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03 agosto 2011

I'll be back

Meus amigos, chegou a hora de quebrar a rotina e parar por uns dias. Na verdade, ainda que não saiba se isto está consagrado na Constituição, toda a gente devia ter direito a uns dias (não mais que uns dias, senão vira hábito) de férias. E eu, como gente e pessoa humana que sou, não abdico desses dias (só alguns, repito).

Na realidade, aqueles que me conhecem melhor sabem que sou assim, as minhas melhores férias são aquelas que passo a trabalhar! Este ano, tenho nas mãos desafios fantásticos que vocês me lançaram: uns tantos arranjos para fazer com músicas que à partida nunca poderiam ser cantadas por nós! Por isso estou nas nuvens porque tenho com que me entreter.

Não vamos revelar que temas são os escolhidos. Quem quiser saber... que vá ao concerto dos 20 anos! E se quer concertos convença o edil local que é melhor ter Vozes da Rádio que noites de karaoke, convença o patrãozinho que em vez de ter um palhaço na festa de natal, é bem melhor ter 5 que ainda por cima cantam!

O final de Agosto vai-nos reunir outra vez na sala de ensaio. Nessa altura os 20 novos arranjos estarão já prontos a cantar. Lá para Outubro toda a gente poderá ouvir as surpresas.

Para marcar musicalmente o dia, e até porque a semana passada falei em influências, deixo-vos aqui uma das minhas maiores. O título foi escolhido à medida: I'll be back. Entretanto sempre que tiver net darei notícias.


27 julho 2011

Uma inspiração

Raramente trago para aqui as minha referências, mas hoje apetece-me falar de um paulista que sabia fazer sambas: Adoniran Barbosa. Ao contrário do que dizem os cariocas o samba não sai só das favelas do Rio. Em São Paulo onde também há favelas, houve um homem que fez dos mais belos sambas, onde não faltava também humor.

Adoniran Barbosa está presente nas Vozes. O Jacarépagunaminacajurapassu tem lá no meio um "e os bombeiro", roubado ao grande Adoniran. Também o Samba do Acordo Ortográfico teve como inspiração este homem.

Para esta noite deixo-vos um encontro lindo da Elis com o Adoniran. Pronto. Por aqui me fico que amanhã é dia de trabalho. Beijos e abraços.

20 março 2010

Ainda a propósito das Mulheres

O dia internacional da Mulher já lá vai e o Miúdo, no dia certo, deixou aqui o seu escrito. Ao mote do dia respondeu ele, e bem, com o nosso disco Mulheres que, sem eu ter dado por isso, já tem 5 anos. Curiosamente ainda ontem num zapping, ouvi o "Tu lês em mim" numa série da RTP1, que julgo chamar-se Pai à força, ou qualquer coisa parecida. É, para mim, um (bom) sinal de que aquele trabalho não está datado e como tal, pode continuar a ser ouvido.
Temos todos a noção que o álbum Mulheres é o menos consensual das Vozes. Esta semana, curiosamente, conversei sobre isto com o meu amigo Joaquim que, como muitos outros, não percebeu bem a ideia de um quinteto a cappella ter cometido tamanha infidelidade num disco inteiro.
A verdade é que nos apeteceu, como nos está constantemente a apetecer, fazer coisas diferentes. Até vos posso adiantar desde já que esta minha ausência do tasco passa pela preparação de algo... completamente diferente. Voltando ao Mulheres, o disco está cheio de referências a influências musicais que fomos (especialmente eu) tendo durante a vida. Tenho para cada tema várias explicações e histórias: o porquê daquela frase, daquele som, daquele instrumento, daqueles coros.
Se calhar e se houver tempo, aqui pelo tasco vou-vos contando a história de cada um destes temas. Para começar deixo-vos o God only knows, de um álbum dos Beach Boys chamado Pet Sounds, que ouvi muito há alguns anos atrás (fica assim porque dizer muitos anos atrás fica-me mal...). E para quem conhece o Mulheres, consegue perceber que o Tua Natureza veio aqui beber. Aliás dos Beach Boys absorvemos todos os coros. É fácil perceber.
Um bom-fim-de-semana. E boa Primavera.

18 julho 2009

De saída

Amigos, vou pregar para outra freguesia. Vou para a Finlândia, mais propriamente para Turku, última paragem de um projecto artístico que me incluiu e que me levou duas vezes a Great Yarmouth e a Avis.
O trabalho é extremamente aliciante e por cá vos darei conta do que se vai passando por aqueles lados.
O quinteto fica, por três semanas reduzido a quarteto, situação que não é nova, pois ainda há pouco, o fizemos em Espanha, por doença do Miúdo. Aos meus coleguinhas que já para a semana pegam ao trabalho, desejo as melhores músicas.
E para esta despedida ser musical, fica aqui o vídeo do George Harrison "When we was fab", canção feita para os tempos gloriosos dos fab four de Liverpool. Pois que os quatro que por cá ficam, nunca a cantem com tanto fervor! Se o fizerem, tal só poderá ser sinónimo de duas coisas: ou que a minha ausência foi uma enorme alegria para eles, ou que eu nunca mais volto... e confesso-vos que além de medo, ainda não sei se vou em algum Airbus...

08 julho 2009

Antes que ele morra...

Ontem, como qualquer mortal ainda em estado vivo, não pude deixar de deitar o olho ao funeral do ano. Confesso que não tenho aquela curiosidade mórbida em espreitar funerais, cemitérios ou outras actividades que envolvam cadáveres, mas o showneral (como já vi escrito) de ontem, era bem mais do que um ritual de despedida.
No meio de discursos inflamados, afirmações de amizade eterna e o lamentável espectáculo da criancinha (filha ou não...) a falar do pai, tive assim oportunidade de ver uma performance fantástica do Stevie Wonder.
Julgo que já aqui escrevi que admiro o Stevie Wonder e a sua música. Aqueles melismas, esgares vocais, miadas sem fim, que ficam terrivelmente mal a qualquer português que o tenta fazer, caem como luva na voz do homem. E ontem aquele "Never dreamed you'd leave in Summer" foi sublime.
Para que fique para a história das Vozes, conto-vos aqui que o primeiro arranjo que escrevi para este grupo foi uma música de Stevie Wonder "Isn't she lovely?" e que estreámos logo no nosso primeiro concerto, no dia 21 de Abril de 91. Era a fase das 4 vozes e contrabaixo e durante cerca de ano e meio fomos cantando essa música.
Esta é a altura ideal para vos contar isto, porque o homem respira saúde, canta ao seu melhor nível e não se prevê que caia numa mortalha tão depressa.
E para fechar a versão de 71, no Brasil, de "Never dreamed you'd leave in Summer". A música tem quase 40 anos, mas ficou muito bem no funeral de ontem, lá isso ficou!

12 outubro 2008

Trinta anos

Na quinta-feira passada cumpriram-se trinta anos da morte do Jacques Brel. O que me choca não é a morte do músico, até porque trinta anos passados já está morto e bem morto, mas o facto de me recordar perfeitamente do dia em que morreu. Isso é, para mim, o sinal mais evidente de que já ando por cá há bastante tempo.
Fui ver ao Tubo os vídeos disponíveis e não resisti em ficar algum tempo à volta das canções do Brel, de onde saltei para tantos outros cantores da chanson française, que infelizmente desapareceu por completo. Por falar nisso a Juliete Grecco vem à Casa da Música, no alto dos seus 80 anos, provavelmente com uma equipa completa de serviços de urgência, desfibrilhador incluído.
Talvez por esta semana ter falado com o nosso video-man Carlos, acabado de chegar de Paris, senti a nostalgia natural de quem já passou por Paris. Como já alguém disse, se Deus criou o Rio de Janeiro e as mulheres, o homem criou Paris e as parisienses.
Assim se justifica o vídeo que aqui deixo hoje. Porque já ouvia isto há mais de trinta anos e porque hoje seria um excelente dia para tomar o pequeno-almoço em Montmartre, não fosse a crise.
Bom domingo.

29 junho 2008

E agora a nossa versão

Há uns dias falei aqui do I call your name, da história desta canção dos Beatles, da nossa versão, etc, etc, etc... Nesse dia coloquei a versão dos pais da musiqueta e prometi a nossa versão para breve. Hoje chega o dia de cumprir com o prometido, talvez como forma de celebrar o calor, o verão, ou até mesmo a impoluta vitória do Mugabe.
Este vídeo foi gravado em Ferrol, Galiza, no início de Abril deste ano. Foi apenas mais uma das dezenas e dezenas de vezes que cantámos este tema e que está gravado no nosso álbum ao vivo "Som Maravilha dos Senhores" de 2002. Ainda esta semana e para uma plateia de 450 estrangeiros, cantámos esta aversão que felizmente nunca chegará às orelhas dos seus papás. Um deles definitivamente já não a ouve e o outro tem mais do que fazer do que andar no youtube a ouvir versões das músicas dele.
Bom domingo, boa praia!

15 junho 2008

I call your name

Na passada quinta-feira, dia de ensaio, saímos da sala de ensaio, e aproveitando a noite quente, fomos beber uma cerveja com o músico e formador inglês Tim Steiner, que nestes dias está cá pelo Porto.
A conversa andou à volta das Vozes da Rádio, do que fazemos, quando fazemos, com quem fazemos e quantas vezes fazemos. É claro que tudo o que foi dito fica por relatar até porque os blogues são locais de passagem de muita gente. O fantástico de toda a conversa foi o constante humor britânico! Sim! Desta vez alguém nos percebeu!
Na altura em que falávamos sobre repertório falei no I call your name, canção pouco conhecida dos Beatles, e que cantámos praticamente desde 1992, tendo sido gravada em 2000 no álbum "Som Maravilha dos Senhores". Mal disse o título da canção, o Tim começou logo a cantá-la: "I call your name, but you're not there..." e a seguir rematou: "It was the B-side of Long Tall Sally EP. 1964!". Isto para um beatlemaníaco como eu é cultura! Sabia que a música tinha sido composta pelo John Lennon em 63 para um grupo inglês, mas que não tendo gostado da versão desse grupo, resolveu gravá-la com os Beatles. Também sei que a ouvi pela primeira há muitos, muitos anos e que se encontra em colectâneas que saíram em vinil como a "Beatles Rarities".
O motivo que me levou a pegar neste tema para o fazermos a vozes, no tal ano de 92 foi... uma constipação. Em casa, com febre, nada melhor para me entreter que pegar numa canção para fazer um arranjo. E a escolha caiu no I call your name, coisa que não podia fazer por esses dias, tais eram as dores de garganta. A ideia de pegar em algo tão pouco conhecido serviu também para nos proteger. Cantar um daqueles clássicos que toda a gente conhece, e que tanta gente já cantou é sempre mais arriscado. E eu em estado fragilizado não podia expor-me assim tanto!
Para quem não conhece a versão original, ela aqui fica. A nossa, um destes dias, ficará aqui pendurada.
Bom domingo

04 maio 2008

As mães são as mais altas coisas que os filhos criam

O dia é das mães! E dos seus filhos, que as fizeram mães. Por isso hoje as palavras ficam para quem as sabe usar. Fica Herberto Helder, e fica muito bem:

No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas senta-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudeza de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
a através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.


E em especial para a minha mãe, uma música que ouço desde sempre. Talvez já no ventre. Simples como ela, e que me faz pensar que é por isso que gosto das coisas simples

Feliz dia da mãe.

27 dezembro 2007

E hoje... há ensaio!

Hoje voltamos aos ensaios, depois de um período alargado de férias (desde segunda-feira da semana passada!), para uma actuação surpresa que decorrerá brevemente… como é surpresa, não posso dizer que domingo de manhã actuaremos algures na cidade do Porto. E mais não posso dizer… a não ser que… o lugar dos palhaços é no circo!
Hoje, no entanto, já estive com o Jony e o Miúdo num encontro que tivemos os três com o Nuno Costa Santos, associado das Produções Fictícias. É lógico que o humor foi um dos temas durante o almoço e contei ao Nuno que desde a primeira passagem na tv do Monty Python Flying Circus que sou um fanático pelo humor deles. Ele disse-me que a RTP estreou a série em 75, pelo que eu seria muito novo. Aí fiz um pouco de auto-hipnotismo regressivo e descobri que sim! É verdade! Nessa altura, e com 6 anos, era fortemente influenciado pelos meus primos, todos mais velhos do que eu. E eles incutiram-me o gosto pelo humor britânico, de tal forma que ainda me lembro de alguns sketchs a preto e branco! Obrigado primos.
Assim, e porque me apetece, aqui fica o Sit On My Face conforme foi apresentado em 2002, no concerto de homenagem a George Harrison. O Beatle além de grande fã, foi dono da produtora que lançou vários filmes dos Monty Python. Ele próprio apareceu em alguns.
A letra e as imagens ficam aqui. Divirtam-se.

Sit on my face and tell me that you love me
I'll sit on your face and tell you I love you too
I love to hear you oralize
When I'm between your thighs
You blow me away.

Sit on my face and let my lips embrace you
I'll sit on your face and then I'll love you truly
Life can be fine if we both sixty nine
If we sit on our faces
In all sorts of places
And play till we're blown away.


01 dezembro 2007

A trabalhar a esta hora...

A esta hora um pré-quarentão já deve estar a dormir, ou então a divertir-se e nunca a trabalhar. Mas a verdade é que o dever chama e estive até agora a trabalhar em material de altíssima qualidade que em breve será desvendado. Tudo para as Vozes, é claro.
Como não sobra tempo para escrever aqui no tasco, com mais substância, recorro a um vídeo que revi há dias. A minha amiga Lúcia mandou-me o link para esta pequena maravilha.
Aqui se prova que tamanho não conta e que nada há de melhor do que o humor. A música do Michel Petrucciani chama-se Looking up, que foi o que ele andou a fazer na sua (infelizmente) curta vida.
Este enorme pianista e músico foi mais um dos que me impressionou naquela fase em que nos estamos a formar. Ainda hoje impressiona pelo som e pela musicalidade.
E pronto, divirtam-se. Eu é só desentupir a caixa do correio e vou dormir.

10 setembro 2007

Um pouco de seriedade, se faz favor!

Mal falei no ambiente de alegria, de partilha e de euforia controlada que havia no nosso apartamento vermelho e caíram logo piadinhas, aí nos comentários, comparando aquele ambiente são e puro ao das festas de futebolistas! Deus vos perdoe, almas pecadoras!
Por isso, e quando me aprestava para exibir mais uma parte dessas gloriosas noites, resolvi inverter o sentido deste pasquim e virar-me para a cultura. Sim, porque este é um lugar de cultura, e assim costuma ser apresentado nos nossos concertos.
Tudo isto, para justificar a colocação aqui de um vídeo que descobri nas férias e que me fez recuar ao fim da década de 80, fim da frequência do Conservatório do Porto, onde eu e todos os colegas da altura descobríamos outras músicas. Uma das minhas maiores descobertas (talvez nas férias de 86, 87) foi o Pat Metheny Group. Lembro-me dos concertos que ele deu no Coliseu (fui pelo menos a três) e de o público ser maioritariamente constituído por músicos. O Vilhas estava lá e o Jony quase de certeza (ele que confirme…). O Miúdo ainda não tinha nascido… do Tomi não sei… talvez já estivesse a tratar dos filhos! Lembro-me especialmente do concerto em que ele apresentou o Letter From Home, com o seu melhor “group”. Uma autêntica selecção internacional (como, aliás, nós nas Vozes): o brasileiro Armando Marçal, o argentino Pedro Aznar e os companheiros americanos mais fieis: o Lyle Mays, o Steve Rodby e o Paul Wertigo. Na altura, todo o som destes senhores me marcou muito. Hoje ouço de maneira diferente, mas ainda com muito agrado. Além disso, com o Pedro Aznar descobri que cantar em falsete pode não soar mal e que o castelhano da Argentina é muito mais musical que o espanhol, com o Lyle Mays percebi que se pode tocar muito bem piano sem tocar muitas notas e com o Pat Metheny que se pode fazer canções bonitas sem serem óbvias. Como é o caso deste Dream of the Return. Pois então fica aqui este vídeo com imagens da BBC. Volto à rambóia no próximo esgalhanço. Boa Noite!

25 março 2007

Malta que inspira

Hoje dei por mim a fazer algo que já não fazia há algum tempo: uma arrumação à séria da tralha que tenho no computador. Qualquer um de nós sabe que quem se dedica a este tipo de arrumação, reencontra muita coisa que pensava não existir. Foi o caso. E por ser Domingo, partilho convosco um pouco do lixo que tenho por cá.
Qualquer grupo musical de qualidade não deve negar que, em paralelo ao talento, esforço e dedicação, caminha a influência de outros sons. Por várias vezes, o Joca confessou o seu enorme apreço pelos Beatles, o Tomi por grupos portugueses dos anos 80, o Jony pelas sinfonias misteriosas de Chopin, o Vilhas pelo Baskin Robbins, etc... Ao remexer no poeirento disco duro do meu pc, encontrei alguns vídeos de um concerto mítico, realizado na Aula Magna em Lisboa, no dia 13 de Novembro de 2004. Refiro-me a Rufus Wainwright. Quem me conhece, sabe o quanto a música deste senhor me diz. E, dentro do grupo, há quem também aprecie (ou não teria o joca, como toque de telemóvel, o tema "my phone's on vibrate for you"). Quem conhece bem Rufus Wainwright, sabe que este talentoso songwriter possui uma voz única, que toca piano que se farta, que é sofrível na guitarra mas que compõe genialmente. Ah, e também tem uma particularidade interessante... Digamos que é muito sensível e feminino (assumidíssimo, quer na maneira como se apresenta diante do público, quer em temas como Gay Messiah, ou melhor ainda, quer fazendo parte da banda sonora do polémico filme Brokeback Mountain, com o tema The maker makes).
Aqui o menino não perdeu a oportunidade de o ver. Lá fui eu até à mouraria (trocar a invicta não é coisa que particularmente me agrade, mas há que fazer sacrifícios), rumo à Aula Magna. O seu auditório é conhecido pelas VdR, pois várias galas televisivas em que participámos foram realizadas lá. Habituado à entrada normal dos artistas, esqueci-me que dessa vez era apenas um espectador. Ou então foi o destino... Cruzei-me sem querer com o Rufus, e não perdi a oportunidade de falar com ele. Chamei pelo seu nome, retorquindo-me um "yeeees??" muito anasalado e agudo, característico do seu timbre vocal. Contei-lhe que era grande fã dele e que tinhas uns cds seus, que gostava que autografasse. "Shure, do you have a pen?"- disse ele, de uma forma que nem a melhor tentativa para descrever chegaria perto da realidade... (lembrei-me, nesse momento, de uma deixa recorrente que os meus companheiros costumam dizer quando se pergunta o mesmo, mas vou poupar-vos desta piada fácil). O que é certo é que tinha os cds no carro, e tive de dar o meu bloco de notas para ele autografar. Agradeci-lhe cordialmente, despedi-me dele e do Lála (o seu técnico de palco e, provavelmente, conselheiro sentimental), e contei os minutos para o ver. Dessa noite inesquecível, deixo-vos com partes de uns registos que fiz: versão do Hallelujah do Leonard Cohen, e uma prenda ao fantástico público dessa noite-Go or Go Ahead, solo. Boa semana a todos.