22 setembro 2006

A cobra come e bebe... também muito bem

Todos aqueles que lêem o Jornal de Letras, Artes e Ideias, a Revista Ler, sabem quem é o Prof. Eduardo Lourenço ou até já compraram o público para ler o Prof. Eduardo Prado Coelho devem saltar este escrito e centrar a atenção no anterior (a cobra assobia… e bem). Este é para todos os que gostam de passar os olhos pela Caras, pela Vip ou Flash, passam religiosamente férias no Algarve, já foram à casa do Castelo ou acham que diáspora é uma pedra preciosa.
Terminado o espectáculo a populaça começou a juntar-se às portas do Jardim de Inverno. Populaça não! Estava a nata das artes cénicas e musicais. Estavam igualmente pessoas.
O primeiro encontro foi com a nossa querida Ana Bola com quem trabalhámos por alturas da Débora. O que conversamos será agora transcrito.
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Desta forma salvo a minha pele das pragas que a Sodona Bola me rogou e que teriam efeito se escrevesse tudo o que falámos. Nem a foto com os seus meninos tirou. Mas salva-se a imagem colocando aqui a do enormíssimo Zé Nabo que ainda para mais fazia anos ontem e é como se sabe o senhor que aquece os pés da Dona Ana.
Entrámos no salão. Os encontros foram imediatos e de vários graus. Os colegas e amigos andavam por lá: o Veloso, o Gil, o Represas, o Camané, o Palma, o Vitorino, o Sérgio, o José Martins, a Amélia Muge, o Carlos Martins, o Tê. Das outras artes andavam actores como o Miguel Guilherme, a Graça Lobo, aquele moço que é pasteleiro em Belém e que deve ter um problema capilar grave ou um eczema de pele porque nunca tira a boina. E mais, muito mais, como aquele comentador de futebol que também faz uns filmes. A Aida Tavares, pessoa que muito estimamos. As lindas famílias do Manel e do Monge. A Paula e o Jorge. Estava lá tudo à conversa, a beberricar e a mastigar porque a fome àquela hora apertava e muito. Também andava a imprensa de várias cores. Ficam-me as cores da Ana Rita, conterrânea que esteve nesse marco da televisão que se chamou NTV e que agora se mudou para a SIC. Infelizmente não trocámos ideias. Fomos sempre acompanhados de perto pelo Rui Santos, falando de música, tecendo comentários e acima de tudo, tentando ficar-lhe com o programa. Nós somos jovens necessitados e não comprámos programas. Estávamos quase a cair em tentação mas acabámos por lhe confessar. Ele, bondoso, ficou de tirar fotocópias lá na rádio e mandar por correio.
Aqui Joca e Jony dividem a pelicula com Manuel Paulo e João Monge, os pais da cobra.

Aqui está João Monge, alentejano e boa pessoa, apesar de por vezes ser visto com más-companhias. Como aqui, que tenta em vão ser fotografado a fumar com Joca perante o sinal de proibição que se encontra atrás pouco visivel... Nem chega a ser uma provocação. É só uma idiotice

À meia-noite o telefone retine. Pensei que pela hora poderia ser a Cinderela, mas ela anda longe daqui. Era o Maestro Cesário Costa que tinha acabado a récita das Bodas de Fígaro mesmo ali ao lado no Trindade e juntou-se aos amigos do Porto. Fez ele muito bem. Era quase uma e resolvemos sair já com o estômago forradinho e com o bafo de Baco a aquecer-nos. Despedimo-nos e saímos com destino marcado: a casa do Nuno, nosso técnico de som e que foi persuadido a dar-nos guarida. Mas ao despedirmo-nos do nosso querido Maestro, não resistimos e fomos agasalhar com ele um bifinho na Trindade. No fim, tolos, ainda fomos passear para o bairro alto.

Ora cá está o bife devidamente montado por um ovo. O Cesário preferiu o bacalhau que tinha bom aspecto. Esqueci-me de lhe perguntar se estava bom... mas ele não fez má cara.


Já tarde fomos ter com o Nuno. Deu-nos cama, toalhas para o banho, uma gata e ainda uma experiência única: ouvir os sinos da Igreja da Penha de França às 8 da manhã. Fica a atenção do Sr. Prior: um dos sinos está desafinado meio-tom. O grave é que essa desafinação faz com que se crie uma quarta aumentada com a tónica. Este intervalo era chamado de “Diabulus in musicae” na Idade Média e soa muito mal no hino de Fátima que o Sr. Prior nos deu o prazer de ouvir. De certeza que estas coisas não são agradáveis aos ouvidos do Senhor. Quanto mais aos meus.



A cobra assobia... e bem

Desde o início que só os 4 caucasianos estavam decididos a ir a Lisboa. O Vilhas assim que soube que o musical não é em Kimbundu, nem que não tem tradução simultânea, amuou e disse que não ia. No entanto, por desígnios errantes desta vida, só eu e o Jony seguimos viagem. Os melhores, portanto.


É histórico que as grandes estreias provocam agitação, tumultos, por vezes até a histeria descontrolada. Desta vez nem a mãe natureza se quis alhear de tal facto, apareceu para o espectáculo e brindou-nos com um Gordon (também já varias vezes brindei com ele mas misturado com água tónica) causando o pandemónio rodoviário durante o dia e com ele os inevitáveis atrasos.
Rumámos a Lisboa numa viatura completamente recuperada (vide o meu popó) e, como é sagrado, lá parámos para ler a melhor imprensa. Soubemos pelo 24 horas que a Merche confessou que se culpa por muita coisa. Deixa lá Merche, fica só entre nós.

Lisboa. Trânsito. Estacionámos quase junto ao rio, na Rua do Corpo Santo. Paradoxal, pois em frente estava o bar Viking com 2 corpos bem pecadores à porta.

reparai no olhar extasiado de Joca e Jony perante o brilho da grande cidade. Há experiencias irrepetíveis

Ligámos ao nosso amigo da Antena 1, Rui Santos. Marcámos jantar no Tavares Rico, mas à última da hora entrámos numa porta mais abaixo, o snack-bar O Trevo. Bifanas e finos num atendimento de excelência. Ao balcão, quero dizer.

Jony, Rui Santos e Joca depois de uma bifana. O fascínio pela capital continuava

O apetite era muito e as bifanas não calafetaram, de forma alguma, as falhas do estômago. Mas muito maior era a expectativa de ver o “Assobio da Cobra”. A toque de caixa lá fomos para o São Luiz. A entrada não poderia ser mais gloriosa: Monge num brado forte exclama “Olhó Prendinácio!”. Respondo na mesma medida “Ganda Mongex”. Segue-se o abraço da ordem e continuação da euforia com os demais que rodeavam tão brilhante letrista.
Subimos. Esperamos. O ar começava a aquecer. Demasiado e ainda nem tinha começado. “O ar condicionado está avariado há 2 anos” disse-me no fim a Ana Bola. Há problemas insolúveis neste país.
Até que começa o espectáculo. E dele nada vos conto porque os artistas querem é o público na sala. Apenas digo que foi excelente ouvir e ver as canções do disco “Assobio da Cobra”, mais três da Ala dos Namorados a serem cantadas, dançadas e representadas. Também é sabido que sou e serei sempre suspeito a falar do trabalho do Manel e do Monge. São dos melhores e está tudo dito. Mas aos dois (também eles) suspeitos, juntou-se um trabalho fantástico dos actores (e tenho mesmo que dizer que o Diogo Infante é enorme em palco: representa e canta como ninguém), um texto que conseguiu aquilo que eu achava impossível fazer, que é a partir de canções avulsas construir uma peça, uma história, um cenário muito bem conseguido e o vídeo muito bem trabalhado. A ideia de um espelho mágico é simplesmente brilhante. Notável é o trabalho dos músicos em palco.


Sai toda a gente a trautear o “samba do acento” ou o “olha por ti” e leva lá dentro as “malhas caídas” ou o “nunca parto inteiramente” (bem cantado pelo João Reis. Não é como o Manel Cruz, mas Deus pôs-lhe à escolha, ou cantas como o Manel ou ficas com a Catarina. Ele, é obvio, fez a opção certa).
Chegados ao final fomos para o Jardim de Inverno para um beberete. Essa parte será contada num escrito à parte porque tenho que despir o papel de crítico teatral e vestir o de cronista social. Trabalho difícil este…

21 setembro 2006

A Cobra Assobia Hoje!


Precisamente a esta hora, o Assobio da Cobra sobe ao palco. Infelizmente não pude assistir à estreia, ao contrário dos meus colegas Joca e Jony. Estou ansioso por saber como tudo correu.
Parece que foi ontem, quando nos encontrámos em Lisboa para gravar.



É, sem dúvida, um privilégio para mim, privar com pessoas que tanto admiro. Ao Manel Paulo e ao Monge um grande abraço e continuação de excelentes projectos.

20 setembro 2006

Memórias de Viagens III

É o nosso anjinho da guarda. Profissionalmente acumula vários cargos: é o nosso homem de estrada, ou road manager se preferirem o anglicismo, é o consultor gastronómico, é o enólogo das viagens.
Quem é que traça o roteiro das viagens privilegiando as paisagens e a boa comida? Quem é que, quando dizemos “daqui a duas horas temos que estar em Lisboa”, consegue chegar 5 minutos antes? Quem é que escolhe os restaurantes, os vinhos, os digestivos e até as sobremesas? Quem é que, protegendo sempre a boa forma vocal dos meninos, compra as cigarrilhas da melhor qualidade? Quem é que se preocupa com os camarins, vê as águas, o catering, o palco? Quem é que sai a correr para ir a uma farmácia se alguém precisa de um analgésico ou uma qualquer panaceia para dores de garganta, dentes, sinusite, músculos ou até intoxicações alimentares? Quem é que faz a escolha musical para nos acompanhar nas viagens? Quem prepara o melhor catering do mundo quando as produções são nossas? Quem leva literatura variada e outros entretenimentos, como uma bola de futebol, para as viagens? Quem, certa noite em que as ovelhas andavam tresmalhadas e desnorteadas, as levou para o respectivo curral e assegurou que elas não sairiam mais? Quem? O nosso Zé António.

O grande Zé António


Esta imagem tem história. Fevereiro 2003. Cedo acordámos. Estávamos no Estoril. Encontrámo-nos ao pequeno-almoço e zarpámos rumo a norte. Antes a religiosa paragem em Belém para os pasteis e reforço de cafeína. Almoçámos em Celorico da Beira no “Escorropicha, Ana!” que diligentemente foi marcado por telefone pelo nosso Zé, durante a viagem. Seguimos para norte até Torre de Moncorvo. Aqui, estávamos parados em plena estrada, provavelmente num espectáculo privado de idiotices. Depois foi o concerto mais frio que fizemos ao ar livre, até hoje. 2 Graus negativos. No final gelados tínhamos o Zé com casacos para assegurar que a carreira das Vozes não ficava por ali.

Todos os grupos têm o seu anjinho da guarda. O nosso é o melhor do mundo. Pelo menos para nós.

Aparições Televisivas I

Como sabeis, esta banda é fortemente requisitada para apresentações televisivas. Pelo menos, era usual ser. Por acaso recentemente até nem tem sido. Desde que fizemos uma versão do Doce de Ananás, na tvi, com o Juca Magalhães a cantar connosco, as requisições começaram a escacear... Falta saber se foi a nossa prestação vanguardista que bateu demasiado forte nas bigornas dos telespectadores, se foi o cantarolar de rola do Juca. Mesmo assim, somos uma presença quase assídua da Praça da Alegria. Ainda no dia 6 do próximo mês, estaremos lá. A nossa presença é sempre uma lufada de ar fresco... sobretudo nos nossos locais de trabalho diário (vulgo escolinhas, academias, etc.), pois são sempre manhãs onde os nossos colegas não têm de se cruzar connosco! Eu gosto particularmente de ir à Praça da Alegria... Porque já fizemos bons amigos lá, porque até cheguei a jogar futebol às quartas-feiras com o, agora treinador, Jorge Gabriel, porque sempre nos receberam com carinho... Mas tenho colegas meus que gostam de ir lá por outros motivos. Palavras para quê? Uma imagem vale mais que mil palavras... mesmo sendo escritas neste blog!
ps. a menina de cabelos longos e de camisola castanha é a pikolé, vestida à civil... Quase conseguiu convencer uma pessoa a ir para o chapitô, para um curso de palhaçada. Esqueceu-se que esse alguém já era doutorado nisso.

19 setembro 2006

Outra desilusão

Caros leitores:

A partir de hoje penso que vai ser difícil fazer um acompanhamento total dos ensaios regulares da banda. Isto porque tenho de me levantar todos os dias muito cedo e não me posso deitar no horário pornográfico que me tenho deitado, em dias de ensaios. Posso, no entanto, acompanhar a parte menos interessante, a musical. A observação e comentários a pica-paus e afins podem ser feitos pelo Tomi, visto ser o único caucasiano a postar menos.

Da parte musical do ensaio de ontem, ficam apenas dois momentos bonitos: o Joca Almighty e o Jony a tentar emitir sons sem ser vocais...


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Depois de cantar um pouco, lá fomos ao Convívio, perto do Shopping Bom Sucesso. O que nos salta logo à vista é a faixa etária dos garçons... entre 65 e 70 anos. "É bom sinal, pelo menos devem ter muita experiência", pensava eu, inocentemente. Por incrível que pareça, o sr. que nos atendeu nem sabia o que era um pica-pau. Falha enorme. Teve de chamar um colega, curiosamente mais novo, o qual nos explicou que ali se denominava "carnes mistas à chefe". Aos omnívoros, soou-lhes muito bem. Lá mandaram vir uma dose para os 3. O Vilhas optou por um prego, porque, segundo ele, está de dieta... Eu fui no habitual.



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Apesar do aspecto até ser jeitoso, neste caso seria preferível só se ter comido com os olhos. Logro é a palavra que me surge para avaliar os petiscos. A dose de pica-pau era curtíssima para o andamento em presto das mandíbulas dos nossos 3 amigos. O Vilhas não emitiu opinião sobre a qualidade do prego. Apenas comentou o valor que pagou no fim, comentário esse impróprio de ser transcrito, pois a minha mãezinha lê o blog e ia ficar com pior impressão do jovem cabidela. A tosta de queijo foi das mais sumíticas que alguma vez provei.
Alguns desistiram, não tiveram coragem de pedir mais nada a não ser a conta. Apenas o Joca e o Tomi não resistiram à tentação, e pediram para cada um uma fatia de charlotte de chocolate com gelado de nata. Foi triplamente errado. Não era nada de especial, era caríssimo e provocou um efeito bastante estranho... diria Wainwrigtiano, até...


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Portanto, não há muito mais a dizer. Para este tipo de petiscos, esta casa é para esquecer.

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Vamos à Capital do Império!

Já aqui falei, mas é só para relembrar a estreia dia 21 do Assobio da Cobra. Os Senhores vão lá estar, pelo menos os mais importantes (eu vou). Podem vê-los quinta à tarde A1 abaixo ou então parados no posto de abastecimento de Leiria a consultarem a Caras, a Vip, a Flash e outras revistas da especialidade.
À noite lá estarão civilizadamente sentados a assistir.

Falta decidir onde dormem e até se dormem, mas isso logo se vê.

Fica aqui o cartaz com o elenco e tudo...

A crítica severa, imparcial e incisiva aparecerá aqui depois do evento.



Elenco

Poesia

Para que não restem dúvidas acerca da minha pessoa, da minha natureza, sensibilidade, dos meus valores, do que eu amo na vida, partilho com vós mais um belo momento.

Poema de Rufino Duarte, natural de Vale, Vila da Feira.

NINFA

Ela querelava junto do flúmen silente,
Quando a titónia undiflava e rorífera
Encheu a natura obducta e paínfera
De um punício tão pátulo quão furente.

Sob o sinceiral fluctígero e sedente,
A progne lúrida e a mariposa lucífera
Brincavam com uma incude opífera,
Alheias à tágide serícea de tridente.

Muita lectícia desde aí me tropeçou
Por este víndice e pático averno;
Mas nenhuma tão hiulca me ficou

Como aquela nutriz semota e morígera,
Levada pela amaritude do hesterno,
Sobre aquela natura pulcra e navígera!

DOSSIER: HOTEIS - outra história de violência

Olá.

Antes demais, tenho que me defender da publicação de uma fotografia exibida num post no dia de ontem. Essa alma pura que a publicou, tirou a fotografia do contexto. Tal como fizeram com Sua Santidade o Papa Bento. Exijo que se retrate e peça desculpas publicamente.

Para que não restem dúvidas:
Macau 1996. Hotel Sintra??? Não interessa, era um hotel. Em Macau quase ninguém fala português, facto do qual nos apercebemos pouco depois de lá chegarmos. Numa descida de elevador, vamos os cinco, entra um senhor asiático muito bem posto. Joca começa sem demoras a adjectivá-lo em voz alta: "olha-me o penteado deste.....", " olha que cara de ......", " gosta de.....", (penso que a mãe do senhor també foi agraciada). O elevador pára, o senhor sai, não sem antes desejar "Boa tarde", no mais correcto português.

Outra descida de elevador, outro senhor asiático, outra paragem e diz o senhor: "Bye, Bye!". Responde Vilhas: " Bye, bye, bai para a p........".

Histórias destas nunca vão ouvir acerca da minha pessoa.

Citação I

A 18 de Setembro, durante o ensaio, Vilhena disse:
"Espero que valha a pena o esforço pelo Sr. Cerqueira"

18 setembro 2006

Raiva e dor

Tenho sido vilipendiado de forma grosseira e agressiva neste blog por aqueles que se dizem meus amigos. Aqueles a quem dei regaço no duro início da vida artística, cospem hoje no prato de onde já comeram.
Quem nunca se interessou pela história da Roma antiga, não percebe por certo, o que um homem (com h minúsculo) é capaz de fazer para ascender a um lugar que pertence a quem, por antiguidade, por tradição, obra, equilíbrio, autoridade e lealdade o ocupa.
É verdade, falo de mim e da posição de único elemento das Vozes que ainda por cá anda desde a sua criação e que por isso mesmo assumo a postura de chefezinho déspota, de ditador irascível, de comandante tirano.
Mas o perigo espreita. Outros, quais abutres do Egipto, planam sobre mim à espera que exale o fétido cheiro de carne podre para assim assumirem o meu lugar.
Falo daqueles que aqui relataram histórias que pouco dignificam a minha credibilidade (vide Dossier: Hotéis – uma história de violência) ou que lançam o anátema sobre mim, recorrendo à injuria e falsidade, associando-me a Cacia e a comportamentos sociais reprováveis (vide Concertos I).
Poderia contar-vos memórias de fazer corar o menos inocente. Mas é sabido que as imagens falam mais que mil palavras.
Estávamos em Vila Franca do Campo, São Miguel, Maio 2004. Eu, feliz e ingénuo, quis com a minha Lomo captar um momento terno de família. Atrás, os meus colegas de grupo mais o técnico de luzes Pedro Cabral, aqueles a quem tenho por irmãos, comportam-se de forma condenável. Atentai bem nos dedinhos deles... Lamentável!

O casamento - capítulo III

Três é número da perfeição. Por isso este é o último capítulo deste tríptico amoroso que me levou a Lamego para partilhar a felicidade de um jovem casal que iniciou agora uma longa caminhada a dois. Bonito!
Actuação da tuna
Nem duas vidas universitárias me levaram a pôr uma capa e a cantar com uma tuna....de capa Nada contra, antes pelo contrário. Se calhar é mesmo uma questão de feitio, ou de oportunidade. Não deu na altura. Agora, só mesmo o Mokas e a Migui para me porem lá no meio. Por isso fica a noite de 16 de Setembro marcada pela minha primeira e última actuação com uma Tuna. E claro só podia ser com a Tuna da Portucalense.
Antes, o ensaio cá fora. Copos e cigarros para o aquecimento. A certa altura dei comigo a pensar que se fosse instrumento musical nunca seria um de sopro. Vi o bafo letal que saía do Cavadas em direcção à flauta. Eu oxidaria, baixaria de tom, se calhar até derretia. Ele lá continuava com os trinados e a pobre da flauta respondia. Ao meu lado o Vanessa afina afincadamente o violino. “Para quê? Para destoares?” perguntei. Ele sorriu. Passa por mim e pelo Mari Carmen o Scotch a rir. A bom rir. Infelizmente não tínhamos câmara para captar. Nunca ninguém se vai acreditar nisto. O Adélio está em grande forma no bandolim. Ele como um dos fundadores da tuna puxa a carroça com empenho. O Bragança tenta ordenar as tropas. Chega uma camioneta cheia de meninas. Ao longe julguei que o Tomadas tinha sido diligente desta vez. Mas não. Era a tuna feminina da Católica que estava a chegar para abrilhantar a festa.
As meninas tocaram e pelos relatos muitíssimo bem. Eu não as ouvi porque estava empenhadíssimo no ensaio com a rapaziada. Afinal conhecia o que cantavam, mas já não contactava com aquelas músicas há mais de 2 anos.
Lá fomos cantar. Deu-me muito gozo ouvi-los outra vez. As grandes vozes do Hélder e do Mário. O Tó a cantar como nunca cantou. O Mari Carmen brilhante no solo e nas percussões. O resto da rapaziada: o Chaves, o Tomadas, o Darth, o Cromo, o Atila, o Joker, o Bijou, o Renato (mau demais escrever aqui o nome de guerra dele), o Vanessa, o Cavadas, o Rui Barros, o Cremalheira, o Fafe, o Garret, o Scotch, o Securas, o Bragança e outros que a memória já não me ajuda a estas horas. Confesso até que os meus olhos marejaram quando ouvi o rouca vai a campainha, uma cançoneta parida por mim e pelo Mário Alves há uns anos para o Museu dos Transportes.

Tuna


Com o fim da brilhante actuação, chegou também ao fim o meu dia. Havia que regressar e começava a ser dificil.
Notas finais

Qual Prof. Marcelo aqui deixo as notas finais:

20 valores

Ao Tó e à Migui. À festa. À companhia. À “minha” tuna. Ao simpático senhor que me serviu os camarões de forma personalizada e que repetiu o feito com os 3 cafés antes da viagem de regresso.


8 valores

Ao ter que fazer a viagem de regresso àquela hora. À camisa daquele senhor que estava quase à minha frente e que fazia da mira técnica de uma qualquer televisão um esbatido quadro a pastel. Ao carro da BT que estava parado no IP4 não possibilitando a transgressão de forma livre e espontânea.

… e para terminar, afinal a banda não era cubana. Não! Olhem para o violino. Sim é ele! É português! É o Obikwelu.

os falsos cubanos


Dia 5 de Outubro tenho mais um casamento! Até lá.

17 setembro 2006

Concertos I

Enquanto alguns andam por aí no bem bom, a comer à grande e à francesa, em viagens com álibis de casamentos e acompanhados por amigos com gostos duvidosos... Outros trabalham e defendem a cor desta equipa. Pois é, meu amigos, ontem os 3 cantores do grupo deslocaram-se a Mafra para, mais uma vez, deslumbrar a plateia com raros dotes vocais. E pasmem-se! Presenteamos todos com música muita antiga... gregoriana, mais especificamente. Mas vamos por partes.
Saímos do Porto para sul... Foi notório, logo que entrei no carro, algumas diferenças:
-o carro estava bastante mais leve, logo, mais rápido;
-não tivemos os famosos jornais e revistas que o Vilhas leva, usualmente, aos magotes;
-pela viagem fora, só cheirou mal uma vez, quando passamos por Caxias... a diferença que o Joca faz...
Chegámos ao destino. Mesmo junto ao convento. Um painel vislumbrava-se ao longe; dizia em letras garrafais "Moda Mafra". Enquanto acabava de ser montado o palanque da passerelle, os meninos decidiram bater terreno circundante.

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Existem certos pormenores que nunca ficam bem pôr a descoberto, principalmente situações bizarras de uma banda de prestígio como esta. Por exemplo, a ideia deprimente de nos vestirmos no carro depois de se ter a oportunidade de nos vestirmos no mesmo camarim que dezenas de manequins conhecidas, parece-me algo um pouco absurdo. Mas nós gostamos de ser assim... do contra! Pena que não tenha nenhum registo fotográfico deste acontecimento, de certeza que os boxers ao xadrez do Tomi ficavam muito bem aqui, como fundo...
Depois chegou o momento alto da noite... Entre modelos a correr, apresentadores a espalhar charme, público a delirar com uma menina dos morangos com açúcar e fotógrafos rookies, os meninos sobem ao palco e brilham com a primeira música... Hino a S. João Baptista, com batida patrocinada pelos melhores DJ's de Kizomba. Coisa de nível...


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Claro está, que após cantarmos para todos os apreciadores de música gregoriana (seguramente mais de 4), estivemos a fazer horas para os restantes músicos acabarem. Enquanto isso, como quem espera desespera, existe sempre espaço para a palhaçada. Não é por acaso que o meu nick é miúdo...


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No entanto, mal o concerto acabou, foi ver resmas de modelos a correrem para ter um autógrafo nosso... Será que foi pela nossa brilhante actuação? Será pelo nosso incontornável charme? Terá sido pelo paleio nos bastidores? Fica apenas o registo... (ó pra elas, todas cheias de pressa...)


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O casamento - capítulo II

Aperitivos

É sabido. Desde as bodas de Caná que casamento sem vinho, não é casamento. Cristo, que revolucionou e revoluciona o homem a nível espiritual, marcou igualmente a história do vinho. Ao ceder ao pedido de Sua mãe (e qual é o bom filho que não o faz?), transformando água, que nem sabemos se era potável, em vinho, condenou a que todos os pobres de carteira e/ou de espírito ficassem de fora das bênçãos do matrimónio. Porque quem não serve vinho, não casa! Este problema arrastou-se até há pouco. Com as uniões de factos os miseráveis puderam finalmente assumir a sua relação evitando despesa com o néctar dos deuses. Mas eu estava num casamento daqueles a sério e sabia que vinho não ia faltar.
Terminada a cerimónia vai tudo a passo animado para o Hotel Lamego. Excelente escolha porque é perto da Sé e porque para muitos o banquetear no hotel significaria apenas o uso de um transporte no fim da festança: o elevador até ao quarto. Assim não fiz eu, que não marquei quarto e consequentemente tive de regressar a casa.
A espera por todos os convidados e pelos noivos foi um pouco pesarosa, não que o sitio fosse mau, antes pelo contrário, mas porque estômagos fracos e necessitados mexiam com a percepção do tempo e recordavam o célebre fado “as horas pra mim são dias, os dias pra mim são meses…”. Eram 17h02m e estávamos todos num anfiteatro para a foto de família.
Depois foi a cavalgada heróica até ao local dos aperitivos. E lá chegados foi o saciar dos apetites. Nada faltava. Tudo à grande e à beirão! Havia comidas para todos os gostos. Eu encostei-me aos produtos da terra que são sempre os melhores: todas as espécies de fumeiro, bolas de carne e de sardinha e até o conhecido camarão tigre de Lamego.
Antes porém, passei por uma situação insólita. Mal entrado no salão dirigi-me às bebidas e pedi um gin tónico (clássico destes momentos). Colocam gin num copo alto, procuram a água tónica e… minutos depois despejam sprite no copo. “Tem de ser assim…”. Fiquei atónito. Como classificar este episódio? Como um sinal divino, por certo. Estando no Douro sul, porquê o gin tónico? Ele mais uma vez mostrou-me o caminho certo. Bebi a mistela e estabilizei no branco da região.

Aqui tendes o vosso cronista social com um copo, um camarão tigre grelhado, um garfo, um guardanapo e um cigarro nas mãos. No nó da gravata está implicito já algum desnorte
Do outro lado vi o Adélio já dentro do balcão a tirar finos. À volta dele estava o Joe, o Cavadas, o Atila. Juntei-me, juntou-se o Vanessa, apareceu o Tó, depois o Chaves e lá fomos ruminando e bebendo. O ambiente era animado.
O Tó foi para as fotos. Para a história fica a foto com a tuna e o final tocante com o Darth a oferecer o disco de José Cid autografado ao recém-casado.

O final dos aperitivos soava já a fim de festa. Joe sabiamente disse que já não era preciso jantar, com tanta comida ainda ali. Pois estavas certo, índio Joe. O que se seguiu já foi mais uma prova de resistência. E nós fomos bravos combatentes.

O jantar

Jantar? Sim, pelas horas. Para mim seria almoço, mas ninguém almoça às 7 da tarde.
Bem comportados lá fomos ver as mesas. Fiquei na extraordinária companhia dos tunos Darth, Mari Carmen e Mário mais as suas respectivas. Ficou também na nossa mesa o prof. João Campos de guitarra e o Sérgio.
Sopa, peixe e carne como manda a tradição. Li a ementa e estava lá tudo. Entraram músicos cubanos e ao som de Besame Mucho entrou o casal.
Toda a gente gabou a qualidade dos pratos servidos. Toda a gente bebeu na medida das suas possibilidades. Descobri ao fim de vários anos que o Darth afinal é Bruno e que o Mari Carmen tem como graça João. Entrecortámos pratos com umas cigarradas e à sobremesa fomos presenteados com uma selecção fotográfica com cenas da vida dos noivos. A banda sonora foi do melhor e começou logo a cappella com o Trio Esperança a cantar o corcovado. Nem sabes como eu gosto desta música Tó!
O jantar estava no fim. Não pude deixar de reparar na garrafa que nos foi acompanhando antes das carnes: “o final de boca é agradavelmente longo”. Lancei a questão aos comensais e senti algum gelo. No fundo foi o meu momento sapatilha cor-de-rosa. Ninguém se quis pronunciar sobre isto. Hoje eu percebi o que quer dizer. O final prolongou-se pelo dia de hoje. O que não é, é muito agradável. Acho que chamam ressaca.




O casamento – capítulo I

Há quinze dias relatei aqui a despedida de solteiro do Tó. Seria uma enorme lacuna não contar agora o casamento. Por ter sido um dia intenso e cheio de peripécias vou dividir a narrativa em pequenos episódios

A viagem

Lamego foi o local do enlace. Já fiz a estrada até lá centenas de vezes, mas desde a inauguração da A24 que se coloca sempre o dilema: por Vila Real ou por Mesão Frio? Acabo sempre por escolher Vila Real e a tal auto-estrada. As vistas do Douro são fantásticas, o ziguezaguear pelos socalcos é delicioso e as pontes sobre o Douro e o Balsemão imponentes. Quem ainda por lá não passou, não sabe o que perde!
Eis que chego à cidade. Estaciono perto da Sé mas topo logo no Café Maia com velhos conhecidos. Estavam em plena preparação para acolherem a palavra do Senhor da forma como Ele quer: em festa! Juntei-me ao Adélio, ao Mezenga, ao Atila, ao Joe e ao Darth mas como aspirava apenas manter-me acordado tomei café, o que me distinguiu das cervejas dos demais. Eles, numa atitude sapiente, tinham também mastigado algo. Com casamento às 14h é preciso saber fazer a gestão do estômago. E eles souberam-no. Levantámos ferros e fomos para a Sé.

A cerimónia

Na porta da Sé reencontrei muitos dos que 15 dias antes tinham andado na farra. E que diferença, meus amigos! As roupas andrajosas deram lugar a fatos caros, o cheiro a bebida aos finos perfumes, o monco caído do fim da noite a sorrisos radiantes.
Fui interpelado por um autóctone que iniciou um monólogo sobre a cidade de Lamego. Não sei se o senhor está a soldo do turismo local, mas pareceu-me estar necessitado de acompanhamento psicológico. Lembrei-me logo das estudantes de psicologia brasileiras com quem tínhamos estado na despedida de solteiro. Bem podiam elas estar a prestar serviço social e cívico a casos como o deste senhor, nas horas em que o sol não se traveste de lua.
Vem o noivo. Resplandecente, sorriso largo, cabelo aparado. Entrámos na nave da igreja e esperámos pela noiva. Entretanto um coro e um pequeno agrupamento instrumental preenchem os tempos mortos. Chega a noiva, salta a marcha nupcial. Ofuscando o já brilhante noivo, a Migui avança decidida para o altar. O Sr. Padre começa a função e logo sinto o perfume da pronúncia beirã com os esses muito sibilantes. Gosto desta sonoridade.
O tempo vai avançando. A fome também. Eram 15h18m e cantava-se “Pai-nosso em Ti cremos…”. Também eu já queria àquela hora enfiar algo para a blusa. Confesso que prestei pouca atenção à cerimónia. São já dezenas e dezenas de casamentos e o argumento não tem variado muito nos últimos anos. O corpo estava lá mas o espírito planava, nem sei bem por onde. Aterrava sempre que ouvia música. Também desceu na altura das leituras. Estávamos às portas das 16h quando saímos da Sé.

A música

Visto agora o papel de crítico musical. O pequeno coro e quarteto de cordas com trompete e teclado esteve muito bem. Boa afinação, bem musical, à altura dos acontecimentos. O repertório muito eclético. Talvez demais para o meu gosto. Ter no mesmo disco o Aleluia de Haendel, o Minuete de Boccherini, o Can´t help falling in love e o Avé Maria de Schubert faz-me lembrar aqueles pratos de sobremesa em que se mistura tudo que há no frigorífico, vulgo pijama. Mas foi óptimo ver ali o Manuel Soares nos gorjeios, o Jaime na trompete, o Ernesto no teclado e direcção e rever a viola d’arco com os olhos mais azuis que eu conheço, a Lúcia, simpática e bonita como aliás sempre foi.

A saída

Já falei do brilho dos noivos e dos lindos fatos em desfile.Mas algo à saída da Sé me ofuscou de forma violenta e provavelmente vai mudar a minha existência daqui para a frente. Os pés do Bragança.

Sapatilhas do Bragança

Não propriamente o pé, nunca o vi, nem tenciono ver, mas o que ele tinha calçado! Uma sapatilha cor-de-rosa. Metrosexual, daltónico… foram algumas das explicações. Mas eu percebo-te, Bragança. És apenas um provocador e eu gosto disso. Também o sou à minha medida. No entanto não calçava aquela sapatilha num casamento… ia descalço!

16 setembro 2006

Memórias da Air Luxor

Puxei pela minha memória e só me recordo das Vozes da Rádio terem voado uma vez na Air Luxor. Lembro-me que o voo saía de Pedras Rubras depois da meia noite com destino ao Funchal e de todos nós, conhecedores da fama da companhia aérea, termos ido munidos de sacos-cama para pernoitar no aeroporto. Estávamos em Janeiro deste ano e os aviões da Air Luxor ainda conseguiam voar.
Afinal o voo partiu à hora marcada e correu muito bem. Li, como de costume, toda a literatura que colocam nas traseiras das poltronas e fiquei a saber que em menos de 15 anos a Air Luxor se tinha tornado a maior companhia aérea portuguesa. Lindo feito. Gente trabalhadora e esforçada, pensei, fantasiando até que era gente desta que nós Vozes precisávamos pois com 15 anos de carreira continuamos na sarjeta e, como se sabe, nós o que gostávamos mesmo de ser era como os D’zrt.
Hoje dei comigo a pensar na velha máxima que quanto mais depressa se sobe, mais rápido se cai. E se juntar a isto uns conhecimentos rudimentares de física descubro que o peso do avião, que não é coisa leve, ajuda à queda.
Se calhar o lamentável episódio da Venezuela com aqueles sacos de farinha no porão não ajudou muito para evitar o tombo. Muitos narizes ressentiram-se disso e pelos vistos a Air Luxor também. Ah! E o infeliz co-piloto Luís Santos que sofreu sem culpa nenhuma. De qualquer maneira sempre esperei vê-lo ser repescado para um reality-show, mas até agora nada. Fica a atenção da TVI.
Mas voltemos ao bom da vida. De narizes bem assoados, aqui têm os Senhores à beira do antigo iate dos Beatles.

Iate dos Beatles - Madeira

Depois, já no hotel, apreciem as famosas Vozes de roupão, com o seu técnico de som Nuno, nos corredores a caminho da piscina de talassoterapia.

Corredor Hotel Crowne Plaza

Para terminar os energúmenos juntinhos no elevador.

Elevador Hotel Crowne Plaza

Foi uma sessão muito proveitosa de talassoterapia, seguida de sauna (quem foi o anormal que me convenceu a tomar banho de água gelada depois da sauna? Podia ter morrido…). Depois, foi o concerto de bom nível e claro o mergulho nas “noites da madeira” bem menos calmas que as da canção do Max (grande tema).
Chegámos ao hotel a tempo de fazer o saco e apanharmos o avião que dessa vez, infelizmente, contrariou a fama da Air Luxor e levantou a horas. Se assim não fosse ainda andávamos por lá… o que não seria mau de todo.

15 setembro 2006

Mais um, com direito a volta no fim e tudo

Hoje o ensaio foi diferente. Mais curto que o normal. Penso que se está a priorizar o fim dos ensaios que propriamente o conteúdo musical. Portanto passo já para a parte mais importante.
Com direito a estacionamento privado, eis que chegamos à Cufra. Pela quantidade de carros estacionados e pelo marabuntismo aquando a nossa entrada no local, adivinhavam-se pitéus de altíssimo nível. Nem era preciso escrever o que foi pedido para os meninos... É claro que foi o pica-pau e a tosta de queijo. As bebidas são as do costume...


Os alimentos, própriamente ditos, estavam com o aspecto que podeis observar.




















Segundo os entendidos, o pica-pau estava muito bom; ficou no entanto a perder alguns pontos para o homónimo do Capa Negra, por não levar o molho de cobertura. Mas as carnes são de confiança. Não posso dizer o mesmo da tosta de queijo... não foi generosa e o pão estava seco.

Depois de tudo ruminado, passou-se para a sobremesa. Só a gula do Joca e do Tomi falaram mais alto. Tanto eu como o Jony passamos ao lado. Foi pedido um bolo fofo de chocolate e um pudim de côco.



Pontos a favor: As carnes eram de qualidade, o serviço foi rápido, o preço não foi exagerado

Pontos contra: As sobremesas tinham melhor aspecto do que propriamente o gosto, as cervejas não estavam grande coisa. O Joca referiu ainda que ficou muito chateado por sair com a roupa a cheirar a tabaco...

Mesmo assim, a votação foi positiva



Num ensaio normal, o dia tinha acabado por aqui... Mas os meninos reservaram-me uma surpresa: uma volta de carro pelas ruas da cidade. Fiquei animado, mostraram-me sítios bonitos à beira-mar... Mostraram-me outros carros também a passear... E mostraram-me senhoras junto às ruas. E sempre que nos aproximávamos de uma, o Joca pedia-me para lhe perguntar qualquer coisa que não me lembro agora. Sei que as senhoras ficavam com uma cara de poucos amigos.
Quando a viagem acabou, pensei que o dia finalmente iria acabar. Mas o Joca sugeriu gastar um presente que trouxe dos Açores. E como é amigo dos seus amigos, ofereceu a todos, mas o único que aceitou foi o Tomi.



Para quem estava incomodado com o fumo do tabaco, aqui não se nota nada...

Finalmente pude ir para casa. Próximo ensaio: 2ª feira, no Convívio, junto ao Bom Sucesso. Estão todos convidados.

14 setembro 2006

Assobio da Cobra à porta

É já para a semana, dia 21 que estreia o musical Assobio da Cobra no teatro São Luiz.
O musical aparece na sequência de um excelente disco com o mesmo título que foi editado há cerca de dois anos e que foi miseravelmente promovido pela EMI.
Sou suspeito quando falo deste disco. Por um lado porque as Vozes participam. Por outro lado foi feito por 2 enormes amigos: o irmão João Monge e o não menos irmão Manel Paulo. Fui aliás assistindo ao crescimento deste trabalho sempre à sombra de uma boa refeição. No verão de 2002 num restaurante alentejano na Parede, meses mais em Aveiro (onde comemos Manel? Já não me lembro). Depois foram mp3 para ir ouvindo, os mails contando pormenores, os encontros em Lisboa e as gravações em Vale de Lobos.
Por isso aguardo com expectativa a estreia do musical. Que se pode esperar do encontro de um dos maiores letristas e de um dos melhores escritores de canções deste país? Só o melhor.
Para aperitivo deixo aqui uma das minhas favoritas do disco. Neste caso ainda se junta outro bom amigo aqui do burgo: o Manel Cruz dos Pluto, Supernada e dos saudosos Ornatos. Tudo boa gente, garanto-vos.

NUNCA PARTO INTEIRAMENTE

Nunca parto inteiramente,
não me dou à despedida
As águas vão simplesmente
presas à sua nascente
é do seu modo de vida

Fica sempre qualquer coisa
qualquer coisa por fazer
Às vezes quase lamento
mas são coisas que eu invento
com medo de te perder

Deixei um livro marcado
e um vaso de alecrim
Abri o meu cortinado
fiz a cama de lavado
para te lembrares de mim

Nunca parto inteiramente
Vivo de duas vontades:
uma que vai na corrente,
a outra presa à nascente
fica para ter saudades

Traumas da vida

Hoje dei por mim a pensar que todos nós somos feitos de traumas. E com os traumas aprendemos, ou ficamos traumatizados para o resto da vida. No meu caso, existe um bocadinho de cada... Aqueles que foram ultrapassados com o tempo, outros que permanecem e que hão-de sair um dia, e ainda outros que já têm raízes e só os perderei quando estiver a vários palmos abaixo do solo. Dos que já foram ultrapassados, relembro um que não tem muita piada para mim. Mas o meu trauma foi pensar que iria ter muita piada para os outros. Era jovem. Ainda sou. Mas era mais. Certo dia, chegou o momento em que todos os jovens passam imediatamente para adultos - o recrutamento militar e consequente alistamento. Lembro-me tão bem dos dizeres sapientes dos mais velhos, que quem não fosse para a tropa não seria um homem de verdade... Na altura, preferia ser eternamente jovem do que um homem a sério e passar pelo vexame que iria passar... Reparem bem no raio do número de recenseamento que me havia de calhar...



A minha interrogação era só uma: PORQUÊ EU?! Devia ter feito algo muito mau para receber tamanho presente envenenado. Os dias de angústia transformaram-se em meses... os meses em anos ( isto porque adiei várias vezes a inspecção devido aos estudos)... mas sabia que esse dia, o dia em que ouviria uma voz a chamar pelo tal número, chegaria... E eis que chegou. Apresentei-me. E nesse dia não ouvi uma só vez o dito número, pois foi-nos atribuído outro número. Eu irradiava alegria. Até fiz todos aqueles exames parvos com um sorriso igualmente parvo na cara. Tudo estava a correr bem. Até ser chamado para um grupo aparte, cheio de mancebos rústicos. Não sabia muito bem porque estava ali. Até saber a noticia...



INAPTO? Eu, cheio de saúde, com perfil de ranger quase do texas, junto dos inaptos?? Nem passei sequer pela reserva territorial... Exigi explicações. Responderam-me que tinha sido premiado. A esta hora, em vez de estar a cantar com mais 4 lolós, esses arranjos todos efeminados, poderia estar a tocar clarinete na Banda do Exército, ou até da Marinha! Triste sina, a minha...

13 setembro 2006

Vícios de Verão

As primeiras chuvas de Setembro fazem pensar nos dias cinzentos que se aproximam e que só desaguam pelo Natal. O recomeço das aulas, os dias mais curtos, o guardar das t-shirts... Enfim, tudo se aguenta e pensando bem, um eterno Verão podia ser uma chatice. Pelo menos mentalizo-me assim.
Isto tudo é um preâmbulo a qualquer coisa que ainda nem sei bem o quê. Estou como aqueles computadores da Segurança Social que quando vamos lá, estão sempre em baixo. "Estou sem sistema. Tenho que reiniciar o computador", é o clássico destas situações. "Estou sem paciencia e um dia destes vou reiniciar para a Austrália", é o que me apetece dizer às senhoras e senhores que soltam a desculpa do sistema. Ainda assim tenho algum sistema para vos dizer que com o fim do Verão devo dar por concluído o meu vício sazonal.
Todos os verões invento algo novo. Este Verão viciei-me em águas com gás, daquelas com paladar. Já as bebia há muito, lembro-me até que as primeiras que bebi eram de pêssego, alemãs e intragáveis, mas foi este Verão que caí no buraco e consumi desenfreadamente Frize, Pedras, Vidago e outras que já nem me lembro, mas que fiz questão em experimentar. O que é que aquilo tem de especial? Não faço ideia. Na verdade, nem sequer sei se gosto muito. Provavelmente alguma substância que me levou a criar uma dependência enorme dos sabores a limão, morango e hortelã-melão. Foi um consumir compulsivo depois das refeições e nas “noites dentro”, das garrafinhas de 25ml (porque será que não fazem boiões de 2 litros como a Coca-Cola? A mim dava-me mais jeito. Ia menos vezes ao frigorifico…). Enquanto estou a escrever, escorropicho uma de limão.
Isto faz-me pensar nos outros anos. Quase que os podia dividir pelos vícios que fui tendo sempre e apenas no Verão: o ano dos iogurtes líquidos, o ano da água tónica, o ano do panachê e do tango. Estes vícios têm também variantes alimentares: o ano dos cachorros quentes, o ano das pizzas do Lidl (hoje não aguento nem o cheiro), o ano de um gelado sandwich da olá que tinha um urso no pacote (não me lembro do nome). E tantos outros...
Estes são vícios sazonais, típicos de férias. Outros são eternos, não são simples amores de verão. A francesinha, por exemplo. Confesso que gostava de perceber este fenómeno para enfrentar o próximo Verão e consequente vício de uma forma mais preparada.
Felizmente este negro período das águas com gás está a terminar. Dentro de duas semanas já nem me lembro. Sei que a Unicer e a Compal vão tremer, mas hão-de com certeza sobreviver.

Poesia

Poema de Rubinstein Moreira, poeta nascido na pequena aldeia Melo, no Uruguai.




Acto
de amor
supremo compromiso.
Revolución
de fé
de alma
y víscera.
Lámpara
que interroga
y
sed de hermano.
La única
verdad
sin concesiones.

Douro - Património Mundial - 250 Anos

Olá.

Quem já assistiu a um show das VDR, pôde ver uma rábula muito engraçada, a parodiar uma musica do Demis Russos. É engraçado como a ficção pode se tornar realidade.
No último sábado fui almoçar a Tabuaço, terra nas encostas do Douro, cheia de tradição e bom vinho. Restaurante escolhido: Tábua d'Aço. Muito engraçado o nome escolhido. Este local de pasto é gerido por um austriaco, da região do Tirol, que ocupa a função de chefe de cozinha. Portanto, podemos encontrar aqui pratos tipicos da região, assim como pratos tipicos da região do Tirol, todos muito bem confecionados.
A meio da refeição, irrompe pela sala , um grupo de cerca 20 adeptos da equipa dos Palancas Negras. Fiquei bastante surpreso, que fariam por aquelas bandas????
Ao aproximar-se o final da refeição, mais uma surpresa, sai da cozinha o chefe tirolês, senta-se num piano daqueles tipo orquestra, e começa a tocar música, naturalmente tirolesa, acompanhada com palmas por todos os comensais presentes. Vivem-se momentos de grande alegria, culminando com a música dos patinhos que sabem bem nadar, acompanhado por um côro espontâneo de criancinhas à volta do piano, onde se incluía a minha querida filha.
E porque razão culminou aqui tão brilhante actuação do tirolês??? Porque entretanto já se tinham aproximado e cercado o piano, dois dos adeptos dos palancas, e tanta pressão fizeram sobre o tirolês, que este cedeu o lugar a seguir aos patinhos.
Seguiu-se mais um momento animado por música africana, onde consegui identificar o "yesterday" e o não menos conhecido "hey jude". Confesso que estava à espera do "vou levar-te comigo, vou levar-te comigo".
A refeição terminou com um grande abraço ao chefe tirolês,( o seu nome é Thomas, má educação a minha não o ter apresentado) e com o pagamento da conta.

Moral da história?? podemos tirar duas reflexões:

1ª sobre a globalização. Que estranho é irmos ao coração do Douro, 250 anos de tradição, almoçar num restaurante tirolês, acompanhado por música tirolêsa e por um grupo de palancas negras, que tocam temas dos Beatles ao piano.
Se globalização é isto, eu gosto. Inesquecivel!!!!

2ª o novo target do milenium bcp. vai ser um tiro no escuro e perdoem a piada fácil. Terem ido buscar a Sara Tavares que nós tão bem conhecemos e admiramos e com quem já trabalhamos algumas vezes, (e ainda bem para ela, que se lembraram dela), não me parece ter sido a melhor ideia para atingir a comunidade africana, pois esta não ouve Sara tavares, OUVE BEATLES!!!!!!

12 setembro 2006

Saudações!

É com muita alegria que assinalo os escritos neste caderno cibernético do meu coleguinha Jony. Que cultura amigo! Citares logo para abrir Sadighi Parviz. É preciso muita coragem.
Pela coragem, porque mereces e porque fiz a mesma coisa com o Tomi, recebo-te neste cantinho com uma fotografia tua. Na mesma viagem à Terceira em que o Tomi teve como companhia de voo o Sr. Louça (ver escrito alusivo), tu escolheste para companheiro de fotografia este equídeo que se exibia numa feira de agricultura mesmo ao lado do sítio onde brilhantemente, diga-se de passagem, actuámos. Não se infira daqui qualquer comparação entre companheiros fotográficos, nem piada sub-reptícia. Nada disso. Só coincidências captadas por um telemóvel com má qualidade fotográfica.


Saúdo igualmente o Vilhas que após algum tempo regressou à sala de ensaios. Ao fim de três minutos de cantoria, tirava o Camões do ostracismo e bradava: “Fo…-se. Pensei que na minha ausência algo tinha mudado, mas reparo que continuam os mesmos anormais e arrogantes!” Sim Vilhena, somos nós! Bem-vindo a casa, meu africano rechonchudo!