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22 novembro 2007

Máquina do Tempo

Quando era miúdo (desculpem lá o pleonasmo) sonhava em ser cientista... Daqueles bem malucos. Fazia desenhos de invenções (invenção é um termo que ainda hoje uso, com alguma frequência, e que serve de mote para a chacota e o gozo colectivo dentro do seio deste grupo vocal a cappella), projectos de máquinas que salvavam as pessoas dos problemas que na altura existiam, como por exemplo o engarrafamento massivo e generalizado nas bombas de gasolina quando era anunciado o aumento de 1 escudo no preço dos combustíveis ) e outros igualmente relevantes... Também inspirado no filme "Regresso ao Futuro", tentei construir uma máquina do tempo, e pensei que seria o meu maior desafio científico. Após esse feito, poderia reformar-me tranquilamente, pois estaria realizado. Depois ganhei juizo e os meus pais inscreveram-me num jardim-de-infância. Hoje relembrei a famigerada máquina do tempo através de um fabuloso site - http://www.archive.org/ - onde, para além de outras coisas lindas, encontrei isto:





Página inicial do primeiro site oficial das Vozes da Rádio! Ainda com Mário Alves no activo.






A pinta dos fatinhos brancos com a t-shirt com a cor da moda... Uma maravilha.






Agora, para os mais sensíveis, aconselho a mudar de página... Vão ser mostradas as fotos censuradas dos tempos da Rádio Nova... Autenticas pérolas, resgatadas com entusiasmo, graças a esta máquina do tempo!





O famoso sexteto em pose natural.




Efeitos secundários das horas a fio de trabalho árduo.





Joca em performance d'anca.





Pensavam que a inspiração para fazer o Dia dos Senhores vinha de onde?? As amigas do Sérgio Sousa aqueciam o ambiente dos estúdios da Rádio Nova... E depois o microondas sou eu...

20 janeiro 2007

Acidentes de trabalho

Na senda da cadeirinha e dos azares do meu amigo Tomi, passo a relatar-vos um dos maiores acidentes de trabalho que já se passaram por aqui nas Vozes, tendo mais uma vez o nosso rapaz da perna pisada como protagonista. Se o faço é porque sei que ele, por força do caricato da situação, nunca irá ter coragem para contar na primeira pessoa.
Estávamos em Macau, no ano de 1996. Um dos concertos que fizemos do outro lado do mundo foi no clube de jazz de Macau. Este clube era, na altura, um verdadeiro clube de jazz. Luz muito coada, uma cortina espessa de fumo, ar irrespirável e localização obscura, numa rua estreita e também ela pouco iluminada. O verdadeiro e convidativo clube de jazz. Quando lá voltámos em 2001 já o clube de jazz estava situado noutra parte da cidade, na marginal, bem iluminado, airoso. Mais cómodo, mas menos clube.
Mas voltemos a 96. Cantámos e como não seria de esperar outra coisa a coisa correu bem. Muito bem até e isso reteve-nos mais umas horas por aquela cave. Tal como o concerto, a noite continuou bilingue sempre entre o português e o inglês para chinos de Hong-Kong que não perdiam uma noite de jazz em Macau.
Já bem tarde reparo no ar de pânico do meu amigo Tomi. “Que se passa?” – perguntei com ar de preocupação, vendo o semblante dele. “Olha para ali. É que já nem disfarça. Estou a ser seguido há horas!”. E eu seguindo as indicações, lá atiro o meu olhar para o ponto que ele me indicou e de onde vinha todo o medo do jovem português atirado às feras do oriente.
O Tomi tinha colado nele dois olhos de uma ocidental, mais balzaquiana que o próprio Balzac. A senhora ostentava na cara o mostruário completo das tintas Cin para esse ano e, visão do inferno, esfregava a língua nos lábios e piscava os olhos, tudo em direcção ao jovem luso. Inacreditável, nunca visto por mim num clube de música, tinha a mão direita pousada no seu colo. Aliás, um pouquinho mais abaixo, e não escondia movimentos dignos de um filme com a Ginger Lynn ou o eterno herói John Holmes.
Mesmo àquela hora, com tudo que se havia consumido, não havia explicação, nem forma de considerar aquela cena como perfeitamente normal. Não, de forma alguma!
Foi o mote para o nosso regresso ao hotel. Deixámos a senhora lá no canto do clube, sentada, desconsolada, e fomos a correr para o Beverly Hotel, não fosse sermos seguidos. Tudo acabou em bem!
Mais, muitos mais acidentes de trabalho já por cá aconteceram. Mas isso fica para outros esgalhanços… e para outros esgalhadores!

cá está o herói do assédio em Macau, desta vez, ele próprio de língua de fora! Naquela noite de 96 não fez ele este papel. Desta forma, aproveito e mostro mais um excelente momento artístico da nossa Diana, captado em pleno ensaio. Ah, grande fotógrafa!