20 fevereiro 2008

Pela boca morre o peixe

A vida de Vozes tem-nos proporcionado refeições inesquecíveis. Já aqui temos relatado algumas e a verdade é que raramente guardamos más memórias das saídas e das comezainas.
Há no entanto páginas negras no nosso historial. Poucas, ainda bem, mas que nos têm marcado individualmente e enquanto grupo. Em 17 anos, apenas uma vez tivemos que cancelar um concerto. Por rouquidão? Afonia? Febre alta? Não! Intoxicação alimentar!
Faz já uns anos, não sei se em 2000 ou 2001, tivemos concerto no Algarve e no dia a seguir iríamos ter aqui perto, na Maia. A refeição foi feita numa estação de serviço, à entrada da ponte Vasco da Gama. Da vasta gama de porcaria em exposição, todos nós alinhamos numas pizzas. O Jony preferiu a sandes de atum. A viagem prosseguiu em ritmo acelerado e às 18h estávamos no Fórum da Maia. O Jony já branco, lívido. Lembro-me de o ouvir dizer que sentia o cabelo a mexer. Conheço-o há anos suficientes para saber que não consome alucinogénios, nem psicotrópicos de qualquer espécie. Depois... foi um sucessão de lamentáveis episódios de vómitos e idas à casa de banho. O homem estava num frangalho e valeu-lhe (e a nós também) ter escolhido bem a família onde nasceu. O pai e a tia, ambos médicos, socorreram o pobre enfermo e evacuaram de lá o cadáver. Ainda assim tivemos que adiar o concerto para a tarde do dia seguinte. E, à custa da medicação eficiente, lá estava o Jony, já sem movimentos capilares.
No domingo, mais uma página a preto ficou escrita nas nossas memórias. Fomos para a Casa da Música ainda antes do almoço, para prepararmos a sala e a sessão da tarde do Coro de Famílias Reais. Na hora de almoço, no bar dos artistas, todos nós escolhemos a carne estufada. Apenas o Miúdo comeu Pedigree Pal, que é comercializado naquelas bandas com o nome de Tofu.
Pois bem… a sessão decorreu com normalidade. No entanto, a noite foi de festa para os meus três colegas (Vilhas, Jony e Tomi), bem como para a nossa sócia Manela. Caíram naquele ritual indigno da casa de banho, do vómito, do corpo dorido. Ontem o dia deles foi para esquecer e à noite o quinteto não se pode reunir porque o Tomi ainda estava a recuperar. E tu? Perguntam os senhores leitores, na expectativa de uma narração muito realista sobre a revolução das minhas entranhas. Pois eu… cheguei a casa muito maldisposto. Muito mesmo. Expulsei parte da má disposição e adormeci profundamente por 15 minutos. Acordei com umas terríveis e súbitas dores de garganta. Avancei sem medo para os anti-inflamatórios e analgésicos porque as dores de cabeça e do corpo também eram fortes. As dores de estômago que tive a seguir atribuí-as aos medicamentos e como a garganta doía tanto, tudo o resto eram amendoins (peanuts, para os mais desatentos). A intoxicação passou-me só de raspão, com poucas visitas à casa de banho.
Moral da história: ou eu já estou tão mal que o meu corpo já nem reage condignamente ao consumo de substâncias estragadas ou a minha regular colaboração com a Casa da Música e concomitante uso do seu restaurante para as refeições, forneceu-me já anticorpos suficientes para aguentar com comida deteriorada, sem sentir o seu efeito. Outra moral: em frente da Casa tenho o restaurante Chaimite e o Snoopy (nomes miseráveis, bem certo) e mais abaixo o Nova Europa. Pois amigos, contem com um novo cliente para os próximos tempos.

Nos antípodas das histórias contadas acima, está o magnífico jantar que fizemos nas docas em Outubro de 07. Não me recordo do nome do restaurante, mas sei ir lá ter de olhos fechados. E provou-se nesta refeição que em Lisboa também se come muito bem.

4 comentários:

maria disse...

Antes de mais, as melhoras para todas as "Vozes".

Aconselho vivamente a técnica da "família Sequeira Pinto", ou seja, levar o pic nic de casa para o lanche dessas fantásticas tardes de Domingo das Famílias Reais.

Manela disse...

Acho que a vossa técnica do pic-nic resultará bem melhor...
De qualquer forma a reclamação está feita e espero que bem encaminhada...

E agora não se distraiam com isto...toca a ensaiar! :D

Joca disse...

Tenho que rapidamente deixar aqui escrito que hoje, e porque não fui melhorando nestes últimos dias, mesmo tomando anti-inflamatórios, um elemento (ou poderei dizer uma elementa?) da família Príncipe viu-me a garganta, ouviu as minhas queixas e receitou-me medicação eficiente. Um enorme obrigado público a quem sabendo-me debilitado, febril, enfim, um farrapo, apareceu-me na escola para me por em ordem.
... e agora vou voltar para o leito para ficar bom depressa.

bjs

jp

Aldina Duarte disse...

São os requintes da idade ao avançar, parece-me bem.

Até sempre!