23 dezembro 2007

Eu imPORTO-me

No passado dia 4 de Dezembro estivemos na escadaria do Palácio da Bolsa a cantar para um Porto encolhido de frio, a Canção da Viela Património Mundial. O motivo foi o décimo primeiro aniversário de tal distinção para a nossa cidade. Além de nós esteve o Rui Veloso com o seu Porto Sentido, os Mafras com o Coração com Coração, a Ana Deus, os Gambuzinos e o Abrunhosa. Depois ainda esteve o Burmester a interpretar o 4’33’’ do John Cage.
Um dos lemas dessa noite foi exactamente eu imPORTO-me e esta preocupação é a daqueles que nados e criados por aqui, sentem a cidade aos poucos a transformar-se numa cidade fantasma, sem vida, sem habitantes… e sem música.
Por isso mesmo aproveitei estes dois dias para me infiltrar no centro da cidade e esbanjar a fortuna amealhada nestas duas últimas semanas. Foi gastar à grande no comércio tradicional, não evitando o pulo ao Via Catarina, à Fnac, ao novo centro… O dinheiro felizmente é muito e chega para tudo (e ainda o que sobrou, amigos…).
Para marcar este esgalhanço fica a Canção da Viela conforme saiu, não no dia 4, mas no dia 5 no jantar da Desigual.
Sobre esta canção, para quem não sabe, ela foi escrita para um disco de nome “Voz e Guitarra”, que saiu em 1997 com produção do nosso amigo Manuel Paulo. O título, irónico, foi posto exactamente porque por essa altura a cidade tinha sido distinguida. Os fa-la-la-las do meio apenas foram estreados no Coliseu de Lisboa em 98, num concerto que reuniu os participantes do disco. A inspiração de tal incrustação renascentista veio de um filme do Mel Brooks, que penso que se chama Robin Hood herói em collants (??). Nesse filme apareciam uns trovadores rappers que no meio usavam incrustações de música antiga… A ideia agradou e nós também resolvemos adornar a nossa Viela com uns fa-la-la-las dignos de um qualquer madrigal do século XVI.
Duas chamadas de atenção: o Vilhas antecipa a guitarra numa das paragens, provavelmente por ter pressa em regressar a casa. A segunda, o meu grito quase final, foi mal calculado… na véspera tínhamos cantado com um frio aterrador, a coisa pelo lado da garganta já não estava muito famosa e naquele meu ipiranguismo desnecessário senti mesmo uma coisinha má… que se foi estendendo praticamente até agora, não só com a garganta inflamada, mas também com uma terrível rouquidão. É o que se chama de ossos do ofício.

Nós em performance no dia 4, no Palácio da Bolsa. A nossa incendiária performance não deu para aquecer ninguém... nem a nós. Valeu-nos o jantar no Farol.

22 dezembro 2007

Joy na Coruña

Ao arrancar para este esgalhanço senti que a memória começa a fraquejar. Puxei bem por ela, para saber ao certo o número de natais em que as Vozes visitaram a Galiza. À partida lembro-me de dois, não estando certo que não tenham havido mais. Num deles cantámos em Santiago com as Malvela e a Uxía Senlle. Noutro, passámos 2 dias para gravar o programa de Natal da Tv Galicia, ou como eles dizem o programa de Nadal.
Dessa vez estivemos demasiado tempo sem fazer nada, de tal modo que pegámos no carro e fomos passear uma tarde para a Coruña. Também dessa vez, fizemos as compras de natal no comércio tradicional de Santiago, tendo havido uma cena inesquecível para os meus colegas que me acusam de, nessa altura, ter tido um acesso de arrogância e prepotência. Como achei (e ainda acho) a cena normal, obviamente não vos vou maçar com ela. Eles se quiserem que contem…
O que aqui se vê é um trio maravilha de cantores à solta na Maria Pita, a praça principal da Coruña. A praça convida ao canto e eu tenho a experiência de ter assistido num verão, a uma apresentação dos Carmina Burana do Carl Orff, feita pela orquestra da Galiza, mesmo no meio da praça. Coisa em grande como a própria Maria Pita merece.
É uma apresentação descontraída e em ritmo de passeio, aquela que aqui se pode ver, ainda que se sinta um certo deslumbramento pela grandiosidade da Maria Pita. Para alguns dos meus colegas aquela foi a primeira vez que por ali passaram.
Em breve lá voltaremos, pois em 2008 temos vários concertos agendados para a Galiza. E além da Maria Pita iremos repetir as empanadas de bonito, o pulpo à galega e o licor de ervas, que tão bem dispõe o Sr. Manuel Leitão!

18 dezembro 2007

Video Killed The Radio Star

Não estamos propriamente mortos. Sentimo-nos muito cansados depois de 4 dias bastante intensos, com viagens pelo meio, concertos, televisões e rouquidões. Ainda assim e apesar das aparições televisivas dos últimos dias, nunca o vídeo nos há-de aniquilar.
Este introito lança o vídeo e a história de hoje. Esta nossa versão do Vídeo killed the radio star, tem uma história curiosa.
Quando resolvi fazer este arranjo, contactei a SPA para junto dos autores desta música ter autorização para o fazer. É um procedimento normal e até à data nunca nenhuma autorização nos foi negada. Desta vez, no entanto, os Bugles, grupo que escreveu este tema em 1979 e que tinha lá no meio nomes conhecidos como o do Trevor Horn ou Geoffrey Downes, disse Não! Que não davam autorizações para versões deste tema. Nem para ser tocada/cantada ao vivo, nem, muito menos, para ser alguma vez gravada. A SPA sugeriu que a coisa não ficasse por aqui e pediu-me para fazer um mp3 da versão para depois ser enviado para o representante dos autores. Assim fizemos. Gravámos na sala de ensaio a nossa versão da canção que inaugurou a MTV e lá enviei.
Os senhores pelos vistos gostaram, pois na volta do correio, estava a autorização para tudo: cantar ao vivo e gravar. E já agora, ficaram a saber quem são as Vozes da Rádio!
Esta apresentação que aqui vos deixo (à Aleixo!), foi gravada a 5 de Outubro deste ano. A festa da Desigual, que teve logo a abrir a estreia mundial dos RenasSer, e que já foi aqui falado. Desse nosso alter-ego, guardo vídeos para depois do Natal.


16 dezembro 2007

Manda-me um postal...

É assim que começa o nosso original de Natal, gravado para a reedição do disco feita o ano passado. A canção tem sido cantada por nós diariamente nestes últimos dias e houve até dias em que a repetimos. Viva o Natal!
Serve isto para dizer que já está disponível nas Fnac's o nosso disco de Natal. Quem quiser é só ir lá e pedir. Quem não quiser de todo ir lá, pode também pedi-lo através aqui do tasco. Quem não quiser ir à Fnac, nem pedir por aqui, não compra!
Para ilustrar este postal, fica aqui o nosso postal do ano passado (mal aceite pelos mais radicais, a avaliar pelos comentários que foram aqui postos) e fica também o "À espera do Natal" gravado o ano passado em Viseu durante o ensaio de som, com o moderno sistema de traveling camera, inspirado nas Pombinhas da Cat'rina, que andaram de mão em mão.

14 dezembro 2007

CASA DA MÚSICA- Será que vão aparecer????

Pois é...

é já amanhã e os bilhetes estão quase esgotados...
H de Harmonia é o tema e as Vozes da Rádio vão lá estar numa Aventura pedagógica de nos mostrar o que é a Harmonia!
16h na Sala de Ensaio 1 da Casa da Música... APARECE!


Mas será que eles vão Aparecer???

Three of a kind

São três os compromissos para amanhã: de manhã a abrir, o Natal dos Hospitais, directamente do Hospital de São João. Este ano a nossa apresentação será substancialmente diferentes da do ano passado: vamos estar todos! Saída logo após o almoço (paragem obrigatória para leitura das revistas no estação de serviço de Leiria por volta das 15h30m) e show-case na Fnac de Alfragide às 18h.
Às 23 horas, a monumental apresentação das Vozes da Rádio no Maxime. O regresso à maravilhosa sala de entretenimento da capital.
Apareçam. Nós mesmo coxos, lá estaremos.À espera de entrar no Natal dos Hospitais do ano passado. Este ano voltaremos a estar à espera de entrar e à espera do Natal. Porque quem espera, sempre alcança!

13 dezembro 2007

Horários para os próximos dias

Como as perguntas se vão sucedendo aqui no blog, aqui ficam os horários para os próximos dias:

Dia 14, Sexta-Feira

9h - Natal dos Hospitais (quem quiser passar pelo São João...)
18 h - Fnac Alfragide
A partir das 23h - Maxime

Dia 15, Sábado

16h - Casa da Música, Breve Dicionário de Ouvir - H de Harmonia

Dia 16, Domingo

Lá para as 13h - Pavilhão de Congressos de Braga... qualquer coisa para a RTP Internacional.

Dia 17, Segunda-Feira

Evento particular que não posso dizer.

Tudo isto com o branquinho Barnabé de pé de gesso... Espectáculo a não perder.

12 dezembro 2007

Balanço do dia


Chega tarde um homem a casa e é presenteado com alegrias destas! Com que então o nosso Miúdo voltou às canadianas? Pois digo-te Miúdo, que se eu fosse canadiana, gostava de estar sempre em uso (não soa bem, mas entendam como quiserem).
Esta história que se repete do Miúdo de muletas faz-me lembrar uma mais antiga.
Certa noite, vindos não sei de onde e a horas tardias, deixámos o Vilhas em casa dele (ternamente chamada por nós de cubata), entoando cânticos pouco edificantes e sobretudo impróprios para aquela hora. O Vilhas exibia aquele ar de terrivelmente aborrecido (portanto só um pouquinho mais carregado do que o ar normal dele) e perante o barulho e as incessantes brincadeiras, deu meia volta tão bem dada, que ficou a coxear, seriamente magoado no joelho. O último olhar dele para nós foi de ódio... Nessa altura, na carrinha, alguém cantava já, perante o esgar de dor do nosso baixo, a singela canção "o pretinho Barnabé, tiroliroliro/a saltar partiu um pé, trirolirolé".
Durante ensaios a fio e enquanto o mais velho coxeava, o mais novo lá ia saltitante para o piano fazer tema e variações sobre o pretinho Barnabé. Uma festa pegada...
A hora da vingança do africano chegou, e no espaço de menos de seis meses, o benjamim anda de perna à banda.
Cumpre-se uma etapa para o fim do racismo e atinge-se o ideal que certa vez ouvi pela boca de um africano, num debate sobre racismo na rtp: "enquanto houver memória, e os pretos não fizerem aos brancos, o que os brancos fizeram aos pretos, vai haver racismo!" (por favor leiam com sotaque de Luanda, Maputo ou Buraca).

11 dezembro 2007

6a feira, 14 (que bem poderia ser 13!)

Acompanhamento musical proposto para audição enquanto faz a leitura do post: O Pretinho Barnabé

Como já foi aqui escrito, a próxima 6a feira vai ser de grande actividade. Já foi anunciada a nossa presença no Maxime. Vamos também estar no Natal dos Hospitais. Vamos também a Alfragide provar os bolos e sumos que o Sr. Fnac faz para a sua nova loja (ah, sim, e para além de comer, penso que também vamos seringar algo...). Por isso, num só dia, estaremos em várias frentes. Isto até pode parecer relativamente normal. Em condições normais, seria...

Quem acompanha as andanças deste tasco há uns tempos, sabe que já estivemos no Maxime. Sabe também que nesse concerto a minha mobilidade esteve bastante limitada... Pois bem, coincidência ou não, 6a feira nem sei se chegarei a pisar o palco do Maxime ou se fico pelo hospital que vai acolher o Natal dos Hospitais. Ontem à noite lesionei-me, precisamente no mesmo pé (the left one)... Os meus amigos cantantes ainda não sabem. Vão rejubilar, eles gostam destes acontecimentos. Portanto, se quiserem assistir a um grupo vocal de excepção, com pessoas humanas tão singulares como 3 brancos, 1 preto e 1 manco, apareçam, ou liguem a televisão...


Sim, é a mesma foto do post de Junho... Mas porquê uma nova foto?! O pé é o mesmo, está no mesmo estado miserável, as canadianas são as mesmas... O verdadeiro Déjà Vu.

Magyar Bicskei Enek

O título da canção é singelo: Bicskei Enek. A letra também: fala de como os habitantes de uma aldeia magiar tratariam bem o Menino Jesus se ele, em vez de resolver nascer em terras longínquas, nascesse lá na aldeia.
Esta é mais uma das nossas cançonetas de Natal, do disco com o mesmo nome. Só foi possível porque uma nossa amiga húngara, a Emeche, nos fez chegar esta canção e ao mesmo tempo instruiu o Tomi a cantar no seu melhor húngaro. E se dúvidas tiverem sobre a competência do Tomi na lingua de Béla Bartók, é ver o facies do meu colega com a densidade das palavras. O homem transfigura-se!
É, para os menos atentos, mais uma canção alusionista: tem incrustados pedacinhos da Missão Impossível e mesmo do 007. É que é cantar em húngaro, não é nada fácil. Mas é bonito!
Kellemes karàcsonyi ünnepeket és boldog uj évet

09 dezembro 2007

Desigual rima com Amor Plural

Aos poucos fomos sendo aqui apresentados ora como monges, ora como arrumadores. Foi igualmente prometida uma explicação. Está na hora de a dar.
No dia 5 de Dezembro a Desigual, empresa de publicidade, celebrou o seu décimo aniversário e celebrou a vida, fazendo um jantar-festa de título Life Party. O seu proprietário, um carioca de nome Márvio Fisz, falou connosco e explicou que a ideia da nossa apresentação passaria por surpreender os convidados. Depois de vários brainstorms chegámos ao ponto final: antes das Vozes da Rádio iria haver a apresentação do grupo Renascer (que melhor forma de celebrar a vida do que voltar a viver…). Para este Renascer (que ainda se transmutou para RenasSer, numa clara homenagem ao Rudolfo do nariz vermelho) criámos história, criámos enquadramento, por forma a torná-lo um projecto credível e, quem sabe, de futuro na música portuguesa. É um alter-ego das Vozes, porque no fundo cada um de nós tem um Pessoa cá dentro.

RenasSer não é mais que uma boys band de inspiração cristã e com orientação sexual plural. Foi criado pelo Pe. Armando Possante, que recuperou jovens, tirando-os da vida promíscua e dissoluta e incutindo-lhes sentimentos de vida. Fê-los olhar a vida de outra forma, libertou-os dos vícios. Hoje estes jovens agradecem ao Pe. Armando, a vida que este agora lhes proporciona. A música foi elo de ligação. À música podemos igualmente atribuir um papel redentor. Foi ela que os fez chegar ao caminho da salvação.
Assumimos tudo. Particularmente, assumo a bela melodia e a não menos importante mensagem incluída na letra. Assumo igualmente a paternidade da criança que no fim clama: “Pai, nunca mais faças essas coisas feias, sim?”.
Fiquem com o vídeo dos RenasSer e do tema Amor Plural, que foi exibido durante o jantar, para preparar a triunfal entrada dos artistas … e desta festa da Desigual contem com mais imagens e mais músicas.

Maxime de Natal!

Será já no próximo dia 14, sexta-feira, que regressaremos ao Maxime para cantarmos o Natal. Todos aqueles que seguem os nossos esgalhanços e reparam na decoração das nossas paredes, sabem que temos um disco (lindo, por sinal) dedicado à música de Natal. Música sacra, música profana, música tradicional e música original, como é o caso deste Lucas e o Pai Natal. Quem ainda não tem esta preciosidade na sua estante da sala, só tem de esgalhar aqui ao lado e pedir. Ele, bem mandado, segue o seu caminho. Outra forma de garantir um Natal musical de qualidade é passar no Maxime, pois por lá entre outras coisas, haverá cd’s para transaccionar.
Este Lucas e o Pai Natal insere-se numa corrente que chamamos alusionista, pois contém várias alusões a outras músicas de Natal (Jingle Bells, Noite Feliz, Joy to the World), a músicas que nada têm a ver com o Natal (A Night in Tunísia, no início ou a Marcha Fúnebre a meio), a claques de futebol e ao PREC. Se encontrarem mais alguma alusão, não hesitem em contactar-nos. Nós esclareceremos.
Voltando ao âmago do esgalhanço: dia 14, sexta à noite, Maxime! Povo de Lisboa e arredores: apareçam! Ajudem-nos a divulgar! Passem a palavra e com sorte até o Mugabe vai lá estar.

08 dezembro 2007

Michael Jackson?

Sou um devorador de notícias. Algumas delas serviram já de argumento para canções nossas. Todas as manhãs é ver-me correr de semáforo em semáforo à cata do Destak, do Metro, do Global, do OJE, seja lá o que for que tenha letras, e que não custe dinheiro. Ainda assim o top dos tops é esse semanário de referência do nosso país, a Dica. Não há a nível de informação, jornal que se compare com este. O Expresso já era e o Sol nunca foi. É a Dica que nos dá as melhores notícias sobre economia, poupança, investimento. E depois tem uma completíssima secção de lazer o que o torna presença indispensável nas casas de banho do nosso país.
Ora numa incursão pela casa de banho reparei que a capa desta semana apresenta uma entrevista com RUI VILHENA, o nosso Vilhas. Antes mesmo de saltar para a página 5, reparo na foto: o nosso Vilhas padece do mesmo mal de tez que o Michael Jackson! Não pode ser, é o desatino da melanina! Além disso está substancialmente mais magro e com fortes parecenças com o Jorge Costa, conhecido atleta de artes marciais e que por vezes também jogava futebol. Não quis acreditar, saltei à 5, e li que este Vilhas não é o nosso… é um bem sucedido (pelo que diz a notícia) escritor de telenovelas portuguesas. Êxitos da TVI, que o povo gosta, mas que eu infelizmente não tenho tempo para ver, por a essa hora ainda estar a ler os diários gratuitos recolhidos de manhã.
Equívoco resolvido fixei-me noutras leituras e não posso deixar de vos sugerir o tampo para sanita marca Wenko que só custa 14,99€ e é de montagem fácil. Tudo no Lidl!
Quantos aos Vilhenas, pois nós ficamos com o nosso. Pela leitura este outro parece ser bom moço, mas não lhe conhecemos a voz. Além disso usa uma camisola com tantas letras que iríamos passar o ensaio a decifrar o que tem lá escrito…

Vistos mais de perto

Outra fotografia enigmática... quem são estes três? Que metamorfose se deu nestes filhos de Deus? Porque aparecem um dia de hábito e outro como arrumadores? São perguntas para responder brevemente no sítio do costume... aqui. Agora vou dormir.

07 dezembro 2007

Vistos ao longe

Temos estado mais ausentes por motivos de trabalho... muito mesmo. Aliás, temos andado desaparecidos e a última vez que fomos vistos foi em plena Marechal Gomes da Costa. Como estávamos? É só ver... Haverá salvação para estas almas? Duvido.

02 dezembro 2007

Totós

Há uns meses fomos entrevistados pelo nosso conterrâneo e verdadeira voz da rádio Aurélio Gomes, no Rádio Clube Português. Quando questionados sobre a forma como nos juntámos, como nos conhecemos, o Jony explicou que o Miúdo tinha sido indicado por um amigo comum de ambos, o Zé Manel Pinheiro, e que é simultaneamente um grande amigo das Vozes. Para quem não sabe ou não ouviu a história, em 2000 tivemos a necessidade de encontrar alguém que substituísse o Mário Alves ocasionalmente e o Miúdo prestou-se a provas exigentíssimas. Dois anos mais tarde entrou definitivamente nas Vozes. O Jony contou isto e acrescentou que até já conhecia de vista o Miúdo e (sic) “o achava um totó”. Perante o riso desbragado e achincalhamento público, o Miúdo sorriu e ainda ouviu do mesmo Jony “e ainda o acho!”
Não estou aqui para alimentar a polémica, nem muito menos para discordar do Jony (quando muito concordaria plenamente, só que pode parecer mal e eu sei que o Miúdo pode deprimir. Ele deprime com facilidade, diga-se de passagem), mas para dar alguns argumentos ao Miúdo. Por isso publico este deprimente momento de televisão de 1994. Quantos totós podem ver? Muitos, eu sei… o público (que só se vê no fim), os concorrentes (que acho que nem aparecem), o apresentador, ainda assim menos dourado e menos decadente do que está agora, e os cantores, que por baixo das roupas Nuno Gama escondem a essência do Totó. É ver bem a entrevista e o ar dos efebos. Neste particular, o Jony brilha a todos os níveis.
Deste dia (ou noite) recordo igualmente os milhares de totós que fizeram o histórico buzinão na ponte sobre o Tejo. Um dos momentos mais barulhentos da nossa história e que de positivo nada trouxe: as portagens subiram (muitas vezes desde lá, diga-se) e ainda alguém guarda desse dia as mais péssimas recordações, ao apanhar com uma bala perdida. Não esquecer que os irmãos Faustino, lideres de uma das claques beligerantes, acabaram por ser capa de jornal, anos mais tarde, por outros motivos... totós...
Por outro lado a prestação artística não foi a melhor. Os totós que estavam em palco tinham andado nas vésperas em grandes festejos de São João e alguns estão ali sem terem dormido nada nas noites anteriores. É a inconsciência normal de totós. Cereja no topo do bolo, foi mesmo a qualidade do som do programa. Desde o totó do som, até aos totós dos assistentes que puseram dois mini-monitores para nós os seis, tudo ajudou à festa
Se eu mandasse, instituiria este dia 25 de Junho de 1994 como dia nacional do Totó…

01 dezembro 2007

A trabalhar a esta hora...

A esta hora um pré-quarentão já deve estar a dormir, ou então a divertir-se e nunca a trabalhar. Mas a verdade é que o dever chama e estive até agora a trabalhar em material de altíssima qualidade que em breve será desvendado. Tudo para as Vozes, é claro.
Como não sobra tempo para escrever aqui no tasco, com mais substância, recorro a um vídeo que revi há dias. A minha amiga Lúcia mandou-me o link para esta pequena maravilha.
Aqui se prova que tamanho não conta e que nada há de melhor do que o humor. A música do Michel Petrucciani chama-se Looking up, que foi o que ele andou a fazer na sua (infelizmente) curta vida.
Este enorme pianista e músico foi mais um dos que me impressionou naquela fase em que nos estamos a formar. Ainda hoje impressiona pelo som e pela musicalidade.
E pronto, divirtam-se. Eu é só desentupir a caixa do correio e vou dormir.

26 novembro 2007

Açores, 2005

No outro dia o Miúdo arrumou o disco duro dele e encontrou preciosidades dos tempos da rádio. Hoje é o meu dia de mostrar aqui arquivos de uma das nossas viagens aos Açores.
Em Janeiro de 2005 estivemos em Ponta Delgada para reinauguração do Coliseu Micaelense. Foi mesmo no final do mês, a 30 e aproveitamos para algum lazer, como é hábito nestes compromissos profissionais.
Assim fomos ao cozido nas furnas e aproveitamos para o banho nas águas quentes lá do sítio. O bonito da história é que o Tomi não entrou por não sentir que a água estivesse nas melhores condições. Estava até visivelmente incomodado, tendo por isso ficado com a tarefa de fotógrafo oficial. Efectivamente, e recordando-me das qualidades da água que aprendi na primária, esta não era incolor. O tom era castanho a fugir para o vermelho, numa descrição perfeita que o Vilhas fez, mas que não posso aqui referir. Por outro lado, a água nada tinha de inodora. Um cheiro forte a enxofre e ferro desmentia aquela qualidade que me ensinaram e que diz que a água não tem cheiro. A verdade é que o paladar não experimentei, pelo que não pude tirar a limpo a ausência das 3 verdades supremas da água.
O banho valeu bem a pena, em águas bem quentes que contrastaram com os pingos de chuva que nos caíram na cabeça. Lindo foi também o ritual de acasalamento que assistimos entre dois autóctones e que, levados pelo calor da água e da paixão, não se coibiram de dar azo à imaginação e ao físico… talvez isto também tenha afastado o Tomi…
À noite cantamos numa sala linda conforme podem ver no topo. Está na altura de voltar, não?

















Aqui está a reportagem. Lá em cima a bela sala açoriana. Depois uma das fantasticas vistas de São Miguel com o grupo excursionista. Às Vozes juntam-se o Manuel Leitão e a Inês, nossa técnica de som (quem tem sorte?). Realço desta foto a mais bela expressão de felicidade do Vilhas, uma constante no seu semblante. Mais abaixo as límpidas águas e a dura tarefa não de enxugar, mas de tirar do corpo as substâncias que ficaram agarradas na pele.

25 novembro 2007

Santa Catarina

Hoje de manhã fui para a baixa, andar e consumir por Santa Catarina. O Natal aproxima-se de forma apressada e é preciso começar a fazer compras. Sim, eu sei que o Natal não é nada disto e o que interessa é o espírito e a paz entre os homens, mas todo esse encanto é bem mais bonito quando se consome compulsivamente. E, como é público, eu sou um jovem sem necessidades, pelo que, gasto fortunas incontáveis nestas semanas que antecedem a festa da família.
Estava eu à espera do verde para os peões no lento semáforo da esquina com a capela das Almas, quando fui interpelado por uma senhora que igualmente aguardava por ordem para avançar: “Ainda há minutos disse à minha filha que foi aqui em Santa Catarina que vos ouvi pela primeira vez a cantar. Foi pelo Natal, há muitos anos atrás. Desde aí que vos ouço com muito gosto”. É verdade! Há 16 natais atrás, no já distante ano de 1991, começámos a nossa carreira de artistas de rua, ao cantar em seis espaços comercias da cidade do Porto. Nessa altura tínhamos como técnico de som o Vilhas. Foram dias inesquecíveis, pois marcaram a primeira grande exposição das Vozes. Depois do Porto, e ainda nesse ano, seguiu-se Évora e Guarda. Uma verdadeira tournée!
Do repertório desses concertos está este Swing Low que aqui vos deixo. É uma versão completamente nossa aqui apresentada no programa da manhã Bom Dia que tinha essa mítica dupla: Juca Magalhães e Manuel Luís Goucha.
Das imagens muito há para dizer: o bigode do Goucha, o cabelo do Juca, as lindas vestes que ostentamos saídas da cabeça da D. Laura Artur, conhecida representante dos comerciantes do Porto, o cenário do programa. Caso não percebam sou o único sobrevivente desses tempos. Para quem não me reconhecer, apenas digo que foi com a silhueta que aqui apresento que uns anos mais tarde o exército português ficou privado do meu brilho. Motivo de tal perda: falta de peso. Para mim não passaram 16 anos. Passaram 20 quilos.

22 novembro 2007

Dia de ensaio

Hoje temos ensaio… como todas as quintas feiras. Mas o de hoje começa um pouco mais tarde, o que me trouxe à memória tempos iniciais das Vozes.
Houve um período em que os nossos ensaios, na altura na Escola de Jazz, começavam à meia-noite e acabavam às três da manhã, muitas vezes com incursão ao mercado abastecedor de fruta, entre paletes de laranjas e motoristas de tirs. É que, para quem não sabe, no mercado abastecedor, à noite, há uma cidade viva, com cafés e restaurantes a laborar a todo o vapor.
Foram tempos que, sei agora, puseram os pais do Jony a pensar sobre o futuro do seu filho querido. O rapaz na altura tinha 19 anos e a avaliar pelas companhias e pelas horas a que chegava, parecia irremediavelmente perdido.
Isto dá o mote para o conselho que deixo aqui: amanhã lá pelas onze e tal (a boa hora do ensaio) há Fiambrino Svenska no Disco Volante, ali no antigo Cinema Batalha. Os DJ’s são do melhor: Sérgio Sousa (Rádio Nova) e Filipe Gomes (Rádio Clube Português). A estes juntam-se dois VJ’s que espero tenham filmes saídos da cena alternativa sueca. Coisas de qualidade que me fazem recordar viagens para Lisboa onde víamos filmes com títulos como Svensk Pörr, e que nunca descobri o que significa…