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20 abril 2011

E daqui a pouco... 20 ANOS!

Quando em 1852 Stephen Foster escreveu o Massa's in the cold, cold, ground, não esperaria que passados 139 longos anos, com 2 guerras mundiais pelo meio, um grupo de mancebos da cidade do Porto se iria estrear cantando tal canção. A verdade é que a 21 de Abril de 1991, em plenas comemorações do 25A, subimos ao palco pela 1ª vez, no salão paroquial de Perafita onde cantámos esta e outras canções. Estreia em grande de que existe o registo audio! (não sei é onde...)

O sucesso meteórico do grupo levou-nos à RTP logo no mês a seguir e claro, também no estúdio do Bom Dia, arrancámos com a canção do senhor Foster. Playback bem feito da maquete que gravámos no estúdio do Quico Serrano... bom, o correcto será dizer na varanda da casa do Quico, ali à bica da Rotunda da Boavista. Essa aventura será aqui relatada dentro em breve.

Vinte anos já passaram e além das roupas ridículas, muitas outras coisas mudaram. As barrigas cresceram, os cabelos grisaram e até as pessoas foram mudando. Deste tempo resto eu.

Deixo aqui a estreia televisiva. Ao nosso rítmo alucinante, junta-se a extraordinária dinâmica da Ivone Ferreira que faz deste vídeo um dos mais chatos do youtube. No entanto é história. Pura história com 20 anos! Ouçam, vejam e não adormeçam. Ah! E parabéns a nós!

26 maio 2008

Marcar o ponto

É só isso que me traz por cá. Picar o ponto! É dizer que passei no tasco que nem todos estamos bem de saúde (o Jony avançou hoje para a segunda toma de penincilina em menos de uma semana! Da-lhe aí bravo! Estamos contigo) e que para a semana vamos estar num auditório com um nome no mínimo curioso, A Lord. Também posso dizer que no Dia Mundial da Criança estaremos com a cara, o corpo e a voz na SIC. Enquanto tudo isto se passa, comovemos o Capitão Moura, com o nosso hino!
Boa semana... e fica aqui uma foto da gravação do vídeo "Ponte ao meu lado". Parecem os Bee Gees, ou algo ainda pior!

02 agosto 2007

Margarida

Sou uma daquelas aves-raras que não tem grande apreço pelas férias. Mesmo que elas impliquem viagens para locais desejados, ao fim de pouco tempo fico irritado, a inventar mil e uma coisas para fazer, e quantas vezes os massacrados são os meus coleguinhas de grupo ou as pessoas que trabalham connosco nas Vozes. Creio mesmo que estas pessoas também já começam a não gostar das férias com medo dos meus impulsos criativos e dinâmicos… ocupadinho, sou bem mais fácil de aturar.
Há no entanto dias que gosto muito. Aqueles que, estando de férias, tenho pequenas ocupações. Ontem foi um deles. Dentista logo pelas 8h30m, para entregar a minha avença semestral ao Dr. Mário, depois fui fortificar músculos no ginásio (a propósito, estou a ficar impressionantemente grande. Olho-me ao espelho e já nem me reconheço…). À tarde uma tertúlia agradável com companhia de elite e ainda sobrou tempo para a grande tarefa da estação: arrumar o escritório.
Entre o dentista e o Holmes encontrei a Margarida. Velha amiga dos tempos de Conservatório, é daquelas amigas que por muitas voltas que o mundo dê, por muitos dias que passem sem nos vermos mantém-se exactamente a mesma ligação de amizade. Não sei há quanto tempo não a via, mas ao revê-la ontem, foi como se tivesse estado com ela na véspera. A conversa e o café que tomámos só não durou mais porque ela tinha de trabalhar.
No fim da conversa fez-se luz na minha cabeça e perguntei: “olha, tu és destes dias…”, “sim amanhã, dia 2!”. Lá está, mais uma de Agosto. É incontornável!
Por isso hoje ponho aqui a nossa Margarida, mantendo-se a incógnita se esta música é para ela, ou não (já aqui abordada). Verdade é que o Mário (que a compôs) também fazia parte do mesmo “núcleo” de amigos do Conservatório. E verdade também, é que (tal como hoje) ela era bem merecedora do refrão… Beijinhos Margarida!



Lindos os meninos na festa de aniversário da TVI em 1995. Os fatos são desenhados pelo Nuno Gama e são pintadinhos à mão. Um dia destes tento colocar o meu na Sotheby's dizendo ter sido usado pelo Jimi Hendrix.

30 julho 2007

Gaudêncio

Tenho constatado de há anos a esta parte que as grandes estrelas nascem em meses quentes. Não há lei nem regra que o prove, mas a observação atenta leva-me a esta conclusão.
Outra conclusão a que cheguei há muito, é que a elite das estrelas, o supra-sumo do brilho estrelar, provem dos que ao nascer são aquecidos com o bafo do Leão. E se dúvidas têm sobre esta minha certeza, esperem umas semanitas...
Hoje uma dessas estrelas únicas faz anos. Faz 50 anos, que é, para os tempos que correm, a idade em que deixamos a adolescência e começamos a ser crescidinhos.
Sobre os concertos, gravações, programas de televisão, viagens que fizemos iluminados com esse brilho, já aqui fomos falando. Muito mais há para falar e apresentar, mas também não tencionamos fechar o tasco brevemente.
Hoje este esgalhanço é só mesmo para deixar ao Rui um enorme abraço a cappella. Que pelo menos contes mais 50 (e nós também, como é óbvio).


Mais uma recordação do Porto Cantado, em 2001. Nós e o Rui cantámos o Arménio. Além deste tema também há para ver no senhor do tubo Porto Sentido. E há para ouvir o "Aperta o Cordão ó Berta" no "Sete e Pico..." já disponivel nas lojas da especialidade. No entanto, as nossas parcerias com o Rui são bem mais... Um dia faço uma lista e esgalho-as aqui.

15 abril 2007

De volta à RÊTÊPÊ

Amanhã voltaremos ao Monte da Virgem para, pela primeira vez, cantar um dos temas do nosso próximo trabalho. Como têm sentido pelos hiatos entre esgalhanços, estamos com o tempinho ocupado em escrita musical, ensaio e estúdio, tudo para assegurar um trabalho que saia já certificado com o ISO9001.
Exactamente pelo facto de amanhã reencontrarmos o tio Júlio, aqui vos deixo imagens do nosso primeiro encontro com o Júlio Isidro. Foi há 13 anos (completam-se no dia 24 de Abril), o programa chamava-se “Turno da Noite”, a estação era a TVI e nesse dia de 94 fomos estrear a nossa versão para os “Índios da meia-praia” do Zeca Afonso. O tema, incluído no álbum “Filhos da Madrugada” foi o primeiro que gravámos em disco e sozinhos.
De reparar que já por aqueles dias o Vilhas primava pela ausência, tendo sido substituído por um rato de peluche. Esta acção foi algo que na altura não foi entendido. Acho que ainda hoje nem nós percebemos porque o fizemos… mas marca a diferença!
Então, até amanhã no “Portugal no Coração”!

13 abril 2007

Mulheres II

Em finais de Abril de 2005 foi editado o nosso álbum “Mulheres”. Por esses tempos andámos no circuito televisivo de promoção do novo produto, cantando o tema “Tu lês em mim”, mais conhecido entre nós, e não só, como o “peixinho amarelo”.
As imagens que aqui se apresentam têm exactamente 2 anos e foram gravadas num programa da RTP, que sinceramente não me lembro do nome, do que tratava, nem o porquê daquela maratona televisiva em directo onde estivemos envolvidos. Lembro-me apenas, que foi essa a primeira vez que pisámos as novas instalações da RTP e da RDP, ali para os lados da Expo. Coisa bastante arejada e a cheirar a novo, bem diferente dos tempos da rampa da alameda das linhas de torres, para os lados de Alvalade. Tão arejado aquilo é, que passámos o playback a tentar disfarçar os efeitos do forte vento que nos ia abalando e levantando as guedelhas. O efeito é mais notado em mim, que ironicamente canto “… e eu brinco nas ondas do teu cabelo”. Com aquela ventania as ondas viraram marés vivas, a brincadeira virou batalha, e eu, capilarmente falando, virei Nuno Gomes, mais preocupado com a cabelugem do que com a minha função de troante.

21 março 2007

Primavera

Hoje deu-me para a nostalgia e para as recordações. Mas como em tudo, há sempre uma explicação. Se a memória não me atraiçoa muito, foi exactamente há 15 anos que estivemos no Monte da Virgem a cantar este Them there eyes para o Sr. Goucha ainda de bigode e o Juca Magalhães ainda no entretenimento. Novinhos, bem novinhos, podem ver-nos exuberantemente vestidos (não me ocorre outra adjectivação, ou melhor, ocorre mas este blog é lido por menores…) pela Sodona Laura Rodrigues, a voz activa da Associação dos Comerciantes do Porto e especial amiga do Senhor Pinto da Costa. Podem rever a formação inicial das Vozes e ouvir-nos um pouco desafinados, é certo, mas cheios de boas intenções.
Outra das justificações para este momento regresso ao passado, é que há oito dias atrás cruzei-me com o Rouxinol de Perafita, estava ele em trânsito de Turim para Nova Iorque com paragem (e cantoria) em Bruxelas. Confessou-me ele, que quando pode, passa aqui pelo cantinho das Vozes. Pois rapaz, entra à vontade e mata saudades dos tempos a cappella… e já agora vai dizendo por onde andas. Os nossos leitores de Kuala Lumpur ficarão satisfeitos se anunciarmos aqui os teus concertos.

04 fevereiro 2007

O primeiro vídeo!

Depois de alguns pedidos e reclamações (reparem que escrevo alguns e não muitos, porque o conceito de muitos não se aplica a um grupo de culto como o nosso) aqui deixo o nosso primeiro vídeo.
Retirado do nosso canal memória, este “Di Você” foi o primeiro single do álbum “Bruxas, Heróis e Males d’Amor” de 1995. Foi a nossa estreia em disco, depois da participação no álbum “Filhos da Madrugada” de 94 onde cantámos os “Índios da Meia-Praia”.
Lembro-me que na altura foi muito pouco entendido, não só este “Di Você”, como todo o disco, porque julgo que a ideia do humor não passou para todos. Recordo com um sorriso a nossa participação no “Parabéns” do Herman, e a forma como toda a equipa assistiu ao nosso ensaio de som. A cara da Maria Rueff é inesquecível transparecendo qualquer coisa do tipo “é a sério, ou a brincar?” ou “quem são estes palhaços?”. Espero que ao fim destes 12 anos ela já tenha obtido resposta. Na verdade só a crítica do Publico, na altura escrita pelo Luís Maio, percebeu exactamente o nosso humor e o que queríamos fazer. Ah! E o grande Toy que um dia nos disse: “gosto dessa forma de gozarem com os pimbas no “Di Você”, com uma letra sem conteúdo. Muito bom”. Muito bom, digo eu também!
O que interessa é que nos divertimos a valer com a realização deste vídeo. Recrutámos amigas, amigos, fomos para o Parque de São Roque e passámos 2 dias a rir. De referir que a Milena, na altura uma teenager, é hoje uma actriz de qualidade e sucesso, daquelas com diploma e tudo, de nome Patrícia Portugal e que a pequenita Milena que joga “pelas pedras da calçada” é hoje uma pré-universitária e continua linda como na altura. Para terminar fica o nome do realizador, Rui Fazenda, que fez um trabalho que ficou como queríamos: estilo vídeo de casamento, para pior…

21 janeiro 2007

Ai, Margarida!

Este esgalhanço vai direitinho para o Bernardo, discípulo brilhante, com quem tenho partilhado além de aulas de música, muitos cafés e conversas sobre tudo.
Um dia (talvez já há uns dois anos) diz-me o Bernardo: “tenho uma enorme recordação de infância, tinha eu uns 4 anos, e vi um grupo na televisão que cantava sem instrumentos. Acima de tudo lembro-me perfeitamente que numa certa altura simulavam tocar nas cordas do mais escurinho.” Expliquei ao Bernardo que não somos tão racistas assim, que não possamos tocar no nosso querido Vilhas. O Bernardo além da cena dispensável que o marcou tanto (e que poderão ver aqui em baixo) lembrava-se até da roupa assinada pelo Nuno Gama. Os fatos que um dia baptizei de fatos EDP, por motivo que terá direito a esgalhanço um destes dias.
Quem é a Margarida? Esta pergunta já foi nos feita centenas de vezes. A verdade é que só o Mário poderá responder com precisão, visto ser ele o pai da letra e música. Será a nossa amiga Margarida dos tempos de Conservatório? Ela carrega todas as qualidades para nos deixar… assim, como se fala na música. Será a Margarida Pinto Correia, que um dia nos confessou adorar esta música por tomá-la para si? Será a Margarida do Pato Donald? Para mim, cada um tem a(s) sua(s) Margarida(s). E ainda bem porque se o seu “olhar está impregnado de sal”, é esse o sal que precisamos nas nossas vidas. Continuemos pois a humedecermo-nos “só de olhar para ti!”
Esta versão foi cantada numa manhã de Junho de 94, nas vésperas do concerto “Filhos da Madrugada” em Alvalade e não é exactamente igual àquela que gravámos no nosso primeiro disco. Nesta altura éramos sexteto, tínhamos nos pés uns sapatos-socas também do Nuno Gama e estávamos mais magros. Já passaram quase 13 anos! Meu Deus, estamos a ficar velhos…

01 janeiro 2007

Previsões para 2004 - Tomi

Fim da saga. Tomi e o Becas. O futuro da música portuguesa passou por eles. Grandes previsões, apesar de uma delas se ter concretizado apenas no ano a seguir. Mas a isto se chama um homem de visão, um homem sem barreiras. Previu-se que o disco Mulheres iria sair em Maio de 2004. Só o ano não estava certo. Foi em 2005. Mas o essencial está lá.

Para este ano não arriscamos previsões. Cada vez mais o mundo é imprevisível. Cada vez mais o dia-a-dia nos finta as previsões. Por isso, vamos é tentar contar os 365 dias de 2007 e daqui a um ano estar outra vez aqui no blog a escrever uma outra qualquer imbecilidade. Só isso já me chega. Um bom ano!

Previsões para 2004 - Jony

O Jony a ler o futuro num portátil, como a Cristina Candeias o faz na Praça da Alegria. Mas há diferenças entre os dois: o Jony faz profecias com crédito e não tem uma tatuagem nas costas. Haverá mais com certeza, mas fiquemo-nos por aqui.
No entanto, nesta noite, ele não estava muito inspirado. Estava com a cabeça na Isabel de Herédia (será algo platónico?) e na indubitável esperança do regresso da monarquia, o que acabou por baralhar todas as suas previsões. Apesar de eu certa vez o ter cognominado de Conde Diospiro, em virtude das suas opções políticas, o Jony é um acérrimo defensor da monarquia e anseia o dia em que o povo em uníssono grite vivas a El-rei de Portugal e dos Algarves e o exulte cantando com alegria “O dia em que Rei fez anos” pelas ruas de Condeixa, de Odeceixe e Aljustrel.

31 dezembro 2006

Previsões para 2004 - Joca

Sou eu, o vidente de serviço, com um baralho made in Hong-Kong, mas pleno de ocidentais. As fotografias são de excelente qualidade em estilo technicolor, o que joga bem com o conteúdo. Acho até que este baralho é do início dos anos 60 e julgo que foi oferecido ao meu avô. As modelos parecem todas Marilyns na primeira Playboy.
Chamo a atenção para o discurso inicial onde refiro o problema das ilegais. Também já aqui escrevi sobre isso, porque me inquieta, mexe comigo. E em três anos não mudei a retórica. A isto chama-se coerência!

Previsões para 2004 - Miúdo

A vez do Miúdo com a sua bola enigmática. Ele, melhor do que eu, pode contar a história desta bola de bilhar com poderes mágicos. A verdade é que a nossa insanidade levou-nos ao ponto de consultarmos a bola em estúdio, enquanto gravávamos o disco “Natal” e logo a seguir o “Mulheres”, para saber se devíamos parar para jantar, prosseguir, para saber se o take estava bom… divertíamo-nos com aquilo, a bola acompanhava-nos para todo o lado, desabafávamos com ela e não há muito mais a dizer…
Um dia o Miúdo guardou a bola e nunca mais nos deixou jogar com ela. Foi uma pena, até porque para a história fica um fim de noite, depois de um concerto, em que alguém que nós conhecemos, com alguma credulidade, perguntou à bola se a filha iria ser feliz no casamento. A bola disse NO. A verdade é que se concretizou a profecia.

Previsões para 2004 - Vilhas

Inicio agora uma saga que terá 5 episódios, qual guerra das estrelas, onde recordo as previsões que fizemos exactamente há 3 anos na já saudosa NTV. O programa era o XPTO já aqui falado, com os anfitriões Ana e Luís, e nós fomos os bobos da corte do último programa de 2003.
As primeiras previsões ficaram a cargo do Rui Vilhena, o nosso Vilhas. E se fizermos agora o balanço, podemos atribuir ao nosso Prof. Caramba das Vozes, uma taxa de sucesso bem superior àquela que a Maya ou mesmo o saudoso Zandinga costumam ter (presumo que o Zandinga já não tenha). Senão vejamos: o Porto campeão europeu em 2004… e não é que foi? Portugal na final do Euro com a subtileza por parte do Rui de não dizer quem iria ser o vencedor… e não é que bate certo?
Pois é amigos, que se cuidem os tarólogos, as ciberbruxas, os videntes das estrelas e os professores feiticeiros, que num grupo a cappella há gente com poderes bem mais fortes que eles todos juntos.

20 dezembro 2006

Memórias do Natal V

Esta memória é de 1999. Talvez por ser um ano mítico em termos de ficção científica, este foi o ano em que pior vestimos. Basta um rápido olhar pelas indumentárias dos Senhores para pensarmos logo em filmes de temática espacial com low-budget, ou em hardcore italiano dos anos 70. Há ainda a hipótese de se tratar de uma banda sueca da década de 80 com insuficiência de gosto.
Mas não. São portugueses mesmo no fim dos 90 com extrema necessidade de mudar de guarda-roupa.
Quanto à música, é mais um clássico de Natal que anos mais tarde seria gravado no disco Natal, já sem o Mário Alves, mas com o Miúdo em grande forma.
Resta ainda acrescentar que este foi um programa de Natal gravado em Miramar, ou na Granja aqui perto do Porto. Lembro-me que teve como apresentador o sr. Goucha e como convidado entre outros, o Quim Barreiros. Foi transmitido a 24 de Dezembro à noite, o dia em que não se liga a televisão à hora de jantar. Ainda bem!

17 dezembro 2006

Memórias do Natal IV

Mais uma recordação televisiva de Natal. Esta de 2003 e num canal que já não existe: a NTV. O programa chamava-se XPTO e supostamente era para os jovens malucos e inconscientes. Estávamos ali a apresentar o nosso disco Natal, que tinha sido editado por aqueles dias. Tudo cantado ao vivo, num espaço onde não caberia nem mais um, e com a apresentação de dois amigos: a Ana Rita e o Luís Oliveira. Neste momento quer ela, quer ele, deixaram esta nossa terra onde se gosta de viver e mudaram-se para a terra onde se tem de viver. Ela está na SIC e ele (companheiro de noites na Rádio Nova, durante a gravação do Dia dos Senhores) está na RTP. Para os nossos amiguinhos beijinhos, abraços e um Feliz Natal!

10 dezembro 2006

Memórias do Natal III

Cá vai, tal como o prometido, mais uma memória de Natal. Esta, bem do fundinho do baú. Estávamos em 1991 e pela segunda vez apresentávamo-nos televisivamente. A versão do Silent Night aqui cantada é quase igual à que temos gravada no nosso disco “Natal”. Mudam uma meia dúzia de notas e o idioma. No “Natal” puxamos do nosso melhor alemão e cantamos na língua de Goethe, Beckenbauer e Werner Herzog.
Deste tempo resto eu. Os outros, quais Trotskis, foram sendo selectivamente apagados da fotografia. Para eles, um Feliz Natal! Ah, e para ver e rever está o Goucha e seu bigode estilo 91 e o nosso amigo Juca Magalhães quando ainda praticava basquete e apresentava programas de entretenimento. Foi mesmo há muito tempo.

26 novembro 2006

Wer macht mir

Quanto mais estranhas e absurdas são as canções, mais nós devemo-nos esforçar por explicar o seu sentido, a fonte inspiradora, a história que está por trás. Isto ando eu a fazer há uns 6 anos quando cantamos este original nosso… ainda assim poucos parecem convencidos.
Certa noite, de regresso ao hotel depois de um concerto, faço o habitual zapping pré- repouso nos braços de Morfeu. Lembro que já era tarde. Dei comigo parado num canal alemão onde um talk show tinha como assunto “wer macht mir ein baby?” que o meu péssimo alemão ainda conseguiu traduzir: “quem me faz um filho?”. Todo o sono se dissipou e maldisse a minha ignorância de não saber mais alemão. A meia dúzia de meses de aprendizagem da língua de Goethe no Conservatório não deu para perceber quase nada. No ecrã estava uma moderadora, uma Fátima Lopes de porte germânico e cinco donzelas, mais balzaquianas que donzelas, que apelavam à caridade masculina no intuito de conseguir de um macho o esforço e empenho necessário para as fertilizar! Lindo. Lembrei-me logo que faço parte de um quinteto que podia, não fosse a distância e a barreira linguística, corresponder aos anseios e assim cumprir o que São Paulo tão bem escreveu aos Coríntios: “Mesmo que eu falasse a língua dos homens, … sem caridade eu nada seria”. E bastava ver 1 minuto do programa para perceber que só mesmo por caridade…
Adormeci com aquela ideia. De regresso ao Porto partilho-a com um parceiro de canções, o meu primo, que além de cultura vasta e vocabulário farto possui igualmente a loucura que certifica a nossa consanguinidade. Falei-lhe num refrão forte e numa coisa polilinguística. Ele surpreendeu-me com a letra perfeita: em cinco línguas (alemão, francês, inglês, italiano e castelhano), tantas quantas as bocas que cantam, uma história idílica (chamo sobretudo atenção à poesia que emana do verso “something’s itching down there”) e estava feita a canção. Gravámo-la ao vivo em 2000 e desde aí tem-nos seguido. O que aqui se apresenta é a versão apresentada no Coliseu do Porto aquando do Porto Cantado em 2001, integrado no Porto Capital da Cultura.

22 novembro 2006

R.I.P.

O dia hoje é de consternação para as Vozes da Rádio. O nosso companheiro de vídeo, candidato a melhor actor secundário no ano 2005, o peixinho amarelo, sucumbiu esta noite após prolongada doença. Estes últimos dias, já os passou acabrunhado no fundo do aquário, evitando dialogar comigo, apesar da minha insistência.
O meu maior problema agora é explicar a uma criança de três anos que o peixe esticou as barbatanas. Pensei já em três estratégias. A primeira chamaria a realista. Explico-lhe que a vida tem um outro lado e que se chama morte. Que um dia o papá também vai passar para esse lado, tal como peixinho e que a diferença é que em princípio o papá não vai acabar num saco do Continente com a inscrição “a marca do seu Natal”. Não que o papá precise de uma urna em jacarandá, pau-rosa ou sucupira. Basta-me um saquinho daqueles que se usam nas tragédias para ensacar cadáveres, desde que tenha uma cor discreta. Outra hipótese é a fantasista. O peixinho largou o nosso lar para ajudar o pai natal que nesta altura anda carregadinho de trabalho. Depois do Natal voltará a nossa casa, bem disposto e pronto para mais uns mergulhos. A terceira via chamaria de via-sacra. Deus, que no paraíso também tem os seus lagos, neste momento precisava de uma carpa bonita como a nossa. Nós, como gostamos de partilhar, demos-Lhe o nosso companheiro. Ficamos todos felizes… enquanto não me decido, deixo aqui uma visão póstuma do nosso amigo.