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26 novembro 2008

Com frenesi

Ao olhar aqui para a nossa agenda, reparo que este ano, que foi o mais galego de sempre para as Vozes da Rádio, não acaba sem mais uma visita à Galiza, desta vez à Sala Nasa, onde cantámos pela primeira vez em 2002 ou 2003 (cá está mais um pequeno exemplo de como a minha memória já não é o que era... outros foram mostrados no último concerto).
Este ano ficou marcado por um bom punhado de concertos e colaborações com a Galiza. Corunha, Pontevedra, Vigo, Allariz, Bueu, Lugo, Porrinho e Ferrol foram alguns dos sítios por onde passámos. As imagens aqui penduradas referem-se ao concerto de Ferrol, e como têm uma série de curiosidades, coloco-as hoje e conto algumas histórias que estão para além da musiqueta.
Foi neste palco que a meio dessa tarde, e durante o ensaio de som, falei com a Fátima Campos Ferreira, via telefone, é claro, que nos propôs uma cançoneta para o Prós e Contras sobre o acordo ortográfico. Era quinta-feira, dia 10 de Abril e o programa seria em directo na segunda dia 14. Tempo apertadíssimo, mas lá fui dizendo que sim, que alguma coisa havia de sair. Jantámos, cantámos e fomos dormir à Corunha, onde iriamos cantar no dia a seguir. Dormimos pouco essa noite, porque houve algumas voltas a dar, e no dia seguinte de manhã, entre churros e café com leite, lá saiu o Samba. A seguir e porque ainda tinha de esperar pelos outros para almoçar, que fiz eu? Cortei as guedelhas que me pesavam no couro cabeludo há pelo menos dois anos. Nessa noite houve concerto no Jazz Vides, no dia seguinte regresso ao Porto, domingo houve ensaios da nova criação e no dia 14 lá fomos cantar para a Fatinha o sambinha, que não por acaso, pergunta pelo galego. É que para os galegos este acordo interessava mais do que a nós.
Este tipo de pressão faz-nos bem. Faz-nos trabalhar e faz-nos ser criativos. Por isso mesmo, ao olhar aqui para o lado, fico com a sensação que brevemente haverá ideias novas a rolar por aí.
Por agora, e com o vídeo na frente, a rolar só mesmo os 4 brancos, já que o preto é mono e não arrasta a sandália.

11 novembro 2008

What?

Em Inglaterra não fomos apenas cantar. Nesta notícia do site Out There Festival podem ver o que mais fizemos em Great Yarmouth. Posso dizer-vos que foi uma sessão bem animada com frutos no próximo Natal inglês: vários cantores e professores aprenderam canções tradicionais do nosso Natal para ensinarem lá na ilha.

28th October

For singers of all abilities there’s a free training session on Tuesday 28 October at 1.30pm which will explore songs from a range of cultures with a specific focus on Portugal and Brazil. You’ll be practicing vocal warm-ups, simple part-singing and harmony as well as exploring the use of movement and dance. Session tutors are Portuguese singer Jorge Prendas and Tim Steiner, a well-known composer and presenter seen recently on BBC2’s Maestro programme.

Places should be booked by phoning 01493 846436. The session includes lunch and takes place at Maritime House, 25 Marine Parade.

This event is supported by Sing Up Communities.

... e ainda deu tempo para uma visita a Norwich. Aqui vamos nós no elevador do castelo lá do sítio. A saída dava para um lindo jardim com cheiro a McDonald's.

19 outubro 2008

Próxima paragem

Depois de na sexta-feira termos cantado em mais um jantar de boa digestão para um público internacional (tão internacional que não consigo escrever aqui todas as nacionalidades dos presentes), seguimos já para a semana para a Inglaterra.
Até hoje ainda não revelamos nada do que lá vamos fazer, acima de tudo porque nem nós tínhamos muitas certezas. Chegados ao dia de hoje tudo está mais claro e posso dizer que na quinta-feira, dia 30, estaremos em Great Yarmouth para cantar no Four Corners in a Round, um espectáculo multi-artístico com músicos, cineastas, pintores e escultores. Tudo dirigido pelo nosso amigo Tim Steiner, com quem eu tenho já trabalhado em alguns projectos. "The event includes Portuguese vocal legends Vozes da Radio..." é como está na brochura do Out There Festival, nome de todo o festival que decorre na cidade do nordeste inglês. No dia 31, sexta-feira, as mesma legends estarão no "The Melting Pot Cabaret Sessions" onde mais uma vez levaremos o melhor da cultura portuguesa de cabaret.
Em relação ao evento do dia 30, que será no Hippodrome, o único teatro de circo construído para o efeito na Europa (e isto é o que ele dizem), um fantástico edifício vitoriano para mil pessoas, o que vamos apresentar é completamente outstanding (uso de propósito o anglicismo). Vamos actuar com um coro de cem vozes inglesas e com um ensemble instrumental de músicos da Royal Philarmonic. Com as vozes inglesas cantaremos um fado! Qual? Pois será coisa para ir vendo por aqui. Quanto à música a fazer com o ensemble da R.P.O., já hoje posso dizer qual é. É o "Rouca vai a campaínha", cançoneta que fizemos para a inauguração do Museu dos Transportes e das Comunicações, e que será lá apresentada em versão de pequena orquestra. Por isso já no próximo sábado estarei em ensaios em Londres com os ditos músicos. A escolha deste tema foi condicionada por uma série de factores: primeiro é uma grande canção, como aliás qualquer uma das nossas, depois é claramente latina, a seguir, porque o eléctrico do Porto foi construído por ingleses.
Para ainda abrilhantar mais esta performance do "Rouca vai a campaínha", o Museu do Carro Eléctrico vai ceder-nos uma série de fotos fantásticas, a preto e branco, do amarelo em viagens pela nossa cidade, na década de 40 e 50. Essas imagens serão projectadas em todo o Hippodrome.
Boas notícias, não?
Bom domingo.

16 julho 2008

O Pato

O Pato da Pena Preta é um dos temas do Sete e Pico, Oito e Coisa, Nove e Tal e que no disco tem a participação vocal da Manuela Azevedo. Ao vivo, infelizmente, não podemos contar com ela, e o Miúdo leva a cantiga, com brilho, sem dúvida, do princípio ao fim.
No entanto, no passado dia 4 de Julho, em Perosinho, o nosso jovem púbere, escorregou na letra de forma escandalosa, repetindo o mesmo verso duas vezes. A responsabilidade para tal tombo nas rimas do Sr. Mafra, foi das meninas e meninos da Orquestra da Escola de Música de Perosinho, que tão bem nos acompanharam nesse serão.
Um enorme obrigado à gente boa da escola, em especial ao João Costa, director pedagógico, que tem feito um trabalho notável. Já agora, o João é também ele um bocadinho VdR, pois gravou connosco no Mappa do Coração, no Mulheres e no Mais Perto, além de ter registado o seu violoncelo na fita, participou no espectáculo que concebemos para a inauguração do Museu da Alfândega. E acima de tudo isto, é um bom amigo.

29 junho 2008

E agora a nossa versão

Há uns dias falei aqui do I call your name, da história desta canção dos Beatles, da nossa versão, etc, etc, etc... Nesse dia coloquei a versão dos pais da musiqueta e prometi a nossa versão para breve. Hoje chega o dia de cumprir com o prometido, talvez como forma de celebrar o calor, o verão, ou até mesmo a impoluta vitória do Mugabe.
Este vídeo foi gravado em Ferrol, Galiza, no início de Abril deste ano. Foi apenas mais uma das dezenas e dezenas de vezes que cantámos este tema e que está gravado no nosso álbum ao vivo "Som Maravilha dos Senhores" de 2002. Ainda esta semana e para uma plateia de 450 estrangeiros, cantámos esta aversão que felizmente nunca chegará às orelhas dos seus papás. Um deles definitivamente já não a ouve e o outro tem mais do que fazer do que andar no youtube a ouvir versões das músicas dele.
Bom domingo, boa praia!

19 junho 2008

A culpa é do Sérgio Conceição!

Hoje está tudo triste, macambúzio, de monco caído. A selecção mais uma vez falhou no momento em que todos esperavam a glória. Eu sei que toda a gente sabe isto... ou melhor, quase toda, porque garantidamente o Tomi não deve saber. O Tomi é o tipo que anda pelos corredores do Continente a encher o carro quando o país está a ver futebol. É o tipo mais anti-futebol que conheço! Nem se chateia com o exagerado barulho à volta do mesmo, nem sabe absolutamente nada sobre resultados, jogos ou jogadores. É simplesmente desligado, completamente desligado do fenómeno... e só por isso merece todo o nosso respeito.
Para mim a culpa é do Sérgio Conceição, que há uns anos atrás (2000?) resolveu humilhar a Alemanha e marcar três golos, quando já nem precisávamos vencer. Daí para cá caímos sempre aos pés dos arianos, mesmo que sejam de cabelo artificialmente loiro. É a mesma maldição que a França nos pôs. E pior é que agora, sem futebol para nos entretermos vamos mesmo ter que voltar aos buzinões, aos piquetes, aos boicotes, para nos livrarmos de maldições maiores.
Como o fair-play está sempre presente na vida das Vozes, repito hoje aqui, a performance do Tomi a cantar alemão. Qual Marlene Dietrich, o nosso homem que amanhã não saberá que Portugal jogou e perdeu, encanta a plateia durante a apresentação do nosso álbum Mulheres, aqui no Porto, no ano de 2005. Divirtam-se e preparem-se para as olimpíadas!

12 junho 2008

Lords

No dia 31 de Maio tivemos concerto em Lordelo, Paredes, a cerca de 20 minutos aqui do Porto. Quando li o nome do auditório onde íamos actuar não fiz, estúpido, a associação lógica: auditório A’Lord! Lord, de Lordelo, só me surgiu quando estacionei o carro em frente ao novíssimo auditório da Fundação Lord. E foi com enorme privilégio que soube que fomos nós que inauguramos um extraordinário auditório, bem equipado, bonito, com excelentes condições e ainda por cima cheio para nos ver!
Mas não só da excelencia do auditório viveu essa noite. Fomos recebidos e tratados como uns verdadeiros Lords por toda a organização, a começar pelo presidente da associação local. Comemos num restaurante em frente ao auditório, o "D'Avental", de uma forma que as imagens documentam... ou não porque são insuficientes para mostrar toda a qualidade do serviço.
E desta forma termino este rápido esgalhanço com um óbvio é tão bom fazer disto o meu trabalho!

O Miúdo e a espetada de gambas. Eu preferi o Bacalhau com broa que estava fantástico. O final foi um doce (claro) de chocolate que me recordo tinha qualquer coisa no nome como Jójó, nome carinhoso herdado do jardim de infância, que muitas vezes os meus coleguinhas usam para me chamar. Foi o que pedi e era divinal. Pronto, passem por Lordelo, espreitem a programação do auditório e comam no "D'Avental".

10 junho 2008

Dia da Raça

O dia parecia ter começado no paraíso: feriado, céu azul, os camionistas a desmobilizarem, os mineiros desaparecidos, lá na Ucrânia, a saírem com vida, a Itália a ser humilhada pela laranja mecânica (e eu que sempre gostei do Kubrik). Eis senão quando uma gaffe do Sr. Silva (assim conhecido na Madeira) veio estremecer a calma que o dia anunciava. “O dia da raça” fez irar o bloquista Rosas, que de inflamada verborreia se indignava na tsf, com o carácter arcaico e racista da expressão. O vulcão era tão grande que se cheirava o mau hálito do douto professor pelas ondas hertzianas. À raiva seguiu-se a pergunta: “gostaria de saber a raça do português que marcou um golo, belo golo por sinal, contra os turcos, e que afinal é brasileiro…”. Referia-se ao Pepe, com certeza. Boa pergunta, sem dúvida, até porque é sabido Petit é de raça Pit Bull. Fui buscar um velho almanaque, “Todos os Cães”, de um tal Pugnetti, italiano que pesquisou as raças caninas e compilou-as num livro excelente, onde além das características do canídeo, a sua alimentação, longevidade média e outras curiosidades, se junta uma foto para melhor se identificar o animal. Nada… não vi o Pepe. De Abel Xavier ainda vi traços no Pelado Chinês, com o seu penteado espetado, e com um bocadinho de boa-vontade lá liguei o João Moutinho ao Akita Inu, uma raça onde a ideia de grande porte não existe.
Teimoso como sou, mudei de enciclopédia. Passei para o reino animal. Além de todas as raças, tenho neste livro, todos os animais mamíferos. Virei-me para os símios e… cá está: macaco-esquilo, com o seu pelo rapado no cocuruto. Respondo assim à curiosidade do Sr. Prof. e com certeza ao problema existencial das últimas 24 horas. Afinal até o Pepe tem raça.
A nossa raça, a das Vozes, é discutível. Pelo facto de usarmos a voz, somos conotados com as aves canoras e com todo o universo Messiaenico (de Messiaen). Seremos rouxinóis, melros, canários, cotovias? Pois não sei. Tenho agora que analisar o meu guia de aves e se possível arranjar sons gravados de cada uma para identificar a nossa raça. O Vilhas parece-me claramente ser um Mocho-Galego.
E já que falo em Galegos, aqui fica o vídeo do dia. Gravado precisamente há dois meses, em Ferrol, no Centro Cultural Torrente Ballester, apresenta-nos a cantar a Berta, dos nossos amigos Mafra. Os galegos são de raça porreira! Recebem e tratam-nos bem. Têm boa comida e bebida, e gostam de festa! A canção, num português com sotaque do Porto, mostra a maior riqueza da nossa raça: a nossa língua!
Do serôdio Professor de História, pois que não encontrei enquadramento canídeo para ele. Haverá, com certeza canis lupus que lhe sirvam, mas neste momento mais do que identificar a raça, julgo precisar urgentemente de uma anti-rábica. E de aproveitar o feriado para fumar o seu cachimbo e relaxar…

03 maio 2008

Até corei...

Acabadinho de chegar de Viseu e ainda impregnado da cultura galega (e do cheiro de tabaco também), li o e-mail que aqui, a seguir, vos deixo:

Olá, Meninos,
tive imenso gosto de ser vossa ouvinte em Lugo(Clavicembalo). Fiquei deliciada com as vossas vozes em geral e com cada uma em particular. Sou prof. de piano em Verín e tratarei de ver se vos querem por cá (por favor: não dancem!).
Sou a pessoa que os viu entrar para o carro enquanto largavam umas carvalhadas tripeiras(perdoem a expressão).

Tanta verborreia para dizer, simplesmente, parabéns!

Que posso dizer? Que até corei! Não pelos elogios. A nossa elevada performance faz com que eles sejam habituais... mas as carvalhadas tripeiras, fizeram-me logo tentar pensar no que se teria passado naquela noite de Lugo. Pois bem, tudo tem explicação. Estávamos a arrumar a mala e o Vilhas naquele seu conhecido dinamismo e rapidez nunca mais saía do sítio. Saíram obviamente as primeiras palavras de desagrado quase todas de pendor racista. Vilhas para realçar a sua brutal desenvoltura neste tipo de actividades, resolve imprimir um ritmo estonteante que o levou a rebentar a pele do meu adufe com quase 30 anos, e que até agora nos tem servido. O coro de protestos pela perda foi enorme e julgo que foi invocada toda a família do Vilhas até à quinta geração, ou seja, aquela que ele próprio apelida de cepa negra.
Nessa altura alguém passou, mas julgando nós tratar-se de um espanhol, e não de uma galega, não vedámos a verborreia (já agora: como se chama quem fala muitas línguas? Um poliglota. Quem fala duas línguas? Bilingue. Quem só fala uma língua? Espanhol...). Enganámo-nos redondamente. Quem passou sabia bem quem nós éramos e escreveu este e-mail lindo, num português irrepreensível! Obrigado... e desculpe...

28 abril 2008

As aventuras ibéricas

As nossas viagens a Espanha começam a ser rotineiras. Desde 2003 que temos ido ao outro lado da península com regularidade. O ano passado foi a primeira vez da Capital... e a verdade é que num instante passou um ano. Exactamente há um ano atrás, estávamos a chegar de Madrid para cantarmos em Lemede, perto de Cantanhede, nas festividades de São Jorge.
Desses dias fica-nos na memória os dias em alto-mar a bordo do Princess Danae, o encontro com o macaco em Gibraltar, a noite no The Artist Factory de Madrid e o leitão de Lemede. Lembro-me também da rouquidão que me apanhou. O ar marítimo faz as suas vítimas...
Para recordar Madrid, penduro o Só Gosto de Ti, como foi cantado nessa noite de 27 de Abril. Cantamos esta versão dos Heróis do Mar desde 2000, altura em que a gravámos ao vivo no nosso "O som maravilha dos Senhores".
E agora está na hora do ensaio. Fiquem bem.

19 abril 2008

O nosso amigo Al

A idade não perdoa e os efeitos têm-se vindo a sentir no seio do nosso grupo. Há quem (e não vou dizer nomes) se esqueça do fato e microfone no guarda-fatos do hotel da Coruña, há quem se esqueça dos ensaios e há quem vá ensaiar sozinho por não ser dia de ensaio. Há quem se esqueça da chave da sala e há quem nunca saiba a data dos concertos e fique sempre com ar de surpresa quando se fala neles. Há até quem já tenha deixado a máquina fotográfica, novinha em folha, algures no aeroporto de Lisboa. A lista é extensa e tem a enorme vantagem de apanhar todos por igual: brancos, pretos, quarentões, trintões e o Miúdo, que apesar de estar na nubilidade, apresenta um cérebro de octogenário.
Esta nossa última passagem pela Galicia teve momentos muito bons, inspirados pela boa companhia do amigo Alzheimer. Em palco houve letras trocadas aos montes e novas harmonias.
A troca de letras é uma constante e mais uma vez apanha-nos a todos. No entanto, o nosso amiguinho Tomi tem uma particular apetência para esta nuance do espectáculo.
O Super-Óme que hoje por aqui se ouve e vê, foi cantado na Fnac do GaiaShopping em Outubro de 2006. O Tomi entrou em pião logo no fim da primeira recta. Os outros entraram em colisão frontal com a afinação, porque se tornou dificil segurar a gargalhada e o Tomi foi de carambola e carambola até ao acorde final. Genial é a expressão dele, a coçar a cabeça, como quem diz: "acho que acabei de fazer merda...". E lindo é ver que desta vez, nem o Vilhas ficou com ar macambúzio, de peixinho amarelo.

13 abril 2008

Obnubilado

Obnubilado foi uma das quase cem palavras que os membros das Famílias Reais escreveram nuns papeizinhos distribuídos na primeira sessão de Coro, realizada em Janeiro. A ideia foi recolher palavras e elas servirem de letra para um original que viria a ser estreado no espectáculo final de Março.
O meu domingo gordo foi passado à volta de palavras como google, Bach, música, albatroz, caramelo, saxofone, surf, pauta, voz... todas as palavras serviram e todas entraram na partitura final. Obnubilado foi escolhido como título apenas e só porque tem ritmo e é invulgar. Já agora procurem aqui o seu significado.
As imagens disponibilizadas na net por um elemento do Coro aqui ficam. A estreia mundial de Obnubilado foi assim! Ou melhor, foi maior porque o vídeo apenas contém um pequeno excerto daquilo que quase pode ser chamado de épico surrealista. Para aqueles que se apercebem da ausência das outras Vozes, explico que os meus colegas se encontravam distribuídos pelos naipes, com excepção do Jony, que estava ao piano.
Famílias! No hi5 temos acrescentado as fotos que nos têm enviado. Visitem-nos e vejam-se. Breve haverá notícias para vós.
Um bom domingo.

06 abril 2008

Corta!

Três semanas depois da apresentação com o Coro das Famílias Reais, é hora de reconhecer que aquilo que pedimos às famílias foi uma tarefa hercúlea. Durante o mês e meio que mediou o primeiro envio de partituras por e-mail, e a apresentação, ouvi comentários como “estás maluco”, “passaste-te de vez”, “é trabalho a mais”, “nunca vão conseguir”. Gente sensata, não só do nosso circuito mais próximo, como até da Casa da Música. Em Fevereiro, no fim do nosso segundo encontro, cheguei a temer que a razão estivesse em todos, menos em mim, em particular, e mais os meus colegas que fizeram deles também as minhas convicções. Em Março, e após o concerto, arrogantemente pude dizer que nunca me engano e raramente tenho dúvidas.
Este trabalho também só foi possível, nestes moldes, porque vivemos no século XXI. E-mails e You Tube foram ferramentas imprescindíveis em todo este processo. Nós gravámos as linhas de todas as vozes e colocamos os filmes no You Tube para as famílias poderem ensaiar em casa, no trabalho, na escola. Foi um verdadeiro tutorial on-line.
A gravação desses vídeos não foi tarefa fácil. Por um lado as linhas não eram muito simples, por outro o nível de concentração dos ditos como artistas não era grande coisa. Vai daí, o erro vem ao de cima. E fartou-se de dar à tona, enquanto a câmara ia gravando.
Esta é a primeira sequência de erros e de gaffes. E reparem, são só dois, dos doze, temas. Por decoro, decorei-a com alguns piiis, que escondem uma verborreia à solta, digna de nortenhos.
Divirtam-se e… famílias, riam-se da nossa azelhice.

Trinaranjus

Acabo de ler, nas notícias actualizadas, que o Futebol Clube do Porto sagrou-se, esta noite, campeão pela terceira vez consecutiva, coisa que aconteceu pela segunda vez na sua história. Apesar do facto não me alegrar especialmente, saco do meu melhor fair-play e parabenizo tão garbosos atletas, que pelo Natal assistiram à performance que hoje aqui deixo.
Este vídeo estava aqui guardado à espera deste dia, que já pelo Natal se adivinhava, mesmo para um benfiquista como eu. Aliás, hoje de manhã, avisado pela mesma imprensa on-line que me deu agora a notícia do fim do campeonato, fiz logo questão de preparar o vídeo e mandá-lo para o tubo. Seria lindo se estas imagens tivessem a mesma sorte das famosas camisolas tri mandadas imprimir no final da década de 70, andava eu na primária, e que tiveram de ser re-estampadas para TriNaranjus, porque dessa vez não houve tri-campeão. Seria, mas não foi, como não é justo deixar de referir que nestas coisas ganha sempre o melhor e o mais bem organizado. E por aí o clube da maior parte dos meus familiares, amigos, colegas e conterrâneos é mais do que um justo vencedor: nada falha no F.C.P.!
À pergunta que tantos me fazem do porquê não ser portista, tendo vivido tantos anos a 10 minutos das Antas, tendo sido atleta do F.C.P., tendo até sido colega do Alexandre Pinto da Costa, nunca encontro resposta esclarecedora. Há um número incontável de argumentos que não vale a pena estar a desfiar, até porque mais uma vez o tubo deu-me a justificação. Carreguem aqui, se forem pouco sensíveis e maiores de idade, e vão perceber porquê. Não direi que os meus amigos se expressam todos assim, não... mas em muitos existe o mesmo espírito provinciano um pouco bacoco, um pouco burgesso, quantas vezes a roçar o doentio. Haverá com certeza a sul o mesmo na vertente verde e na vertente vermelha... mas felizmente não tenho de lidar diariamente com isso... o que não acontece com os dragões daqui do sítio.
E pronto, para o ano há mais! Parabéns aos vencedores!

04 abril 2008

Frenesi

A nossa apetência para a dança é bem conhecida por aqueles que já nos viram ao vivo. Estes oito pés são de uma leveza que poucos se podem orgulhar. Oito, porque o Vilhas permanece estático. Segundo ele, "não dá para fazer a linha de baixo e dançar". À nossa insistência, ele responde com racismo, e por isso lá nos habituamos a ter um mono na ponta, que contrasta com o gingar sedutor dos caucasianos.
A coreografia do Frenesi, não sei bem como começou. Puxei até pela cabeça para saber se com o Mário já dançávamos este clássico latino. Não encontrei resposta. Não me lembro... Cantar, já o cantamos desde 2000, pois até está no "Som maravilha dos Senhores".
Hoje à subtileza dos passos, à elegância dos movimentos, junta-se a pureza das vozes, a afinação irrepreensível... isto tudo seria verdade se hoje fosse o primeiro de Abril. A verdade é outra...
O mar empurrava-nos de um lado para o outro, a imagem está de lado, fartámo-nos de tropeçar uns nos outros e em nós mesmos, e poucas são as notas que se aproveitam. Foi o verdadeiro frenesim em alto-mar, na primeira noite do Cruzeiro Fitness, que ocorreu em finais de Abril do ano passado. Este Frenesi não foi garantidamente o nosso melhor, ainda assim, pela diversão e pela memória, merece estar aqui pendurado no tasco. Ah! E não faltou a dedicatória à Sónia Araújo, que fez a viagem connosco e que assistiu na primeira fila à desgraça dos bailarinos!
Bom fim-de-semana.

02 abril 2008

Mais e mais internet

Já passaram quase três semanas do nosso concerto com o Coro das Famílias Reais e continuamos a receber mensagens, fotografias e vídeos. Por confessado orgulho, não resisto em deixar aqui mais dois testemunhos recentes:

Sem dúvida que todos os momentos vividos durante este projecto foram enriquecedores, pois apesar de evoluirmos a nível musical, também conhecemos os míticos Vozes da Rádio, que revelaram ser para além de excelentes profissionais, excelentes pessoas. É surpreendente como, depois uma semana do concerto final, ainda dou por mim a cantarolar "Tua Natureza" ou "Caramelo", tanto eu como o meu irmão o fazemos inconscientemente.
Queremos agradecer por todos os momentos partilhados, e esperamos que hajam mais projectos deste género e também esperamos por concertos vossos cá para o Norte, quem sabe na própria Casa da Música.
Obrigada por toda a paciência, dedicação e empenho da vossa parte.

Bom dia Jorge Prendas e VdR!
Ainda hoje me emociono ao ver e lembrar a grande aventura das familias reais na qual conseguiram reunir e motivar jovens dos 7 aos 77 anos (literalmente).
Este acontecimento foi também uma inesquecível vivência 'em família'.
Durante as mais recentes férias este foi o assunto de todas as conversas e todos são unânimes nos elogios à iniciativa. Os VdR conqusitaram um grande grupo de fãs!
A esta altura não posso acrescentar mais aos rasgados elogios e agradecimentos que já lhes enviaram, mas posso pela minha parte agradecer também e esperar novas iniciativas Reais!
Às Vozes da Rádio, à Casa da Música e a todos os que contribuiram para esta fantástica experiência,
Muito Obrigado!

Com este tocante e-mail vieram mais uns links do Youtube com imagens únicas do concerto. Fica aqui a entrada, numa perspectiva diferente daquela já aqui apresentada. Naipe a naipe lá vão entrando os cantores e tomando o seu lugar, todos de lancheira e fato de domingo, ora não fosse terminar tudo num pic-nic. Mesmo no final a nossa entrada! Para breve mais filmes!
E já que falamos em internet nada como espreitar o nosso my space: www.myspace.com/vozesdaradiomusic Apareçam por lá, ouçam e comentem. E como novidade já está lá o calendário para os tempos mais próximos.


26 março 2008

500 Vezes

O título só por si diz tudo: esta é a cinco centésima vez que se abre o ecrã de "nova mensagem" e que um de nós (mais um do que outros) esgalha aqui no blog. O número redondo só por si justifica o destaque e serve para prometer muitas e cada vez piores crónicas aqui no tasco. Pelo menos da minha parte. Dos outros, sei que alguns estão a acabar o 1º ciclo e já conseguem alinhavar uma frase completa com poucos erros. Os correctores de texto dão uma boa ajuda a jovens escribas. Como tal esperam-se, também deles, contribuições brilhantes para breve, quanto mais não sejam cópias dos livros escolares.
No entanto, para este escrito não ser algo sem conteúdo cultural aproveito para agradecer as várias contribuições que nos têm chegado no galeria@vozesdaradio.pt. Temos fotografias de alto nível que podem ser vistas no álbum famílias reais que se encontra no hi5.
Uma das visões dantescas daquele memorável domingo à tarde, é esta foto que aqui vos deixo. Depois de a ver e rever levanta-se a questão: que copa usa o rapaz? Felizmente os meus pais não têm internet, senão ter-lhes-ia de explicar bem que nunca injectei hormonas...
Triste figura humana! Não sei se depois de ver isto, conseguirei conviver comigo próprio... e com o Tomi também.

23 março 2008

Amêndoas de Páscoa

As amêndoas de Páscoa que hoje aqui vos deixamos, são mais uma daquelas maravilhas que o mundo cibernético nos proporciona. Esta contribuição para a cultura global não é nossa. Presumo que tenha sido posto por algum familiar que esteve no domingo a ver as Famílias Reais. Uma pesquisa rápida deu-nos logo acesso a estes dois excertos do grandioso concerto de há uma semana atrás.
A primeira amêndoa diz respeito à entrada em palco. As famílias irromperam pela sala, já com a assistência sentada, a cantarem um cânone que ensaiámos nas três sessões. Cada cantor entrou com a roupa de pic-nic e a cestinha, e tomou o seu lugar no estrado.

Depois, com a nossa entrada, o espectáculo prosseguiu com o desfiar de canções. A segunda amêndoa é um excerto da "Tua Natureza", em versão Vozes da Rádio + Vozes femininas do Coro das Famílias Reais. O Tomi não aparece porque se infiltrou no meio das sopranos e eu estou no outro lado da sala sentadinho ao piano.
Para já são só aperitivos. Ou amêndoas, dado o dia. Para breve teremos aqui as versões completas. Um obrigado para quem colocou estas recordações no tubo!
Boa Páscoa.

20 março 2008

Famílias Reais, os números

Os números são, nos tempos modernos, o deleite dos estudiosos e dos políticos. Desde meados dos anos 90 adquiriram um significado maior, sobretudo quando um conhecido comediante da altura gaguejou várias vezes ao pretender fazer uma conta de cabeça que misturava números (6%) e letras (P.I.B.). O sketch terminava com o dito humorista a repetir de forma obstinada: “basta fazer as contas”. Este gag ainda hoje é referência para jovens artistas comediantes que se querem iniciar no mundo da política. Pegando na ideia dos números e para facilitar futuros estudos sociológicos e estatísticos, aqui vos deixo alguns. 23 Famílias. 109 Elementos. 5 Vozes da Rádio. 12 Músicas, maioritariamente a 4 vozes mistas + Vozes da Rádio. 88 Teclas do piano, usado 3 vezes e 6 cordas da guitarra tocada 2 vezes. 3 Dias de trabalho mútuo distribuídos por 3 meses: 1 dia em cada mês. 3 Horas por cada sessão, o que perfaz 9 horas de trabalho em conjunto. 41 Linhas de voz gravadas pelas Vozes da Rádio e colocadas no YouTube, para ajudar no estudo de cada uma das partes. Estas 41 linhas foram vistas por 1578 vezes. 973 Compassos. 20 E-mails com material, enviado para as 23 Famílias, durante os dois meses. Cerca de 60 minutos de espectáculo. Centenas de quilómetros percorridos pelas famílias que vieram de Vila Real e de Castelo de Paiva. Milhares de folhas imprimidas e com certeza alguns tinteiros vazios. Estes são alguns dos números que me ocorrem. Felizmente continuamos a receber mensagens que são muito boas de ler. Deixo aqui mais duas e mostro as primeiras fotografias do evento, graças à colaboração de uma família. Para as famílias está ainda prometido um apanhado de todas as fotos e filmes feitos nos ensaios e no concerto para não esquecerem esta aventura.

Caros “Vozes da Rádio” Acordar a trautear a “Tua Natureza”…Cantar “As sobrinhas solitárias” a caminho de mais um dia de trabalho…Chegar a casa e encontrar o filho no seu “mundo de férias” trauteando o “Obnubilado”…Coisas muito comuns destes dois primeiros dias do “pós festa do Coro das Famílias Reais”. Costumo dizer que “Só sabe da lida quem lida com ela..”. E…vocês são uns mestres da arte… Não há palavras para adjectivar a forma como conduziram toda esta “loucura” e como nos conseguiram contagiar! Exemplo disso foi o prazer com que me empenhei na planificação dos famosos chapéus. Tanto trabalho da vossa parte merecia, no mínimo, uma correspondência da nossa. Obrigada. Continuem! Um abraço

Adorei esta experiência e para o ano, se houver mais, quero repetir ! Porque é que não fazem mais espectáculos em grande, como vocês são? Vou ter saudades de toda esta experiência e quero comprar já, todos os vossos cd`s, pois ficam no ouvido e não paro de cantá-las todos os dias. Até o meu filho já sabe todas, só de me ouvir. Quero dar os parabéns ao "grande artista e compositor" Jorge Prendas, que tem músicas LINDAS ! Os parabéns vão lógicamente, para todos os "Famous Five"(sem o cão) e continuem sempre assim,com todo esse humor e entusiasmo-Homens do Norte-que ainda me faz sentir mais orgulhosa e ferrenha do Norte. PARABÉNS !
Vejam que lindo colorido conseguimos com os barretes! Toda a gente equipada à família-que-faz-pic-nic-ao-domingo. Olhem para os cestinhos da comida, as lancheiras e os sacos térmicos. Quanto à nossa roupa, peço desculpa pela barriga, que só nestes preparos fui capaz de reparar. Prometo levar melhor roupa para o próximo passeio de domingo.

A volta do Super-Óme

Ainda não é hoje que começo a pôr por cá imagens e sons das Famílias Reais. Não é por falta de material, mas por falta de tempo para o organizar.
Volto atrás, até 30 de Dezembro, e recupero a nossa participação no Concerto Promenade. Já aqui mostrámos imagens da nossa parceria com a Orquestra Clássica de Espinho, cantando e tocando o Super-Óme. Os mais afortunados de memória lembrar-se-ão do meu esgalhanço da altura, em que lamentava a triste gravação que a Antena 2 fez no local: tudo desequilibrado e uma orquestra que não se ouvia.
Felizmente há telemóveis e há gente que grava, nem que seja pequenos excertos, para recordar... ou então para ceder ao professor. Foi isso que o Álvaro fez e eu com muito gosto espeto na parede do tasco com este excerto made by Nokia, onde se consegue ouvir melhor a orquestra e os dois solos: um de saxofone e outro de euphonium.
O porquê dos solos tem história. A Orquestra Clássica de Espinho é composta em boa parte por alunos da Escola Profissional de Música de Espinho. Os alunos regularmente participam nos estágios da orquestra. Uns mais do que outros, é claro. Muitas vezes não se trata de uma questão de talento: é mesmo uma questão de instrumento. Os dois solistas, meus alunos, estando no último ano nunca tinham feito um estágio de orquestra. Convenhamos que sax e euphonium não fazem parte do repertório básico e normal de uma orquestra. O sax é mais útil na animação de circos e o euphonium (vulgo bombardino) é estrela nas bandas. Só esgravatando um pouco é que aparece um Bizet com sax ou um Holst com euphonium. Ora nada disto se atravessou no caminho dos jovens estudantes, e eles, tristes, estavam na iminência de acabar o curso sem uma experiência de orquestra. Por isso, e acima de tudo porque são dois fantásticos companheiros de sala, eu não poupei em notas e escrevi-lhes linhas de solo, obrigando-os assim a sentarem-se lá no meio das estantes.
Assim podem, desta vez, ouvir (ver pior, bem certo) os solos da Rita e do Luís, colocados lá pró meio do Super-Óme.