida (que tal menos poluição nos ribeiros das Pontes?). Gostava até que o Gil Vicente, o Belenenses e o meu Salgueiros jogassem todos na 1ª divisão (sei que já não se chama assim, mas é mais bonito).
Por isso Gil… quê? Eanes é que era o navegador. Vicente? Até músico foi. João? Gil, João Gil, um bom amigo com quem um dia jantei em Barcelos. E viva Barcelos!

Memórias de Viagens II

Que satisfação ver por aqui escritos do meu colega Tomi! E porque no textinho dele é mencionada uma viagem e a companhia que lhe coube em sortes aqui vai o comprovativo fotográfico.


Sim, é verdade, saiu-lhe no sorteio o homem que já gerou uma vida! Até por aí o meu querido colega dá uma abada à companhia de voo, pois para que se saiba o Tomi já gerou três e está ainda na flor da idade.
Mas voltemos ao avião porque este não foi um voo qualquer. Dentro do avião além das excelentes Vozes da Rádio e do proto-seminarista de esquerda viajavam ainda Roberto Leal e sua banda, Marco Horácio, 2 ministros e vários políticos da oposição, quer local (o voo era Terceira-Lisboa e não São Miguel. Memória lamentável Tomi…), quer nacional!
Que aconteceria se este voo fosse desviado contra as torres gémeas de Ofir? Uma perda irreparável na cultura portuguesa? Um enorme vazio na classe politica?
Não… nada se perdia! Antes pelo contrário, ficariam todos vocês a ganhar (eu já não, por motivos óbvios) com o ruir de um dos maiores escarros arquitectónicos do nosso litoral.
P.S. - o arzinho da dupla mete dó. Porque seria? Enfim, esperemos que algum dos dois um dia revele o que se vociferava em pleno airbus. Eu já não me lembro...

08 setembro 2006

Poesia

Porque também estou atento às minorias.
Poema de Sadighi Parviz, poeta nascido no Irão em 1955.



Mit bitteren Blicken
legen sich
die gefrorenen Fische
immer auf die Seite
im gelben Glanz der Laterne und
bedecken den Wind
mit einer silbernen Schuppendecke,
die den Geruch von Meereschlamm feilbietet
um 6 Uhr abends.
Die kopflosen, scläfrigen Enten,
stille Herzen, nackte Puten,
duftende, wunschvolle Frauen,
die Uhr und die Taschendiebe
flimmern im Gedächtnis der Busse
um 6 Uhr abends.
Mit den Sirenen der gepanzerten Autos
rennen die Laufburschen
durch die Fussgängerzone.
Sie kaufen die herzen,
verkaufen die Liebe,
unsagbare Geheimnisse,
das Liebäugeln,
den Betrug und
gekochte rote Beete
in der Strasse der islamischen Republik
um 6 Uhr abends.

DOSSIER: HOTEIS - uma história de violência

Olá.
Os meus caros colegas de grupo que me desculpem, mas penso que o blog não está no caminho certo. Para atingirmos a grande massa de leitores cibernéticos, temos que oferecer o que eles querem - SEXO, VIOLÊNCIA E TRAGÉDIA. O segredo é este, basta olhar para o 24 horas.
Então vamos lá.
Ora sexo não tem havido muito cá por casa, que isto de ter filhos tem as suas desvantagens. Tragédia ainda não aconteceu nenhuma e não estou a ver grandes hipóteses de tal acontecer.
Sobra a violência, e nada melhor do que um conto passado num hotel. É da sabedoria popular que musicos e hoteis é uma mistura explosiva.



Holel Meridien - LX

Tinhamos chegado a meio da tarde, quartos individuais, cada um vai descansar. Mas o ser humano quando em grupo tem comportamentos estranhos. Descemos para jantar, aguardamos uns pelos outros no hall e enquanto isso comentamos a maravilha dos quartos onde estavamos instalados. Alguém refere o incrivel que foi ouvir bater à porta, abrir a mesma, entrar uma rapariga, esta abre a cama e põe um chocolate no travesseiro. Este final podia ser mais interessante mas o conto passaria para a categoria de sexo. Todos nós tinhamos ficado deliciados com aquele gesto, menos nosso colega Joca, que se queixou que não tinha tido rapariga, nem obviamente, o chocolate. Admiração entre todos e começa a tentativa de explicação para tal facto. Rapidamente se resolve o enigma. Por volta da mesma hora em que a rapariga foi aos quartos, eu e o Tomi estavamos sempre a ir ao quarto do Joca para falar, para matar o tempo, para chatear. Joca fica sozinho em seu quarto e começa a fazer a barba. A rapariga bate à porta, e Joca pensando ser um de nós e não querendo ser importunado, responde carinhosamente com voz colocada, própria de um belo cantor: - Vai-te fo..... ó filha d....... Parece que houve segunda tentativa por parte da menina e bate à porta novamente. Levou com: - Pró car..... vai apanhar no.......

A história fica por aqui, gostando de referir que por menos o Materazzi levou com um gesto digno do ritual de acasalamento da cabra montesa por parte do Zidane. Se calhar o Materazzi também pensou que estava a falar para um colega.

Uma pequena desilusão

Ontem tivemos mais um ensaio. E para que saibam, nós também costumamos cantar nos ensaios... não muito, é certo. Mas para que não tenham quaisquer dúvidas, aí vai um bocadinho do Drive dos The Cars.



Após o árduo trabalho, foi preciso descomprimir. Arriscámos um bar para os lados do Campo Alegre. Já nos tinha saltado à vista, pelo seu aspecto cuidado. Uma reconstrução interessante conseguiu criar algumas expectativas. Entrámos. Música ao vivo. Teenagers a jogar cartas. Está apresentado o Shakesbeer.

Depois de nos acomodarmos, pedimos o habitual para petiscar: Pica-Pau para os abutres, tosta de queijo para o menino. O aspecto é este que podem ver.



Estava tudo muito abaixo do esperado... Ficamos tristes, realmente o sítio prometia...
No entanto, com o intuito de ajudar a gerência, ficam aqui as sugestões dadas pelos meninos:
Joca- "Podia virar bar de alterne"
Tomi- "Ficava bem como oficina automóvel"
Jony- "Que volte a ser prédio devoluto"
Eu não me pronuncio. Acho que está tudo dito. Tenho pena que o Vilhena (restante elemento da nossa boysband), mais uma vez, não tenha comparecido à chamada.
Para o próximo ensaio agendado, existem duas opções: Cufra ou Capa Negra (de novo). Aceitam-se sugestões de outros sítios interessantes. Melhores que este Shakesbeer.


Estou maravilhado

Apesar de habitual cibernauta, confesso que poucas vezes frequentei blogues. Para mim blogue só aquele, o de esquerda. Confesso que com este bloque só tive verdadeiro contacto numa viagem de regresso de uns concertos em S. Miguel. Ainda não me tinha sentado e já tinha os meus amiguinhos a rirem-se e a vociferar frases que só fizeram sentido quando eu reparei no meu companheiro de viagem, Francisco Louçã. Passei a viagem toda a pensar numa forma de meter um pouco de conversa, visto ser um privilégio passar 2h e 30m de viagem ao lado de semelhante figura. Não sei o que se passou mas não tive coragem de lhe dirigir qualquer palavra para além das habituais frases de cortesia e boa educação. Não sei porque perdi esta oportunidade de uma boa conversa. Devo padecer de um síndroma qualquer (no caso não de Estocolmo, mas provavelmente de Moscovo) pois sempre que me encontro com figuras públicas fico com o cérebro em modo especulativo, apenas consigo pronunciar termos situacionais como, bom dia, boa noite, com licença… Bom, mas o que é certo é que desde há uns dias tenho andado maravilhado com este mundo cibernético dos bloques. Parabéns aos bons blogs que tenho encontrado e muitos deles têm referência mesmo aqui ao lado.

Memórias do Padrinho I

Porque eles já foram aqui citados, fica para audição um dos episódios do padrinho e da criança. Este foi apresentado em Abril de 2002 num programa dedicado às eleições que na altura decorreram e que deram a vitória a um cherne. A criança, coitada, tinha acabado de torcer um pé... mas acabou por se juntar à marcha.
O objectivo do colectivo que fazia o Dia dos Senhores foi a partir de certa altura garantir que alguém nos processava, que alguém nos espancava ou que alguém nos torturava. Infelizmente a única coisa que conseguimos foi uma subtil reprimenda de um colega de profissão. No entanto, e porque quando ele falou connosco estava de óculos escuros, não fomos capazes de o reconhecer. Nem sabemos sequer se tinha razão ou não…

07 setembro 2006

Mais uma pérola

Por volta de 2001, ano em que a mui nobre e invicta cidade do Porto foi escolhida para Capital Europeia da Cultura, os meninos participaram num espectáculo memorável - Porto Cantado - onde participaram também vários artistas do norte. Das várias músicas que animaram as duas noites no Coliseu do Porto, ficou-me uma bem cá dentro. Não sei se por ser um excelente tema dos já extintos Ornatos Violeta, nao sei se pela brilhante interpretação da Manuela Azevedo... Sei que me toca sempre que a relembro. E relembro agora com vocês, pois bem merecem. Que todos tenhamos um capitão romance dentro de nós. (salvo seja!)


Memórias do Padrinho - uma contribuição

Era obrigatório em todos os Dia dos Senhores aparecer o insidioso padrinho e a inocente criança. Nunca soubemos o sexo da criança, nem a idade do padrinho. Mas a verdade é que sempre desconfiámos deles.
O blog ressuscitou na memória dos fiéis ouvintes as personagens. E gente, muito boa gente fez questão de lhes dar rosto. Assim a surpresa da manhã no meu mail foi ver esta tira que agora publico. Pela primeira vez eles aparecem!


Um pequeno senão: pessoas com mais de 10 dioptrias vão ter dificuldade em ler. Mas se houver dúvidas eu explico!
Um obrigado especial à Manuela e ao Jorge. Há gente doida no mundo para além de nós. Obrigado Senhor!

Memórias de viagens I

Isto hoje está para as recordações. Há dias assim. A arrumação do disco duro também ajudou a este sentimentalismo. Esta foto não é tão antiga assim. Menos de 1 ano. Natal 2005. Coruña. Passamos o dia nas compras e no passeio. Só cantamos no dia a seguir (20 ou 21, a memória já não vai lá). Aqui estamos na praia do Riazor. O tempo estava excelente. E nós com ar de quem passou a fronteira para trabalhar.

Vozes da Rádio - Coruña Natal 2005

06 setembro 2006

Memórias da Rádio I

Aos poucos vão-se revelando pormenores. De há uns meses a esta parte ando num levantamento exaustivo do trabalho do grupo ao longo destes 15 anos, porque de uma vez por todas assumimos a net como a nossa causa prioritária. Qual cantar, compor, arranjar… nada disso. Queremos ter uma página para o mundo nos ver! E garanto-vos, falta pouco para ser revelado ao mundo o segredo. Não o terceiro, mas a página deste quinteto que até agora tem estado escondida da espionagem que tenta a todo custo perceber que maravilha está para nascer. Pois só para quem tem pachorra de ler isto posso dizer que vai ter fotos, vídeos, musiquetas, ofertas e ainda uma loja com produtos da terra, que sempre dá para a ajuda do leite dos meninos.
Neste trabalho arqueológico desenterrei as emissões do Dia dos Senhores, um programa de rádio que fizemos na Rádio Nova juntamente com o Sérgio Sousa. 2 Horas ao domingo de manhã. Durante 10 meses toda a nossa insanidade veio a público. Cada domingo 1 tema. O Miúdo já colocou uma cantilena apresentada no programa dedicado às compras (Natal 2002). Aqui fica o genérico do programa. Para quem não conhece, aprecie. Quem foi bafejado pela sorte de ouvir o programa na altura, recorde! O exemplo de uma composição perfeita. Uma gentileza deste vosso humilde servo. Aguardem mais memórias. Há muitas.

Pérolas que por aí andam...

Apesar de não estar neste grupo desde a sua formação inicial, já me sinto como se fosse da casa... 6 anos servem já para conhecer e experimentar muita coisa. De muitos episódios que vivi com os meus ricos colegas, relembrei hoje um. Foi algo que fizemos e que considero, sem dúvida, uma pérola. Partilho com todos vós este bocadinho de mim, este bocadinho de nós... e Pedro, se me estás a ler... vá lá, é preciso ter fair-play! ;)

ps: agradecimento especial a duas meninas, Jacky e Tânia, pela preciosa ajuda.

Vozes da Rádio no Wikipedia

Hoje, o Wikipedia... Amanhã, o MUNDO muahahahah É a loucura :D


PS: De reparar na foto lamentável... Apesar do excelente momento captado pela nossa amiga Diana Silva, acontece que o sr. da ponta... o sr. de côr... o sr. assim um bocado para o forte... teve de levar tratamento digital para ser visto como os outros... Pela sua expressão facial, parece que já previa... De certeza que o arranjador fotográfico tem alguma coisa contra ele, só pode... desgraçado... tão boa pessoa que ele é, e fazem-lhe isto? Enfim... nem tenho palavras para qualificar acto tão cruel. Proponho juntarmo-nos à marcha lenta na vci, juntamente com o Joca, para defender mais esta causa. Por sinal, bem mais grave! Vamos acabar com o branqueamento parcial das fotos digitais!

Os mails inúteis

Passo a vida a apagar mails que não interessam para nada. Se o sistema fosse ainda o analógico não ganhava para as borrachas verdes da staedtler, ou as brancas da rotring. Não sei porque embicaram comigo, mas há sempre uma catrefada de tipos estrangeiros que diariamente me oferecem dinheiro via apostas, ou empréstimos a juro 0%. Depois há outros que fazem questão que eu compre software de todo tipo, nas últimas versões ao preço da uva mijona. Todos parecem conhecer-me muito bem, porque usam sempre o meu nome (dear Prendas) e um tratamento muito afectivo. Se calhar são meus amigos e eu nem sei.
Há no entanto outros que me enervam solenemente. Porque há coisas que são do íntimo de cada um e eles todo o santo dia, várias vezes por dia, lá me escrevem a impingir Viagra e outros medicamentos capazes de potenciar a masculinidade do indivíduo. Mas quem é que anda para aí a dar falsos testemunhos? Quem? Porque para mim é líquido, se eles me escrevem é porque alguém lhes disse alguma coisa. Alguém anda a bufar inverdades (gosto muito desta palavra. É a forma de não dizer mentiras, que é feio dizer, ensinaram-nos os nossos pais)! Posso desde já afirmar que tudo é falso. São calúnias. Trata-se de uma cabala virada toda contra a minha virilidade. Se alguma vez tiver problemas consultarei o sr. Nicolau Breyner. Esse não me escreve, mas vi na televisão que ele percebe disto… por isso será a ele que irei recorrer e nunca a uns badamecos do exterior que não conheço de lado nenhum, nunca vi a cara (ao contrário do sr. Nicolau) e entopem-me a caixa de mails com propostas desonestas e desadequadas.
Mas os piores mesmo, os que me tiram do sério, me enfurecem, são a confraria do “enlarge your penis up to 4cm!”. Todos os dias, Muitos por dia. E isto há semanas, meses, anos… Se por cada mail que chega com esta oferta eu fizesse o respectivo tratamento, neste momento sem dúvida competiria com a Grande Muralha da China. Mais uma vez lanço a pergunta, quem é que anda para aí a conspurcar a minha imagem? A quem interessa desacreditar-me assim tanto perante a sociedade? Não tenho problemas em reconhecer: sou um europeu, caucasiano. Há a sul do equador, em África, quem seja mais abonado (não Rui, não estou a falar de ti!). Mas daí a ser tratado como o possuidor de uma masculinidade microscópica, como um falhado detentor de um minúsculo e acabrunhado ser abaixo do meu umbigo, isso eu não posso admitir.
Tenho mesmo que agir! Vou lançar uma cruzada contra estes vendedores de banha da cobra. Estes impostores, mentirosos e espalhadores da calunia. Se houver quem me siga, proponho uma marcha lenta na vci para a próxima semana. Depois o movimento há-de ganhar força e repetimos o feito na segunda circular. Ainda seremos milhões a marchar na fifth avenue. Abaixo o mail inútil. Viva o vale dos correios!

05 setembro 2006

Velhos hábitos

Os senhores voltaram a encontrar-se... O ensaio (devidamente estruturado e regido pela ordem de trabalhos que, apesar da demora, sempre apareceu) começou por volta das 22:37. Depois de discutidos os vários pontos, de alguns bocejos vocais e de alguns recibos verdes preenchidos, todos os elementos caucasianos sentiram a necessidade de finalizar o ensaio com nível. Qual o local ideal para terminar um ensaio? Muitos serviriam, é certo... Mas nada melhor que um velho clássico: o Capa Negra.

A velha guarda começa por fazer o arrefecimento vocal, liderada pela grandiosidade do Joca e o seu esbelto depósito de mosto, proveniente de um qualquer cereal maltado, que ele tão carinhosamente apelida de balde... Interessante esta perspectiva, fica com um bigodinho à Hitler!

Photobucket - Video and Image Hosting

Claro que eu não pude dispensar a tão saborosa água com gás. Fica sempre bem, mesmo estando rodeado por grandes apreciadores de álcool.

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Decidimos então o que acompanhar com as bebidas... Os 3 abutres rapinaram um prato de variadas carnes, enchidos e pickles, enquanto eu fiquei pela bela da tosta de queijo... muito bem confeccionada.

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Finalmente, após gladiarem-se pelas carnes, todos chegamos a um consenso: para calafetar, nada melhor que um quente e frio. Sabe sempre bem quando todos estamos de acordo...

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E foi assim que mais um ensaio terminou. Pelo menos para mim, que já estou em casa... Gabo os meus colegas pela força de vontade que têm, pois mesmo a esta hora da noite conseguem arranjar tempo para investir em cultura. Pelos vistos combinaram ver obras de um estilista famoso. Isto sou eu a deduzir... à quantidade de vezes que ouvi o nome passerelle...

04 setembro 2006

Oficialmente aberta a época 2006/07

Depois de umas belas férias onde imperou o descanso e também a folia (a julgar pelo testemunho do meu rico colega), é chegada a hora de trabalhar. Esperei pela ordem de trabalhos para o ensaio de amanhã, mas pelos vistos deve ter ficado entre a Rua da Alegria e Vigo... Deduzo que, depois da conversa posta em dia, se comece a rever as versões a cappella dos fabulosos êxitos dos anos 80 que foram apresentados nos últimos concertos: Video Kill the Radio Star, Final Countdown e Walking on Sunshine (fora algumas surpresas que, a seu tempo, serão desvendadas). Os anos 80 marcaram a minha infância, principalmente pelas músicas que aí se "inventaram"... Agora o nosso trabalho é reinventar essas mesmas músicas e tirar algum gozo com isso! E em que músicas dessa época podemos pegar? Alguém ajuda?? ;)

03 setembro 2006

Crónica de uma despedida de solteiro II (as gajas)

O jantar ficou para trás. Melhor, ficou nas nossas costas porque há também um ritual que se repete nestas coisas. Fica toda a gente à porta do restaurante a decidir para onde se vai. Como já ninguém está no seu perfeito equilíbrio a discussão prolonga-se muitas vezes por horas. Esta não fugiu à regra. Vigo, Porriño, Carvalhos, Marco de Canavezes, um sítio muito jeitoso em Santo Tirso, o Porto que fica mais perto… De Vigo falaram-me de um local estilo “grande superfície”. Uma coisa em grande. Apesar de ser um defensor do comércio tradicional, a ideia de um hiperbar seduziu-me até porque, a acreditar na revista da Deco, é nestes sítios que se poupa mais. Já eram duas da manhã e de facto havia muito nevoeiro. Dentro e fora da minha íris. O destino àquela hora só podia ser o Porto. E o centro.
Lá me meti no carro e, valendo-me da experiência adquirida pelos anos, segui um carro de um dos convivas, o do Mari Carmen. Atrás vinha o Mário. Podia ter escolhido melhor lebre. O Mari Carmen deu umas voltas incompreensíveis ao quarteirão. Estou a ser injusto. Àquela hora, naquele sítio e depois do jantar tudo era justificável. Fiquei a conhecer melhor (como se precisasse) a zona industrial. Finalmente encarreirámos rumo à Rua da Alegria. Porque era disso mesmo que toda a gente precisava: alegria. Aquilo que há uns anos foi bar da moda, com filas à porta, é hoje, com outro nome, um bar de strip, daqueles com varões e com disc-jockey que vai dizendo o nome das modelos (?) com uma reverberação que faz com que nada se perceba.
Chega a hora de confessar que estes lugares nada me dizem. Depois de ver um, vemos todos. Mais uma vez só muda o elenco. De resto, o filme é sempre o mesmo.
Havia meninas de pelo menos dois continentes: brasileiras, é claro (regra geral são estudantes de psicologia com umas cadeiras atrasadas) e do leste da Europa (podem ser de vários países, mas como já referi não percebi nada do que o disc-jockey dizia).
Ao som de “I believe I can fly” uma stripper dança, trepa ao varão, escorrega e depois de estar sem roupa, tapa-se com as mãos numa atitude pudica. Para quê meu Deus? (será prudente invocá-Lo nesta situação?). Segue-se outra e outra e outra. Fixei mais as músicas do que os passos de dança. Quase sempre baladas. No fim pedia-se aplausos. O melhor acontecia fora do redondel. O Securas, emérito advogado da nossa praça, abordou uma brasileira perguntando-lhe se era legal ou ilegal. Ofereceu os seus préstimos, soube que ela se chama Daiane e que vive na Areosa. Arranjou com certeza uma protegida, alguém a quem ele, com o seu espírito mais humanista, vai prestar assistência dedicada. Talvez por isso ela dedicou-lhe o strip. Foi bonito. Não me esqueço também do comentário do Mário (grande voz!) ao meu ouvido. Ele estava impressionado e num tom quase evangelizador disse-me: “estas tipas, assim tão lindas e tão bem feitas, podiam arranjar um marido e constituir família!”. “Pois podiam”, respondi eu. Não era capaz de articular mais nenhuma palavra, nenhuma ideia naquele momento. Mudei para Cola. Atitude sensata.
Momento da noite. Acontece sempre. O table dance para o noivo! Desta vez à frente de todos! Que excitante. Outra brasileira (esta tinha mais ar de ser estudante de veterinária) senta o Tó num sofá e esfrega tudo que há para esfregar no rapaz. A bancada à volta aprecia. Tudo a olhar sofregamente. O Tó no fim confessa que não “reagiu”. Não houve “reacção”. Compreensível amigo. Naquela situação, com o povo todo a ver, nem que fosse a Meg Ryan de há uns anos atrás e a Nicole Kidman (conforme está, que está bem), as duas ao mesmo tempo, provocariam o que quer que fosse neste teu amigo. No mínimo patético, o pobre do rapaz a ser literalmente espezinhado por dois peitos (sim, ela tinha dois!) e uma corja de bestas (na qual me incluo) a ver cada pormenor, cada movimento, como se fossemos júris de um combate de sumo ou de luta greco-romana.
A noite continuou. Mais umas conversas, uns olhos já semicerrados, um pesar da cabeça e a debandada quase geral passava das quatro. Houve quem continuasse. Eu fui à procura do carro. Depois de entrar, e quando já arrancava, vejo algumas das estudantes brasileiras à janela. “Oi gatinho, dá uma carona?”. Apesar de todo o meu altruísmo, não foi possível. Olhei para trás e… nunca as sentaria nas cadeiras dos miúdos. Não é cómodo para as estudantes. E, apesar da hora e de tudo o resto, ainda há um neurónio a funcionar. Foi esse que me levou a casa, sem que antes me tivesse enganado duas vezes no caminho. Dia 16 há casamento. Que bom!

Crónica de uma despedida de solteiro I (o jantar)

Esta não é propriamente uma história das Vozes, apesar de elas estarem indirectamente ligadas a ela. Foi através delas que há uns anos atrás fui convidado para ser ensaiador da Tuna da Universidade Portucalense. Aceitei o desafio em part-time e desses anos mais do que as glorias musicais (sim, porque houve algumas) fica um punhado de bons amigos. O Tó (também conhecido por Mokas) é um deles. Foi ele aliás que me convidou e ficou para sempre a ser o elo mais forte da minha ligação à tuna.
Ontem, no cumprimento de um ritual marialva implementado já no século XX, fez-se a chamada despedida de solteiro, ou seja, arranjou-se um bom argumento para um jantar e um mergulho no mundo da noite povoada por estudantes de psicologia brasileiras e que por cá lutam por um futuro mais risonho (gosto de por as coisas nestes termos, pelo menos para começar).
Já há muito que perdi a conta às despedidas de solteiro que fui. Inclusivamente já fui a duas da mesma pessoa, se bem que legalmente nunca mais se volta a ser solteiro. Todas seguem um guião idêntico. Muda só o elenco e o realizador. Com um realizador mais realista, há uns anos atrás, acabei a noite com uma pistola apontada à cabeça. A de ontem sempre foi mais pacífica.
Cheguei ao restaurante. Muito pouco de restaurante. Muito mais de central de camionagem em hora de ponta. Dezenas de grupos de noivos, noivas, aniversariantes, novos, velhos, feios, bonitos, tudo a dar ao dente e a abafar uma banda de brasileiros que cantava velhos clássicos de karaoke. No meio da confusão lá encontrei a “minha” mesa. Estavam lá quase todos: o Mari Carmen, o Tomadas, o Scotch, o Securas, o Pombinha, o Cromo, o Vanessa, o Átila, o Tom, o Joe, o Cremalheira, o Darth, o Mezenga, o Bragança, o Garrett, o Mário (finalmente um nome real) e outros que o nevoeiro da noite já apagou da memória. Havia também gente nova que eu não conhecia. Lembro-me do Micose, que me foi solenemente apresentado, pelo simples facto de ter passado o fim da noite a enrolar cigarros (fiquei na dúvida, aquilo era só tabaco, não era? Pelo menos foi a isso que me soube…)
Duas meninas bem apresentáveis vieram oferecer-nos favaíto. Os moscatéis portugueses são de longe superiores aos Martinis e quejandos. Pelo menos acredito que os nossos sejam feitos com uvas. Lá bebemos e depois começou a roda-viva das bandejas com cerveja que só terminou depois da conta estar paga. Toca a escolher. Carne para todos é claro! Longos minutos de espera aliviados por umas saladas, umas amostras de chouriço na brasa e um show único de uma menina de nome Tânia que literalmente descarregou uma bandeja de cerveja numa das pontas, molhando os que por aí estavam e partindo vários copos. O sumo do show foi mesmo o varrer do chão com a jovem a inclinar-se de forma muito pronunciada deixando o decote à vista dos comensais. Não se faz isto com gente tão jovem!
Finalmente as vitualhas! Posta e picanha a rodos. Tudo a comer e beber num regresso ao que de mais primitivo há no ser humano! E cerveja pois então, muita! Para aumentar o clima quase tribal começam rituais de dança brasileiros que incluem coisas execráveis como a dança da garrafa e músicas primárias com diminutivos como bundinha, esfregadinha e outros que felizmente não retive. O ponto mais baixo (ou mais alto depende da perspectiva) foi o mega êxito “aaah, é o amôôôôô, ai, ai, ai é o amôôô…”. Comentei (na altura ainda conseguia fazê-lo) com o Mari Carmen o raio de aculturação deste povo que vai buscar sempre o que de mais rasca há dos outros e toma como seu. Se não vai ao nordeste, vai ao Caribe. Ainda para mais se há povo sem ritmo e falta de jeito para dançar é este. Mas estava ali toda a cultura do pé descalço, ou pior, do chinelo de meter o dedo. Sobremesas e caipirinhas. E lá continuavam alegres, felizes, caras femininas e masculinas ora dançando, ora cantando em berros os clássicos do rodízio. Na mesa atrás duas miúdas lindas e bem bronzeadas esfregavam-se freneticamente deixando pasmados tunos e antigo ensaiador (seriam lésbicas? Raio de curiosidade masculina que alimenta fantasias. Acho que o Mezenga tirou isso a limpo. No casamento tenho que lhe perguntar). Na mesa em frente um tipo de facies nórdico tão depressa estava a dançar com um amigo, como saía em ombros com duas amigas em direcção à casa de banho, revirando os olhos. Os cafés tardavam. Mais caipirinhas. Estranhamente já havia nevoeiro lá dentro. Não era só o fumo. Era eu mesmo que já estava a ver as coisas turvas. As propostas para o resto da noite passavam por Vigo, mas com o decorrer do tempo foram perdendo força. Passava da uma quando veio a conta. 579 Euros que ninguém estava em condições de reclamar ou de conferir. E tudo pagou de sorriso nos lábios. Até porque havia continuação da jornada.
E porque isto já é mais que um post, é um capítulo de diário, conto em próximo post a segunda parte. Para muitos a melhor. A parte das gajas.

02 setembro 2006

Setembro em GRANDE

Agora que as Vozes da Rádio criaram este espaço para se fazerem ouvir (e não só) convido a todos os que por aqui passarem a contribuir com alguns comentários e/ou sugestões. De certeza que os meus colegas de grupo também vos convidam ;)

01 setembro 2006

Como começar?

Que raio... o problema é eterno. Ou pelo menos é meu, é interno. Como começar qualquer coisa? Na primária vivi este pesadelo. As composições sobre as férias. Começava por onde? Pelo fazer das malas? Pela viagem interminável pelos (na altura) tortuosos caminhos de Portugal? Pelas instalações sanitárias dos hotéis que sempre me fascinaram? Só o final era sagrado e sem qualquer dificuldade. "Este ano gostei muito das minhas férias". Mas o arranque... Difícil também na adolescência. Meter conversa com uma qualquer miúda sempre foi a prova mais ingrata. Tantas vezes fiquei agarrado ao silêncio por não me libertar deste trauma com o começo. "Olá, então estás bem?". Não há nada pior... Por isso tentava inovar. Em vão. Depois há as histórias com as pautas em branco e a necessidade de definir o começo. Prova de nível máximo. Horas à volta daquilo. Não sai nada. Só a necessidade de acabar precipita o início. Agora chega a hora do blog. "Tens que escrever qualquer coisa para começar". Mas o quê? Que gosto muito dos meus pais? Que me recuso a comer pescada cozida? Exponho todo o meu pensamento sobre as imigrantes ilegais que trabalham em bares de alterne? Mas que raio devo escrever? Enfim para começar escrevo sobre nada. Sobre a dificuldade de começar. Daqui para a frente será mais fácil. Ou não. Porque há sempre o início para escrever...