03 novembro 2006

Questões de linguagem

A extraordinária prosa do meu colega Jony sobre a cromação fez-me recordar uma série de desvios linguísticos que vou coleccionando de memória e que me deliciam, introduzindo estes neologismos, quantas vezes, no meu dia-a-dia.
Era pequeno, talvez 8, 9 anos, e estava com a minha mãe numa loja, quando ouvi uma senhora a dizer que tinha apanhado um bilros. Um bilros muito forte. Troco olhares com a minha mãe e mordi-me todo para não me rir. Ainda hoje no seio familiar, quando estou meio gripado, refiro-me ao bilros. Sim, porque não há Inverno em que o bilros não se aloje em mim. Outra recordação de infância passa por uma conversa didáctica com um jardineiro camarário. Eu, na melhor tradição clássica, gostava de coleccionar saberes e dessa vez tentava perceber quantas vezes se devia regar uma planta. Ele então explicou-me que há plantas mais sedentárias que outras. E as sedentárias precisam de muita água. Já os cactos não (serão nómadas? pergunto-vos eu).
Anos mais tarde, já adulto, confrontei-me com expressões dramáticas como “fazer um taco à queluna”, “ter um filho suficiente”, ou um irmão “toxodepente”. Há ainda o caso do outro irmão que morreu de “rebordosa”. Depois há quem sofra das engivas ou quem tenha problemas no diódeno. Quem gumite o almoço por má dingestão (mistura simpática de digestão com congestão). E há ainda quem sofra das hemorródias (sofrimento diário, como se infere da palavra). A medicina fornece um manancial de novas expressões que não se encerram por aqui. Noutra vertente, uma das mais deliciosas que ouvi foi no autocarro onde uma senhora pergunta à vizinha se “o baso que pus à entrada do prédio estroba?” “Não estroba nada” respondeu a outra. Qual estrobar, qual quê!
Uma amiga psicóloga sabendo deste meu fascínio linguístico passou-me duas expressões geniais. Uma delas foi uma mãe que lhe pediu para abrir as cédulas da filha (gesticulando à volta da cabeça) porque a menina tinha dificuldades de aprendizagem. Já uma outra estava com problemas porque tinha tido um esgoto cerebral.
Nisto também há clássicos nacionais. O há-des ver, por exemplo. E a conjugação da segunda pessoa singular. O fostes, o tivestes, o entrastes e o saístes entre tantos outros.
Para terminar repito a última, arquivada há uma semana. Andava eu de carrinho na rua com um dos herdeiros, quando ele desata a chorar. O motivo é o de sempre. Viu alguém a comer. Não fosse meu filho e parecido comigo, diria que é um aspirador. Perante o choro da fome, aproxima-se uma anciã que pergunta “o que é meu menino?”. Eu lá esclareço a senhora e ela diz-me: “tenho um netinho tal e qual! Sabe o que são meu senhor? Uns alarmes, uns alarmes!!”. E alarmado fiquei, para o resto da vida…

Quando morrer quero ser...

Quando morrer quero ser "cromado".
Na passada quarta-feira, lembrei-me desta frase, em tempos dita por um senhor desconhecido, que ia à minha frente na rua, enquanto falava com outro senhor. Cremado quereria ele dizer, mas o "cromado" ficou-me na cabeça, e de tempos a tempos lembro-me disso.
Dia 1 também conhecido por dia dos mortos, levou-me a pensar na morte, e lá veio o cromado. Vendo bem, podemos ser enterrados, cremados, empalhados, mumificados, congelados, queimados, e por que não cromados?
Em tempos discuti a questão com um amigo que tinha ideia de entrar no negócio das funerárias. O homem já tinha contactos, ia mandar vir os caixões do Brasil, dizia que ia ganhar muito dinheiro. Penso que entretanto desistiu, mas na altura sugeri-lhe que que uma das valências da funerária fosse a cromação. Ele achou que eu estava a gozar, mas a ideia não é descabida. Iria revitalizar uma indústria em decadência, a dos cromados. Hoje em dia é díficil ver-se um cromado, os automóveis já não têm pára-choques cromados, as bicicletas já não têm o guiador cromado. O cadáver cromado pode ser arrumado em casa, na sala, no quarto para pôr a roupa em cima, na varanda ou jardim com uma bela erva trepadeira a enfeitar. Conserva-se melhor que um cadáver empalhado pois é muito mais fácil de limpar o pó. Estando bem limpinho serve de espelho. Não havendo mais espaço em casa para pôr corpos cromados, uma pessoa pode ir até um ponto verde, e depositar o corpo na secção de "monstros metálicos", e assim reciclar a avó ou o padrinho. Fica mais em conta que um funeral tradicinal com caixões e campas.
Estou certo que se pensarmos bem, iremos encontrar ainda mais vantagens, e por enquanto ainda não vi nenhuma desvantagem.
Quando morrer quero ser cromado.

02 novembro 2006

Concerto Fnac Gaiashopping

O sr. Fnac gosta muito de nós. Por isso, pontualmente, lá nos convida para animar as suas lojas. No aniversário, que se aproxima, da sua loja do Gaiashopping, faz todo o gosto que os meninos compareçam, tal como outras bandas. Por isso já sabem, contamos com a vossa presença. Apontem nas vossas agendas, palms, telemóveis e afins: Dia14 de Novembro pelas 19:00, loja Fnac do Gaiashopping.

Questões de segurança

As questões de segurança são importantíssimas neste país. Tudo discute, tudo se exalta pela falta de segurança com que vivemos. Já ouvi falar em fenómenos de sul-americanização, de favelação e até de arrastão. Eu próprio já senti o frio gostoso do fio da navalha no pescoço, não para me fazerem a barba, mas para dar algum dinheiro para tabaco. Eram quatro e meia da tarde e estava no Marquês, bem perto do centro.
O problema é quando o polícia acerta! Aí já não é a insegurança que preocupa, é a pontaria e a formação do senhor agente. Há umas semanas um senhor guarda, aqui do Norte, durante uma perseguição de carro, atirou quatro vezes. Conseguiu acertar duas! Tudo lhe caiu em cima e descobriu-se que afinal o homem não tinha tido formação adequada. Digo eu, pois não, nem precisa. Este tipo devia ser o formador! Um indivíduo que de carro, a alta velocidade dá quatro tiros e acerta dois devia ter direito a reconhecimento público, participação nas próximas olimpíadas na classe de fosso olímpico, medalha no 10 de Junho e nome de rua na terra natal.
O problema é o outro lado. O alvejado. É pena, de facto, até porque o alvejado antes de o ser era assaltante, criminoso, prevaricador. Depois de o ser passa a ser jovem (tem de ser pronunciado devagar)! Pelo menos em todos os noticiários da TVI e alguns da SIC assim o chamam. Depois, e com honras sempre de abertura, ficámos a conhecer toda a vida do jovem, a sua família, a namorada e até que o carro que levava era roubado, mas que nem era normal faze-lo. Ficamos todos com pena do jovem e a família fica com mais tempo de antena que os 15 minutos do Warhol. Ao fim e ao cabo a culpa é da polícia que nem devia andar armada!
Por isso, conduzia eu sossegado por uma rua de Matosinhos, quando vi este revolucionário método de segurança: “Senhores ladrões. Aqui não há máquinas. Levamos para casa” e um enorme ponto de interrogação. Até voltei para trás para tirar a foto e partilhar isto com a blogosfera.
Banqueiros, industriais, ourives, vede este exemplo e segui-o. Levai sempre tudo para casa!

01 novembro 2006

Rimbaud da savana

Hoje dia de todos os Santos, o nosso Santo em Pau-Preto (evitei assim o facilitismo brejeiro do Preto de Pau-Santo) cumpre mais uma Primavera. Andava eu aqui a pensar como surpreende-lo, quando me lembrei de uma conversa que tivemos há anos sobre Rimbaud (sim, à vezes também falámos destas coisas). O Vilhas na sua ironia mais que normal dizia: “esse exemplo de moral e bons costumes. Olha é um tipo que nunca bebeu, nem levou uma vida da noite. Não, um exemplo de Cristão…” e lá foi seguindo, juntando como é seu hábito, o soez que tanto o caracteriza. Depois eu provoquei-o (como é costume) chamando-o de Rimbaud da savana, bebendo de cubata em cubata, aos pontapés aos salalés e tropeçando nas morenas quer lhe apareciam à frente, lá no fundo do quintal da casa de Luanda, que ele tão bem já nos descreveu. O Vilhas ria-se e claro, acrescentava interjeições que lhe são tão caras e que neste blog já se ouviram. Por isso aqui vai este soneto do homem das virtudes, pedindo desde já desculpas ao Jony por lhe estar a tirar o lugar de João Villaret deste blog.
L'IDOLE
SONNET DU TROU DU CUL

Obscur et froncé comme un oeillet violet
Il respire, humblement tapi parmi la mousse
Humide encor d'amour qui suit la fuite douce
Des Fesses blanches jusqu'au coeur de son ourlet.

Des filaments pareils à des larmes de lait
Ont pleuré sous le vent cruel qui les repousse,
A travers de petits caillots de marne rousse
Pour s'aller perdre où la pente les appelait.

Mon Rêve s'aboucha souvent à sa ventouse ;
Mon âme, du coït matériel jalouse,
En fit son larmier fauve et son nid de sanglots.

C'est l'olive pâmée, et la flûte câline,
C'est le tube où descend la céleste praline :
Chanaan féminin dans les moiteurs enclos

Parabéns, Vilhas

Hoje é dia de festa, cantam as nossas almas, para o menino Vilhas, uma salva de palmas.


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31 outubro 2006

Noel Haris e as Vozes da Rádio

O nome com certeza não diz nada a ninguém. Se eu disser que ele foi o responsável pela gravação e mistura do nosso Mappa do Coração em 1997, então alguns já saberão de quem se trata.
Conhecemo-lo aquando da nossa participação no álbum Alma da Ala dos Namorados em Junho de 1996. Gostámos do seu profissionalismo, da sua forma de trabalhar e acima de tudo do seu humor.
Quando discutimos entre nós quem poderia ser responsável pelas gravações, veio logo o nome dele à cabeça. Telefonemas, faxs e as negociações terminaram em beleza. Veio no início de Abril e regressou pelos primeiros dias de Maio. Fui com o Jony buscá-lo ao aeroporto e começámos logo aí a quebrar pedra para um relacionamento que se veio a tornar excelente. Ele trabalhava horas a fio sempre com enorme concentração, almoçávamos juntos e saímos muitas noites com ele. Em pouco tempo tornou-se um amigo inseparável.
Se do ponto de visto técnico e musical foi bom, muito melhor foi ouvir dele as histórias das pessoas com quem tinha trabalhado. Os Queen adoptaram-no desde A Kind of Magic e o nosso Noel esteve com eles em todas as gravações mesmo após a morte do Freddie Mercury. Depois falou-nos do baixo Hoffner do Paul McCartney e da sandes de atum da Linda McCartney, do feitio do Van Morrison, da casa e do estúdio do David Bowie, do talento nato dos Heroes del Silêncio, dos filmes que os Cult viam ou ainda das mulheres que andavam sempre com o George Michael. Daqui levou também um baú de histórias e algumas partidas. Foi, por sua vontade, nosso técnico de som no concerto de abertura da Queima do Porto 97 e ficou abismado com o que viu no Palácio de Cristal. De outra vez, comeu connosco rojões. Insisti para que ele comesse o sangue sem dizer o que era. Ele lá comeu e disse que era esquisito. Então aí, no meu mais realista inglês, e com a ajuda dos outros é claro, descrevi uma matança do porco bem tradicional dizendo que o que ele tinha comido era o sangue coalhado do porco. Nessa tarde ele ficou mal disposto.
Carinhosamente tratava-nos por bunch of animals and sex-perverted maniacs e estava sempre a dizer poor Rui por causa do tratamento de excepção que o Vilhena tem neste quinteto. Quando nos despedimos dele no aeroporto não se evitaram as fungadelas de nariz de parte a parte.
Infelizmente, fruto dos vírus e das consequentes formatações de disco e também das mudanças de mail, perdemos-lhe o rasto desde 2001 talvez. Quem souber o seu paradeiro, diga-nos e mande um enorme abraço nosso.

Nós e o Noel no Fórum da Maia, no dia das gravações de piano de Hoje (o corvo) e Para te ter aqui

Eu a tentar aprender alguma coisa sobre mesas e botões

30 outubro 2006

GNR

É já amanhã que os GNR vão estar no Coliseu de Lisboa a comemorar 25 anos. E nós, sobrinhos e conterrâneos, rejubilamos com alegria.
Parabéns aos GNR e em especial ao Rui Reininho com quem já cantámos a Pronuncia do Norte. Memoráveis as tardes/noites em Leça com o pretexto de ensaiar e que começavam com um lanche ajantarado e acabavam, sei lá bem quando...
Aqui fica o vídeo do Dunas que gravámos no Mappa do Coração. Deu-me um gozo terrível conduzir esta Dona Elvira. Mais emoção tivemos quando soubemos que semanas antes naqueles bancos tinha sido rodada uma das cenas mais escaldantes do Ballet Rose com a Sofia Alves. Houve quem farejasse os assentos...
Viva os GNR, o Rei Rui, as Dunas e quem por lá se aconchega!

Memórias de pequeninho

Olá.

Muito se tem escrito sobre o grupo, o que tem feito nestes ultimos 15 anos, os concertos, os jantares, as idas à TV, etc..., mas pouco se diz sobre cada um de nós. Quem somos? De onde vimos? Temos papá e mamã? Seremos alienes?
Vou escrever sobre mim naturalmente, focando um período importante na formação de um ser humano sensível, que é o primeiro contacto com a sexualidade na infância. Escrevo, pois o meu foi muito interessante.
Era novinho, muito novo, teria ainda um só dígito, talvez a chegar aos dois. Foi num Natal em Lamego, em casa de meus avós. Meu tio me ofereceu dois hamsteres ( que vou passar a escrever ratos, pois é mais simples), e minha vida não mais foi a mesma. Meu tio disse que era um casal, pois dormiam juntos, partilhavam a mesma gaiola. Mas não, eram dois machos. Macho e fêmea não dormem juntos, nem partilham a mesma gaiola, vim depois a saber.
Semamas depois, minha tia me ofereceu um hamster fêmea ( que irei escrever rata pois é mais simples), para brincar com os ratos.
Tempos felizes eu vivi, brincando com os ratos e a rata. Quando os juntava era tudo muito engraçado, eles eléctricos atrás da rata, a lamberem-na, a agarrarem-na, em acesa disputa. A rata era mansinha, calma, parecia que gostava da brincadeira. Certo dia deu à luz, certo dia ao fim da terceira ninhada meu pai teve que me ralhar, teve que me explicar o que se passava, que rato mais rata igual a ratinhos, que já não tinhamos amigos a quem oferecer ratos.
Compreendi como criança inteligente que era, mas gostava muito daquela brincadeira dos ratos.
Ideia brilhante tive então! Peguei na rata com uma mão, peguei num rato com a outra e esfreguei um no outro algum tempo. Qual receita, depois separei a rata, e juntei o rato ao outro.
Este cheira o amigo que se tinha tomado do cheiro da rata, começa a lamber, a puxar, e zumba, zumba, zumba no ratinho. Achei muita piada, repeti a brincadeira várias vezes ao longo da vida dos ratos e eles pareciam felizes. Alternava a vez dos ratos no esfreguanço com a rata, para haver igualdade.
Hoje penso que criei os primeiros ratos gays da natureza. Hoje penso que sou uma pessoa tolerante e compreensiva graças a estas experiências. Irei oferecer Hamsteres à minha filha quando for maior, lá para os seus 20 aninhos.
Resta-me dizer como morreram os três ratos. Num dia de Inverno muito frio, os ratos não acordaram, estavam rijos. Deitei-os no saco do lixo. Passados uns dias a rata não acordou, estava rija. Ia a caminho do saco do lixo com ela na mão, e meu pai berrou: "Ó João? Que andas a fazer com os ratos? Se calhar estão a hibernar.". Interessante pensei eu. Pus a rata ao pé da lareira acesa e em meia hora ela acordou. Provavelmente os ratos também acordaram no quentinho do camião do lixo.
A rata ficou comigo até ao fim dos seus dias. Morreu com uma infecção na vagina. Já cheirava mal.

Os três porquinhos

A chuva tinha acabado. Anunciava-se bom tempo para o fim-de-semana. Havia logo à partida motivos mais que suficientes para festejar.
Como já tem sido aqui dito este grupo divide-se em: os Homens (também chamado de Núcleo de Agosto ou ainda os Três Porquinhos), um africano e um miúdo. E quem segue para estas tertúlias? Os três bácoros, já se vê.
Fomos à Estação da Cerveja, ali mesmo perto da Avenida da Boavista. Já estávamos para ir lá há muito tempo, mas fomos adiando a estreia. Antes ainda passámos pelo Portobeer saudando o nosso amigo simpático que tão bem nos tem tratado. “Hoje vamos experimentar outros”, gritou o Jony do outro lado da Avenida para o amigo.
Chegados lá, somos atendidos por uma senhora… peculiar. Já nos seus 50 mascava uma pastilha, como quem rilha um rojão. O maxilar inferior por pouco não roçava nas ancas da dita senhora, ou batia na mesa onde nos sentámos. Senti-me constrangido. Pedimos a lista das cervejas e lá estavam mais de 100 títulos, qual lista de dvd’s piratas que o empregado de escritório comercializa entre colegas. Com capa a cores e tudo. Eu e o Tomi escolhemos pela coluna da direita: 11º pareceu-nos bem. O Jony ficou-se por uns tímidos 9º. Veio o néctar trapista da Bélgica, de sua graça KasteelBier. Viscoso, escuro. No primeiro trago veio-me à memória um antitússico da infância: Fluidin! Tal e qual. A textura viscosa na língua, o travo dulcíssimo da última golada, a cor. Eu já tinha bebido aquilo antes da minha primeira comunhão! O Tomi ria-se e eu também mas, perseverantes, fomos até ao fim. Mais que perseverantes, reincidentes e estúpidos, avançamos para a segunda toma do fármaco disfarçado de cerveja. Como diz o meu progenitor, repetindo uma frase que aprendeu lá no seu alto Xingu natal, “pancada grande é que mata a cobra!”.
Saímos. Dormentes, pareceu-me. À bica da Avenida da Boavista lá estava a loja de decoração de interiores do nosso amigo arquitecto José António Andrade. Era uma da manhã e ele ainda decorava. Fomos cumprimentá-lo, como mandam as regras da boa educação, e mantivemos um diálogo interessante. Lembro-me de falarmos das águas do Dubai a 37º. Mais valia mergulhar numa canja de galinha virgem!
Seguimos e passámos em frente ao Portobeer. E um pica-pau agora, que tal? Com cerveja normal é claro, nada que tenha de passar antes pelo controlo da apifarma!
E assim acabámos. Atracámos em Porto conhecido e seguro, saciando o apetite e voltando aos sabores tradicionais do malte. Ainda bem! Depois daquela cerveja trapista, muito se explica sobre os hábitos dos belgas…

29 outubro 2006

Pequenos gestos

É nos pequenos gestos que encontramos por parte do nosso semelhante o afecto, o carinho e a ternura, que nos aquecem a alma e que nos transformam em pessoas mais fortes, mais sensíveis e mais felizes.
O ensaio corria bem. Estávamos a relembrar o Primeiro Dia do Mundo para em breve o apresentarmos, quando foi detectado um erro. Nem eu, nem o Miúdo, nem o Tomi tínhamos cantado uns aahhhss lá do meio, talvez por um síndrome de esclerose grupal e simultânea. Todos se esqueceram menos o Jony que interrompeu, e bem, logo a cantoria. Explicou-nos o engano e recomeçámos de um ponto intermédio. Voltando a passar pela zona do erro, sai tudo na perfeição e uma reacção primária do nosso colega vem à tona: desata a distribuir pequenos gestos, como se de cartões amarelos ou vermelhos se tratassem, premiando todos os presentes e agora que se torna público também os ausentes. Quando se lembrou que a máquina estava ali pousada a gravar ficou arrependido e tentou que não se publicassem estas lamentáveis imagens.
Chamo a atenção para a realização: o Vilhas aparece reflectido no espelho. O Miúdo nem aparece. Cinema Europeu do século XXI.


Guerreiro espacial

O aparecimento do blog espicaçou-me uma veia arqueológica. Coisas que há muito julgava perdidas têm aparecido fruto da minha perseverança perante as caixas e sacos de recordações que tenho por hábito guardar.
Hoje, como é domingo, é dia de raridades. Proponho a audição da versão de estúdio do Guerreiro Espacial, nunca antes apresentada. Estávamos em 1999 e tínhamos um projecto de disco e espectáculo à volta da ficção científica e dos seus ícones, de nome 2001 - a cappella no espaço. Por variadíssimas razões a ideia nunca passou disso mesmo. Alguns temas como este, o Per Stellas, a Pequena Jupiteriana e o Jacarépagunaminacajurapassu foram editados no nosso disco ao vivo “O Som Maravilha dos Senhores”. Outros nunca foram gravados. Outros ainda existem no papel mas nunca foram ensaiados.
Há neste tema uma invocação. Sempre fomos um grupo dado a alusões (o Mário quantas vezes nos apresentou como um grupo alusionista). Aqui incrustamos um homem que estava na berra por aqueles anos, Ricky Martin. E citámo-lo na música quando se diz “La vida es competicion. Hay que ganar, ser campeon”, pérola esta extraída do tema oficial do Mundial 98. E é desta transversalidade cultural que se faz o futuro, amigos.

28 outubro 2006

Redescobrir Jobim

Recentemente voltei a apaixonar-me por Tom Jobim. Porque sim. Porque toda a sua música faz sentido. Porque me faz lembrar Odeceixe e os loucos meses balneares. Porque ele consegue chegar ao íntimo de uma forma tão natural como poucos conseguem... Porque com apenas uma nota faz sambar o violão (por acaso são duas, mas tudo bem). Por todas essas razões e mais algumas, parecia-me bem tentar fazer algo dele a cappella. O problema está escolher apenas uma que consiga representar toda a sua genialidade. Ajudem-me a escolher:
  • Canção do amor demais
  • Águas de Março
  • Canção em modo menor
  • Chega de Saudade
  • Modinha
Tenho tendência para escolher as mais deprimentes, mas podem escolher outras.

Portugal Fashion

Esta semana decorreu mais um Portugal Fashion. Infelizmente nenhum de nós marcou presença no desfile do nosso amigo e estilista Nuno Gama. A vida não o permitiu.
Em 1997 os Senhores desfilaram na passerele. Foi um momento inesquecível da nossa carreira pois nunca tínhamos estado em camarins tão bem frequentados. Atrevo-me mesmo a dizer que qualquer mártir de Al Aqsa não encontra melhor ambiente depois de se estourar num autocarro de Jerusalém. Nós, naquela noite, estivemos no paraíso rodeado de anjas (não esquecer que a organização é da Anje) que seguramente têm sexo e ainda bem. Passámos pelo David Charles (o Martini Man), o Mark Vanderloo e estivemos na mesma linha que a Karen Mulder.
Porto Sentido foi a canção que abriu o desfile e para cantá-la nada melhor do que a companhia do Rui Veloso. Aqui fica para quem não viu ou já não se recorda.

27 outubro 2006

Data a assinalar

Os nossos ensaios costumam ser produtivos. Pelo menos, estes últimos. Mesmo com o tempo chuvoso a dar cabo da motivação, ontem realizou-se mais um. Foi curto, por uma razão em especial: Joca celebrou uma data importante da vida dele. Confesso que me esqueci. Joca relembrou-me ao seu jeito, de uma maneira carinhosa e fresca: "Seu vorras, há cinco anos estavas a encher o bandulho à minha pala!" O tempo passa e nem se dá conta dele passar... Depois do ensaio, os três meninos casadoiros foram festejar, eu não tive direito à festa porque ainda não faço parte da Brigada do Reumático. Mesmo assim Joca, parabéns, a ti e à tua senhora. Se alguma vez ela te chutar para canto, não te esqueças de me convidar para a festa (agora está na moda), sempre é mais uma para encher o bandulho.

26 outubro 2006

A estupidez não tem limites

Finalmente acaba aqui a saga dos videos feitos no camarim da RTP. O melhor fica sempre para o fim... De lamentar a chamada de atenção que se ouve no fim, pela senhora que estava na sala ao lado, a arranjar a roupa dos artistas.


Ideias dos outros

Quantas vezes nos acontece pensarmos em algo que achamos terrivelmente original e depois olhamos para o lado e já alguém se adiantou a nós? Comigo este fenómeno é recorrente. E não apenas a nível musical.
Por falar em música, aconteceu-me esta semana estar a descobrir um velho disco do George Harrison, coisa para ter sido gravada nos anos 70, e ter esborrachado a cara num tema cujo começo é tal e qual o nosso Tua Natureza do disco Mulheres. Se alguém ouvir, vai logo pensar que se trata de um flagrante delito de ideia musical, mas a verdade é que não me lembro nunca de ter ouvido aquilo antes. Se ouvi, foi mesmo lá no meio dos 70's. Nestas coisas prefiro ser místico e acreditar que recebi um encosto do espírito do Beatle discreto que assim, pela voz destes humildes servos, quis dizer ao mundo que afinal vive! (que lindo, My sweet Lord!)
Uma ideia em que o tempo de execução me deixou de lado, foi a criação do prémio para o Pior Português de Sempre. Assim que num zapping apanhei a sodona Elisa naquele patético programa/concurso lembrei-me de avançar aqui no blog com o desafio de escolhermos o pior. Esse sim é o que interessa. Para mim, o principal concorrente era mesmo o tipo que resolveu fundar um país num quintal galego. Mas não é que o Inimigo Público e o Eixo do Mal da Sic Notícias já lançaram este repto? Ultrapassado, amigos, foi como me senti.
Uma ideia que não tive, nem acho que alguma vez teria, mas que considero genial é a que podem encontrar neste link. Desde o nome do blog, passando pelas fotos e terminando nos textos, considero tudo de muito bom nível. Mesmo não sendo muito ligado ao fenómeno da bola já tinha sido confrontado com o estilo de cabelo do Paulo Bento. Julgo até que o pior dos amblíopes consegue assustar-se perante tão grotesca visão. O aproveitamento deste tema para mais um concurso parece-me de facto uma excelente ideia. Juntando concursos porque não criarmos o pior português de sempre com corte à Paulo Bento? Dá que pensar.

25 outubro 2006

Citação V

No passado dia 23 de Outubro, durante o ensaio, Rui Vilhena dialogou assim com os seus inefáveis amigos:

24 outubro 2006

Macau - 10 anos

O trânsito matinal ajuda-me a mexer nas memórias enquanto tartarugamente me arrasto pela VCI. Hoje dei comigo a pensar que exactamente há 10 anos estava longe das filas intermináveis, longe desta chuva e deste vento e longe dos tipos que à minha frente iam dando uns toques para atrasar ainda mais o tráfego e poderem usar aqueles ridículos coletes verdes com o fatinho e a gravata a espreitarem por baixo.
Foi nos últimos 15 dias de Outubro de 1996 que estivemos pela primeira vez em Macau. Foi aliás a nossa primeira grande viagem. Já fiz aqui uma referência a esta nossa cruzada. Muita expectativa, muita animação, muito jet lag, noites que eram dias e dias que continuavam a ser dias. Disse o Jony na altura, que não precisava dormir muito, porque os colchões eram muito bons. Fiquei com essa na cabeça e até hoje não percebo bem o que quis dizer. A verdade é que andávamos sempre juntos (valendo-nos na altura um epíteto muito bonito por parte do Rui Veloso, mas que não vou aqui escrever) passeando de noite e dia, vendo tudo que havia para ver, visitando tudo que havia para visitar. Não perdemos a chance de entrar na China, nem de fazer compras em Hong-Kong.
Temos dezenas de histórias. Se calhar até centenas. A que vou contar agora, passou-se comigo, com mais gente das Vozes (não consigo lembrar-me quem, provavelmente todos) e com o Carlos Guerreiro dos Gaiteiros de Lisboa.
Os chineses têm a mania de vender comida nas esquinas das ruas. Fazem lá umas viandas que nenhum ocidental sabe o que é, e vendem a quem as quiser comer. Estávamos parados à espera do verde para os peões e lá está nessa esquina um chinês a preparar um cozinhado com uma cor esverdeada e aos nossos olhos pouco saudável. O odor era o típico cheiro a molho de soja. Bem mais saudável foi o verde do semáforo quando abriu e pudemos abandonar aquela improvisada cozinha de rua. Íamos a atravessar quando o Carlos grita para nós: “estes gajos comem cada merda!”. Mais à frente um chinês, dos poucos que articula umas palavras em português, entre duas dentadas no preparado alimentar que tinha acabado de comprar elucida-nos: “Non é melda! É galinha!”
Nunca tentar perceber o que se vai comer! Técnica usada por nós: apontar para os caracteres que pareciam mais afáveis. Depois é sempre uma agradável surpresa.

Para que não se julgue que não houve trabalho. Cá estão os senhores em pleno ensaio de som antes do concerto (que gostava de dizer o nome da sala mas o Alzheimer hoje está muito meu amigo).

Mais um ensaio

Antes de adormecer, e como é hábito meu, fiz zapping... Estava a dar um episódio do Sex and the city. Deixei estar. Basicamente o episódio retratava encontros amorosos que não davam certo porque um dos elementos do casal era esquisito, mesmo paranóico. Fiz a transposição para este grupo... Pelos cardápio de videos que temos no blog, devemos ser também paranóicos. Será que para atingirmos a fama internacional ou até mesmo a nacional, precisaremos de tomar algum tipo de remédio/xarope? Será que a partir do momento que fizermos tratamento, seremos convidados para o BigBrother Famosos ou para o Dança Comigo? Até ter alguma resposta, o mais provável é continuarmos na demência. E temos todo o gosto em partilha-la aqui. E só aqui.