09 outubro 2006

Rescaldo dos Ratinhos


Palavras para quê... No fim do espectáculo há sempre espaço para tirar a bela da foto. Eu, músico do sec. XVIII, rodeado de ratinhos... O que se pode mais desejar nesta vida?Agradecimento especial aos pais dedicados, pela disponibilidade infindável, e ao P. Guilherme pelas fotos. Tomara as vozes terem produções deste calibre... :P

08 outubro 2006

O Lula não entra aqui!

Já aqui tenho zurzido algumas vezes no Brasil e seus filhos. Não é nacionalismo exacerbado. Antes pelo contrário. É um sentimento contraditório. Para que conste, sou filho de pais que lá nasceram e cresci a numa mistura de verde e amarelo com vermelho e verde, de feijoada à brasileira com feijão vermelho de Trás-os-Montes, de leite de onça com aguardente do Minho.
Por isso fico desgostoso, irritado até, quando vejo que a música de rodízio, as duplas sertanejas e os românticos bregas são para muitos o símbolo único da MPB aqui em Portugal. Sobrevivem os Caetanos, os Chicos, as Marisas, os Baleiros e poucos mais que felizmente ainda por cá se ouvem.
Do que já passou, então nada se sabe. Muito poucos ouviram falar na Legião Urbana e em Renato Russo. Por aqui fica uma mistura entre São Paulo, Camões e o próprio Renato. Que eu saiba, não houve até hoje nenhum português a tratar de forma tão natural Camões num contexto pop/rock.
O Brasil é muito mais que Collors, Lulas, corrupção, droga, prostitutas em Bragança, IURD, Pe. Frederico, futebolistas, fome e favelas. Ainda bem!

Memórias de Infância

Ontem, o espectáculo dos Ratinhos correu muito bem. Pelo menos, foi o que senti, baseado no que pude ver e ouvir. Os alunos conseguem sempre surpreender em momentos de enorme tensão. Geralmente pela positiva... O auditório estava cheio, as crianças contentes, mais uma vez fez-se a festa da música. Uma bela produção. E para não baixar a fasquia a que os pais se vão habituando, toca a pensar em mais coisas bonitas para se fazer. Então fui procurar pautas esquecidas, pesquisei na Internet por algo que conseguisse motivar tanto como os arranjos divertidos do Mozart… como o Natal se aproxima, seria engraçado montar algo relacionado com a altura, mas é “mais do mesmo” que se costuma fazer… depende também da abordagem que se faça. Enquanto ia pensando, começo a ouvir algo familiar. Tentei seguir o rasto da música que ouvia. Deparei com a minha mãe a fazer o que todas as mães costumam fazer: mostrar o nosso passado à namorada. Desta vez não fiquei muito envergonhado… estava a mostrar um pouco do que eu ouvia quando era “piqueno”. Que saudades de ver e tocar num vinil, já há muito tempo que não tinha esse prazer. E então, o que todos estávamos a ouvir? O JARDIM JALECO!

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Que saudades... de ouvir o guarda Ezequiel, o elefante D. Henrique, a serpente Serafina, o jacaré Casca Grossa (o meu preferido! Ah, fadista!), o hipopótamo Aristocrata, o burro Adalberto, o sapo Baltazar (de todos, foi o que safou melhor, agora tem contrato com a PT), a rã Henriqueta e o Popas, o papagaio! Os meus amiguinhos decidiram visitar-me de novo, no velho gira-discos do papá, e encantaram-me tal e qual como da primeira vez que os ouvi. Dei por mim a pensar que, provavelmente, o Jardim Jaleco foi o propulsor e catalizador da brilhante carreira musical que tenho. Pelos vistos devo essa tremenda façanha ao Carlos Mendes, Joaquim Pessoa e Júlio Isidro pela Autoria, à Maria José Guerra pela narração e ao Pedro Osório pela direcção musical. Mesmo sendo antigo, considero um trabalho actual, muito por "culpa" da qualidade que lhe imprimiram. A fazer ver a muitos cds de música para crianças que por aí se fazem, demonstrando que, apesar de terem acesso a todos os meios de gravação e produção que hoje existem, a qualidade dos mesmo tende a ser duvidosa.
Então, a resposta às minhas preces está em algo que já ouvia há muitos anos atrás. Ainda vou fazer um musical, à custa deste disco. Em memória dos bons velhos tempos! Meninos, preparem-se, vamos ter muito trabalho pela frente…

Há Homens, ou quê?

As Vozes da Rádio podem ser divididas segundo vários critérios: vozes graves e agudas, europeus e extra-europeus, caucasianos e sub-saharianos, fortes e menos fortes e tantas outras, que a imaginação nestes casos é bem fértil. Há no entanto uma divisão natural que há muito se acentua e que parte este quinteto em dois: os Homens e os meninos. Os Homens são aqueles que já geraram vidas, que enfrentam as batalhas gastronómicas sem temores, que dormem 5 horas e fartam-se do colchão, que não têm hora para dormir, que distinguem as castas dos vinhos só pelo aroma do néctar, que não viram a cara ao fumo quando ele é de qualidade, que acreditam que melhoram a qualidade vocal com um digestivo da casa. Este grupo preponderante para o normal funcionamento do quinteto é também conhecido pelo Núcleo de Agosto, pois os seus três membros escolheram o mês do Imperador Augusto para darem início ao seu brilho terrestre. 10, 13 e 14 para quem quiser saber, do mais velho para o mais novo.
Depois de uma viagem a Lisboa para debitar um playback de 3 minutos nada como a recuperação das forças num café mítico. O café Cenáculo. Mas é claro que só pensa assim, quem faz parte do grupo dos Homens.
O Cenáculo é desde há anos o ponto de encontro das Vozes. Graças à pressão do nosso fiel amigo José António, o Cenáculo passou a ter percebas e tremoços de há uns tempos a esta parte o que torna as saídas nos meses quentes mais agradáveis. A escolha deste café – snack-bar é óbvia: se serviu para Cristo e os apóstolos se reunirem, porque não serviria para estes 5 humildes pecadores mais tripulação se arrebanharem antes das viagens?
Pois bem, os Homens do grupo lá foram às quatro da tarde (o almoço praticamente não existiu) afiambrar uma francesinha que ao sábado é merecedora de benesses por parte do café e só custa 3,99€. O Cenáculo tem destas coisas. Promoções alimentares. Feiras de Marisco. E tem um lema que muito nos intrigou durante algum tempo: “Café Cenáculo, sempre na vanguarda da frente!”. Depois de muito pensarmos no verdadeiro significado de vanguarda da frente, reparámos que também nós somos um quinteto que está na vanguarda da frente… bem isolado na liderança, tão distante que ninguém repara nele.
Que dizer das francesinhas da nossa segunda casa? O melhor pelo preço. Justo, muito justo para aquilo que se pratica no mercado. Quanto ao paladar distinguiria o nosso comer com um regular. Nem mais, nem menos. Uma francesinha regular. A cerveja também merece nota positiva não atingindo porém a pujança daquelas que são tiradas na Galiza (sem dúvida destacada na vanguarda das cervejas de barril). O atendimento é aquele a que já estamos habituados. Somos da casa, tratados como tal. Há ainda a registar neste campo um reforço do staff, com uma menina que tem pedal para rapidamente se distanciar do pelotão e chegar à frente… à vanguarda da frente!

07 outubro 2006

Aparições Televisivas II

Como anunciado anteriormente, os meninos deslocaram-se à capital para mais uma aparição televisiva, daquelas que toda a gente sabe e toda a gente vê. No entanto, o que se esperava ser "apenas" mais um contributo musical extrapolou-se para outras áreas igualmente artísticas - as artes plásticas! Confundidos? Vamos por partes...
O início da viagem deu-se às 8:45, 45 minutos depois da hora inicialmente marcada. Felizmente o Tomi conseguiu chegar com menos de uma hora de atraso, que é mesmo coisa rara. Anda a esforçar-se, o rapaz. Tanto que até lhe crescem coisas estranhas nos olhos... Adiante...
Paragem obrigatória em Leiria, para visualização de revistas de referência, vazamento de líquidos e ingestão de qualquer coisa que engane a fome. Os barbudos e colegas lambareiros foram num geladinho, enquanto eu fui numas bolachinhas com passas e suminho de pêra.


Com bolsos mais vazios e barrigas mais compostas, rumámos para Lisboa, mais propriamente para a Pontinha, onde fica situada a Casa do Artista. Chegados ao local, dirigiram-nos para o camarim, onde nos equipámos. Acabámos por ser solicitados por uma menina muito simpática (apelidada de “menina dos guaches”) para contribuir com um desenho, uma pintura, uma frase, ou algo do género, tendo como suporte uma placa de gesso cartonado. Perante as indecisões naturais de “o que fazer no raio desta parede” Joca tomou o leme à situação, ajudado pelo ar de comprometimento dos seus colegas de grupo, e começou a pintar. Amigos, o resultado é indescritível… Imagens que valem mais que palavras…


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Joca iniciando o trabalho artístico. Pode notar-se uma forte influência na corrente "Pistas da Blue", série da qual é grande admirador e consumista.


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O resultado final. Reparem bem na mistura de cores, tão bem combinadas. Da associação do traço artesanal ao conceito de grupo musical... Do endereço do blogue, que tão bonito ficou, apesar do Jony ter detestado. Gosto particularmente das assinaturas, que prefiguram tão bem os nicks blogosferáticos.

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Os meninos junto ao seu trabalho. De todos os sarrabiscos, os nossos são os mai'lindos, não são? Mais dia menos dia a Paula Rêgo descobre-nos e ainda nos delega o importante cargo de "grupo residente" da sua futura casa (essa sim, projectada por um verdadeiro artista do norte, Souto Moura)

Depois deste momento brilhante, lá cantámos um bocadinho. 600 kms para cantar o "Tu lês em mim", pareceu-me muito bem. Depois combinámos em encontrarmo-nos de novo com a menina dos guaches, para uma brincadeira (desta vez musical), mas infelizmente as saudades do Porto falaram mais alto. Pedimos desde já desculpas à menina que ficou pendurada, com o microfone na mão (para entrevista em directo).
A viagem de regresso foi uma verdadeira epopeia. Não só porque fui a guiar o naco de tecnologia do Jony, mas também por tudo o que se disse. O Joca sugeriu começarmos a gravar as viagens, para não perder pitada do que é dito. Eu concordo. Principalmente para não perder o registo que tem sido aqui apresentado.

06 outubro 2006

Multibanco já ali

Esta história tem dois, três meses. Às vezes dá vontade de variar. Sair da rotina, dar um pulo até ao desconhecido e assim oxigenar o dia. Foi o que fiz no final do ano lectivo passado. Farto da rotina de comer onde costumo recuperar forças, rumei um pouco a sul e tentei num qualquer bar junto à praia a refeição para aquele dia. Olho para a carteira que apresenta o aspecto usual, sem dinheiro. A fome era já grande. Procuro um Multibanco. Acreditei que na marginal tinha de haver um Multibanco, afinal ali faz-se turismo. Avisto um Totta ao fundo. São as cores do Totta. É um banco, nada que enganar. Avanço já de cartão nos dentes… eis com o que me deparo:Esmoriz é a terra. Privilegiada é certo, pois em mais nenhum lugar do mundo há um tuttipromo. Melhor que o estabelecimento só mesmo a criatividade do designer que propôs esta imagem e estas cores para a loja. Afinal não foi Stravinsky que disse que genial é aquele que rouba?

Sugestão para fim-de-semana

Depois da já anunciada aparição televisiva dos meninos, regressaremos à Invicta, se Deus assim permitir. Seguirei directo para Vila Nova de Famalicão, mais especificamente para a Casa das Artes, onde se realizará um musical infantil belíssimo, chamado "Os Ratinhos da Família Mozart". Trata-se da história da vida do famoso compositor, contada por uma família de ratinhos que habitou a sua casa há muitas gerações atrás e que passou o testemunho aos seus descendentes. Os ratinhos aproveitam para cantar várias melodias mozartianas, com algum humor à mistura. Quem não tiver que fazer amanhã, e não veja onde gastar 2€, mais vale pegar nos miúdos e ver outros miúdos a trabalhar no fim-de-semana. Pode ser que lhes sirva de exemplo. Ou então que fiquem sensibilizados para a música. Sempre não era um fim-de-semana mau de todo. Amanhã, 18:30, Casa das Artes, Vila Nova de Famalicão.

Citação IV

No dia 2 de Outubro do ano de 2006, Vilhena no meio de muito impropérios, disse em pleno ensaio:

05 outubro 2006

Ca(u)sa do Artista

Admira-me a perspicácia e sentido de oportunidade do sr. Artista, proprietário da casa homónima... Organizou uma festarola para sábado, da qual participaremos de forma graciosa, e que, segundo a RTP, será "Uma emissão especial (...), que pretende sublinhar o papel e a intervenção dos artistas na vida do País". O programa chama-se Ca(u)sa do Artista. A mim não me enganam eles. O sr. Artista conseguiu prever a 5ª subida da taxa de juro, desde que o ano começou, e com esta visibilidade toda (8 horas de emissão) deverá angariar dinheiro suficiente para manter a sua casa jeitosa durante, pelo menos, um bom par de anos. Os meninos encantarão entre o meio-dia e a uma da tarde. Desenvolvimentos da festa no Domingo, aqui, num blogue perto de si.


Na sapatilha!

Aqueles que me conhecem sabem que sou um indivíduo sério, bem formado, que não entra em brincadeira brejeiras, nem tropelias tontas. A vida pode ser divertida sem ser preciso recorrer à gargalhada gratuita, à partida degradante. A fruição da Humoresque de Dvorak ou de La Revue de Cuisine de Martinu chegam e sobram para acrescentar diversão às batalhas que travo no dia-a-dia.
Outros porém não pensam assim. Chico escreveu e Caetano cantou “Deus é um cara gozador, adora brincadeira…”, numa clara provocação sem piada. Outros ainda gozam com os vindouros. Os pais da Maria das Neves ex-primeira ministra de São Tomé e Príncipe baptizaram-na com uma alvura que não condiz com a tez. Só para gozo, já se vê. E por falar nisso, que dizer da Clara das Neves com os seus 7 anões de um filme brasileiro, com uma morena de, como diz o Monge, fechar o comércio à hora de ponta? E as cenas com os liliputianos? Chacota amigos! Chacota que, definitivamente, não faz parte de mim.
Neste grupo há-os capazes de gozarem com este e com o outro mundo. A história que vos vou relatar perde-se na minha memória. Não sei quando foi, onde foi. Sei que, como é hábito nesta seita, dois instigadores do mal vasculhavam a carteira do Vilhas nuns camarins, onde esperávamos pelo início de mais um concerto, enquanto este se encontrava ausente. É recorrente. Tenho constantemente a minha vida devassada pelos meus colegas que ora pegam no telemóvel para lerem as mensagens, ora pesquisam no meu portátil aquilo que lá tenho, ora ouvem as minhas conversas ao telefone. Tudo fica a descoberto. Eu vi-os na função de tirar e por cartões, contarem o dinheiro e acabei por virar a cara e as costas por pudor e em acto de reprovação. Não posso pactuar com isto!
Passado algum tempo, semanas talvez, recebo uma chamada do amigo Vilhas. Era domingo de tarde e estava um dia agradável. “Ó Joca, quem me tirou o cartão do Porto?” disparou o sub-sahariano como se (vede do que a mente humana é capaz…) eu tivesse algo a ver com o desaparecimento do cartão de sócio cativo das Antas. “Eu estou aqui à porta das Antas e não me deixam entrar porque não encontro o cartão!”. “É racismo, Vilhena” ainda brinquei, mas ele não estava para isso.
Telefonei ao Jony e ao Tomi na tentativa de ajudar o belfudo africano. Nenhum deles sabia de nada. Negaram como Pedro e ainda para mais o galo nunca mais cantava para se sentirem arrependidos.
Passados dias alguém se lembra. “Ó Vilhena, ora vê debaixo da palmilha da tua sapatilha!”. Lá jazia o cartãozinho com foto e tudo. Afinal o Vilhena tinha levado o cartão à bola. O que ia era no sítio errado. Devia ter procurado melhor…

A verdade é que não sei quem escondeu o cartão ao pobre Vilhas. Mas tenho a certeza que no meio desta multidão fotografada na Ilha de Santa Maria durante as marés de Agosto de 2003 estão os dois responsáveis pela facécia!

04 outubro 2006

Canções de Amor

Na minha cuidada análise ao último número da "Dica da Semana", jornal de referência no bairro onde moro, vislumbrei, tanto na primeira página como também na página das Personalidades, o nosso colega de profissão - Mickael Carreira - filho do outro Carreira, esse bem mais badalado. Como filho de peixe sabe nadar, pensei que, para além de saber cantar, para além de ter uma legião de fãs e para além de ter um aspecto lavado, o repertório também seria idêntico ao do Tony: baladas, canções de amor e afins. Pelos vistos enganei-me redondamente, pois ele define o seu primeiro trabalho discográfico (que já alcançou 50 mil vendas - dupla platina em 5 semanas) como sendo um album com uma sonoridade pop/latina. Mesmo tendo alcançado esse número de vendas, penso que se tivesse optado pelo estilo romântico do Tony, provavelmente os números triplicariam. E foi aí que me lembrei que se calhar o futuro deste grupo pode passar por aí... por um disco de músicas românticas, versões acappella de músicas que ficaram gravadas no nosso íntimo por marcarem os momentos mais significativos: o primeiro olhar, o primeiro beijo, a primeira namorada, a primeira no carro, a primeira amante, a segunda namorada e por aí em diante. Peço a ajuda de todos, que revelem a "sua" música, aquela música que, sempre que a ouve, o transpõe de novo para o momento lindo que viveu outrora. Desde já, obrigado pela colaboração.

03 outubro 2006

Boas notícias

Entre 6 e 27 de Outubro vai ser possível morrer sem barreiras nos estabelecimentos prisionais de Matosinhos. Foi pelo menos isto que eu li num cartaz que anuncia as actividades para o mês 10!
Depois informei-me melhor e soube que vão ser feitos workshops, conferências e masterclasses sobre as boas formas de morrer numa prisão.
Além de uma distribuição de seringas infectadas, o que permite a poupança de alguns tostões no investimento que é feito em guardas prisionais, há uma expectativa enorme na vinda de um feiticeiro Zulu, que é mestre em mutilações. Doutorado em excisões, trás com ele apenas um x-acto e espera-se o corte das suas próprias jugulares.
Ponto alto será um seminário de seis horas com um mestre da tortura. Este popular cançonetista irá interpretar os seus melhores êxitos já registados ao vivo no pavilhão atlântico.
Parabéns a quem teve tão brilhante ideia… Já agora precisam de um revisor?

Não está muito visível mas o cartaz diz JAZ SEM BARREIRAS - estabelecimentos prisionais de Matosinhos. Não restam dúvidas, vai ser uma festança!

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades


Felizmente o Eusébio mudou para um clube de jeito. Em jeito de mudança, proponho que se adapte o hino do Benfica para uma das quatro versões que arduamente criámos, aquando a feitura de mais um programa do Dia dos Senhores, na Rádio Nova, programa esse dedicado ao telemóvel. Dedico particularmente esta versão a todos os que já foram brindados com uma multinha da BT, por falar ao telelé enquanto conduziam.


Já saiu


A princípio julguei que se tratava de um livro sobre os últimos dias de Pinto da Costa e da consequente queda do Império Portista, mas depois de ter andado a bisbilhotar nos blogs do autor descobri que não é disso que aqui se fala.
Pois é, O Último Papa já saiu e promete ser um sucesso mundial. Não posso garantir desde já que é um excelente livro mas tenho dados objectivos que me apontam para esse caminho:

- O autor é português e conseguiu colocar o livro em praticamente todo o mundo durante a Feira de Frankfurt, mesmo antes de negociar com uma editora portuguesa;

- É nortenho tendo nascido no berço dos maiores, o Porto;

- Vai seguindo desde há anos as Vozes da Rádio;

Vou comprar e ler assim que possa. E claro… boa sorte Luís!

Muito más ideias

Voltei a ver este fim de semana na televisão. Aquilo que me tinha saltado à vista há umas semanas atrás e que julguei ser uma alucinação minha, confirmou-se.
Nada tem de ideológico, nem sequer de pessoal, mas parece-me de muito mau gosto por o Dr. Marques Mendes num palanque que diz Pensar em Grande. Pior mesmo é o painel atrás: Crescer 3%... Quem é que tem estas ideias? Para quando o Dr. António Vitorino num enorme cartaz com a frase À Altura das Necessidades?

02 outubro 2006

Dia Mundial da Música III

Como apanágio deste dia, passei-o efectivamente a fazer música. De manha participei num workshop de percussão na Casa da Música. Só quando lá cheguei é que fui informado que o workshop era direccionado para crianças até 6 anos... Mas deve ser do meu nick, ninguém deu por nada. Fim de tarde, cantei num grandioso concerto coral, em Vila da Aves, onde trabalho diáriamente. Dou os meus parabéns a todos os coralistas que participaram, por terem tornado um dia chuvoso num serão agradável. Beijos e abraços do "responsável"! :D

01 outubro 2006

Dia Mundial da Música II

Olá.

Este ano comemorei de forma diferente esta data tão querida. Comemorei no dia 30 de Setembro, e não a tocar, mas a recitar poesia. Pelas 21.30 na Biblioteca Municipal de Lousada, fez-se história. Nunca José Régio foi declamado (Pequena Sinfonia) de forma tão apaixonada. Um momento único, brilhantemente acompanhado ao piano por Jorge Miguel Ferreira, voaram palavras belas pelos salões da biblioteca. Foi um recital conjunto com outros apaixonados pela arte, mas que deixa antever um recital a solo do vosso amigo, quem sabe com os poemas que partilho aqui, quem sabe no Coliseu, quem sabe no Pavilhão Atlântico.

No regresso a casa, apesar de exausto, por causa da entrega ao José, vinha eu a conduzir com Jorge Miguel Ferreira a meu lado, quando se atravessa um Mercedes de matrícula alemã, que quase ia acabando com a carreira promissora do vosso querido. Devia ser o meu bom amigo Guillermo Luciernaga, nascido no Chile, e sem dúvida seguidor de José Régio.



EL SUEÑO DE ICARO


Volar?
Aletear repetidamente,
estúpidamente
hasta el cansancio,
esquivando a bandazos el hoyo de ozono
para que la cera de las alas no se derrita
sobre nuestro pellejo.
Quién desea volar hoy por hoy?
De sólo mirar hacia arriba,
esa torta de merengue gris
que cubre el cielo de Santiago, da naúsea.
Nein, danke!
Yo sueño, por ejemplo,
con tener un Mercedes Benz,
sacarme muchas fotos sentado al volante
y enviárselas a Chile a mis amigos
para que sepan que en RFA no es necessario volar,
es cuestión de trabajar un par de años a la negra
estirando, a la vez, la manga a la Oficina Social
y, luego, echarse a volar,
pero sólo metafóricamente.

Dia Mundial da Música

Não podia deixar de ser assinalado aqui no nosso blog o Dia Mundial da Música. Este dia que é afinal o nosso dia, oxigena as nossas vidas para os outros 364 dias do ano. Neste dia todos se lembram de nós, das nossas necessidades, dos nossos problemas, dos nossos sacrifícios.
É exactamente por tantas vezes fazermos sacrifícios e passarmos necessidades que vos deixo aqui para audição uma das mais lamentáveis versões que fizemos no Dia dos Senhores.
Aquando das nossas estadas em Macau deparámo-nos com a falta de bidés nos quartos. Os chineses pura e simplesmente não os usam. Pior, têm umas sanitas com água até ao bordo, o que nos levou a supor serem vasos de duas utilizações.
Assim no nosso programa dedicado aos hotéis pegámos num clássico do disco-sound e construímos uma letra adequada. Para quem não sabe (este é também um blog de cultura) o born to be alive é o primeiro registo áudio da Madonna integrada nos coros, muito antes do like a virgin e pouco depois de o ter deixado de ser.
Atentem no final a cappella. É a cereja no topo do bolo. É uma adenda que nunca foi para o ar, pois tal como acontecia muitas vezes, alguém se desmanchou. Poucas ficaram guardadas. Esta felizmente resistiu ao terramoto.
Aprendam mais sobre o bidé clicando na palavra. É importante estar-se informado

Está vivo, o bandido...

Com que então acharam que o homem tinha morrido? Ainda para mais de tifo! Pelo amor de Deus, ou de Maomé, nunca um icon destes morre de tifo. Da mesma maneira nunca o Bill Gates irá morrer atropelado por um Uno 45. Não faz sentido nenhum.
Diz-se até que ele anda por aí bem perto, cantando e rindo, como se espera das boas pessoas. Ouvi até dizer que tem voz forte de registo grave, está mais encorpadito e tem feito umas sessões caseiras de bronzeamento. Não posso confirmar. É o que se ouve por aí…

Na verdade, eu não sei fazer caricaturas. O meu sonho mesmo era fazer uma que provocasse um incidente diplomático. Restam-me estas montagens foleiras até porque não tenho muita pachorra para estar ali pixel por pixel a aperfeiçoar a imagem. Ainda assim vou ver se consigo algo com isto. Alguém tem o mail da al-Qaeda?

30 setembro 2006

Comentários aos comentários

Há um mês atrás começámos esta aventura do blog. Sinceramente nunca fui de passear na blogosfera. Tinha visitado duas ou três vezes o Amorizade porque tínhamos sido referenciados e há sempre alguém que manda o link para leitura.
Assim e passados 30 dias bem contados devo dizer que estou surpreendido. Por um lado, o acto de escrever quase diário faz-me surpreender de mim próprio. Por outro as pessoas que nos lêem. Há gente que vem aqui visitar-nos, comer um pica-pau connosco, beber da nossa cerveja e até espreitar o nosso ensaio e isso é bonito!
No entanto, o que mais me desperta nesta aventura bloguista são os comentários daqueles que acrescentam brilho aos nossos escritos. Eu, que convivo com a minha estupidez há 38 anos encontro nestas adendas a força para continuar a ser estúpido e a destilar por aqui as imbecilidades que recorrentemente fazem parte de mim. Já pensei no tratamento, mas se é este o caminho vou evitá-lo!
Desta forma dedico este esgalhanço a uma resposta personalizada a alguns dos comentários recebidos neste mês.

Jacky – O mundo é pequeno! E não é que nos conhecemos há 20 anos? Excelente rever-te aqui e saber neste reencontro que quando me conheceste nos idos 80 achaste-me antipático e nariz empinado. Não te enganaste, não. Eu sou mesmo assim. Só faltou mesmo o arrogante. Se agora pensas diferente é porque provavelmente andas a ver pior. Um enorme obrigado pelas dicas técnicas para a construção deste blog.

Tany – Presença constante no blog e na vida das Vozes. Se um dia um disco nosso só vender uma unidade (também pouco mais vende) eu sei quem foi! É engraçado pensar que há 11 anos recebemos no nosso defunto apartado uma carta de Lisboa incentivando-nos. Era tua, lembras-te? Obrigado pela força ao longo desta fadistagem.

Alegrão – Logo à partida simpatizo com o nome. É como Prendas. São nomes positivos e festivos! Obrigado pelas palavras

Tita – Desde o Dia dos Senhores que nos conhecemos. Só não te perdoo o facto de não cantares publicamente. Sempre que falo nisso vens com a desculpa da tosse… é que cantas muito bem e o povo havia de gostar!

Aldina – Obrigado pelas dicas, pelas palavras, pelo teu blog e pelo teu fado! Até eu me converto!

Rui Santos – Bloga aqui amigo. E passa a palavra. Esperamos-te para uma francesinha… sem queijo! (isto lisboetas…)

Pessoal da tuna – Quem casa a seguir? Já agora quando houver um jantar alargado avisem. Como de costume é possível que não possa ir… mas pode ser que seja desta!

Gotinha – Obrigados pelos pingos. Também te frequentamos e gostamos!

São Rosas – vem-te aqui sempre que queiras.

Stef – Andas no carro do Miúdo? Preocupa-me isso…

Dulce – Já nos consegues ouvir? O problema é do file lodge. Alguém nos ajuda e diz outro sitio para alojar ficheiros áudio?

Cusco – Tu andas à espreita… deixa-me ter cuidado!

N. Carmen – se enquanto passeias ouves histórias interessantes, resta-me desejar que a tua vida seja um eterno passeio. Cheira-me que mereces! Já agora, está aqui a Deolinda a pedir para apareceres à gloriosa estreia dela. Depois anunciamos.

João Monge – Perguntas-me se as francesinhas engravidam? Como irmão mais velho ensinaste-me que as cegonhas vêm de Paris, logo…

Manuel Paulo – Que a tua cobra continue a assobiar, porque bem mereces. Quanto ao teu último comentário remeto-te para uma próxima resposta pública sob a forma de esgalhanço. Só espero um dia em que acorde muito bem ou muito mal disposto. Nesses dias a ironia é mais aguda e o cinismo mais ácido.

Mais havia a comentar e agradecer mas o escrito já vai longo. Tentarei daqui para a frente juntar ao esgalhanços seguintes os comentários que forem necessários.
E para terminar, tem sido um prazer esgalhar publicamente! Contem com mais!

País imaginário

Contaram-me uma história surreal que se passou num país imaginário. Num daqueles países onde ainda se arrolam criancinhas e desempregados para baterem palmas aquando da visita das pessoas muito importantes.
Pois bem, certa vez nesse tal país imaginário houve uma visita a uma pequena cidade de uma delegação que incluía vários ministros. Encabeçava a visita o primeiro, o principal. Era dono de estampa desportiva e bom ar. O mulherio suspirava por ele e as mais velhas adoptavam-no como o filho que gostariam de ter tido.
Ao entrar num salão, tinha à sua espera um jovem instrumentista que dedilhava com mestria uma guitarra, executando uma peça de enorme dificuldade. Ora o primeiro, muito dinâmico, brilhante e habituado a fazer muitas coisas ao mesmo tempo, nem deixou o mancebo acabar. A meio da execução dispara: “isso é muito difícil, não?”. O guitarrista imperturbável continuou. Mostrou que não está à altura dos desafios desse país. Tem de melhorar e ser capaz de tocar Tárrega, falar ao mesmo tempo com quem o ouve e se possível com uma vassoura bem incrustada varrer a sala. Assim será um homem de futuro!
Atrás vinha uma ministra. Sim, uma mulher, porque neste país imaginário há muito se cumpria a paridade. A senhora tinha habitualmente um ar carregado. Na verdade, nada devia à beleza, apesar de naquele dia ter posto uns andaimes por dentro dos lábios que lhe sustentavam um leve sorriso. Ouviu com atenção uma flauta. No fim, abeirou-se do flautista e perguntou-lhe as habilitações. “8º Grau? Então sente-se preparado para ensinar no 1º ciclo?”. Mais uma vez o nosso músico envergonhou a classe pois num rebate de honestidade disse: “Claro que não!”. A visita continuou, o séquito seguiu, os músicos arrumaram os seus instrumentos e voltaram acabrunhados. Tinham aprendido com as suas falhas lições de vida que escola alguma é capaz de ensinar.
Entretanto, tenho andado um pouco confuso… e acho que estou a confundir tudo. Na realidade acho que ninguém me contou esta história. Acho até que isto tudo se passou à minha frente há poucos meses atrás. Mas acredito que seja mesmo do cansaço, ando mesmo muito cansado...

Em Portugal este ano a Música passou a ser ensinada no primeiro ciclo juntamente com o Inglês e a Educação Física integrada em algo que se chama “enriquecimento curricular”. O processo de recrutamento de professores foi no entanto diferente: enquanto para Inglês e Educação Física se pedia uma licenciatura e a profissionalização, para Música o 8º grau de uma academia ou o 12º ano de um curso profissional chegava. A remuneração varia mas pode ser de 5€ por hora. Recibo verde, é claro! A formação de professores não foi feita, nem tão pouco existe uma orientação, um programa. Mas isso para que importa? Estamos todos felizes porque os nossos filhos já têm Música na escola! E que bom será ouvi-los já para o ano a brilharem no Festival da Canção Júnior!

29 setembro 2006

O Sr. Engenheiro não dorme

Já não tenho memória de participar num ensaio tão profissional como o de ontem. Músicas novas, pautas frescas, harmonias proibidas, um fartote. Por momentos quase me esqueci do prometido, do anunciado, da noção das horas, das responsabilidades do dia seguinte, da azáfama do quotidiano. Vacilei. Por pouco não tinha convivido com os meus colegas, na usual e salutar tertúlia que procede aos ensaios. Felizmente a razão falou mais alto (por acaso, quem falou mais alto foi o Joca, com a sua voz projectada natural). E lá fomos nós para o sítio eleito e prometido: PortoBeer.

É notória a preocupação estética da casa. Provavelmente é coisa de arquitecto. Os vidros de grandes dimensões, a mescla de materiais pouco usuais, porém bem combinados, e os focos de luzes estrategicamente colocados convidam um transeunte mais distraído a observar e os mais esfomeados a entrar. Lá dentro o rigor continua. Porém somos surpreendidos com a dimensão da sala. Bem maior do que aparenta exteriormente.

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Depois de nos acomodarmos, é pedida a papinha da praxe. Os meninos ficaram entusiasmados com o preço do picapau. Muito mais em conta que outros locais com pior aspecto já aqui observados por nós. Mas como sabem, isso não quer dizer absolutamente nada. É preciso provar, degustar. O aspecto é este.

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A famosa tosta de queijo também tem este aspecto.

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O que dizer do picapau? Só o melhor: boa carne, boa apresentação, dois tipos de linguiça, presunto do melhor, broa, molho apurado (os gulas pediram pãezinhos para ensopar de molho… pena os pães serem parcos).
A tosta de queijo estava muito saborosa. Fiquei com vontade de pedir outra, o pão estava fresquinho.

Confesso que não esperámos que este local servisse tão bem como nos serviu. Impeliu-nos a arriscar sobremesas. Até eu, que costumo abster-me do açúcar, fiquei com curiosidade em saber se o nível se iria manter. Em locais como estes, o provérbio “quem não arrisca, não petisca” assenta que nem uma luva. E a loucura foi feita. Foi pedido um leite-creme, uma mousse de chocolate black&white e uma tarte de amêndoa.

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Infelizmente, a fasquia estava demasiado alta, assim como as expectativas… Os doces ficaram fracamente aquém do esperado. O preço é desajustado para a qualidade e quantidade que nos foi apresentada. O Joca comentou que leite-creme estava bom, foi queimado na hora e provavelmente aquecido previamente no micro-ondas. A mousse de chocolate, pedida por mim, teve só uma particularidade interessante: toda ela era para se comer, pois a forma era de chocolate. Mesmo assim não convenceu. Porém o pior ficou reservado para o Tomi: na sua tarte de amêndoa sentia-se um leve travo a frigorífico. O Joca comentou o sucedido com o empregado que nos atendeu, acrescentando que, provavelmente, a tarte estaria a refrescar perto de uma pescada, no frigorífico.

Em jeito de conclusão, posso dizer que o PortoBeer foi uma agradável surpresa, e devido à sua favorável situação geográfica, deverá ser poiso frequente dos meninos, em próximo ensaios que se estendam mais que o habitual. Mais uma vez, um produto do Sr. Engenheiro com qualidade acima da média.


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28 setembro 2006

É o destino

O destino, por vezes, gosta de pregar umas partidas, só para tornar a vida mais interessante (e também menos prática). Eu gosto muito de sacudir a água do capote para cima do destino. Como o Joca teve oportunidade de relatar, todas as peripécias das quais fui sujeito, foram todas elas obra do destino. Este triste episódio ficou-me marcado principalmente pelo usurpanço do clarinete... E o destino mais uma vez foi cruel, principalmente no timming. Tudo se passou na noite de carnaval. Enquanto todos festejavam, alguém fez o favor de esvaziar o meu carro e consequentemente parte do meu ser, do meu passado, da minha identidade. Infelizmente (ou não), tenho poucas fotografias para relembrar o meu tão querido companheiro de aventuras, que tanta melodia soltou e que tantas horas de prazer me proporcionou. Um dos registos aconteceu durante a gravação do nosso último cd - Mulheres - enquanto gravava o solo de uma das músicas que o compõe.

A música em questão tem por título "Quando vocês se juntam..." Em verdade vos digo que, quando eu e o meu instrumento nos juntávamos, havia uma cumplicidade tão grande que tudo à volta deixava de existir. Penso que alguns entendem perfeitamente o que digo. Mas o destino não parou por aqui! Esta mesma música foi escolhida para fazer parte de uma telenovela, em horário nobre, ambientando todas as movimentações de uma determinada personagem. Quis mais uma vez o destino fazer das dele. A actriz que dava a cara pela música teve problemas pessoais e saltou na novela. Salta a personagem, salta a música também... deixei, por fim, de ouvir o solo do saudoso clarinete desaparecido, na pequena caixa que revolucionou o mundo. Resta-me olhar em frente, apesar de sentir que a ligação que tenho por ele permanecerá até ao meu apagar. E, se por algum acaso ouvirem algo parecido com este solo, fiquem desde já a saber que eu, por ironias do destino, já fui muito feliz com um.


27 setembro 2006

Papel higiénico

Este blog tem assumido muitas vezes um papel revivalista, como se de um livro de memórias se tratasse. Ora, nós ainda não morremos, ou pelo menos ninguém nos avisou de tal… por isso há que também ir abrindo um pouco as cortinas em relação ao que vamos fazer num futuro próximo, para os senhores leitores irem começando a poupar uns trocos e assim terem onde gastar uns míseros tostões daqui a uns meses.
Conta-se que certo dia John Lennon estava com os seus colegas de grupo num hotel. A certa altura levantou-se e disse: ”vou compor uma piscina”. Com certeza o que escreveu, deu para a piscina, para a casa que estava à volta, bem como para o carro.
Pegando na brilhante frase dele hoje posso dizer que compus um rolo de papel higiénico. Mais, como produzi mais do que um escrito musical, acredito que dê para um pacote duplo. Não do papel mais suave. Falo daquele folha única, rugoso e áspero que nos faz pensar logo em lixa de água. Acredito seriamente que hoje fiz música que vale um pack do pior e mais barato papel do mercado.
Então, e para desvendar um pouco mais, digo-vos que a “Deolinda, cara linda” viu pela primeira vez a luz no dia de hoje. É um tema que está ao nível do nosso pior, onde a imoralidade, a falta de vergonha e até a demência se cruzam num cocktail musical. É muito natural que figure no próximo trabalho das Vozes. A este futuro hit da decadência seguiram-se 2 pequenos apontamentos musicais: um estará disponível brevemente naquela que será a melhor página da web de um grupo a cappella português. A outra até já tem título: “Acalanto para o menino, depois de ouvir Marisa Monte” e foi resultado da batalha que enfrentei pouco tempo antes de me sentar aqui à frente do computador. Garanto-vos que é maior o titulo do que a música. Mas, modéstia à parte, até me soa bem.

O normal

Hoje, ao contrário do Jony, acordei feliz. Feliz, porque hoje é Dia Mundial do Turismo; porque ouvi um sr. na rádio a dizer que temos os melhores campos de golf do mundo; porque estive todo o santo dia na escola e, mesmo sendo o Dia Mundial do Turismo, saí de lá com um sorriso na cara. Vai daí, estou suficientemente feliz para escrever sobre o último ensaio, que não foi assim tão feliz como poderia ser... pois foi demasiado sério, demasiado extenso, nem tempo sobrou para apreciar uma boa cervejaria. Mas amanhã será diferente.

Do ensaio, ficou-me na retina a farta barba do Joca



O farto terçolho do Tomi (pode ser que ainda saque uma foto do terçolho a ser lancetado)

Os meninos do coro, a ensaiar a sério.



Amanhã há mais. Em princípio a festarola será no PortoBeer. Podem aparecer, aquilo é espaçoso. Ainda por cima o Vilhas não vai.

Poesia

Hoje acordei triste. Hoje é dia 27. Hoje é dia de IRS:
Para me alegrar, para me preencher, para amar de novo a vida, tive que procurar algo único e precioso, que gostaria de partilhar com vós.

Do grande poeta Esther Gress, nascido na pitoresca vila de Copenhaga, na Dinamarca, onde se notam grandes influências de Johannes Vilheelm Jensen, e principalmente de Juan Ramón Jiménez.




Ordet

De kan knaegte
det levende ord

De kan knuse
et levende liv

De kan aldrig
ta liv af Ordet

Vagina por cabeça

Olá.

Apesar do titulo, o que escreverei a seguir é de conteúdo inocente. Tudo se deve à minha avó materna, que desde cedo me ensinou a gostar da língua portuguesa, da leitura, da poesia...
Por isso, para cativar a atenção de uma criança ladina, ensinou-me vários jogos empregando palavras, como por exemplo trocar as consoantes, em vez de gato, ficaria 'tago', etc...

Hoje, proponho aos leitores o seguinte jogo:

Em vez de se utilizar a palavra cabeça, utilizar a palavra vagina.

Exemplos:

- O mais vulgar seria "Hoje estou com dores de vagina".
- Para os professores de matemática "Vamos fazer contas de vagina".
- Rachar a vagina.
- Coçar a vagina.
- O Zidane tinha mandado uma vaginada ao Materazzi.
- Aquele grupo famoso chamar-se-ia " Os vaginas no ar ".



Fico por aqui, gostava que mandassem mais exemplos, mais utilizações. Vamos fazer deste blog, um espaço para dignificar a língua portuguesa. Não vamos ficar dependentes da Bárbara Guimarães e do Diogo Infante, que são grandes vaginas na área, mas não são suficientes. Puxem pela vagina e sejam criativos. Aguardo.

26 setembro 2006

Jura

Em 1995 as Vozes da Rádio gravaram num disco colectivo uma versão do Jura. O disco chama-se Espanta-Espíritos e saiu por alturas do Natal. Quando fomos convidados para gravar neste disco a única regra que nos foi imposta é que a gravação e mistura durasse apenas um dia. Pensámos o que gravar e optámos por fazer uma versão deste tema que estava numa cassete que o nosso amigo Veloso nos deu com uma série de originais que ele nunca tinha gravado. O Jura tinha já sido editado pela Lara Li mas o Rui só o gravou anos depois de nós o termos feito.
Então fica aqui para ouvirem sem bolinha no canto. Para gravarmos esta faixa não tivemos de nos despir, nem rolar em secretárias e camas, nem mesmo ajoelhar. Apenas contamos com a co-produção do Mário Barreiros e do Carlos Tê. E sinceramente foi muito melhor opção.

Em memória do Vilhas

Os leitores mais atentos devem ter estranhado por ontem, dia 25 de Setembro, as Vozes da Rádio não se pronunciarem no seu blogue, como é costume. Alguns poderão ter pensado que finalmente ganhámos juizo e não iriamos escrever mais... Outros terão chorado amarguradamente por não terem a dose diária de insanidade. Não foi por esquecimento... muito pelo contrário! Foi pura solidariedade com o nosso colega de grupo, Vilhas. Ele anda revoltado com o blogue. Até certo ponto, compreendo a sua revolta. Ele é o mais maduro do grupo, tem visão de sábio, tipo avozinho. Para ele, o blogue não é mais que um prolongamento da nossa idiotice quotidiana. E não será esse o propósito? Como neto emprestado, tenho de o respeitar e tentar aprender, do alto da sua sapiência. Decidimos então não "postar" ontem. Desejo que este post alegre o Vilhas, e que ele se reencontre no silêncio de um dia que fica na história... Pelo menos na história deste primeiro mês de vida.

Sai um duplo

Noite negra para o futebol português... Porto perde fora, Benfica perde em casa... Longe vão os tempos em que festejávamos efusivamente vitórias em contexto europeu. Mesmo nesses momentos de índole mais desportiva, a nossa banda não ficou de fora. No ano em que o Porto conquistou a Taça Uefa, o sr. (A)Pinto "Dourado" da Costa fez questão que estivéssemos na festa oficial, no Casino da Póvoa. Fica o registo. ps: gosto muito do benfiquista a cerrar os punhos como se fosse o seu clube que tivesse ganho...

Citação III

A 25 de Setembro durante o ensaio e no meio de várias imprecações, Vilhas dixit:
"Não tarda nada este grupo está a ensaiar de bengala"

24 setembro 2006

Best Buyer Award

Continuo a sentir uma perseguição atroz que apenas se fundamenta na inveja e na ganância de alcançar o poder supremo a qualquer custo.
Refiro-me, é óbvio, às histórias mal contadas e às biltres insinuações que colegas meus aqui escrevem sobre a minha pessoa, comportando-se como aves de rapina em voo picado para bicarem uma presa que apesar de tudo está em grande forma para se defender.
Para equilibrar o barco aqui vai uma história real que tem como protagonista o já vosso conhecido Miúdo.
Não há muito tempo encontrámo-nos no aeroporto Sá Carneiro para mais uma saída. O normal entusiasmo destas viagens estava patente na cara de cada um de nós. Havia no entanto uma face que irradiava uma alegria acrescida. O puto (também assim chamado no seio desta família) tinha com ele uma câmara digital novinha, pronta a apanhar os melhores momentos da viagem.
O voo parou em Lisboa e seguiram-se as habituais horas de seca na zona de embarque passadas deambulando de loja em loja, de tasco em tasco. Estava eu e o menino (igualmente assim tratado) sentados quando me levanto e digo: “vou tomar mais um café”. Ele, solícito e simpático acompanha-me apesar de não ser consumidor. Chamada para embarcar, entrámos no avião e estamos nós a arrumar os nossos saquinhos quando o efebo (ele mesmo) repara que o saco com a máquina digital tinha ficado na sala do aeroporto. Toca de incomodar toda a gente, tripulação, torre de controlo e… nada. A máquina, sentindo-se abandonada, procurou novo dono e fugiu.
Foi vê-lo acabrunhado o resto da viagem. Ao aterrar o avião, o seu humor mudou. Tinha esquecido a perda e agora interessava aproveitar. Fez bem.
De volta à terra natal, regressa à loja. Aqui confesso que vou dar azo à minha imaginação. Imagino-o a entrar na loja e a pedir outra máquina igual àquela que tinha levado pouco tempo antes. O ar surpreso do funcionário, contrasta com a alegria do nosso mancebo com novo brinquedo nas mãos.
O nosso jovem tem no entanto ideias que não passam pela cabeça do comum dos mortais. Com o fito de ajudar a sua mãezinha na lide de casa, resolve usar a mala do seu carro como sala de arrumos e assim evitar a desarrumação normal dos quartos dos teenagers. E na mala do seu Megane (que nós carinhosamente chamamos de ferro de engomar) habitam (ou habitavam) em total harmonia o clarinete, a guitarra, a máquina digital, a placa de som e microfones, o discman, o walkman, cd’s, as colunas e até o portátil. O mais incompreensível de tudo isto é que o oligofrénico nem sequer tem garagem. Na noite que tirou o portátil, os outros hóspedes da mala ficaram tristes e com a ajuda de um transeunte libertaram-se da posse do nosso néscio.
Nova ida à loja. Imagino o diálogo. “Olá Sr. Tiago. Mais uma maquinazinha?” “Sim, sai mais uma maquinazinha”, resposta com o sorriso franco e aberto que todos nós lhe conhecemos.
Por este motivo a Sony vai instituir este ano o “Best Buyer Award for Stooge People” e o nosso Miúdo é dos mais bem cotados para o ganhar. Neste momento apenas lhe fazem frente um vietnamita amblíope e um porto-riquenho amnésico.
aqui está ele apanhado por uma máquina analógica. Neste caso podemos dizer que ficou bem na foto.

O remédio para a doença

Hoje estive enfermo, no meu leito, o dia inteiro. A culpa é, sem dúvida, do sr. que inventou o Dia Europeu sem Carros. Na sexta-feira não pude abdicar da viatura, mas como sou um rapaz atento a problemas ambientais, ontem fui de bicicleta para o local de trabalho. Resultado: dia chuvoso e frio, dores de garganta e cabeça, uma noite sem dormir e (pior de tudo) hoje não pude comparecer a uma bela almoçarada a convite da minha afilhada de curso... Uma caldeirada de peixe preparada com tanto afinco... foi triste. Mas como tristezas não pagam dívidas, e depois de umas bombas químicas, tentei reagir. Foi então que decidi vasculhar nos cds de backups algumas fotografias terapeuticas. Descobri algumas muito interessantes que melhoraram significativamente o meu estado de espírito. Ei-las. Por ordem crescente.

Eu, imitando um acidentado que ficou sem a parte superior da beiça. Pontuação: FRACO


Vilhas, imitando o Brutus. Pontuação-SOFRÍVEL


Tomi, imitando o duende dos Lucky Charms. Pontuação: SUFICIENTE +


Jony, imitando o cruzamento entre o JC Superstar e o Bugs Bunny. Pontuação: BOM


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Joca, imitando um recém-nascido com falta de oxigenação. Pontuação: MUITO BOM

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Aqui está o nosso brilhante técnico de som. Não está a imitar ninguém, é simplesmente ele! O Nuninho consegue transformar um dia cinzento numa aguarela gigante! Pontuação: EXCELENTE

Obrigado amiguinhos, por contribuirem para a minha felicidade.

Citação II


A 24 de Setembro, durante uma conversa telefónica, Vilhena disse:

"Espero que me vejam hoje, na RTPN, por volta das 22:30, no programa Hora de Baco"

23 setembro 2006

Robert Plant e as Vozes da Rádio

Não, infelizmente não é uma participação confirmada para o próximo disco. É apenas mais uma história de viagem.
Em 1996 fomos pela primeira vez a Macau. A comitiva era grande e incluía também o Rui Veloso e sua banda e os Gaiteiros de Lisboa. Tudo para o Festival Internacional de Música de Macau. Foram 10 dias no outro lado do mundo muito bem passados e pouco dormidos.
Certa tarde passeávamos nós pelo Leal Senado, vimos um ser que era tal e qual o Robert Plant que conhecíamos das capas dos Led Zeppelin. Tão parecido o tipo era, que o fomos seguindo atrás a ver se tirávamos dúvidas. O Mário atalhou esforços e gritou “Hey Robert Plant”. À segunda, olha um tipo cabeludo já com um ar envelhecido, que ia ao lado do “nosso” Robert Plant. Parou e cumprimentou-nos. O velhinho era o verdadeiro Robert Plant. O outro era o filho!
Foram uns minutos de conversa. Quem éramos, o que fazíamos ali, ele também nos contou que andava ali às compras, que estava em Hong-Kong para uns concertos, falámos das parecenças do filho, de Portugal, dos Led Zeppelin… Perdemo-nos no entusiasmo e apesar de carregarmos todo o material necessário, nem filmámos, nem fotografámos, nem sequer pedimos um sarrabisco ao homem. Até agora era apenas uma história de memória. Fica agora aqui escrita não vá o Alzheimer tecê-las…

China 1996

China 1996. Não é Macau. Não sei se autografava ou se dava explicações sobre a posição de Portugal no mapa mundi

Memórias da Rádio III - Só para contextualizar

Como eu gosto e prezo muito os meus amigos, e para que não pensem que nós somos declaradamente uma cambada de senís, vou contextualizar a citação do meu amigo Vilhas, talvez o único elemento da banda que não padece de qualquer psicose (só mesmo de lapsos e gaps frequentes causados por aparições furtivas do sr. Al Zheimer...). Ano 2002, aproximava-se o dia da Mãe. Sem dinheiro para gastar em presentes sem sentido e despidos de intimidade, Joca aproveitou uma letra linda escrita por seu primo, compondo uma delicia musical, que se transformou numa dádiva a todas as parideiras do mundo. Um verdadeiro hino à feminilidade. 4 anos depois, a pedra do sepulcro foi removida e de dentro dele saiu esta preciosidade. Digo apenas que Joca se inspirou, para a sua brilhante interpretação, no Iglésias Lusitano. Disfrutai. (esta também fará parte de um cd de sucesso que poderá ser lançado brevemente...)

22 setembro 2006

A cobra come e bebe... também muito bem

Todos aqueles que lêem o Jornal de Letras, Artes e Ideias, a Revista Ler, sabem quem é o Prof. Eduardo Lourenço ou até já compraram o público para ler o Prof. Eduardo Prado Coelho devem saltar este escrito e centrar a atenção no anterior (a cobra assobia… e bem). Este é para todos os que gostam de passar os olhos pela Caras, pela Vip ou Flash, passam religiosamente férias no Algarve, já foram à casa do Castelo ou acham que diáspora é uma pedra preciosa.
Terminado o espectáculo a populaça começou a juntar-se às portas do Jardim de Inverno. Populaça não! Estava a nata das artes cénicas e musicais. Estavam igualmente pessoas.
O primeiro encontro foi com a nossa querida Ana Bola com quem trabalhámos por alturas da Débora. O que conversamos será agora transcrito.
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Desta forma salvo a minha pele das pragas que a Sodona Bola me rogou e que teriam efeito se escrevesse tudo o que falámos. Nem a foto com os seus meninos tirou. Mas salva-se a imagem colocando aqui a do enormíssimo Zé Nabo que ainda para mais fazia anos ontem e é como se sabe o senhor que aquece os pés da Dona Ana.
Entrámos no salão. Os encontros foram imediatos e de vários graus. Os colegas e amigos andavam por lá: o Veloso, o Gil, o Represas, o Camané, o Palma, o Vitorino, o Sérgio, o José Martins, a Amélia Muge, o Carlos Martins, o Tê. Das outras artes andavam actores como o Miguel Guilherme, a Graça Lobo, aquele moço que é pasteleiro em Belém e que deve ter um problema capilar grave ou um eczema de pele porque nunca tira a boina. E mais, muito mais, como aquele comentador de futebol que também faz uns filmes. A Aida Tavares, pessoa que muito estimamos. As lindas famílias do Manel e do Monge. A Paula e o Jorge. Estava lá tudo à conversa, a beberricar e a mastigar porque a fome àquela hora apertava e muito. Também andava a imprensa de várias cores. Ficam-me as cores da Ana Rita, conterrânea que esteve nesse marco da televisão que se chamou NTV e que agora se mudou para a SIC. Infelizmente não trocámos ideias. Fomos sempre acompanhados de perto pelo Rui Santos, falando de música, tecendo comentários e acima de tudo, tentando ficar-lhe com o programa. Nós somos jovens necessitados e não comprámos programas. Estávamos quase a cair em tentação mas acabámos por lhe confessar. Ele, bondoso, ficou de tirar fotocópias lá na rádio e mandar por correio.
Aqui Joca e Jony dividem a pelicula com Manuel Paulo e João Monge, os pais da cobra.

Aqui está João Monge, alentejano e boa pessoa, apesar de por vezes ser visto com más-companhias. Como aqui, que tenta em vão ser fotografado a fumar com Joca perante o sinal de proibição que se encontra atrás pouco visivel... Nem chega a ser uma provocação. É só uma idiotice

À meia-noite o telefone retine. Pensei que pela hora poderia ser a Cinderela, mas ela anda longe daqui. Era o Maestro Cesário Costa que tinha acabado a récita das Bodas de Fígaro mesmo ali ao lado no Trindade e juntou-se aos amigos do Porto. Fez ele muito bem. Era quase uma e resolvemos sair já com o estômago forradinho e com o bafo de Baco a aquecer-nos. Despedimo-nos e saímos com destino marcado: a casa do Nuno, nosso técnico de som e que foi persuadido a dar-nos guarida. Mas ao despedirmo-nos do nosso querido Maestro, não resistimos e fomos agasalhar com ele um bifinho na Trindade. No fim, tolos, ainda fomos passear para o bairro alto.

Ora cá está o bife devidamente montado por um ovo. O Cesário preferiu o bacalhau que tinha bom aspecto. Esqueci-me de lhe perguntar se estava bom... mas ele não fez má cara.


Já tarde fomos ter com o Nuno. Deu-nos cama, toalhas para o banho, uma gata e ainda uma experiência única: ouvir os sinos da Igreja da Penha de França às 8 da manhã. Fica a atenção do Sr. Prior: um dos sinos está desafinado meio-tom. O grave é que essa desafinação faz com que se crie uma quarta aumentada com a tónica. Este intervalo era chamado de “Diabulus in musicae” na Idade Média e soa muito mal no hino de Fátima que o Sr. Prior nos deu o prazer de ouvir. De certeza que estas coisas não são agradáveis aos ouvidos do Senhor. Quanto mais aos meus.