14 setembro 2006

Traumas da vida

Hoje dei por mim a pensar que todos nós somos feitos de traumas. E com os traumas aprendemos, ou ficamos traumatizados para o resto da vida. No meu caso, existe um bocadinho de cada... Aqueles que foram ultrapassados com o tempo, outros que permanecem e que hão-de sair um dia, e ainda outros que já têm raízes e só os perderei quando estiver a vários palmos abaixo do solo. Dos que já foram ultrapassados, relembro um que não tem muita piada para mim. Mas o meu trauma foi pensar que iria ter muita piada para os outros. Era jovem. Ainda sou. Mas era mais. Certo dia, chegou o momento em que todos os jovens passam imediatamente para adultos - o recrutamento militar e consequente alistamento. Lembro-me tão bem dos dizeres sapientes dos mais velhos, que quem não fosse para a tropa não seria um homem de verdade... Na altura, preferia ser eternamente jovem do que um homem a sério e passar pelo vexame que iria passar... Reparem bem no raio do número de recenseamento que me havia de calhar...



A minha interrogação era só uma: PORQUÊ EU?! Devia ter feito algo muito mau para receber tamanho presente envenenado. Os dias de angústia transformaram-se em meses... os meses em anos ( isto porque adiei várias vezes a inspecção devido aos estudos)... mas sabia que esse dia, o dia em que ouviria uma voz a chamar pelo tal número, chegaria... E eis que chegou. Apresentei-me. E nesse dia não ouvi uma só vez o dito número, pois foi-nos atribuído outro número. Eu irradiava alegria. Até fiz todos aqueles exames parvos com um sorriso igualmente parvo na cara. Tudo estava a correr bem. Até ser chamado para um grupo aparte, cheio de mancebos rústicos. Não sabia muito bem porque estava ali. Até saber a noticia...



INAPTO? Eu, cheio de saúde, com perfil de ranger quase do texas, junto dos inaptos?? Nem passei sequer pela reserva territorial... Exigi explicações. Responderam-me que tinha sido premiado. A esta hora, em vez de estar a cantar com mais 4 lolós, esses arranjos todos efeminados, poderia estar a tocar clarinete na Banda do Exército, ou até da Marinha! Triste sina, a minha...

2 comentários:

Anónimo disse...

O Ambrósio também estava lá?
Mas que lhe disseste? "Apetecia-te algo"?
Certamente que não ficou só por assinar a cédula militar "INAPTO". Afinal com um número de recenseamento tão solene, remete-nos para imaginarmos o fim da história... :)

Traumas à parte, deve ter valido a pena esperar :D

LOLA

Anónimo disse...

A partir de agora vais ser conhecido como o 0069... lol

Quanto ao facto de estares inapto, cá para mim, afinal a minha teoria do único elemento das boysbands que passa mais tempo no ginásio, etc, etc estava certa :P

Bjokas ;)