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26 outubro 2011

Pack ou pacote?

Aproxima-se uma das épocas mais bonitas do ano. Sinto-o todos os anos quando leio o anúncio de que "este domingo muda a hora". Mal leio, penso logo pra mim: é o Natal a chegar. Ora hoje vi no Expresso online o título "Domingo muda a hora".


Este ano será um Natal mais modesto: com menos 50% nos bolsos, não haverá tanto embrulho debaixo da árvore. Já ouvi muitos amigos a queixarem-se destes tempos menos fartos, mas gosto sempre de ver as coisas pelo lado positivo: a família voltará a dar-nos lenços, peugas e pijamas, como dava antigamente, deixando de lado os gadgets e outras inutilidades tecnológicas ou não, compradas nas lojas dos chineses! O Natal vai voltar a valer a pena!


Foi a pensar nisso que num dos nossos concertos lancei o pack 4 discos de Natal por 20 €! Isto sim, vale a pena comprar! Ficam com 4 belas prendas para dar, que não deixam de funcionar passados 4 meses, e que têm sempre lugar nos ouvidos e no coração.


A verdade é que pack é só mais um estrangeirismo foleiro. A palavra portuguesa é pacote. Só que há logo sorrisos maldosos quando se pronuncia a palavra pacote...


Talvez para desmistificar, alguém o assumiu dando nome à sua pastelaria. Não há dúvidas, como podem ver aqui em baixo.


Pois para terminar este minha croniqueta resta-me dizer-vos que as Vozes têm os pacotes preparados para vos enviarem com 4 cd's de Natal. É só quererem-no levar!

14 maio 2011

Acordo linguístico ou ortográfico?

De um dia para o outro, a palavra entrou no dia-a-dia dos portugueses, como se de uma novidade se tratasse. Toda a gente acordou na quinta-feira a olhar para o baixo ventre e a apeceber-se que eles afinal existem! Catroga, mesmo antes de ser (se é que chegará a ser) ministro das finanças pôs o país a olhar à sua volta e a discutir o valor da palavra. Não foi uma discussão em torno da palavra de honra: pagamos ou não pagamos, mas... Pintelho ou pentelho? Deve ou não dizer-se? Puritanos e falsos moralistas coraram e reprimiram. Afinal neles nunca nada nasceu e nos outros nunca nada viram, porque só o fazem de luz apagada. E a verdade é que continuaram a discutir minudências (e reparem que não escrevi pintelhos porque posso ferir essas almas imaculadas).

Para mim importou mesmo saber como é a forma mais correcta de o dizer: pintelho ou pentelho? A nossa querida São Rosas fez a pesquisa que me propus fazer e tirou-me trabalho. Aqui está o resultado científico da nossa querida São.

Quanto ao nosso Catroga, adorei ver um avôzinho irritado a cuspir pintelhos. Afinal o pintelho pode ser também uma questão linguística e ele provou-o. Nessa mesma noite eu disse a um amigo jornalista que homem que assume assim os pêlos púbicos, assume com certeza toda a dívida pública, que é, como sabemos, bem mais peluda.

Para terminar este escrito de opinião púbica deixo-vos com uma conjungação que é muito difícil de acontecer: um mau canal, um apresentador péssimo de um programa rasca, um grupo mediocre e uma canção horrorosa. Tudo, tudo, tudo feito em Portugal. E quando eu pensei que o pêlo púbico era apenas uma questão do baixo ventre e da língua, afinal descobri que também pode aparecer na manteiga. Depois não se queixem da obesidade... enfim, pintelhos...

19 março 2011

Poema para tempos modernos

A minha arte para versejar nunca foi grande coisa. Na realidade as quadras saem-me com a mesma facilidade com que qualquer libio se arrisca a ser bombardeado no dia de hoje, mas regra geral o que me sai é lixo, ou porcaria, ou imoralidade.
Não tenho a elevação dos grandes poetas, nem as imagens ricas dos nossos letristas. Faço rimas em ão, ar e er... e poucas variações sobre isto. Já pensei até desafiar-me a escrever um disco todo de coisas sem interesse tendo como limite o relógio: 6 horas para letras, músicas e arranjos para as Vozes. Sem ser um repentista, como os cantadores do Nordeste Brasileiro ou os nossos Minhotos do canto ao desafio, a porcaria sai-me com facilidade. Infelizmente só sai mesmo porcaria. Ontem enquanto ouvia pela enésima vez as notícias sobre o PEC, a crise política, o FMI e o provável FIM, surgiu-me uma ideia para uma letra, que gostaria muito de ver cantada pelo nosso amigo Quim Barreiros. Aqui fica para todos, aquilo que eu, o noticiário e o trânsito parimos a meias:


A coisa já corre mal
Para toda a populaça
A desgraça nacional
De quem já anda sem massa

Ainda assim arranjei
Forma de mais ir buscar
Nem o gajo do bolo-rei
Me iria atrapalhar

Fui mostrar aos grandalhões
O meu PEC bem aberto
E eles, espertalhões
Disseram-me que estava certo!

Vou com ele até à morte
E só o mostro a quem merece
Se és da terra não tens sorte
Nem mesmo se fores PS

Tens de falar estrangeiro
Para o veres até ao fundo
Sou agora mensageiro
Do melhor PEC do mundo!

Eu abro o PEC,
Pra quem lá quiser meter
Eu mostro o PEC,
A quem me der de comer
Eu dou o PEC
Aos grandes do estrangeiro
Eu amo o PEC
E quem me fez engenheiro!

09 março 2011

Cinzas

Pois muito bem, cá chegamos a quarta-feira dita de cinzas para os crentes e foliões que hoje enterram a alegria, a farpela e o sorriso. Para nós Vozes, como disse o Tomi e o Miúdo em escritos anteriores, a alegria é constante mesmo em tempos difíceis como estes que atravessamos.

Para provar isso mesmo, digo-vos que ainda hoje, o tal dia cinzento dos calendariodependentes, despertei a mente e os ouvidos dos meus colegas cantores para as músicas do grande Vítor Rua, outrora GNR, e hoje mais uma voz na luta. Não sei se ele cita passagens do nosso presidente da Republica no seu discurso de posse, mas este tema parece-me mesmo saído do Palácio de Belém... e não só. Haverá com certeza milhões com vontade de o entoarem a uma só voz. Da mesma maneira como este aqui, com direito a linguagem gestual e tudo.

Vinicius de Moraes dizia que a felicidade do pobre parece a grande ilusão do Carnaval... e no refrão dava-nos essa chicotada cantando: tristeza não tem fim, felicidade sim. Sejamos ricos de espírito, que a vida não dá para mais sem essa coisa do " tudo se acabar na quarta-feira"!

Assim sendo e para o espírito dos que se afectam pelo dia das cinzas voltar à tona, aqui vos deixo um excelente exemplo de música feita na Nova Zelândia, mas que podia ter sido gravado em qualquer EB 2/3 do nosso Portugal, onde se insiste no ensino deste instrumento execrável, fazendo crer aos pobres alunos que tocam alguma coisa de jeito.

29 junho 2010

... algo completamente diferente

O Mundial tem-nos divertido e distrai-nos nesta altura que uns dizem ser insustentável e outros (ou será mais correcto dizer outro?) dizem ser de recuperação.
Por isso hoje, e a correr, deixo aqui um vídeo lindo sobre os fantásticos 7-0. Será real? Será falso? Eu vou pela última, mas gosto de pensar que pode ser verdade e que há países ainda mais fantasiosos que o nosso.

08 abril 2010

Desaparecido

Amigos do tasco, tenho andado desaparecido. São viagens, como esta a que o Tomi fez alusão aqui em baixo, que me têm mantido afastado do tasco, sem tempo para um simples café.
As viagens têm sido multidireccionais: ora na Casa da Música, com projectos fantásticos como foi a semana "Ao alcance de todos", ora mergulhado nas escritas musicais para as Vozes e não só e que dentro em breve terão expressão pública. Para aqueles que nos seguem prometo desde já uma enorme surpresa musical lá mais para o Verão. Para já só pautas, pautas e mais pautas com almondegas ao dependuro e umas hastes de permeio.
Por falar em desaparecido, no outro dia encontrei-me na selva dos vídeos. Alguém espetou no tubo uma série de obras de compositores portugueses do século XX e eu estou lá no meio. Ao ver (mais ouvir) o vídeo lembrei-me de uma frase que o meu filho, no alto dos seus três anos, uma vez proferiu: "O meu pai é compositor de musicas lindas e malucas". Acredito que para a maioria dos que ouvirem este vídeo que aqui vos deixo, este trabalho encaixa como uma luva na segunda categoria. No entanto para o pequeno não! Malucas são as músicas que faço nas Vozes, onde a maluquice reina!

15 julho 2009

Coisas de que gosto...

Já há muito aqui escrevi que a silly season para as Vozes da Rádio começa no primeiro minuto de cada ano e termina na última badalada desse mesmo ano.

Ainda assim, e chegados ao tempo quente, a coisa agudiza-se e este tasco fica ainda pior do que costuma estar.
Tudo isto para dizer-vos que hoje trago para aqui uma daquelas maravilhas que me enche de alegria: um erro de escrita, do tamanho de um cartaz! Este, um cartaz de um restaurante, que é um dos sítios onde mais frequentemente encontro estas preciosidades.
Haja então maramota, que juntamente com as batatas cuzidas que já aqui falei, são um prato muito aperciado!

19 março 2009

Dia do Pai

Não posso fugir ao óbvio de aqui deixar a marca do dia: hoje vesti-me de princesa e logo pela manhã fiz o papel da minha vida, ao representar para os meus filhos uma historieta alinhavada numa destas noites, sobre a Terra das Histórias Trocadas. Eu e mais pais lá estivemos na escolinha ora vestidos de lobos maus, de porquinhos, de princesas ou de anões. O final foi o mais feliz das histórias com beijos dos pequenos.
Neste momento, já fora do papel de princesa e voltando ao do costume relembro os dias em que fazia desenhos e lembranças para dar no dia do pai. E ainda hoje ele guarda aquelas preciosidades cheias de imperfeições, mal pintadas e mal recortadas, mas que para ele eram as melhores prendas do mundo. Hoje já não lhe dou desenhos, nem pisa-papéis feitos com pedras, mas não posso esquecer-me de lhe ligar para lhe mandar um beijo especial.
Para não correr o ridículo de ser gozado pelo mundo, não vou por aqui em exposição nenhuma dessas obras de arte, mas deixo uma foto do artista tirada por esta altura, mas há 37 anos atrás.
Feliz dia do Pai!

11 março 2009

Coisas lindas

Numa altura que tanto se fala da inabilidade total que a directora da DREN demonstra para a escrita, a que se junta igualmente a incompetência para desempenhar as funções que desempenha, a falta de capacidade para cozinhar, para falar em público, para cortar as unhas, para se maquilhar e até para respirar, encontro hoje mesmo em Santa Cruz do Bispo, essa capital do bom gosto urbanístico, a justificação para tão mau português da Dra. Guida.
O meio que a rodeia é este: o dos neologismos, dos novos grafismos. Ela não erra. Ela reinventa. Ela é a figura messiânica de um futuro acordo ortográfico que renovará toda a nossa língua. Ela é a língua portuguesa do futuro. Há quem diga que ela é mesmo o software do Magalhães sob a forma de humanoide.
Este cartaz é um sinal. É um passo em frente para essa tal nova escrita, que quem recebe recados da Sotora já conhece bem.
Fica aqui a premonição da nova língua que se anuncia a espaços e fica a sugestão: para quem gosta de circo, aproveite este fim-de-semana. Os Ermãos Torralvo, estarão em Santa Cruz, mesmo em frente ao estabelecimento preseonal.

18 fevereiro 2009

Dias...

Raramente trago para aqui as minhas experiências pessoais, resultantes de dias sempre muito ocupados.
No entanto, o dia de ontem foi tão pródigo em novas sensações que não resisto em contá-lo.
Logo cedo pela manhã, fui por o carro na revisão. O normal, nestes casos, é o carro ficar pronto a meio da tarde. Fui para a Casa da Música de metro, sentindo o verdadeiro amanhecer da cidade que trabalha!
A meio da tarde, quando esperava o telefonema a dizer que estava tudo pronto, veio a má notícia: uma pequena fissura num tubo de distribuição do gasóleo era suficiente para a viatura ter de esperar por um tubo vindo de Espanha. Raramente uma fissura traz-nos alegrias, é sabido, e esta iria transtornar-me o resto do dia de ontem e o de hoje...
Voltei ao metro e fui dar aulas. Cheguei atrasado e tive de mobilizar a família para voltar para casa. O regresso, tarde e a más horas, ainda trazia tarefas como dar banho aos mais pequenos e dar-lhes o jantar, na hora da ceia. Estava eu no descascar da primeira cebola quando, aquele que tem o meu nome mas menos 36 anos, volta a experimentar a rigidez da esquina de uma porta. O sangue de um e a histeria da irmã dele, fizeram com que o caminho rumo ao hospital fosse vencido com rapidez... ou melhor quase todo o caminho, porque 1 quilómetro antes das urgências ouvi outro estouro. Desta vez não foi a cabeça do destravado contra a porta, mas o pneu do carro que não é meu. Nem parei, segui até ás urgências para deixar mãe e ensanguentado, ficando nas mãos com a filha e com um carro com um pneu completamente destruído.
Como infelizmente os hospitais ainda não fazem o serviço de urgência a viaturas, tive eu de mudar o pneu do carro. Tentei, tentei, mas não consegui. Consegui sim um feito único. Rasgar a pele de um dedo na teia de arames que os pneus escondem no interior, e que aquele tinha resolvido mostrar. Recorri ao meu pai e à mãe, como é costume nestas situações. Um para me ajudar com a roda e outra para me ajudar com a filha. Por outro lado um, o pneu, não saía porque alguma alimária trocou, numa qualquer casa de pneus ou oficina, a chave para desenroscar aquela hóstia. A outra, a filha, além de nervosa, estava faminta. Um só teve solução com ajuda de pronto-socorro. A outra ficou remediada com a ajuda de mais um familiar que a tirou dali e lhe saciou o apetite.
O meu pai, sob um tecto estrelado e um ar quase polar, melhorou o meu péssimo astral com um dito filosófico: ainda assim não foi nada mau. Se fosse há umas semanas atrás, estava a chover. Isto deu-me forças para resistir à fome, ao frio, ao dedo estropiado e à falta de notícias do interior do hospital.
Finalmente, e já perto da meia-noite, voltámos todos a casa, com o mais novo, louco, a julgar que ainda era hora para jogarmos futebol e a regozijar pelo facto de ter mais uma cicatriz na cabeça. Afinal isto de partir a cabeça é só para homens!
E pronto, fui dormir, feliz, porque há com certeza formas muito piores de se ter um dia mau. Hoje, a coisa melhorou... mas não tanto assim: afinal o carro está um pouco pior e a fissura era o menos. Mais peças vêm de Espanha. O bom é que está na garantia e já me deram um de substituição. Por outro lado andei de autocarro da companhia Resende, uma experiência digna dos mais corajosos e de elevado risco. A boa notícia é que não bateu e como se comprova, estou vivo. E no fim de mais um dia agitado, estou com dores de cabeça. O bom é que há muita coisa na farmácia!
Até amanhã!

15 fevereiro 2009

Quando se arruma...

Sempre que se arruma o disco e seus periféricos, há surpresas e recordações pelo meio. Foi o que me acabou de acontecer com este magnifico reclame luminoso. Talho São Martinho, com o ponto para abreviar o que os caracteres pequenos nos dizem.
Não fazem ideia o fascínio que estas coisas produzem neste simples mortal. Tenho já uma colecção considerável. Algumas destas pérolas já foram aqui mostradas. Outras estão prometidas.
Espero que gostem. É singelo, mas de boa vontade.
Uma boa semana

28 janeiro 2009

Ainda o acordo...

Como puderam ler na crónica semanal do Tomi, encontro-me em condições perfeitas para fazer o repertório completo do Joe Cocker, do Tom Waits e do Bruce Springsteen.
O alto nível de entrega deste vosso amigo às diatribes vocais do Phil Minton, seguida de uma intensa sessão de Histórias do Sul, estilhaçaram a minha maltratada voz. Em três dias ingeri mezinhas e químicos que dariam para o pelotão de soldados portugueses que se encontra no Kosovo. Os resultados em termos vocais custam a aparecer, mas ao nível do estómago começam a sentir-se e bem. Estou no bom caminho.
Ora volto ao acordo ortográfico porque entretanto julgo já ter saído a entrevista que dei ao Jornal da Tarde de São Paulo. Espero pela edição impressa para ver o que saiu.
Hoje recebi um link, mandando-me ao portal Bem Paraná, onde penso que parte dessa entrevista foi publicada. Se tiverem, pachorra leiam aqui.
De tudo que lá se diz, só gostava de fazer uma pequena correcção (assim mesmo com dois c): eu disse que a nossa língua não precisa de meia dúzia de académicos para decidirem e uniformizarem a sua escrita. Precisa é de escritores, poetas, músicos, jornalistas, de toda a gente para a falar, criar neologismos e assim mantê-la viva. E nós vozes até já contribuímos, esgalhando aqui textos com neologismos e cantando palavras como "sobrinhismo", movimento cultural que se baseia no uso exacerbado de sobrinhas.
Para terminar, permitam-me o conselho de um salto até ao 1º dto, que é como quem diz ao nosso tasco vizinho, onde narramos as Histórias do Sul.

10 outubro 2008

Costuletas há salsicheiro

Tenho um fascínio especial pelos erros de escrita com que habitualmente choco. Os mais bonitos são, sem dúvida, os das ementas.
Esta semana, na mesma casa de pasto, ali para Matosinhos, consegui ler costuletas há salsicheiro, batatas cuzidas e panados rechiados. Infelizmente não consegui tirar a fotografia desejada, porque a ementa não fica a jeito da máquina... ou melhor, ao tirar a foto poderia arriscar-me a ficar para sempre impossibilitado de ver coisas tão lindas como estas.
Mas voltando às ementas e à restauração em geral, nunca me esquecerei da placa de Lavavos num restaurante que frequentei várias vezes na beira alta. Ou a lousa gigantesca que vi há umas semanas atrás no exterior de um restaurante: Rozões. Tive que ler várias vezes e com sotaque, para perceber que o prato do dia era Rojões à Moda do Minho. Desta, tenho foto... não posso é colocá-la hoje aqui porque... não vos interessa... arrumações em curso aqui pelo escritório...
As sobremesas são no entanto o toque de Midas dos desvios ortográficos. A culpa é dos nomes estrageirados de algumas das nossas iguarias. Quem já não viu uma Babaruase? ou uma maravilha, que uma vez comemos nos arredores de Lisboa, de nome Pavarote? Depois, há tantos grafismos para a mousse que já nem a Academia de Letras deve saber qual a forma mais correcta de escrever o nome deste doce. Por escrever doce... doçe também é um clássico já como qualquer palavra em que o cê preceda um e ou um i. Até na televisão do serviço público se pode ler legendas como Françês.
Os exemplos são inesgotáveis. Tenho tirado algumas boas fotos, que fazem já uma bela colecção. A que deixo hoje aqui diz-me muito. Foi tirada em Serralves, naquela maratona do último fim-de-semana de Junho, e nem o ar culturalmente saudável da Fundação escondeu a Percursão. Este erro, que também já vi em capas de discos (onde as percursões são tocadas por percursionistas), foi um dos mais horríveis que já vi... não nesta situação em Serralves, mas na Universidade de Aveiro, onde pela primeira vez me confrontei com a anormalidade. No departamento de Música e na porta da sala de percussão lá estava em letras gordas e vacais: Sala de Percursão! E não houve durante muito tempo, besta que chegasse ali e arrancasse o erro...


21 setembro 2008

Badochas

A Organização Mundial de Saúde há muito que vem alertando para o problema da obesidade. Confesso a minha distracção, pois nunca tinha visto, apesar de volumoso, a dimensão do problema. Tenho alunos tipo-bola, convivo com gente bem anafada e até quando o Vilhas se distrai mais, todos reparamos, fazemos comentários e acabamos por despoletar uma dieta no baixo africano.
Mas nada disto se compara com as dezenas, talvez centenas ,de obesos que vi estas férias. Gente gorda mesmo. Falo-vos de massas enormes que se moviam com dificuldade pela areia, ou que mergulhavam no oceano provocando ondulação suplementar, bem distinta daquela que é regida pelas forças magnéticas do planeta. Falo-vos de badochas: crianças e adolescentes em corpos de baleias, orcas ou até de bovinos, que muito me deixaram assustado!
Problemas hormonais de lado e tento arranjar explicação para tanta gordura. Estética? De todo! Os corpos bem fornecidos de substância gorda há muito deixaram de estar na moda. Ficam bem nos quadros do Velazquez, ou até, séculos depois, nos filmes a preto e branco dos anos 10 e 20 do século passado. Mesmo nestes casos, a gordura é aceitável e pode até ser formosura (o Jony aqui poderia dar ajuda, com argumentação muito própria). No que eu vi, não era de certeza. Não há formusura possível numa área tão alargada de ser humano. Encitamento à robustez? Não. Criança bem nutrida, também há muito que deixou de ser sinónimo de saúde. E aquilo que eu vi não eram seres bem nutridos. Eram postas volumosas de carne.
Segui, num passeio pela praia, um grupo de três adolescentes, badocha-style, e aos poucos fui encontrando a justificação para a existência de tanta gordura. Levavam pela mão uns sacos onde alojavam toneladas de comida. Pãozinho caseiro? Fruta? Nada disso! Primeiro, quais debulhadoras, limparam pacotes de batatas fritas e snacks. Vários. A seguir comeram alarvemente uns nacos de pão recheados com carne de porco (consegui sentir o cheiro atrás...). A acompanhar refrigerantes. Cada um, mais de uma lata. Para terminar um bolicao e um chocolate!
Estou a descrever-vos aquela refeiçãozinha frugal do meio da manhã, aquela que no meu tempo (obrigado mãezinha) era um pãozinho, uma peça de fruta e água ou leite.
Não me estranharia nada que depois daquilo tudo, os três porcões se tivessem dirigido ao McDonalds mais próximo para continuarem a encher o bandulho. Mais filosofo e conjecturo, provavelmente os pais até lhes teriam dado o dinheiro para eles continuarem a enxofrar o corpo de comida enlatada.
Pois é, hoje em dia acabou o saquinho de pano, a visita à padaria logo pela manhã, a lancheira escolar. O Kinder delice, o bolicao, o panrico com nutella, as bolachas do Ruca e tantos outros produtos vão-nos poupando tempo precioso, agradam muito aos meninos e ao mesmo tempo vão criando panzers humanos. Pessoas (e pensar isto choca-me muito) que deixam de ver os seus genitais! Isto não abona em nada! E pior, prejudica até a higiene!
Por isso amigos, cuidado com o que comem e com o que dão a comer. Não queiram ter as visões gigantescas que eu tive estas férias... e só por causa disso os meus potenciais badochas cá de casa passaram a um regime de água e pouco mais...

13 setembro 2008

Croquetes

Volto às minhas observações. Volto aos meus passeios de verão e à minha passagem pela praia. Para início devo dizer que gosto tanto de praia, como o Vítor Baía gosta do Scolari. Uma esplanada, com boa comida, bebida e boa companhia, sim. Agora o desperdício das horas estendido na areia é algo que não me entra na cabeça desde muito novo. Por isso o tempo em que sou obrigado, por motivos que não medem mais de um metro e vinte, a pôr os meus pés na areia, passo-o de antenas ligadas e sentidos bem apurados.

Já sei, está toda a gente a pensar que vou para lá como voyeur, tentando sempre encontrar toplesses que comprovadamente passam com distinção no teste do lápis. Mas não. Observar é muito mais do que isso, ou melhor, é isso e muito mais.

Assim, e num dos dias de tormento no areal, olhei um pouco para cima e avistei a poucos metros uma senhora nos seus tardios 50 (aquilo a que eu há poucos anos atrás chamaria de velha, mas que agora, com o passar do anos, tendo a ser mais cuidadoso no uso desta palavra), com um borrifador, daqueles com aerosol, que de 5 em 5 minutos esguichava água para cima do seu corpo. O seu corpo seco e quase preto fez-me recordar os mais reles croquetes que volta e meia eram servidos na cantina do ciclo preparatório. Eram croquetes claramente feitos de restos, mirrados, sem carne e esturricados, passados por óleo que já tinha visto mais de cem espécies do mundo animal e vegetal. O paladar é impossível de pôr em palavras, mas para avaliarem, os ditos croquetes só eram comidos porque a fome àquela hora, tal como os croquetes, era negra.

Saltou-me à memória uma viagem das Vozes. Não sei em que ano, mas seguramente com tempo quente. Nesse dia, o Vilhas estava particularmente empertigado com o movimento de veraneantes que entupia a estrada. Tudo gente que, como a dita senhora, buscava a condição do croquete. Vociferou nessa altura o nosso baixo: “Durante 400 anos deram-nos porrada e chamaram-nos atrasados. Agora vai a carneirada toda para a praia tentar ficar preta como nós. Afinal quem são os atrasados?”. Sábias palavras! Afinal que raio de gente atrasada é esta que busca a condição dérmica de um Obikwelu ou de um Samakuva? O que é que estas últimas gerações buscam ao fritarem ao sol, além da óbvia futilidade? Ou, pior ainda, depois do sol já não convidar a prolongadas horas de inutilidade, que quer esta gente ao tentar perpetuar a cor debaixo de lâmpadas? Não é isto tão ridículo como o Michael Jackson branco?

O meu sentido mais altruísta e os bichos-carpinteiros quase me levaram a levantar e a dirigir-me àquele corpo em pior estado que o Tutankamon e a dizer-lhe: “tu eres asquerosa, tía. Tu piel es peor que las croquetas de mi escuela. No hay hombre, mujer o perro, hasta lo mas ciego, que te pueda querer así, coño! Piensa blanco, joder!”.

Infelizmente nem sempre o meu filantropismo e misericórdia falam mais alto. Foi o que aconteceu neste caso. Deixei-me estar, procurei sombra e continuei a brincar com as forminhas.

Vilhas e o seu ar empertigado. "Afinal quem é atrasado? Nós os pretos?". Não Vilhas, tens toda a razão. São os croquetes!

09 setembro 2008

Globalização

A ameaça vem de uns esgalhanços atrás. Pequenas reflexões sobre observações. A única forma gratuita para nos inspirarmos. E reafirmo o que escrevi na altura, a mais brilhante.
Esta tem já alguns meses. Se não fosse uma imagem caberia certamente no nosso programa de rádio, mas como ainda não inventaram rádio com imagem, tenho de me servir das paredes do tasco.
Kebab e pizza são dois pratos cuja origem se perde no tempo. Tentei informar-me sobre a sua génese. Há poucas certezas, apenas indicações que tudo se cozinhou e cozinha à volta do mediterrâneo: uns a norte (as pizzas), outros a sul (o kebab). Há no entanto kebab no sul de França e o célebre pão pita, que também já tem versão fast-food no shoarma, pode estar na base da pizza. Sendo assim... porquê o "Hong Kong style" que aparece na foto? Então o mediterrâneo também já lá chega? Há pizzas e kebab com travo a rebentos de soja e nós não sabemos? Afinal além da massa, invenção dos chineses que o Marco Polo comprou no Oriente e no regresso levou para Itália, também as pizzas e os kebabs foram inventados em Sichuan entre duas abanadelas? Porque raio existe este restaurante em Great Yarmouth, no leste de Inglaterra, a servir esta aberração culinária?
Respostas? Nenhuma! Mas há um resultado da observação: a isto se chama globalização. É contra isto que o Bloco de Esquerda, os hippies, os produtores de queijo da serra e mel de rosmaninho e tantos mais, militam de forma fervorosa. O medo de vermos um restaurante de Reykjavik a publicitar alheiras de Mirandela "Srebrenica style" é real. A ameaça de tortas de Azeitão "Djibouti style" está à porta. É preciso estar atento. Vigilante. É preciso saber defender o que é nosso: a vitela barrosã, as enguias da Murtosa, a sericaia com ameixa do Alentejo, os peitos da Ana Malhoa. Vamos à luta! Preparemo-nos para a guerra! E para começarmos a treinar vamos até à Abkházia, onde, por estes dias, se vive a verdadeira globalização.

26 agosto 2008

Fim de férias: observação


As férias estão a chegar ao fim e chega a altura de rentabilizar as experiências de veraneio e pô-las ao serviço da comunidade.
Estas férias reflecti profundamente sobre assuntos que deveriam preocupar-nos a todos, mas que, sem qualquer justificação, passam ao lado da sociedade. Alguns exemplos? Ora aqui vão: como tipificar um grunho? Será o caga-tacos lusitano uma subespécie portuguesa? Porque é que os espanhóis não tem colheres de café? Qual a forma mais eficaz de exterminar melgas? Estará o bidé a cair em desuso?
Estas perguntas são apenas uma ínfima quantidade de questões que me assaltaram durante os momentos de descanso. Nesta catadupa de dúvidas, houve logo uma resposta que consegui: a observação é a mais inspiradora das ferramentas. E foi essa a minha principal tarefa de férias: observar. Observar portugueses, estrangeiros, gordos, magros, brancos, pretos, bichos, carros, comidas. Observei com carácter científico. Com a minúcia dos grandes investigadores. Com a perspicácia dos maiores detectives. E tudo à borla! Observar além de espevitar a criatividade, é completamente gratuito. Que outras formas de inspiração são assim tão acessíveis? Nenhuma! Almoçaradas, bebidas, mulheres, coca... está tudo pela hora da morte! Observar, não! Completamente grátis!
Por isso contem para os próximos tempos com algumas crónicas de época, resultado das minhas pesquisas. É claro que a obra musical das Vozes também vai ser influenciada por este meu olhar atento. Para já preparo um novo tema de título “nunca mais como farturas no teu pavilhão”. Não há nada como o mês de Agosto!

15 agosto 2008

Fotos de certa forma artísticas

No dia de anos do Tomi prometi, aqui no tasco, a exibição de fotos do aniversariante. Até hoje não me tinha sido possível revelar esta verdadeira instalação humana protagonizada pelo já mencionado artista nos camarins do Tivoli, por alturas da festa do Rádio Clube Português, no final de Janeiro deste ano.
E pronto, este esgalhanço insere-se no verdadeiro espírito silly season, o único que existe em dias como este sem medalhas da China, sem golos do Benfica, sem Manuela Ferreira Leite na festa do Pontal... E pensar que a Nazaré faz festas todos os anos lá no sítio, onde Dom Fuas Roupinho ia sucumbindo...
Continuação de boas férias a todos os meus colegas e já sabem, encontramo-nos no sound check do Estoril, dia 30 por volta das 18 horas.

20 abril 2008

Bruxarias

As Vozes são, por natureza, pessoas de fé e cheias de energia positiva. Não possuem dons adivinhatórios, nem mediúnicos e talvez por isso nunca foram convidadas para irem a Vilar de Perdizes àquela feira freak que o Pe. Fontes promove. Como pessoas humanas que são respeitam todos os credos, crenças e impulsos metafísicos que os rodeiam.
Talvez por tudo o que está dito acima, acompanhámos com tristeza o incêndio que há cerca de duas semanas destruiu a casa da Cristina Candeias, companheira de algumas manhãs passadas na Praça da Alegria, e que nós (só entre nós, é claro) apelidamos de ciber-bruxa, visto usar sempre um portátil para as mais incríveis vidências.
A primeira pergunta, depois de se saber do nefasto facto foi: e não dava para prever isto? Não dava para salvar o apartamento de luxo (descrição pormenorizada do JN) e os mais de 10 anos devotados ao estudo astrológico? Precisávamos do computador da Cristina para ter estas respostas mas, infelizmente, parece que também foi consumido pelas chamas. A única resposta para o acontecimento foi dada pela própria Cristina, no mesmo diário, o JN, o melhor do país a nível de necrologia e anúncios de massagens: “Estive a trabalhar no escritório e a fumar. Deixei uma vela anti-cheiro acesa e a janela aberta. É muito provável que o vento tenha tombado a vela…”. É também muito provável que qualquer comum dos mortais, sem qualquer dom a não ser respirar, saiba que há coisas que nunca se fazem. É também mais que provável que estas declarações pejadas de sinceridade e pouca clarividência, sejam o melhor argumento para as seguradoras não darem tusto à Dona Cristina. A isto chama-se negligência e não há seguro que cubra negligência, distracção ou estupidez.
Ser vidente hoje em dia não é fácil. As bolas de cristal são Made in China, os cremes para as mãos despistam a quiromancia e os computadores são susceptíveis aos vírus informáticos.
Há no entanto uma nova vaga de videntes: os comentadores, sejam eles políticos ou desportivos. São geralmente formados nas escolas de jornalismo onde, pelos vistos, lhes induzem o poder da futurologia na cadeira semestral Previsões I e II. Esta semana, quarta-feira à noite, o Ricardo Costa, rapaz afortunado que juntamente com o irmão, o presidente António Costa, se livrou do cruel destino de andar nos restaurantes a perguntar “qué frô?”, foi peremptório ao afirmar que Luís Filipe Menezes está de pedra e cal no PSD. Não haverá mudanças até às eleições… Talvez para o contrariar, o dia a seguir trouxe-nos a nova da demissão. Também um comentador de desporto disse na quarta-feira, antes do Sporting-Benfica: “ninguém espere um bom jogo, disputado, animado. É fim da época, os jogadores estão cansados e não há condições para bons jogos”. Eu não vi, mas oito golos num jogo fazem crer que foi, no mínimo emocionante e disputado.
Nós, que já fizemos previsões na defunta NTV (disponíveis no YouTube), não previmos, na altura, o fim do canal. Como não previmos as chuvas destes dias, nem o fim do casamento da Isabel Figueira. Somos pouco dotados na arte da adivinhação, mas ainda assim felizes e com quase toda a certeza podemos garantir que amanhã teremos ensaio, onde vamos gravar algo para ser banda sonora de um programa da televisão.

16 abril 2008

Para que conste...

Caros amigos, para quem não viu a nossa performance no Prós e Contras, aconselho um salto ao site da rtp. Depois é só procurar videos online, programa Prós e Contras, escolher primeira parte e esperar uns segundos. Estamos logo ali no abrir do programa. Brevemente colocaremos aqui a gravação que fizemos.
Respondendo directamente às questões que foram levantadas nos comentários abaixo, esclareço a Diana que o cabelo ficou todo no chão das peluquerias Monet, mesmo junto ao Estádio Riazor. É o resultado de uma manhã livre. O cabelo só cresceu nestes quase dois anos, porque nunca tive disponibilidade e disposição para perder tempo sentado numa cadeira, enquanto alguém me mexe na cabeça. Finalmente sexta trouxe esse tempo. Na foto está o momento que surpreendi o Tomi com o corte. Ele passou por mim e não me reconheceu!
Talvez se grave mesmo o Samba do Acordo Ortográfico. Para já, não sei quando. Quinta-feira temos outra gravação televisiva (surpresa para já) e depois na Galiza voltamos a gravar outro inédito com uma cantora galega, que nos garantiram, também pode meter uma gaita! Escuso de vos descrever o ânimo do quinteto... No entanto, hoje falaram-me nisso com alguma insistência e como até estamos a pensar fazer uma edição este ano... quem sabe...
Hoje fui interpelado por várias pessoas sobre como nasceu toda esta participação. Tal como relatei aqui em baixo, só na quinta-feira à noite fomos contactados. Sexta-feira ao pequeno-almoço saiu a música e a letra. Domingo passei-a para o papel e à noite ensaiámos. Na carrinha para Lisboa cantámos, ad nauseum, para decorar. Remato com uma conversa que tivemos com a Sandra Carvalho da produção do programa e que espelha todo este processo. Disse ela: "Só nós, para vos pedirmos uma coisa assim em cima da hora". Eu, valendo-me da minha arrogância respondi: "Só nós, para em tão pouco tempo fazermos um trabalho tão brilhante!" E continuando a imodéstia, até sabemos que é verdade... Ah! Quanto ao que vamos gravar na quinta-feira, acabei mesmo há pouco de o fazer e consegui encaixar Gandhi e egrégios avós na letra, porque acho que fica sempre bem. Como já esperam, é só mais um trabalho brilhante...