18 novembro 2006

Noite em Lisboa

Depois da gravação no sábado à noite, três dos senhores resolveram sair um pouco do hotel e esticar as pernas até à 24 de Julho. Há uns anos atrás esta Avenida era palco das cognominadas festas do farfalho, expressão sem significado preciso mas que depois de inventada pelo Vilhas acabou por ser de uso recorrente nas saídas do grupo. Há um outro conceito que também nasceu no seio das Vozes da Rádio: o ensaio de naipe, que será tratado numa crónica futura. Voltemos à noite de 11 de Novembro. Saímos a pé, pois somos responsáveis, e não iríamos de forma alguma conduzir com uma gota de álcool. Descemos a Rua que querem que se chame Amália, passámos na casa onde viveu Assis Pacheco, outra onde durante um ano Fernando Pessoa lavou os pés e claro a casa museu da sodona Amália. E foi exactamente por aqui que demos com este achado num velho Opel Corsa de cor vermelha. Já não tenho vareta!!! O que se conclui daqui? O que pensar? De que vareta falamos? Da do óleo? O que se quer dizer com isto? Este insolúvel enigma seguiu-nos o resto da noite e inibiu-nos de entrar em alguns locais como a KKs, Kremlin e Kapital. Ainda somos reconhecidos como os homens que tiraram a vareta ao Corsa e saímos de lá espalmadinhos, a avaliar pelo tamanho dos seguranças…

17 novembro 2006

Que horas são?

Quase meia noite... O Tomi está com a barriga a dar horas... É a altura ideal para desejar um bom fim-de-semana a todos. :)

16 novembro 2006

Smelly Cat - last recall

Amanhã, pelas 21:30, na RTP, os mais distraidos poderão observar a performance musical de nível no Diz que é uma espécie de magazine. Como sabemos também que muitos de vós pegam no turno das oito da noite e só saem às tantas da manhã, oferecemos aqui o momento referido anteriormente.


Newsletter

Tal como já foi aqui anunciado, em breve as Vozes da Rádio terão disponível uma página, onde além das habituais fotos, dos vídeos, do curriculum e das notícias, haverá sempre uma lembrancinha para descarregar. Por isso, inscreva-se na newsletter para não perder, desde já, nenhum capítulo.

15 novembro 2006

Mudanças de visual

Ontem no calor do palco, a emoção falou mais alto e anunciei o corte da barba aquando da apresentação da canção Mudo Tudo. Curiosamente mereci, por força do heroísmo, o maior aplauso da noite. Poderia agora reflectir porque é que se aplaude mais uma manifestação de intenção, que um rico repertório desfiado em cerca de hora e meia. Será com certeza motivo de conversa no próximo ensaio, onde proporei aos meus colegas anúncios similares para próximas actuações: a amputação de uma mão ao Jony, a aplicação de botox nos lábios e nádegas ao Tomi, a lobotomia ao Miúdo ou ainda a operação estética que o Michael Jackson fez ao Vilhas.
Assim hoje, cortei e cortei-me para retirar todas as pilosidades que se acumularam durante dois meses, certinhos, na minha face. O acto durou uma hora entre esgares de dor e alguns impropérios. Fiz a vontade a uma enorme legião de fãs, encabeçada pela minha mãe e seguida de perto pelo pai do Vilhas que se mostrou indignado perante a imagem de militar de Abril saído do verão quente de 75. Tristes ficaram os (poucos) que invejavam estes hirsutos pêlos. O Ricardo Araújo Pereira, por exemplo, confessou que gostava de ter uma barba assim. Mostrei-lhe o lado menos prático, falando-lhe de quando estamos constipados e nos assoamos. Ele ainda assim referiu a vantagem da barba poder ocultar uma mucosidade durante uns três dias e passado esse tempo a reencontrarmos sã e salva. Sem dúvida um aspecto positivo, que não me deu a força suficiente para continuar… até porque com a chegada da chuva aumenta a probabilidade de me constipar e sinceramente prefiro perder todas as mucosidades.
Mas para este esgalhanço não ir a seco para o blog, recordo aqui fotograficamente, o estilo Os acólitos de Al Capone, de 1995. Por esses anos o Nuno Gama além de nos vestir, esculpia-nos personagens que assumíamos em palco. O visual resultava muito bem e, no fundo, todos os personagens se encaixavam bem connosco.
Com bigodes, sem bigodes, de cabelos ao vento, ou rapados, nós somos todos uns camaleónicos. Uns David Bowies do a cappella lusitano, a bem dizer…

Tomi, no papel de mafioso, explorador de casinos. Hoje, seria dirigente desportivo.
Vilhas, no papel de contrabandista por altura da lei seca. Hoje, forneceria linhas à linha.

Jony, no papel de pombo-correio da máfia. Hoje, seria um hacker.

Eu, no papel de bandido conquistador. Hoje, seria massagista de hotéis de 5 estrelas.

14 novembro 2006

Ah e tal...

Eu tenho o privilégio de trabalhar com 4 colegas talentosos. Mas no sábado, sem ter ingerido uma quantidade considerável de álcool que me dobrasse a visão, vi-me no meio de 8 criaturas que transpiram talento. Como já aqui foi contado, eram 17h30m de sábado, estávamos no estúdio à toa sem saber o que iríamos fazer, e com certeza os gato também, sem saberem como nós o iríamos fazer. Trocados os galhardetes, iniciámos trabalho: eles dando-nos os textos, nós pensando no que podíamos cantar. O Ricardo queria muito que fizéssemos aquela dança de mineiros que já aqui foi apresentada. Testámos coisas, dançámos, rimo-nos e finalmente entrámos em palco para ensaiar com os gato fedorento. Para primeiro e único ensaio correu bem. Para nós e para eles. O problema foi o tempo: 15 minutos, a produção reclama... e toca de tirar coisas. Por isso a dança acabou (para nossa pena e deles) por ficar de fora. Foram suprimidas partes e a segunda vez que fizemos tudo foi já na gravação ao vivo. O resultado foi o que viram no domingo, ou poderão ver na sexta. Divertimo-nos imenso e só por isso valeu mais do que a pena.
Respondendo a alguns comentários entretanto aqui deixados:

Improviso – Já expliquei em cima o que aquela apresentação teve de improviso. Com certeza foi tudo bem mais improvisado que alguns discursos de improviso que ouvimos;

Zé Diogo – Perguntarem se está mais magro… Que raio de pergunta. Nunca o tinha visto (pessoalmente) mais gordo! (expressão popular a que não acho particular piada, mas que aqui se enquadra literalmente);

Troca de equipamentos – Sim. A ideia foi essa! E assumo, com algum orgulho, que foi nossa. Achamos que também deveria ser assim na Assembleia da Republica e nos jogos femininos de voleibol. Troquei casaco, gravata, cinto e os sapatos com o Zé Diogo. Infelizmente o sapato dele não me coube, apesar de ser do mesmo número. Problema de forma. Ainda propus a troca de calças e cuecas, mas não tive parceiros. Atitude simpática teve o Tiago Dores que nos camarins, ofereceu-me a t-shirt dos gato fedorento que ele trazia vestida. Eu vesti-a e assim mergulhei na noite de Lisboa. O suor dele deu sorte! Eram só gajas de Ermesinde atrás de mim! (esta parte é exagero… lembro-me só do Miúdo e do Tomi);

Podem ver aqui a t-shirt usada e suada do Tiago Dores já no meu corpinho, bem como a descomunal estatura do Ricardo. Um enorme talento, essa é que é essa...

Agradecimentos

Serve o presente post para agradecer a todos os que nos foram ver à Fnac do GaiaShopping. Agradeço também a todos os que queriam ir e não tiveram oportunidade. E já agora, também a todos os que não sabiam, mas que teriam ido se soubessem. É sempre bom ver caras conhecidas pelo público: familiares, amigos, colegas, alunos e outros. Ah, e já agora, obrigado por terem acedido ao pedido do Joca, e terem contribuido para a ajuda da compra das fraldas dos seus rebentos. Ele agradece!
Para mim, foi um serão agradável. Vamos repetindo, noutros locais...

Foto gentilmente usurpada daqui (desculpa lá, Carla) ;)
Se mais alguém tiver fotos deste bonito encontro, avisem.
Jacky, tu deves ter que eu vi! :p

13 novembro 2006

É amanhã

Uma pequena pausa nos esgalhanços sobre o nosso encontro com os gato fedorento só para lembrar que amanhã pelas 19 horas estaremos a cantar os parabéns à fnac do gaiashopping. Ao contrário do que se anuncia, não iremos fazer apenas a apresentação do álbum Mulheres. Vamos fazer, como de costume, o que nos apetecer no momento. Uma coisa é certa, vai haver Mulheres, homens, palhaços, um africano e boa disposição.
Tinha que mostrar esta fantástica fotografia da Diana Silva tirada aquando da apresentação ao vivo das Mulheres, em Abril do ano passado.

12 novembro 2006

Le chat

Já posto no conforto do lar, inicio aqui alguns considerandos sobre a nossa magnífica participação no programa “Diz que é uma espécie de magazine”. Tudo começou com o honroso convite que o Ricardo nos fez, via 93, na passada quarta-feira. Seguiram-se algumas curtas conversas telefónicas de onde se concluíram aspectos importantes:
1º) Não sabíamos bem o que fazer. Aliás, nem bem nem mal, como tal deixaríamos para a altura decidir o que iríamos fazer;
2º) Nós gostamos deles e eles de nós, o que não iria significar necessariamente que este seria um encontro colorido;
3º) Concluímos com toda a humildade, que este encontro reuniria o melhor do que se faz em Portugal, no humor e na música, não sabendo nem nós, nem eles, qual das áreas cabe a cada grupo;
4º) Dia onze, dia da gravação, é dia de São Martinho e como tal o tempo deveria estar bom;
Assim ontem lá fomos A1 abaixo, cantando e rindo! Eram 17h30m, conforme estava combinado, e estávamos na Cinemate prontos para os ensaios. Depois foi todo um árduo trabalho só ao alcance dos melhores profissionais. À noite, e depois de um jantar num requintado tasco da capital, gravámos aquilo que hoje será transmitido. E para já mais não digo, até porque nem eu estou certo do que fizemos ontem à noite. Espero esta noite para ver…

Há muitos anos que não se via em Portugal um conjunto tão grande de estrelas reunidas no mesmo palco. Nem na festa dos 20 anos da Rádio Regional de Arouca se conseguiu tal feito.

11 novembro 2006

Press-release

Estamos prestes a entrar no programa... Nos bastidores conseguimos encontrar a Floriseca antes da produção final. Altíssimo nível...


Joca - estou a vestir-me. Amanhã terão a minha avaliação rigorosa sobre este momento. Que Deus nos abençoe.

10 novembro 2006

O (in)esperado acontece

Amanhã, os jovens músicos deslocar-se-ão à capital para fazer parte de uma espécie de magazine... Diz que é uma... Sim, por incrível que possa parecer, os Gatos Fedorentos lembraram-se de nós. Temos a difícil (senão impossível) tarefa de superar a qualidade musical dos Incríveis Saraiva, que actuaram no último programa. A ver vamos. Domingo, RTP, depois do Sr. Marcelo, lá estaremos com os Gatos.

09 novembro 2006

Um dia cinzento

Hoje, infelizmente, não há ensaio. Cada vez mais, os elementos desta fila-harmónica são requisitados para trabalhos extra. Uns tocam em sitios de vício, outros são juízes de festivais duvidosos; existem ainda aqueles que se armam em Nunos Rogeiros da música erudita. Enfim... Uma cambada de vorras. Estou farto de gente mole... Precisamos de uma ditadura!




Musica do programa da Rádio Nova "Dia dos Senhores", com Vozes da Rádio e Sérgio Sousa, programa esse dedicado à Ditadura

08 novembro 2006

Balada da Aleijadinha - futuro Hit

A insanidade continua. Estive a ponderar não escrever sobre isto, mas é mais forte que eu. Vou aflorar novamente um projecto que já leram por aqui... O projecto das canções proibidas. Em mais um ensaio, ficaram registados mais alguns interessantes momentos desta banda. O que salta à vista é a musicalidade e engenho do Jony, que consegue ser ao mesmo tempo o solista e o baixo do grupo. McCartney, põe as vistinhas neste jovem e roi-te de inveja! Depois podem reparar também que a minha vocação para cameraman tem os dias contados. E como alguns já sabem que não consigo ganhar para uma máquina de jeito, que capte um som decente, vou ajudar à audição, oferecendo-vos a letra, excelentemente vociferada pelo Jony.


Fiquem com a Balada da Aleijadinha. (parte dela, claro... não da aleijadinha, mas sim da música)


Veio de muito longe
De uma aldeia lá de cima
Foi prós têxteis trabalhar
Era Deolinda, uma menina.

Num dia muito triste
Malhas que o Diabo teceu
Sobre a infeliz mocinha
Uma desgraça se abateu

O peso de um fardo de roupa
Nas frágeis costas trazia
Quando caiu nas escadas
E fracturou a coluna e a bacia.

(Isto continua... e não melhora! O resto ficará para um dos próximos concertos)


07 novembro 2006

Questões de estética

Aqui fica mais um capítulo das questões que se me colocam no dia-a-dia. Esta apareceu numa sexta solarenga, logo pela manhã. Antes de uma aula de composição, fui ao café onde habitualmente tomo a dose para as duas primeiras horas. Já lá me encontrava refastelado, quando entram uns alunos e perguntam-me o que achava sobre a parede pintada. Eu nada tinha visto. Eles lá a descreveram e começou ali uma discussão estética que se prolongou sala dentro e que naturalmente resvalou para questões musicais. À saída tive oportunidade de mirar a declaração e registá-la para a posteridade. E foi engraçado ver que conceitos como piroso, coragem, paixão, romântico, foleiro, e outros tão díspares se aproximam quando o assunto é uma declaração. Mas fui perseverante e depois da aula perguntei às minhas colegas o que achavam daquilo ali. Depois colocava noutros termos: e se fosse para ti? A verdade é que também aqui as opiniões mudam. De colega para colega. De situação para situação. Se o Pessoa já falava que todas as cartas de amor são ridículas, a verdade é que todos os muros só o são se não são escritos por e para nós. A esta conclusão cheguei depois auscultadas todas as opiniões, sobretudo as femininas, e de cantar o irmão Monge no Mudo Tudo do nosso Mulheres. Aqui fica um excerto desse poema: Por ti mudo o meu futuro/ meu nome, minha rubrica/ deixo de ser do Benfica/ mudo para verde escuro/ como só de garfo e faca/ até viro a casaca/ e escrevo tudo num muro

06 novembro 2006

Errata

Pelos vistos, errei na hora do tão aguardado concerto. Look at the bright side: em vez de se deslocarem depois do jantar propositadamente para assistir ao circo, mais vale irem antes do jantar e ainda pode ser que as senhas do sr. Fnac cheguem para todos (senhas essas que podem ser gastas em sumos e quiches). Se não chegarem, podem sempre pagar o jantar aos meninos, em troca de alguns bocejos musicais. O importante é mesmo aparecerem por lá e comprar o cd. Dia 14 de Novembro, às 19:00.

05 novembro 2006

Partidas inocentes

Sou um rapaz de bom carácter, um pouco tímido até, regido pelos melhores valores morais e com uma consciência cívica e ética bem acima da mediania. Quis porém o destino, esse erróneo zombeteiro, que me juntasse a um bando de desordeiros, sem educação e capazes das maiores bizarrias sem olharem ao prejuízo do próximo.
É esta nefasta influência que quantas vezes molda a minha conduta. Fora deste antro de víboras, sou exemplo notável para qualquer filho da burguesia. Bem dizia a minha mãe para me afastar das más companhias.
Tudo isto para, se possível, justificar o meu comportamento numa noite de fim de Abril, faz já nove anos.
Estávamos nas gravações finais do Mappa do Coração. Lá dentro estava o Tomi a cantar e nós observando-o do lado de fora do aquário. Nessa altura a moda era o beep que substituía o telemóvel com vantagem, para quem não queria gastar muito dinheiro. Nas Vozes beepava-se sem pudor e o telemóvel ficava só para o Vilhas e para mim. Que raio de ideia me havia de passsar pela cabeça naquela altura? Mandar um beep para o Tomi, é claro. Só que não podia ser uma mensagem qualquer. Teria que ser algo que o desassossegasse verdadeiramente. E nada melhor do que uma mensagem alarmista para um individuo que estava para ser pai pela primeira vez por esses dias. Olho para ele do outro lado do vidro, pego no telemóvel e mando a seguinte mensagem: “A Sofia já está cá fora. Vem para casa. Beijinhos” e assinei com o nome da mulher do meu colega. Depois ficámos todos a observar do lado de fora. O acto do nosso amigo sacar do bolso o aparelho, ler a mensagem e a saída em presto cá para fora. Depois aproximou-se e muito titubeante pediu-me o telemóvel. Enquanto isso nós, com a cara mais inocente, íamos acompanhando cada gesto seu. A verdade é que ele estava tão desnorteado que não conseguiu marcar o número de casa. Nessa altura eu, cão, perguntei-lhe o que se passava e ele não foi capaz de dizer muito: apontava para o beep e pediu-me para lhe ligar para casa que não estava a conseguir. E tremia muito. Aí não me contive. Desatei a rir, seguido pelos outros, e o Tomi readquiriu a cor normal. Percebeu logo que tinham sido os seus queridos colegas, em mais uma brincadeirazinha inocente.
Tomi, não que adiante muito nesta altura, mas mais uma vez desculpa. Por esta e por todas as outras… ainda assim não prometo que tenham acabado.

Instalação para pessoa e tripés. "O menino que não se tinha de pé". António Miguel, Abril de 97. Estúdios Rangel.

XX FITU

Antes que um dos meus colegas me começasse a citar, por falta de posts meus, aqui estou eu a escrever algo mais.

Nos dias 20 e 21 de Outubro, decorreu no Coliseu do Porto o XX FITU (Festival Internacional de Tunas Universitárias). Eu lá estive, e com muito gosto, a convite do Orfeão Universitário do Porto a assistir e no fim a avaliar a participação das tunas a concurso. Não vou aqui fazer uma descrição aturada das noites. Sublinho apenas o saudável espírito académico do público e das tunas participantes. Apesar de este ano, no que diz respeito às tunas a concurso, o nível musical ter sido mais pobre do que em anos anteriores, conseguiram fazer um bom espectáculo académico. De salientar, a prenda oferecida aos espectadores de uma pequena orquestra a acompanhar a tuna universitária, a participação da tuna dos antigos orfeonistas e claro, os grandes Jograis.
Bem hajam todos os presentes e em particular o Orfeão Universitário do Porto (saliento claro o meu amigo Gustavo Nascimento e o digníssimo maestro António Sérgio, bem como todos os outros colegas de Júri). Parabéns!

País de Navegar

Nada faz mais sentido estar aqui no nosso blog, do que esta música que foi feita por alturas da inauguração oficial do Museu da Alfândega, Museu dos Transportes e Comunicações do Porto.
Em finais de 2000 fomos convidados a realizar um concerto todo pensado à volta do título do Museu. Fizemos textos, músicas, pensámos em cenários, criámos um guião. Depois achámos que seria interessante faze-lo com uma instrumentação pouco usual: flauta, clarinete, violoncelo, acordeão e percussões além é claro das cinco vozes.
Este tema, que originalmente se chamava “país de navegar” mas que acabou por ser registado com o nome “voo no dorso do meu rato”, é dedicado à Internet. Por isso mesmo é a mais pop das músicas deste espectáculo, que no início de 2002 teve edição discográfica.
Foi para mim um misto incrível de sensações reencontrar esta gravação. Por um lado achava que a única cópia que havia deste concerto de inauguração tinha desaparecido aquando do roubo do carro do miúdo. E foi uma enorme surpresa quando vi na caixa escrito “alfândega”. Por outro foi recordar toda a montagem deste espectáculo com os músicos: o Quim, o Moreira Jorge, o João Costa, o Nuno Silva e o Manoel Santiestebán. Mas acima de tudo, lembrar-me do nosso amigo e técnico de som que fez esta gravação e que uns meses mais tarde, depois do nosso concerto de Ovar (impossível esquecê-lo), trocou-nos por um coro celestial de anjos bem mais afinados e disciplinados do que nós. Não tenho dúvidas que um dia também lá vamos cantar. Enquanto isso não acontece, vamo-nos relembrando desses tempos. Mas às vezes, dá um raio de um nó…

04 novembro 2006

Mulheres

Como já sabem os que por aqui passam, o nosso último trabalho chama-se Mulheres. Tudo começou com o João Monge e com os seus textos (deveria chamá-los poemas, porque o são de facto) e seguiu depois aqui em cima com a música, os arranjos e finalmente o disco. O privilégio que o Monge nos deu para cantarmos estas mulheres, serve de mote para hoje falar das mulheres que nos acompanham e do igual privilégio que é tê-las no meio de nós (aqui sinto por parte dos meus colegas e dos fieis leitores o medo de que descambe para a baixaria, mas garanto-vos que me aguento…).
Assim, tal como a perfeição divina, temos 3 mulheres que habitualmente trabalham connosco. A nossa Santíssima Trindade é composta pela competentíssima Cristina (é vê-la aqui no jantar de Natal da empresa, onde a obrigámos a comer num restaurante nepalês e a fumar um cubano), que é a nossa sócia, que trata da nossa vidinha de papéis, de contactos, de contratos e que nos atura as manias de artista, a profissionalissima Inês (que aqui aparece ao lado do Lobo Mau, em plena marginal de Ponta Delgada) que é nossa técnica de som, que se preocupa muito connosco (apesar de às vezes se referir a mim como o porco do Prendas, sei que é por carinho) e que igualmente atura as nossas manias de artista e a habilitadíssima Diana (em plena tertúlia de fim de jantar) que é uma excelente fotógrafa, que tem as melhores fotos do quinteto e que tem-nos aturado... manias de artista. Com elas, tudo parece mais fácil. Com elas, até somos mais civilizados. Por isso e por tudo mais, obrigado por estarem connosco. Fiquem por cá, que vale a pena! Já agora, não são todas lindas?

Logotipo

As Vozes da Rádio têm o prazer de apresentar em primeira mão o seu logotipo. Aqui fica a arte de Miguel Marafuz

03 novembro 2006

Questões de linguagem

A extraordinária prosa do meu colega Jony sobre a cromação fez-me recordar uma série de desvios linguísticos que vou coleccionando de memória e que me deliciam, introduzindo estes neologismos, quantas vezes, no meu dia-a-dia.
Era pequeno, talvez 8, 9 anos, e estava com a minha mãe numa loja, quando ouvi uma senhora a dizer que tinha apanhado um bilros. Um bilros muito forte. Troco olhares com a minha mãe e mordi-me todo para não me rir. Ainda hoje no seio familiar, quando estou meio gripado, refiro-me ao bilros. Sim, porque não há Inverno em que o bilros não se aloje em mim. Outra recordação de infância passa por uma conversa didáctica com um jardineiro camarário. Eu, na melhor tradição clássica, gostava de coleccionar saberes e dessa vez tentava perceber quantas vezes se devia regar uma planta. Ele então explicou-me que há plantas mais sedentárias que outras. E as sedentárias precisam de muita água. Já os cactos não (serão nómadas? pergunto-vos eu).
Anos mais tarde, já adulto, confrontei-me com expressões dramáticas como “fazer um taco à queluna”, “ter um filho suficiente”, ou um irmão “toxodepente”. Há ainda o caso do outro irmão que morreu de “rebordosa”. Depois há quem sofra das engivas ou quem tenha problemas no diódeno. Quem gumite o almoço por má dingestão (mistura simpática de digestão com congestão). E há ainda quem sofra das hemorródias (sofrimento diário, como se infere da palavra). A medicina fornece um manancial de novas expressões que não se encerram por aqui. Noutra vertente, uma das mais deliciosas que ouvi foi no autocarro onde uma senhora pergunta à vizinha se “o baso que pus à entrada do prédio estroba?” “Não estroba nada” respondeu a outra. Qual estrobar, qual quê!
Uma amiga psicóloga sabendo deste meu fascínio linguístico passou-me duas expressões geniais. Uma delas foi uma mãe que lhe pediu para abrir as cédulas da filha (gesticulando à volta da cabeça) porque a menina tinha dificuldades de aprendizagem. Já uma outra estava com problemas porque tinha tido um esgoto cerebral.
Nisto também há clássicos nacionais. O há-des ver, por exemplo. E a conjugação da segunda pessoa singular. O fostes, o tivestes, o entrastes e o saístes entre tantos outros.
Para terminar repito a última, arquivada há uma semana. Andava eu de carrinho na rua com um dos herdeiros, quando ele desata a chorar. O motivo é o de sempre. Viu alguém a comer. Não fosse meu filho e parecido comigo, diria que é um aspirador. Perante o choro da fome, aproxima-se uma anciã que pergunta “o que é meu menino?”. Eu lá esclareço a senhora e ela diz-me: “tenho um netinho tal e qual! Sabe o que são meu senhor? Uns alarmes, uns alarmes!!”. E alarmado fiquei, para o resto da vida…

Quando morrer quero ser...

Quando morrer quero ser "cromado".
Na passada quarta-feira, lembrei-me desta frase, em tempos dita por um senhor desconhecido, que ia à minha frente na rua, enquanto falava com outro senhor. Cremado quereria ele dizer, mas o "cromado" ficou-me na cabeça, e de tempos a tempos lembro-me disso.
Dia 1 também conhecido por dia dos mortos, levou-me a pensar na morte, e lá veio o cromado. Vendo bem, podemos ser enterrados, cremados, empalhados, mumificados, congelados, queimados, e por que não cromados?
Em tempos discuti a questão com um amigo que tinha ideia de entrar no negócio das funerárias. O homem já tinha contactos, ia mandar vir os caixões do Brasil, dizia que ia ganhar muito dinheiro. Penso que entretanto desistiu, mas na altura sugeri-lhe que que uma das valências da funerária fosse a cromação. Ele achou que eu estava a gozar, mas a ideia não é descabida. Iria revitalizar uma indústria em decadência, a dos cromados. Hoje em dia é díficil ver-se um cromado, os automóveis já não têm pára-choques cromados, as bicicletas já não têm o guiador cromado. O cadáver cromado pode ser arrumado em casa, na sala, no quarto para pôr a roupa em cima, na varanda ou jardim com uma bela erva trepadeira a enfeitar. Conserva-se melhor que um cadáver empalhado pois é muito mais fácil de limpar o pó. Estando bem limpinho serve de espelho. Não havendo mais espaço em casa para pôr corpos cromados, uma pessoa pode ir até um ponto verde, e depositar o corpo na secção de "monstros metálicos", e assim reciclar a avó ou o padrinho. Fica mais em conta que um funeral tradicinal com caixões e campas.
Estou certo que se pensarmos bem, iremos encontrar ainda mais vantagens, e por enquanto ainda não vi nenhuma desvantagem.
Quando morrer quero ser cromado.

02 novembro 2006

Concerto Fnac Gaiashopping

O sr. Fnac gosta muito de nós. Por isso, pontualmente, lá nos convida para animar as suas lojas. No aniversário, que se aproxima, da sua loja do Gaiashopping, faz todo o gosto que os meninos compareçam, tal como outras bandas. Por isso já sabem, contamos com a vossa presença. Apontem nas vossas agendas, palms, telemóveis e afins: Dia14 de Novembro pelas 19:00, loja Fnac do Gaiashopping.

Questões de segurança

As questões de segurança são importantíssimas neste país. Tudo discute, tudo se exalta pela falta de segurança com que vivemos. Já ouvi falar em fenómenos de sul-americanização, de favelação e até de arrastão. Eu próprio já senti o frio gostoso do fio da navalha no pescoço, não para me fazerem a barba, mas para dar algum dinheiro para tabaco. Eram quatro e meia da tarde e estava no Marquês, bem perto do centro.
O problema é quando o polícia acerta! Aí já não é a insegurança que preocupa, é a pontaria e a formação do senhor agente. Há umas semanas um senhor guarda, aqui do Norte, durante uma perseguição de carro, atirou quatro vezes. Conseguiu acertar duas! Tudo lhe caiu em cima e descobriu-se que afinal o homem não tinha tido formação adequada. Digo eu, pois não, nem precisa. Este tipo devia ser o formador! Um indivíduo que de carro, a alta velocidade dá quatro tiros e acerta dois devia ter direito a reconhecimento público, participação nas próximas olimpíadas na classe de fosso olímpico, medalha no 10 de Junho e nome de rua na terra natal.
O problema é o outro lado. O alvejado. É pena, de facto, até porque o alvejado antes de o ser era assaltante, criminoso, prevaricador. Depois de o ser passa a ser jovem (tem de ser pronunciado devagar)! Pelo menos em todos os noticiários da TVI e alguns da SIC assim o chamam. Depois, e com honras sempre de abertura, ficámos a conhecer toda a vida do jovem, a sua família, a namorada e até que o carro que levava era roubado, mas que nem era normal faze-lo. Ficamos todos com pena do jovem e a família fica com mais tempo de antena que os 15 minutos do Warhol. Ao fim e ao cabo a culpa é da polícia que nem devia andar armada!
Por isso, conduzia eu sossegado por uma rua de Matosinhos, quando vi este revolucionário método de segurança: “Senhores ladrões. Aqui não há máquinas. Levamos para casa” e um enorme ponto de interrogação. Até voltei para trás para tirar a foto e partilhar isto com a blogosfera.
Banqueiros, industriais, ourives, vede este exemplo e segui-o. Levai sempre tudo para casa!

01 novembro 2006

Rimbaud da savana

Hoje dia de todos os Santos, o nosso Santo em Pau-Preto (evitei assim o facilitismo brejeiro do Preto de Pau-Santo) cumpre mais uma Primavera. Andava eu aqui a pensar como surpreende-lo, quando me lembrei de uma conversa que tivemos há anos sobre Rimbaud (sim, à vezes também falámos destas coisas). O Vilhas na sua ironia mais que normal dizia: “esse exemplo de moral e bons costumes. Olha é um tipo que nunca bebeu, nem levou uma vida da noite. Não, um exemplo de Cristão…” e lá foi seguindo, juntando como é seu hábito, o soez que tanto o caracteriza. Depois eu provoquei-o (como é costume) chamando-o de Rimbaud da savana, bebendo de cubata em cubata, aos pontapés aos salalés e tropeçando nas morenas quer lhe apareciam à frente, lá no fundo do quintal da casa de Luanda, que ele tão bem já nos descreveu. O Vilhas ria-se e claro, acrescentava interjeições que lhe são tão caras e que neste blog já se ouviram. Por isso aqui vai este soneto do homem das virtudes, pedindo desde já desculpas ao Jony por lhe estar a tirar o lugar de João Villaret deste blog.
L'IDOLE
SONNET DU TROU DU CUL

Obscur et froncé comme un oeillet violet
Il respire, humblement tapi parmi la mousse
Humide encor d'amour qui suit la fuite douce
Des Fesses blanches jusqu'au coeur de son ourlet.

Des filaments pareils à des larmes de lait
Ont pleuré sous le vent cruel qui les repousse,
A travers de petits caillots de marne rousse
Pour s'aller perdre où la pente les appelait.

Mon Rêve s'aboucha souvent à sa ventouse ;
Mon âme, du coït matériel jalouse,
En fit son larmier fauve et son nid de sanglots.

C'est l'olive pâmée, et la flûte câline,
C'est le tube où descend la céleste praline :
Chanaan féminin dans les moiteurs enclos

Parabéns, Vilhas

Hoje é dia de festa, cantam as nossas almas, para o menino Vilhas, uma salva de palmas.


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31 outubro 2006

Noel Haris e as Vozes da Rádio

O nome com certeza não diz nada a ninguém. Se eu disser que ele foi o responsável pela gravação e mistura do nosso Mappa do Coração em 1997, então alguns já saberão de quem se trata.
Conhecemo-lo aquando da nossa participação no álbum Alma da Ala dos Namorados em Junho de 1996. Gostámos do seu profissionalismo, da sua forma de trabalhar e acima de tudo do seu humor.
Quando discutimos entre nós quem poderia ser responsável pelas gravações, veio logo o nome dele à cabeça. Telefonemas, faxs e as negociações terminaram em beleza. Veio no início de Abril e regressou pelos primeiros dias de Maio. Fui com o Jony buscá-lo ao aeroporto e começámos logo aí a quebrar pedra para um relacionamento que se veio a tornar excelente. Ele trabalhava horas a fio sempre com enorme concentração, almoçávamos juntos e saímos muitas noites com ele. Em pouco tempo tornou-se um amigo inseparável.
Se do ponto de visto técnico e musical foi bom, muito melhor foi ouvir dele as histórias das pessoas com quem tinha trabalhado. Os Queen adoptaram-no desde A Kind of Magic e o nosso Noel esteve com eles em todas as gravações mesmo após a morte do Freddie Mercury. Depois falou-nos do baixo Hoffner do Paul McCartney e da sandes de atum da Linda McCartney, do feitio do Van Morrison, da casa e do estúdio do David Bowie, do talento nato dos Heroes del Silêncio, dos filmes que os Cult viam ou ainda das mulheres que andavam sempre com o George Michael. Daqui levou também um baú de histórias e algumas partidas. Foi, por sua vontade, nosso técnico de som no concerto de abertura da Queima do Porto 97 e ficou abismado com o que viu no Palácio de Cristal. De outra vez, comeu connosco rojões. Insisti para que ele comesse o sangue sem dizer o que era. Ele lá comeu e disse que era esquisito. Então aí, no meu mais realista inglês, e com a ajuda dos outros é claro, descrevi uma matança do porco bem tradicional dizendo que o que ele tinha comido era o sangue coalhado do porco. Nessa tarde ele ficou mal disposto.
Carinhosamente tratava-nos por bunch of animals and sex-perverted maniacs e estava sempre a dizer poor Rui por causa do tratamento de excepção que o Vilhena tem neste quinteto. Quando nos despedimos dele no aeroporto não se evitaram as fungadelas de nariz de parte a parte.
Infelizmente, fruto dos vírus e das consequentes formatações de disco e também das mudanças de mail, perdemos-lhe o rasto desde 2001 talvez. Quem souber o seu paradeiro, diga-nos e mande um enorme abraço nosso.

Nós e o Noel no Fórum da Maia, no dia das gravações de piano de Hoje (o corvo) e Para te ter aqui

Eu a tentar aprender alguma coisa sobre mesas e botões

30 outubro 2006

GNR

É já amanhã que os GNR vão estar no Coliseu de Lisboa a comemorar 25 anos. E nós, sobrinhos e conterrâneos, rejubilamos com alegria.
Parabéns aos GNR e em especial ao Rui Reininho com quem já cantámos a Pronuncia do Norte. Memoráveis as tardes/noites em Leça com o pretexto de ensaiar e que começavam com um lanche ajantarado e acabavam, sei lá bem quando...
Aqui fica o vídeo do Dunas que gravámos no Mappa do Coração. Deu-me um gozo terrível conduzir esta Dona Elvira. Mais emoção tivemos quando soubemos que semanas antes naqueles bancos tinha sido rodada uma das cenas mais escaldantes do Ballet Rose com a Sofia Alves. Houve quem farejasse os assentos...
Viva os GNR, o Rei Rui, as Dunas e quem por lá se aconchega!

Memórias de pequeninho

Olá.

Muito se tem escrito sobre o grupo, o que tem feito nestes ultimos 15 anos, os concertos, os jantares, as idas à TV, etc..., mas pouco se diz sobre cada um de nós. Quem somos? De onde vimos? Temos papá e mamã? Seremos alienes?
Vou escrever sobre mim naturalmente, focando um período importante na formação de um ser humano sensível, que é o primeiro contacto com a sexualidade na infância. Escrevo, pois o meu foi muito interessante.
Era novinho, muito novo, teria ainda um só dígito, talvez a chegar aos dois. Foi num Natal em Lamego, em casa de meus avós. Meu tio me ofereceu dois hamsteres ( que vou passar a escrever ratos, pois é mais simples), e minha vida não mais foi a mesma. Meu tio disse que era um casal, pois dormiam juntos, partilhavam a mesma gaiola. Mas não, eram dois machos. Macho e fêmea não dormem juntos, nem partilham a mesma gaiola, vim depois a saber.
Semamas depois, minha tia me ofereceu um hamster fêmea ( que irei escrever rata pois é mais simples), para brincar com os ratos.
Tempos felizes eu vivi, brincando com os ratos e a rata. Quando os juntava era tudo muito engraçado, eles eléctricos atrás da rata, a lamberem-na, a agarrarem-na, em acesa disputa. A rata era mansinha, calma, parecia que gostava da brincadeira. Certo dia deu à luz, certo dia ao fim da terceira ninhada meu pai teve que me ralhar, teve que me explicar o que se passava, que rato mais rata igual a ratinhos, que já não tinhamos amigos a quem oferecer ratos.
Compreendi como criança inteligente que era, mas gostava muito daquela brincadeira dos ratos.
Ideia brilhante tive então! Peguei na rata com uma mão, peguei num rato com a outra e esfreguei um no outro algum tempo. Qual receita, depois separei a rata, e juntei o rato ao outro.
Este cheira o amigo que se tinha tomado do cheiro da rata, começa a lamber, a puxar, e zumba, zumba, zumba no ratinho. Achei muita piada, repeti a brincadeira várias vezes ao longo da vida dos ratos e eles pareciam felizes. Alternava a vez dos ratos no esfreguanço com a rata, para haver igualdade.
Hoje penso que criei os primeiros ratos gays da natureza. Hoje penso que sou uma pessoa tolerante e compreensiva graças a estas experiências. Irei oferecer Hamsteres à minha filha quando for maior, lá para os seus 20 aninhos.
Resta-me dizer como morreram os três ratos. Num dia de Inverno muito frio, os ratos não acordaram, estavam rijos. Deitei-os no saco do lixo. Passados uns dias a rata não acordou, estava rija. Ia a caminho do saco do lixo com ela na mão, e meu pai berrou: "Ó João? Que andas a fazer com os ratos? Se calhar estão a hibernar.". Interessante pensei eu. Pus a rata ao pé da lareira acesa e em meia hora ela acordou. Provavelmente os ratos também acordaram no quentinho do camião do lixo.
A rata ficou comigo até ao fim dos seus dias. Morreu com uma infecção na vagina. Já cheirava mal.

Os três porquinhos

A chuva tinha acabado. Anunciava-se bom tempo para o fim-de-semana. Havia logo à partida motivos mais que suficientes para festejar.
Como já tem sido aqui dito este grupo divide-se em: os Homens (também chamado de Núcleo de Agosto ou ainda os Três Porquinhos), um africano e um miúdo. E quem segue para estas tertúlias? Os três bácoros, já se vê.
Fomos à Estação da Cerveja, ali mesmo perto da Avenida da Boavista. Já estávamos para ir lá há muito tempo, mas fomos adiando a estreia. Antes ainda passámos pelo Portobeer saudando o nosso amigo simpático que tão bem nos tem tratado. “Hoje vamos experimentar outros”, gritou o Jony do outro lado da Avenida para o amigo.
Chegados lá, somos atendidos por uma senhora… peculiar. Já nos seus 50 mascava uma pastilha, como quem rilha um rojão. O maxilar inferior por pouco não roçava nas ancas da dita senhora, ou batia na mesa onde nos sentámos. Senti-me constrangido. Pedimos a lista das cervejas e lá estavam mais de 100 títulos, qual lista de dvd’s piratas que o empregado de escritório comercializa entre colegas. Com capa a cores e tudo. Eu e o Tomi escolhemos pela coluna da direita: 11º pareceu-nos bem. O Jony ficou-se por uns tímidos 9º. Veio o néctar trapista da Bélgica, de sua graça KasteelBier. Viscoso, escuro. No primeiro trago veio-me à memória um antitússico da infância: Fluidin! Tal e qual. A textura viscosa na língua, o travo dulcíssimo da última golada, a cor. Eu já tinha bebido aquilo antes da minha primeira comunhão! O Tomi ria-se e eu também mas, perseverantes, fomos até ao fim. Mais que perseverantes, reincidentes e estúpidos, avançamos para a segunda toma do fármaco disfarçado de cerveja. Como diz o meu progenitor, repetindo uma frase que aprendeu lá no seu alto Xingu natal, “pancada grande é que mata a cobra!”.
Saímos. Dormentes, pareceu-me. À bica da Avenida da Boavista lá estava a loja de decoração de interiores do nosso amigo arquitecto José António Andrade. Era uma da manhã e ele ainda decorava. Fomos cumprimentá-lo, como mandam as regras da boa educação, e mantivemos um diálogo interessante. Lembro-me de falarmos das águas do Dubai a 37º. Mais valia mergulhar numa canja de galinha virgem!
Seguimos e passámos em frente ao Portobeer. E um pica-pau agora, que tal? Com cerveja normal é claro, nada que tenha de passar antes pelo controlo da apifarma!
E assim acabámos. Atracámos em Porto conhecido e seguro, saciando o apetite e voltando aos sabores tradicionais do malte. Ainda bem! Depois daquela cerveja trapista, muito se explica sobre os hábitos dos belgas…

29 outubro 2006

Pequenos gestos

É nos pequenos gestos que encontramos por parte do nosso semelhante o afecto, o carinho e a ternura, que nos aquecem a alma e que nos transformam em pessoas mais fortes, mais sensíveis e mais felizes.
O ensaio corria bem. Estávamos a relembrar o Primeiro Dia do Mundo para em breve o apresentarmos, quando foi detectado um erro. Nem eu, nem o Miúdo, nem o Tomi tínhamos cantado uns aahhhss lá do meio, talvez por um síndrome de esclerose grupal e simultânea. Todos se esqueceram menos o Jony que interrompeu, e bem, logo a cantoria. Explicou-nos o engano e recomeçámos de um ponto intermédio. Voltando a passar pela zona do erro, sai tudo na perfeição e uma reacção primária do nosso colega vem à tona: desata a distribuir pequenos gestos, como se de cartões amarelos ou vermelhos se tratassem, premiando todos os presentes e agora que se torna público também os ausentes. Quando se lembrou que a máquina estava ali pousada a gravar ficou arrependido e tentou que não se publicassem estas lamentáveis imagens.
Chamo a atenção para a realização: o Vilhas aparece reflectido no espelho. O Miúdo nem aparece. Cinema Europeu do século XXI.


Guerreiro espacial

O aparecimento do blog espicaçou-me uma veia arqueológica. Coisas que há muito julgava perdidas têm aparecido fruto da minha perseverança perante as caixas e sacos de recordações que tenho por hábito guardar.
Hoje, como é domingo, é dia de raridades. Proponho a audição da versão de estúdio do Guerreiro Espacial, nunca antes apresentada. Estávamos em 1999 e tínhamos um projecto de disco e espectáculo à volta da ficção científica e dos seus ícones, de nome 2001 - a cappella no espaço. Por variadíssimas razões a ideia nunca passou disso mesmo. Alguns temas como este, o Per Stellas, a Pequena Jupiteriana e o Jacarépagunaminacajurapassu foram editados no nosso disco ao vivo “O Som Maravilha dos Senhores”. Outros nunca foram gravados. Outros ainda existem no papel mas nunca foram ensaiados.
Há neste tema uma invocação. Sempre fomos um grupo dado a alusões (o Mário quantas vezes nos apresentou como um grupo alusionista). Aqui incrustamos um homem que estava na berra por aqueles anos, Ricky Martin. E citámo-lo na música quando se diz “La vida es competicion. Hay que ganar, ser campeon”, pérola esta extraída do tema oficial do Mundial 98. E é desta transversalidade cultural que se faz o futuro, amigos.

28 outubro 2006

Redescobrir Jobim

Recentemente voltei a apaixonar-me por Tom Jobim. Porque sim. Porque toda a sua música faz sentido. Porque me faz lembrar Odeceixe e os loucos meses balneares. Porque ele consegue chegar ao íntimo de uma forma tão natural como poucos conseguem... Porque com apenas uma nota faz sambar o violão (por acaso são duas, mas tudo bem). Por todas essas razões e mais algumas, parecia-me bem tentar fazer algo dele a cappella. O problema está escolher apenas uma que consiga representar toda a sua genialidade. Ajudem-me a escolher:
  • Canção do amor demais
  • Águas de Março
  • Canção em modo menor
  • Chega de Saudade
  • Modinha
Tenho tendência para escolher as mais deprimentes, mas podem escolher outras.

Portugal Fashion

Esta semana decorreu mais um Portugal Fashion. Infelizmente nenhum de nós marcou presença no desfile do nosso amigo e estilista Nuno Gama. A vida não o permitiu.
Em 1997 os Senhores desfilaram na passerele. Foi um momento inesquecível da nossa carreira pois nunca tínhamos estado em camarins tão bem frequentados. Atrevo-me mesmo a dizer que qualquer mártir de Al Aqsa não encontra melhor ambiente depois de se estourar num autocarro de Jerusalém. Nós, naquela noite, estivemos no paraíso rodeado de anjas (não esquecer que a organização é da Anje) que seguramente têm sexo e ainda bem. Passámos pelo David Charles (o Martini Man), o Mark Vanderloo e estivemos na mesma linha que a Karen Mulder.
Porto Sentido foi a canção que abriu o desfile e para cantá-la nada melhor do que a companhia do Rui Veloso. Aqui fica para quem não viu ou já não se recorda.

27 outubro 2006

Data a assinalar

Os nossos ensaios costumam ser produtivos. Pelo menos, estes últimos. Mesmo com o tempo chuvoso a dar cabo da motivação, ontem realizou-se mais um. Foi curto, por uma razão em especial: Joca celebrou uma data importante da vida dele. Confesso que me esqueci. Joca relembrou-me ao seu jeito, de uma maneira carinhosa e fresca: "Seu vorras, há cinco anos estavas a encher o bandulho à minha pala!" O tempo passa e nem se dá conta dele passar... Depois do ensaio, os três meninos casadoiros foram festejar, eu não tive direito à festa porque ainda não faço parte da Brigada do Reumático. Mesmo assim Joca, parabéns, a ti e à tua senhora. Se alguma vez ela te chutar para canto, não te esqueças de me convidar para a festa (agora está na moda), sempre é mais uma para encher o bandulho.

26 outubro 2006

A estupidez não tem limites

Finalmente acaba aqui a saga dos videos feitos no camarim da RTP. O melhor fica sempre para o fim... De lamentar a chamada de atenção que se ouve no fim, pela senhora que estava na sala ao lado, a arranjar a roupa dos artistas.


Ideias dos outros

Quantas vezes nos acontece pensarmos em algo que achamos terrivelmente original e depois olhamos para o lado e já alguém se adiantou a nós? Comigo este fenómeno é recorrente. E não apenas a nível musical.
Por falar em música, aconteceu-me esta semana estar a descobrir um velho disco do George Harrison, coisa para ter sido gravada nos anos 70, e ter esborrachado a cara num tema cujo começo é tal e qual o nosso Tua Natureza do disco Mulheres. Se alguém ouvir, vai logo pensar que se trata de um flagrante delito de ideia musical, mas a verdade é que não me lembro nunca de ter ouvido aquilo antes. Se ouvi, foi mesmo lá no meio dos 70's. Nestas coisas prefiro ser místico e acreditar que recebi um encosto do espírito do Beatle discreto que assim, pela voz destes humildes servos, quis dizer ao mundo que afinal vive! (que lindo, My sweet Lord!)
Uma ideia em que o tempo de execução me deixou de lado, foi a criação do prémio para o Pior Português de Sempre. Assim que num zapping apanhei a sodona Elisa naquele patético programa/concurso lembrei-me de avançar aqui no blog com o desafio de escolhermos o pior. Esse sim é o que interessa. Para mim, o principal concorrente era mesmo o tipo que resolveu fundar um país num quintal galego. Mas não é que o Inimigo Público e o Eixo do Mal da Sic Notícias já lançaram este repto? Ultrapassado, amigos, foi como me senti.
Uma ideia que não tive, nem acho que alguma vez teria, mas que considero genial é a que podem encontrar neste link. Desde o nome do blog, passando pelas fotos e terminando nos textos, considero tudo de muito bom nível. Mesmo não sendo muito ligado ao fenómeno da bola já tinha sido confrontado com o estilo de cabelo do Paulo Bento. Julgo até que o pior dos amblíopes consegue assustar-se perante tão grotesca visão. O aproveitamento deste tema para mais um concurso parece-me de facto uma excelente ideia. Juntando concursos porque não criarmos o pior português de sempre com corte à Paulo Bento? Dá que pensar.

25 outubro 2006

Citação V

No passado dia 23 de Outubro, durante o ensaio, Rui Vilhena dialogou assim com os seus inefáveis amigos:

24 outubro 2006

Macau - 10 anos

O trânsito matinal ajuda-me a mexer nas memórias enquanto tartarugamente me arrasto pela VCI. Hoje dei comigo a pensar que exactamente há 10 anos estava longe das filas intermináveis, longe desta chuva e deste vento e longe dos tipos que à minha frente iam dando uns toques para atrasar ainda mais o tráfego e poderem usar aqueles ridículos coletes verdes com o fatinho e a gravata a espreitarem por baixo.
Foi nos últimos 15 dias de Outubro de 1996 que estivemos pela primeira vez em Macau. Foi aliás a nossa primeira grande viagem. Já fiz aqui uma referência a esta nossa cruzada. Muita expectativa, muita animação, muito jet lag, noites que eram dias e dias que continuavam a ser dias. Disse o Jony na altura, que não precisava dormir muito, porque os colchões eram muito bons. Fiquei com essa na cabeça e até hoje não percebo bem o que quis dizer. A verdade é que andávamos sempre juntos (valendo-nos na altura um epíteto muito bonito por parte do Rui Veloso, mas que não vou aqui escrever) passeando de noite e dia, vendo tudo que havia para ver, visitando tudo que havia para visitar. Não perdemos a chance de entrar na China, nem de fazer compras em Hong-Kong.
Temos dezenas de histórias. Se calhar até centenas. A que vou contar agora, passou-se comigo, com mais gente das Vozes (não consigo lembrar-me quem, provavelmente todos) e com o Carlos Guerreiro dos Gaiteiros de Lisboa.
Os chineses têm a mania de vender comida nas esquinas das ruas. Fazem lá umas viandas que nenhum ocidental sabe o que é, e vendem a quem as quiser comer. Estávamos parados à espera do verde para os peões e lá está nessa esquina um chinês a preparar um cozinhado com uma cor esverdeada e aos nossos olhos pouco saudável. O odor era o típico cheiro a molho de soja. Bem mais saudável foi o verde do semáforo quando abriu e pudemos abandonar aquela improvisada cozinha de rua. Íamos a atravessar quando o Carlos grita para nós: “estes gajos comem cada merda!”. Mais à frente um chinês, dos poucos que articula umas palavras em português, entre duas dentadas no preparado alimentar que tinha acabado de comprar elucida-nos: “Non é melda! É galinha!”
Nunca tentar perceber o que se vai comer! Técnica usada por nós: apontar para os caracteres que pareciam mais afáveis. Depois é sempre uma agradável surpresa.

Para que não se julgue que não houve trabalho. Cá estão os senhores em pleno ensaio de som antes do concerto (que gostava de dizer o nome da sala mas o Alzheimer hoje está muito meu amigo).

Mais um ensaio

Antes de adormecer, e como é hábito meu, fiz zapping... Estava a dar um episódio do Sex and the city. Deixei estar. Basicamente o episódio retratava encontros amorosos que não davam certo porque um dos elementos do casal era esquisito, mesmo paranóico. Fiz a transposição para este grupo... Pelos cardápio de videos que temos no blog, devemos ser também paranóicos. Será que para atingirmos a fama internacional ou até mesmo a nacional, precisaremos de tomar algum tipo de remédio/xarope? Será que a partir do momento que fizermos tratamento, seremos convidados para o BigBrother Famosos ou para o Dança Comigo? Até ter alguma resposta, o mais provável é continuarmos na demência. E temos todo o gosto em partilha-la aqui. E só aqui.


23 outubro 2006

Top 5

Estou mesmo de saída para mais um ensaio. Porém, surgiu-me uma idéia: perguntar-vos qual o nosso top 5. Quais as cinco músicas que vós gostais mais. Podem ser dos nossos cd's ou então, para os mais conhecedores, aquelas que ainda não estão esgalhadas num cd mas que fazemos em concerto.

Como matar o tempo IV

Última variante: a dança. Só dança.
Sabemos todos que se há coisa para a qual o portuguesinho não tem jeito mesmo, é para a dança. Basta ter o azar de cair num daqueles locais em que todos tentam arrastar a sandália à boa maneira tropical, para ter a certeza disto.
Nós, como bons portugueses somos nódoas na arte de bailar. Assim, e para contrariar a lógica generalista do dançar certo-errado, propusemo-nos dançar errado-certo. Passo a explicar: neste pequeno vídeo os dois músicos de serviço tocam uma versão manouche do “Somewhere over the rainbow” com uma divisão claramente binária. Os bailarinos por sua vez dançam com uma divisão ternária. Vamos parecer regra geral desacertados acertando apenas de quando em vez (a matemática explica este fenómeno paranormal…).
O problema é, como podem constatar, que nem conseguimos certo-errado, nem errado-certo. Foi mesmo errado-errado. Certo?

22 outubro 2006

The F word

Domingo. Dia da família. Já o escrevi na semana passada. Pois bem, assumindo a comunidade bloguistica como mais uma parte da minha família vou instituir este dia para apresentação pública de raridades das Vozes, coisas íntimas do quinteto que mais útil seria que nunca fossem mostradas. Coisas que só se partilha com a família (esperando eu que a minha mãe nunca ouça isto).

Há alguns anos recebi num mail um mp3 com uma exposição muito bem feita sobre o uso da F word. A explicação era feita with a very british accent e tinha como fundo musical as Quatro Estações de Vivaldi.
Não temos a cultura literária do Sr. Inglês que falava no uso da F word. Mas também temos a nossa F word. Neste quinteto limitamo-nos a usá-la como verbo, substantivo, adjectivo, advérbio de modo ou de lugar.
Esta verborreia é aliás denunciadora da proveniência deste grupo. Lembro-me de uma noite, já há bastantes anos, em que fomos identificados no Amoreiras acima de tudo pela riqueza linguística. “Do Porto, não é?”. Sim. “São as Vozes da Rádio”. E não é que éramos! Depois foi uma noite animada. Noites como essa foram delicadamente baptizadas pelo Vilhas de “noites das festas do farfalho” (curiosamente também uma F word).
Tudo isto para vos dar a ouvir outra raridade. A nossa construção e ensaio do Postal dos Correios dos nossos amigos Joões (Monge e Gil). Programa do Dia dos Senhores sobre a Família.
As condições não eram as melhores. Três microfones para seis. O Vilhas por ser o baixo ficava só com um. Sobravam dois para cinco. O espaço apertado. Nesta versão o Sérgio Sousa utilizava um megafone e uma lata de Coca-Cola para a sonorização: estava disfarçado de máquina de escrever!
De resto, não são necessárias mais explicações. À falta de capacidade para cantar, para afinar, para estar concentrado lá escapa uma F word. E são muitas vezes. Tantas que nem as contei…

(Uma ressalva importantíssima: de todos, o Miúdo é o único que não usa a F word. Não usa nada aliás. Uma só vez, e no meio de acesa discussão, disse “alfinete de peito” e repetiu “faço mais depressa 10.000 alfinetes de peito…”. A discussão encerrou por ali e saudámos de forma efusiva a libertação linguística do efebo, bem como a predisposição manifestada… em vão. Nunca mais voltou a pronunciar qualquer palavra proibida.)

Aparições Galegas

Quem acompanha de perto a nossa carreira, principalmente quem já teve a oportunidade de assistir a mais de um concerto nosso, começa a perceber o quão polivalente este grupo é. Essa polivalência é desmedida. Atrevo-me a comparar-nos a atletas de triatlo. Mas apesar dessa polivalência toda, existem caminhos pelos quais nunca trilharemos. No entanto, existem princípios inquestionáveis que podem mudar facilmente o rumo das vidas destes artistas.
Geralmente nos concertos, Joca refere (e bem) que um dos caminhos que nunca este grupo pensaria enveredar seria pelo fado, por muitas e determinadas razões: uma boysband não se mete nisso; já existe muito bom músico a cantar fado; não somos nem de Lisboa nem de Coimbra, como as guitarras portuguesas... enfim, um sem número de razões. Até que, certo dia, recebemos um convite do Casino Estoril para abrir a Grande Gala de Fados. Coerentes como somos, fiéis aos nossos princípios, rejeitámos prontamente. No entanto, o valor do cheque acenado constituiu para nós como o motor de arranque para esta nova aventura no fado. E fomos, a todo o gás, abrir a gala, com dois fadunchos daqueles mais conhecidos. Tomamos-lhe o gosto. Muitos de vós já devem ter ouvido um dos 74 arranjos de fados que foram escritos, num dos nossos inúmeros concertos. Claro que nem vou falar da qualidade dos arranjos, qualidade essa que já é badalada até no estrangeiro. Para vocês, deixo este Fado do Estudante, interpretado ao vivo na longínqua cidade de Pontevedra, Espanha, a 17 de Novembro do ano transacto.

21 outubro 2006

Como matar o tempo III

Já ameacei anteriormente a apresentação de várias técnicas para matar o tempo num estúdio de televisão. O último exemplo aqui posto (ver mais abaixo) foi a dança com percussão.
Esta é outra das formas de combate ao tédio: a percussão humana, sem a expressão corporal que tão bem nos fica. Neste caso tentámos base rítmica para rap. O Vilhas é, como nas anteriores imagens, o operador de câmara. Quando pousar a máquina será ele o rapper de serviço. Fica tudo a condizer.
Como podem ver há arestas a limar. Ainda assim para primeira experiência não está nada mal. Digno de registo é o improviso do Jony e do Tomi. Variantes sem dúvida a explorar em próximos espectáculos.

20 outubro 2006

Reconhecimento público

A nossa amiga Picolé provou-nos que apesar de ser palhaça nunca poderia entrar na política. Prometeu-nos o envio de fotografias antigas e… cumpriu! Cá estão elas!
Não resisto, no entanto, a copiar um excerto do mail que ela nos enviou e que nos enche de felicidade:
“Vocês são mesmo doidos... Pensava eu que tinha tirado diploma, vocês tiraram mestrado…”
Este é o melhor reconhecimento público que podíamos ter. Ana Paula, obrigado. Fizeste 5 doidos felizes.

The beauty and the five beasts

Novas aventuras dos cinco (quem é o cão?)

Como matar o tempo II

Que mais podemos fazer para matar o tempo? Brincar ao macaquinho chinês? Já nos fartámos. Atirar fósforos acesos uns aos outros? Já nos queimámos. Cantar canções de Abril do Pe. Fanhais? Já o fizemos, mas este programa é matinal e a esta hora ainda não bebemos… Resta-nos a dança e a expressão corporal.
Pois foi isso que, entre outras actividades lúdicas, estivemos a fazer nos camarins do Monte da Virgem. Inspirados numa dança de mineiros da África do Sul desenvolvemos movimentos corporais de alto índice artístico como podem constatar neste pequeno vídeo. Divirtam-se que nós também… e já agora não percam a saga. Há mais expressões alternativas que vamos aqui revelar.

19 outubro 2006

Praça da Alegria - Quando vocês se juntam

Já devem ter reparado que uma simples aparição televisiva num programa de nível como a Praça da Alegria dá origem a muito post bonito... e digo-vos, ainda não viram nada! Para já deixo-vos mais uma música do nosso último album "Mulheres", felizmente sem comentários inusitados do Joca, mas infelizmente com o final A-zoto cortado...


Como matar o tempo I

A espera é o pior da vida. Mas, nados e criados sob o lema de que “quem espera sempre alcança”, aproveitámos o terrível tempo de nada fazer nos corredores da RTP para nos dedicarmos a outras actividades.
As conversas são sempre o bom destes espaços. Com o mestre João Carlos Silva e com a Picolé o assunto foi gastronomia e ervas (aromáticas é claro…). Por falar nisso, o polvo que foi preparado durante a emissão estava fantástico.
Há outras actividades que nos costumam entreter. A fotografia é uma paixão de algumas Vozes. Por isso, e porque o digital também permite disparar com total à vontade, aqui ficam alguns retratos que poderiam figurar no nosso book ou portfolio. Ou se calhar aproveitá-los para uma coisa estilo “quadros de uma exposição” de Mussorgski, mas totalmente a cappella. Pelo sim, pelo não, vou já baptizar cada foto.

les nuages sont fous


kuss meine guitar


E voi? che cosa desiderate da vita?


dinossaur en het blonde meisje


как раз сделайте меня обслуживание губы

18 outubro 2006

Memórias do Monte da Virgem II

É fantástico, incrível, sem explicação mesmo. Estava eu a esgalhar esta história prestes a publicá-la, quando vejo que o Jony a tinha acabado de contar. Ainda pensei apagar tudo, mas achei piada deixar. Com mais ou menos poesia, eufemismos, imagens ou exageros aqui fica a minha versão. Quanto à coincidência, que curiosamente também já tinha acontecido com o miúdo noutro esgalhanço, ela apenas mostra que somos bem mais que um simples grupo de trabalho. Acreditem que sim…

O meu colega Jony é de entre todos o mais calado e reservado. No entanto não deixa de acumular histórias de fazer corar as pedras, fruto quantas vezes de uma linguagem desbragada ou de um sentido de oportunidade pouco apurado.
Esta situação que agora vou relatar passou-se há uns 3 anos talvez. Por motivos óbvios vou omitir alguns nomes.
Saio eu e o meu amigo de um estúdio de televisão e, caminhando os dois lado a lado para o carro, verifico ter uma chamada não atendida de uma amiga. Lá comento: “olha a X telefonou-me” e educadamente devolvo a chamada. Convém agora referir que a X foi por Deus abençoada no que toca às suas formas. A sua feminilidade salta à vista bem desarmada e reduz a meros montículos o sistema montanhoso Montejunto-Estrela. Tudo com uma proporcionalidade assinalável e uma juventude invejável. Nesse preciso momento Jony espeta a cara na mala da viatura e eu fico de costas para ele de telemóvel encostado à orelha. Ela não me atende. Eis que surge vinda do nada, uma não menos abençoada figura televisiva que sorridente me saúda e a que eu respondo com uma redundância evitável, já que ela estava à minha frente e eu podia-o constatar: “então, estás boa?”. Ela nem tempo teve de responder… Jony que continuava embrenhado na mala e, julgando ele estar eu a falar com X, solta brados de estupidez: “estás boa, estás! És boa, és boa, muito boa!” e repetiu-o até à exaustão juntando por vezes outras frases que a minha decência não me permite escrever.
A nossa amiga televisiva não evitou o riso, muito para além do sorriso de simpatia que tinha antes. Eu, com cara de parvo, ria-me tentando encobrir a enxurrada de baixaria que saía da mala do carro, o Jony insistia na linguagem soez, sempre de carantonha afundada na mala sem ver o que se estava a passar.
Ela lá passou, ele lá tirou a cara da mala e eu lá fiquei de ombros encolhidos como que procurando uma explicação lógica para tanta grosseria.
Hoje sempre que estou com a televisiva não deixo de me lembrar do sucedido. Numa das últimas vezes estivemos longos minutos a conversar e não havia maneira de me sair da cabeça a cena. Pior foi quando os coleguinhas passaram atrás dela… temi o remake!
Quanto à X, continua a mostrar saúde, ainda que ultimamente não tenha estado pessoalmente com ela… é que, confesso, o contacto visual acaba por mexer com a minha tensão ocular.

Memórias do Monte da Virgem

Certo dia, quando nos dirigiamos para nossas viaturas à saída dos estúdios da Praça da Alegria, depois de mais uma brilhante, senão mesmo memorável actuação, Joca diz no meio da rua que ia fazer um telefonema a uma menina, que eu conhecia, e muito jeitosa por sinal. Joca afasta-se um pouco, e passado um bocado, enquanto metia as tralhas no carro, oiço Joca, virado de costas a perguntar:
-Estás boa?
Como é tradição neste grupo entalarmo-nos uns aos outros, salvo a expressão, gritei logo sem pensar:
-Estás boa??? És boa!!!!!! Ó BOOOOAAA!
Joca vira-se para trás, com uma cara entalada sem dúvida, e aponta. Joca não estava ainda a falar ao telefone, Joca estava a cumprimentar, uma das fantásticas apresentadoras do Portugal no Coração, de seu nome Marta, que eu não tinha reparado que estava a sair de seu carro.
Nessa altura comportei-me como um rato, meti a cabeça no porta bagagens e ali fiquei.
Peço desculpas à visada por tamanha grosseria, mas foi um equívoco. Às vezes, as pessoas sensiveis e bonitas como eu, de tanto conviverem com a escumalha e pessoas menores, têm comportamentos irrefletidos.
Eu não sou assim, e para provar, deixo aqui este belo poema, que poderia ter dedicado à pessoa visada, não tivesse o seu coração dono, e o meu também.


Do inspirador Abílio Da Cunha...



Escreveria
o teu nome num
barco
se soubesse navegar-te
o corpo
E
ser capitão da tua alma

Praça da Alegria - Tua Natureza+entrevista

Primeira intervenção musical, seguida de uma entrevista. Joca, no seu melhor, a fazer a piada fácil com o apelido do Sr. Padre... seu herege!


17 outubro 2006

A Picolé e as Vozes da Rádio

Ir uma manhã ao Monte da Virgem foi surpresa em Maio de 1991. Daí para cá já há muito perdi a conta das vezes que entrámos nos portões da RTP. Desde o “Às 10”, passando pelo “Bom dia”, a “Praça da Alegria”, o “Portugal no Coração”, alguns programas da defunta NTV, especiais de Natal e tantos outros, fomos criando com os estúdios da televisão uma relação de muita familiaridade.
Na nossa família televisiva o Sr. Jorge, a menina Sónia e a Picolé têm um lugar especial. O Miúdo em tempos até futebol jogou com o Sr. Jorge. Com a menina Sónia já fizemos concertos fora do ecrã e já nos encontrámos a fazer compras no Continente A Picolé é parceira predilecta nas sessões fotográficas. Prometeu-nos aliás o envio de fotos que marcam a nossa passagem anterior pela Praça.

Eu no bom estilo Boris Karloff, Jony no papel de Bela Lugosi, Tomi como Max Schreck, o Miúdo enquanto Hervé Villechaize e Picolé as Picolé


Sobre a Praça da Alegria gostava de publicamente assumir um feito de que muito me orgulho e que irei fazer constar no meu curriculum. Estávamos em 2002 e eu tinha um telemóvel que permitia fazer toques.

Os estilos mantêm-se. Só o Miúdo cresceu e passou a ser o Ed Wood

E que ideia tive eu num bocadinho de tempo livre? Foi fazer o toque da Praça da Alegria! Pouco tempo depois, lá estávamos de manhã na RTP a passar o toque para o Sr. Goucha e para os músicos do programa. Ainda hoje o Jony tem essa musiqueta para assinalar que alguém lhe quer falar. Que orgulho, senhores!

E agora descubram quem são os palhaços...

Praça da Alegria - Prefácio

Bem sei que a maior parte de vós fez greve só para visualizarem a vossa boysband predilecta. No entanto existem sempre aqueles que não tiveram oportunidade de ver, e choram amarguradamente pelos cantos... A pensar nesses lindos, temos ao nosso serviço várias fãs dispostas a todo o tipo de serviços e mordomias, uma das quais passar o nosso bonito momento televisivo para formato digital, de modo a partilhar com todos os agarrados à nossa teia. Um agradecimento especial para elas.

Foto tirada no camarim da RTP. Reparem na pose dos artistas. Infelizmente, como estava encostado, pareço um midget. Reparem também no espelho, que se demitiu da sua principal função para se assemelhar a um vulgar "classificados".

16 outubro 2006

Post nº100

Chegamos finalmente à centena. Se calhar era altura para reflectir um pouco. Iniciámos esta aventura bloguística no dia 1 de Setembro do corrente ano.

Portanto, em 46 dias temos:

  • 100 posts
  • 5000 visualizações
  • 2204 visitas
  • 180 comentários

Já temos, sem dúvida, mais que desculpas para festejarmos. Portanto, inspirados nestes tempos que correm, vamos fazer greve na próxima quinta-feira e vamo-nos barricar numa cervejaria (já levamos cobertores no caso de se lembrarem de apagar as luzes e meter o ar-condicionado em modo glaciar). Juntem-se a nós nesta patuscada.

IVG

Olá.

Hoje acordei com a notícia que o PS abriu o debate acerca da despenalização da interrupção voluntária da gravidez. Como neste grupo existem 3 homens de direita e esquerda, um africano e um miúdo, será melhor não tomarmos partido, mas ajudar à reflexão. E nada melhor do que um belo poema sobre o assunto.
Do grande e muitas vezes esquecido pela crítica especializada, Luís Carvalho, uma bela abordagem.


ABORTOS


Saltam-me os olhos das órbitras
quando vejo
o caranguejo
caminhar em frente.
Depois de quinze anos
de práctica ginecológica
ainda assisto
às constantes parições
de revolucionários -
no paleio
mas reaccionários -
nas acções.
No abrir dos corações
entra sempre de permeio
a eterna interrogação:
ser ou não ser
eis a questão!
Fora com a lógica
dos constantes desenganos
pois quem se lixa
é sempre o maralhal
isolado, perplexo, abandonado
neste atlântico quintal
à beira mar plantado.

15 outubro 2006

Aparições Televisivas III

Amanhã, os meninos vão deslocar-se até Monte da Virgem, para mais uma Praça da Alegria. Contamos com as vossas televisões sintonizadas e sincronizadas connosco. Reportagem e análise a caminho.

Village Vozes

O Miúdo conta, com um orgulho incompreensível aos meus olhos, a sua presença na gay parade de Berlim. Nem sei quando foi, ou se foi mais do que uma vez, mas volta e meia lá vem ele com a festa à baila, seguido de um rol de desculpas como “ia a passar e fui apanhado de surpresa” ou então “até estava acompanhado”. Julgo até que, para horror dos vindouros quando ele os gerar, existem fotos que testemunham a presença lusitana na coboiada alemã.
Confesso que a minha modesta, retrógrada e conservadoríssima heterossexualidade leva-me a uma falta de pachorra para estas coisas. A questão vai muito para lá da opção. São aliás poucos os ajuntamentos públicos que me seduzem. Os pindéricos Carnavais que se gozam em algumas terras portuguesas levam-me ao mesmo sentimento que por vezes se traduz num prurido (que não anal… se bem que a piada, mesmo brejeira e básica, resulta sempre muito bem).
No entanto, sempre na tentativa da conquista de novo público, mais uma vez sucumbo e junto-me a eles. Assim desci aos anos 70, recuperei dos enormes Village People a imagem única e criei os Village Vozes que já em 2007 prometem saracotear em tudo que é desfile. Para ser mais credível e porque os originais eram 6, deixei o mais parecido com o Freddie Mercury a fazer-nos companhia. Não sei aonde vamos (e agora ficava bem Régio, mas deixo essa tarefa para o Jony) mas sei que ganhamos uma comunidade de fãs. Viva. Vamos lá mergulhar neles!

Música no olhar

É de fácil discernimento associar os músicos a pessoas cultas e ecléticas. Pois bem, naturalmente concordo. Num grupo como este, faz-se a conta a cinco. A cultura apreendida é avassaladora. Basta ver semanalmente a análise às melhores e mais finas cervejarias da cidade e arredores. Hoje, o registo inclinou-se para a arquitectura de interiores. Aproveitou-se o facto de a Casa Decor ter o seu último fim-de-semana de estadia na baixa da cidade do Porto. O que dizer da exposição? Que não consigo entender as tendências... Um misto retro/gótico com algum melancolismo enigmático... cores quentes, negras, densas... quase depressivo. Felizmente, houve quem salvasse aquilo, com um espaço sóbrio, iluminado e funcional. Autoria da Arq.ª Elsa Oliveira com a colaboração do Arq. Jorge Gonçalves.


Neste espaço, gostei não só dos materiais de revestimento utilizados, como o pormenor de algumas imagens impressas nas portas de madeira do armário. Para quem quiser ver, ainda vai a tempo. Tem até ao final do dia de hoje (Domingo).

Canção da família

Domingo. Dia da família. Dia do bacalhau, dos assados, dos passeios à beira mar. Sempre na companhia daqueles que temos como nossos. Por isso, e para todas as famílias deste nosso Portugal, aqui deixo mais uma relíquia do Dia dos Senhores.
Aquando do programa dedicado à Família cantámos este clássico do Pe. Zézinho com todo o fervor. Um baixo acutilante, harmonias cristalinas, este vosso humilde trovador a tentar a verdadeira colocação do seminarista romântico com toque anasalado e Sérgio Sousa na pele de dizeur. Um colosso de versão, abrilhantada no fim por invocações próprias da época como o General Ben-Ben ou a Karen Jardel. A pérola fica sempre para o fim. Ouve-se o último acorde, o pungente agradecer de Sérgio Sousa, o click de um microfone que se desliga e a súmula de tudo por parte do nosso Vilhas. É claro que não foi esta versão que foi para o ar. Este é apenas mais um exclusivo deste blog.
Bom domingo.

14 outubro 2006

Grandes Portugueses

O grande dia está à porta! Vamos todos descobrir quem são os Grandes Portugueses.
Confesso que até sexta (ontem) não fazia a mínima ideia do que tratava este programa/concurso. Continuo a não fazer. Mas algo chamou a minha atenção.
Ao passar de carro por uma paragem de autocarros, lá vi de relance um cartaz que juntava o Vasco da Gama com a Rosa Mota. Pensei para mim: “mas o interesse é compará-los? Porquê? Porque competem estes dois a uma coisa chamada Grandes Portugueses? Para que é que se faz isto? Quem é que tem estas ideias de programas?”. Pensei nos dois conterrâneos ali expostos e o único ponto de ligação que encontrei entre eles foi as axilas.
Depois pus-me a pensar em mais cartazes e duplas que são nossas: Infante D. Henrique e Carlos Castro, Leonor Teles e Zézé Camarinha, Maria de Lurdes Rodrigues e Petit, Egas Moniz e Odete Santos, e tantas outras parelhas que poderiam igualmente ser nomeadas para serem Grandes Portugueses. E relações entre estas duplas não seriam difíceis de encontrar.
Hoje li num semanário que este programa é serviço público porque nos vai ensinar história. Eu ainda assim não percebo bem esta ideia de meter tudo no mesmo saco e fazer da história um concurso com votações por sms. Mas esta gente é que percebe de tudo…
Como não consigo vencê-los e convencê-los de que isto é uma idiotice, junto-me a eles. Na hora de votar apelo à vossa ajuda. Votem na categoria “Grandes Portugueses que cantam em quinteto a cappella”. Se não existir esta categoria, criem-na. Mas por favor, votem em nós. Nós merecemos.

Tróia, Maio de 2005